terça-feira, 14 de julho de 2009

«SANTA MARIA»


Paquete português, propriedade da Companhia Colonial de Navegação. Foi construído nos estaleiros navais belgas de Hoboken (da S.A. John Cockerill) e lançado à água em 1952. Deve a sua celebridade ao facto de ter protagonizado um insólito e extemporâneo acto de pirataria, levado a cabo pela DRIL (Direcção Revolucionária Ibérica de Libertação). Os mentores (e executores) da operação foram o português Henrique Galvão e o espanhol Jorge Sottomayor. O assalto ao «Santa Maria» teve lugar no mar das Caraíbas e ocorreu na noite de 21 para 22 de Janeiro de 1961. Durante a chamada Operação Dulcineia foi morto um oficial do navio, que tentou resistir aos intrusos. Destinado a chamar a atenção da opinião pública mundial para a política dos ditadores Salazar e Franco, o golpe atingiu plenamente os seus fins, já que, durante duas semanas, a imprensa internacional deu uma cobertura sensacionalista ao caso do «Santa Maria». Perseguido pela marinha e aviação militar dos E.U.A., o paquete sequestrado conseguiu, porém, chegar ao Brasil, onde os elementos da DRIL puderam beneficiar -a troco da entrega do navio (entretanto baptizado «Santa Liberdade») e dos seus ocupantes- do estatuto de refugiados políticos. Depois dessa sua incrível aventura, o «Santa Maria» regressou a Lisboa a 16 de Fevereiro. Sete anos mais tarde, em 1968, depois de ter sofrido uma importante remodelação, o paquete (que, durante anos, assegurara uma linha regular de passageiros com as Américas) passou a efectuar cruzeiros no Atlântico e no Mediterrâneo. Terminou a sua carreira em meados dos anos 70 (do século passado) no estaleiro de demolição de um sucateiro de Taiwan.

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