quarta-feira, 31 de agosto de 2016

«SIBAJAK»

Paquete que hasteou bandeira dos Países Baixos. Construído em 1927 no estaleiro De Schelde, de Vlissingen, deslocava 18 144 toneladas e media 161,55 metros de comprimento por 19 metros de boca. Tinha 3 'decks' reservados aos passageiros (havia nele acomodações para 500 viajantes) e vastos porões para carga geral. Estava equipado com 2 máquinas diesel, que lhe imprimiam uma velocidade de 17 nós. Funcionava com uma tripulação de 234 membros. Propriedade da companhia de navegação neerlandesa Rotterdamse Lloyd, fez a sua viagem inaugural em 1928, entre o seu porto de registo (Roterdão) e Batávia, a actual Jacarta, capital da Indonésia. Serviu -antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial- em várias das linhas ultramarinas exploradas pelo seu armador. Mas, quando o conflito rebentou, o «Sibajack» (que sofrera remodelações em 1935) foi mobilizado pelos Aliados, que o utilizaram como transporte de tropas; como fizeram, aliás, com tantos outros paquetes do seu tempo. Foi devolvido ao seu armador holandês em 1948 e, pouco depois, especializou-se no transporte de emigrantes europeus, desejosos de se instalar na Austrália, na África do Sul, nas chamadas Índias Ocidentais, mas também no Canadá e nos Estados Unidos. No início dos anos 50 do passado século, sofreu novos trabalhos de modernização, que lhe permitiram transportar mais passageiros. E entre 1955 e 1959 passou a navegar numa linha regular com término em Jacarta. Julgado obsoleto, o «Sibajak» foi desmantelado no início da década de 60, num estaleiro especializado de Hong Kong.

«ATAGO»

Cruzador pesado da armada imperial japonesa, que teve participação nos combates da 2ª Guerra Mundial. Era um navio da classe 'Takao, construído no início dos anos 30 pelo Arsenal de Kure. Integrou os efectivos da marinha de guerra nipónica em Março de 1932. O «Atago» era um navio bem protegido, que deslocava mais de 15 000 toneladas em plena carga e que media 202 metros de comprimento por 20,70 metros de boca. O seu calado era de 6,30 metros. O sistema propulsivo que o equipava desenvolvia uma potência de 132 000 cv, o que lhe conferia uma velocidade de 35,5 nós e uma autonomia de 8 500 milhas náuticas (com andamento limitado a 14 nós). O seu armamento principal era, inicialmente, constituído por 10 canhões de 200 mm, 4 de 120 mm, 4 metralhadoras de 13,2 mm e 8 tubos lança-torpedos de 610 mm. Este arsenal seria modificado (para melhor) em 1939-40, com, nomeadamente, a introdução a bordo de 60 peças antiaéreas de 25 mm. O Atago» também estava provido com 2 catapultas e equipamento de recuperação de aeronaves, que lhe permitiam embarcar e operar 3 hidros. Este cruzador participou em algumas das mais importantes acções da guerra, estando presente, por exemplo, nos desembarques da Malásia e do norte das Filipinas e na invasão de várias ilhas da Insulíndia. Também participou nas batalhas das ilhas Salomão e de Santa Cruz, de Guadalcanal, do mar das Filipinas, etc. Em Outubro de 1944, combatia as forças norte-americanas na violentíssima batalha do golfo de Leyte (cemitério de tantos navios da armada imperial nipónica) quando -na noite de 22 para 23- foi torpedeado pelo submarino USS «Darter». O cruzador «Atago», que então içava as cores do vice-almirante Kurita, afundou-se 20 minutos após o ataque do navio inimigo. Houve centenas de mortos, mas o supracitado almirante sobreviveu ao naufrágio e passou a içar as suas insígnias no poderoso «Yamato» até ao fim desse confronto. Que foi uma importante vitória das armas norte-americanas e dos Aliados.

«CERVANTES»


Navio pertencente à armada da República da Argentina. Era um contratorpedeiro da classe 'Charruca', dado como concluído -pela S. E. C. N. de Cartagena- em 1927. E que arvorou o pavilhão de guerra espanhol durante alguns meses, antes de tomar o rumo da América do Sul. Chegou a Buenos Aires (em proveniência de Cádiz) no dia 10 de Janeiro de 1928, onde recebeu o nome de «Cervantes» e onde, pouco tempo depois, se procedeu à sua integração na Esquadrilha de Exploradores da 1ª Região Naval, acantonada em Puerto Belgrano. A sua compra custou à Argentina cerca de 2 milhões de pesos-ouro e foi facilitada por um empréstimo do governo de Madrid de 100 milhões de pesetas. No historial deste navio, regista-se a sua participação num conflito interno, na chamada Revolução Libertadora, que teve como objectivo principal afastar o general Juan Perón do poder. Durante um combate -também ele chamado, curiosamente, batalha do Rio de la Plata- o contratorpedeiro em apreço (mas também o «La Rioja»), tripulado por oficiais e cadetes da Escola Naval Militar, trocou fogo com jactos Gloster 'Meteor' da Força Aérea Argentina. Nessa contenda a aviação parece ter levado a melhor, já que provocou -com os seus canhões de 20 mm- vários mortos e feridos na guarnição do «Cervantes». Em 1961, aquele que foi o primeiro exemplar construído da classe 'Charruca' foi riscado dos activos da armada argentina e vendido a um sucateiro alemão; que procedeu ao seu imediato desmantelamento. Como todos os navios da sua classe de origem, este 'destroyer' apresentava as seguintes caraterísticas : 1 650 toneladas de deslocamento, 102 metros de comprimento, 9,60 metros de boca e 3,30 metros de calado. Do seu armamento constavam 5 canhões de 120 mm, 1 peça AA, 4 metralhadoras, 6 tubos-lança-torpedos de 530 mm e 2 calhas de arremesso de cargas de profundidade. As suas máquinas (acopladas a 2 hélices) desenvolviam 42 000 hp, força que lhe permitia navegar  à velocidade máxima de 36 nós e dispor de uma autonomia de 4 500 milhas náuticas, com andamento limitado a 14 nós. O «Cervantes» tinha uma guarnição de 160 homens, oficiais incluídos.

«ASSURANCE»

Navio de guerra inglês do século XVII. Foi construído nos estaleiros de Deptford (situado numa margem do rio Tamisa) sob a supervisão do afamado mestre carpinteiro Peter Pett (primeiro do nome) em 1646. Há quem lhe chame 'fragata', mas a verdade é que, naquele tempo, esse termo correspondia a um método de construção e não a uma função do navio. O «Assurance» era um navio de 345,5 toneladas, que media 27 metros de comprimento (na quilha) por 8,18 metros de boca. O seu calado era de 3,40 metros. Arvorava 3 mastros e estava armado com 32 peças de artilharia (40, a partir de 1667). Segundo Samuel Pepys -que foi presidente da 'Royal Society' e 1º secretário do Almirantado- este navio afundou-se em Dezembro de 1660, na sequência de uma tempestade. No desastre, ocorrido perto de Woolwich, morreram 20 homens da sua guarnição. O «Assurance» foi reemergido e reintegrou a frota real. Por conta da qual participou na guerra contra os Países Baixos, nomeadamente no ataque de uma frota holandesa, surpreendida pelos britânicos no estuário do Vlie. Esta operação vitoriosa dos navios ingleses ficou registada na História como 'a fogueira de Holmes' (pelo facto da expedição ter sido comandada por 'sir' Richard Holmes, que mandou incendiar a frota inimiga) e sucedeu a 9 Agosto de 1666. O «Assurance» foi desactivado em 1698 e vendido a um particular. Nota : a ilustração anexada não representa o navio em apreço, mas um congénere inglês do seu tempo.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

«GOLDEN WEST»

'Clipper' construído em 1852 nos estaleiros de Paul Curtis, em Boston. Fez-se notar, no seu tempo, pela imponente águia dourada que lhe servia de figura de proa. O seu primeiro armador foi a companhia JA & TA Patterson, de Nova Iorque, que utilizou o «Golden West» no carregamento de nitratos do Chile (guano), no transporte de 'coolies' -os esforçados trabalhadores chineses- para as minas e obras da Califórnia e para o comércio com a Austrália e com o Celeste Império. Na realidade, este veleiro navegou em todos os oceanos do mundo e nos mais recônditos mares, ganhando fama de navio rápido e robusto. Em 1863, o «Golden West» foi vendido em leilão e arrematado pelo armador britânico J. G. Ross, que confiou o seu comando ao capitão Jewett, um experimentado lobo do mar. Que com este 'clipper' retomou as actividades que o navio já desenvolvera quando içava a bandeira dos Estados Unidos. Era uma galera de 3 mastros, com casco em madeira e 2 convéses,  com 1 441 toneladas (burthen) e apresentando as seguintes dimensões : 64 metros de comprimento, 12 metros de boca e 7 metros de calado. A imagem que ilustra este texto é uma obra pictórica do artista William Bradford, que a realizou em 1853.

«OCEANOS»

Este paquete foi construído, em França, nos estaleiros bordaleses da empresa Forges et Chantiers de la Gironde; que o lançaram à água a 12 de Julho de 1952 com o nome de «Jean Laborde». Era gémeo dos navios «Ferdinand de Lesseps», «Pierre Loti» e «La Bourdonnais» encomendados pela Compagnie des Messageries Maritimes. Com 10 100 toneladas de arqueação bruta e 150 metros de longitude por 19,60 metros de boca, este navio estava equipado com 2 máquinas diesel desenvolvendo uma potência global de 12 500 cv. Força que lhe autorizava uma velocidade máxima de 19 nós. Na sua primitiva configuração, tinha uma tripulação de 250 membros e podia receber 400 passageiros, entre os quais 78 acomodados em 1ª classe. O seu armador colocou-o na chamada carreira do Oceano Índico, que ligava Marselha à Costa Oriental de África, a Madagáscar e à ilha da Reunião, via canal de Suez. Nos anos de 1956 e 1957, a sua rota passou pelo cabo da Boa Esperança, por causa da guerra movida contra Nasser, que, unilateralmente, decidira da nacionalização do canal. Foi, aliás, na entrada mediterrânica dessa via artificial que, a 3 de Agosto de 1964, este paquete de bandeira francesa teve o seu primeiro problema de navegação, ao ser abalroado pelo navio «Ranger New York», que lhe causou danos superficiais. No seu historial, ficou ainda registado que, a 10 de Agosto de 1970, o «Jean Laborde» também prestou assistência  à tripulação do petroleiro grego «Giorgios V», que sofrera uma explosão de caldeira. Em Dezembro desse mesmo ano de 1970, este navio foi vendido para a Grécia, onde os seus sucessivos proprietários lhe deram os nomes de «Mykinai», de «Ancona», de «Eastern Princess» (com este nome passou operar para Singapura e Freemantle) e, finalmente, «Oceanos». Foi ao serviço da Epirotiki Lines/Starlight Cruises que -a 4 de Agosto de 1991- navegando no oceano Índico, em frente das costas da província de Kwa Zulu Natal, o navio se afundou com mais de 570 pessoas a bordo. O desastre (que foi filmado) produziu-se na sequência de uma tempestade com intrusão de águas, que inundaram a casa das máquinas e, depois, todo o navio. Não houve vítimas mortais no naufrágio do «Oceanos», graças à pronta acção da marinha e da força aérea sul-africanas, que mobilizaram 16 helicópteros nas operações de salvamento. O caso tornou-se muito polémico, devido às declarações dos passageiros, que acusaram os oficiais do navio e parte dos seus marinheiros de os terem abandonado à sua sorte, deixando precipitadamente o navio. A carcaça do «Oceanos» jaz a cerca de 100 metros de profundidade e a 5 km da costa.

sábado, 27 de agosto de 2016

«YAOHUA»

Quando, em 1964, o general De Gaulle -então presidente da República Francesa- estabeleceu relações diplomáticas com a China comunista de Mao Tsé-tung, abriu as portas a uma próspera cooperação comercial entre os dois países, que se iniciou com a construção, nos Chantiers de l'Atlantique (Saint Nazaire), do paquete «Yaohua»; que foi entregue à marinha mercante chinesa em 1967. Este, era um navio com 10 151 toneladas de arqueação bruta, que media 149 metros de comprimento por 21 metros de boca. Estava equipado com 2 máquinas diesel, que desenvolviam uma potência global de 15 000 bhp. Força que permitia ao «Yaohua» navegar à velocidade máxima de 21 nós. A sua tripulação inicial era constituída por 177 membros e a sua capacidade era de 318 passageiros, curiosamente distribuídos por três classes distintas. Rezam as crónicas, que, aquando do bota-abaixo (em 1966) deste navio, foi servido a bordo (por iniciativa do comandante e da embaixada da China em Paris) um sumptuoso banquete, para o qual foram convidados (para além das autoridades locais) todos os técnicos e operários que participaram na realização do «Yaohua». E que, finda a cerimónia «onde os convivas comeram para dois dias e beberam para uma semana», estes voltaram a terra com inúmeros 'souvenirs', de entre os quais se destacavam os famosos 'livros vermelhos de Mao'. O novo navio zarpou de Saint Nazaire (cidade da Bretanha do sul) a 8 de Setembro de 1967 rumo aos mares da China, via cabo da Boa Esperança. E, pouco depois dessa viagem inaugural, passou a fazer carreiras regulares para a Tanzânia, para onde transportou mão-de-obra e quadros técnicos empenhados na construção da via férrea Tan-Zam (entre Dar-es-Salam e as minas de cobre zambianas). A partir de 1973, o «Yaohua» quedou-se por águas nacionais, funcionando como navio de cruzeiros. Parece que, entre 1989 e 1997, este navio mudou oito vezes de mão, sendo o seu último proprietário um armador de Hong Kong, que o colocou sob pavilhão panamiano, apesar de o manter em águas territoriais chinesas. E sabe-se que, no ano 2000, já com o nome de «Orient Princess», o navio em apreço se encontrava atracado num cais de Waitan Park de Tanggu (norte da China), onde passou a funcionar como casino, hotel e restaurante flutuantes. Curiosidade : o «Yaohua» foi o derradeiro navio a ser lançado pelos estaleiros navais de Saint Nazaire de modo tradicional, quer dizer a partir de um plano inclinado. Depois disso, todos os navios ali produzidos passaram a ser construídos em docas secas.