terça-feira, 23 de maio de 2017

«VIMIERA»


'Destroyer' da armada real britânica. O seu nome lembra (de maneira trapalhona) a batalha de Vimeiro -travada durante a Guerra Peninsular- durante a qual as tropas anglo-portuguesas venceram o exército napoleónico de invasão colocado às ordens de Junot. Este navio foi construído nos estaleiros da firma Swan, Hunter & Wigham Richardson, de Wallsend; que o lançaram à água em 1917. A sua entrada em serviço quando a Grande Guerra se aproximava do fim, não lhe deu a oportunidade de participar nos combates desse primeiro conflito generalizado. De modo que a sua carreira foi quase sem história (salvando o facto de ter transportado dois plenipotenciários russos para o seu país, depois de terem negociado, em Londres, o Acordo de Comércio Anglo-Soviético) até ao deflagrar da guerra de 1939-1945. Altura em que o «Vimiera» já era um navio algo antiquado. Apesar de, entretanto, ser sofrido trabalhos de modernização e de ter recebido armamento antiaéreo. As suas primeiras acções consistiram na escolta de comboios no mar do Norte (desde 1939) e em operações de apoio à evacuação (em 1940) das tropas aliadas de Dunkerque. Nesta acção, estima-se que tenha resgatado cerca de 2 000 militares, apesar de ter sido seriamente danificado por um ataque da 'Luftwaffe'; que implicou uma passagem pelo estaleiro. Depois de devidamente reparado este 'destroyer' voltou à proteção de comboios e atribui-se-lhe (em 1941) o abate de várias aeronaves hitlerianas; facto que valeu alguns membros da sua guarnição a atribuição de medalhas e outras distinções. Ainda nesse mesmo ano, o «Vimiera» ilustrou-se por ter salvo marinheiros de navios do comboio FS-559, que, na sequência de mais um ataque aéreo do inimigo, encalharam nas praias de Haisborough. Esta valente unidade da 'Royal Navy' (que era da classe 'V' e que usou o lema 'Vitória como antigamente') afundou-se no dia 6 de Janeiro de 1942 no estuário do Tamisa, depois de ter chocado com uma mina. Sofrendo a perda de 93 homens. O «Vimiera» deslocava 1 339 toneladas em plena carga e apresentava as seguintes dimensões : 91,40 metros de comprimento por 8,20 metros de boca por 2,70 metros de calado. a sua maquinaria a vapor (caldeiras e turbinas) desenvolvia uma potência de 27 000 shp, o que lhe permitia navegar à velocidade máxima de 34 nós. Do seu armamento constavam 4 canhões de 102 mm, peças para tiro AA e 4 tubos lança-torpedos.

«JACQUES»


Este soberbo veleiro -uma barca de 3 mastros e com casco de ferro- foi construído no Havre (França), pelo estaleiro Ehrenberg; que o lançou à água no dia 21 de Janeiro de 1897. A sua carreira começou sob maus auspícios, visto que no dia do seu bota-abaixo o navio se virou sobre um dos cais do acima referido porto, danificando seriamente o mastreame. O «Jacques» era um navio de 1941 toneladas (TAB ou deslocamento ?), medindo 76,80 metros de comprimento por 11,60 metros de boca. Sabe-se que teve, pelo menos, dois armadores franceses e que -já nas mãos da Compagnie Générale des Îles Kerguelen (a operar no arquipélago pré-Antárctico de São Paulo e Amsterdão) este veleiro foi buscar às Falkland, em 1913, um milhar de ovelhas destinadas a serem aclimatadas nas ilhas Kerguelen. Operação que, diga-se de passagem, constituiu um retumbante fracasso. O «Jacques» foi vendido, em 1914, ao armador norueguês A/S Strix, de Sarpsborg, que lhe conferiu o novo nome de «Strix». E, cinco anos passados, em 1919, foi transferido para a frota da A/S Vigor, de Chistiansand, também da Noruega, que lhe acordou o seu derradeiro nome : «Vicomte». Este 'cap-hornier' (nome dado pelos gauleses aos navios aptos a realizar viagens transoceânicas e a afrontar o terrível cabo Horn) ainda navegou até 1924; ano em que, por se encontrar obsoleto, foi enviado para a Alemanha para ali ser desmantelado.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

«LIFLAND»


Cargueiro a vapor construído, em 1921, nos estaleiros Moller A. P., de Odense (Dinamarca). Equipado com 1 máquina Vickers, fabricada no Reino Unido, este navio podia atingir 9,5 nós de velocidade máxima. A sua tripulação era normalmente constituída por 23 homens. O seu armador foi a sociedade A.N. Petersen & E. Hahn-Petersen com escritórios em Copenhague.; que usou o «Lifland» até 1940 e que (nesse mesmo ano e por causa da ocupação nazi da Dinamarca) autorizou a sua transferência para o Ministério da Guerra britânico. Que haveria de utilizar este cargueiro para fins de transporte militar e outros. Não duraria muito tempo em mãos inglesas, já que, por volta das 21 horas do dia 29 de Setembro de 1942, este navio (que navegava com o comboio aliado SC-101) foi interceptado e torpedeado pelo submarino germânico «U-610». O ataque produziu-se a sudoeste do cabo Farewell e não houve sobreviventes. 24 mortos. A ilustração aqui anexada é da autoria do artista R. Mattson e mostra o navio em 1936, quando ainda usava bandeira do seu país de origem.

«CHARLESVILLE»


Paquete que desfraldou, inicialmente, bandeira da Bélgica. Foi construído em Hoboken (arrabaldes de Antuérpia) pelos estaleiros navais de John Cockerill. Serviu durante uma dezena de anos na linha Amtuérpia-Matadi (no antigo Congo Belga). O «Charlesville» era um navio com 10 901 toneladas de arqueação bruta, que media 153,66 metros de longitude por 19,60 metros de boca.  A sua propulsão era assegurada por máquinas diesel, que desenvolviam 7 200 cv; força que lhe proporcionava uma velocidade de cruzeiro de 16 nós. A sua tripulação comportava 140 elementos, inteiramente colocados ao serviço dos 248 passageiros que o «Charlesville» podia acolher nos confortáveis camarotes de bordo. Não era raro que este paquete da Compagnie Maritime Belge (pertencente a uma classe que compreendia, igualmente, os navios «Elisabethville», «Léopoldville», «Baudoinville» e «Albertville») prolongasse o seu itinerário até ao porto angolano do Lobito, transportando, frequentemente, passageiros portugueses. Este paquete manteve-se na linha de África até 1960, quer dizer até meia dúzia de anos depois da independência do Congo; só sendo retirado do serviço devido à concorrência do transporte aéreo. Em Julho de 1967 foi adquirido por uma empresa estatal da extinta R. D. A. -a VEB Deutsche Seereederei, de Rostock- e colocado numa linha que ligava a chamada Alemanha de Leste a Cuba, ao México e às Antilhas (Baamas, Bermucas, Jamaica). Para além do frete e dos passageiros que então  transportava, o rebaptizado «Georg Bücchner» também formou, nesse tempo, 150 aprendizes de diferentes profissões ligadas à navegação. Em 1977, este navio foi imobilizado no referido porto de Rostock, onde funcionou, sucessivamente, instituto profissional, lugar de exposições marítimas, centro de emprego, navio-hotel, etc.. Posteriormente desactivado, o ex-paquete foi alvo das atenções de um grupo de nostálgicos de antigos navios (sedeado na Bélgica), que solicitou as autoridades do seu país para que o comprasse, visto haver abertura por parte dos seus proprietários de então. Mas o negócio nunca foi fechado e o navio foi enviado para um estaleiro de Klaipeda, na Lituânia, que se responsabilizou pelo seu desmantelamento. Puxado por dois rebocadores polacos, o antigo «Charlesville» nunca chegou, porém, ao seu destino, por se ter afundado no Báltico na noite de 30 para 31 de Maio de 2013. A sua carcaça repousa não muito longe do farol de Rozewska, situado ao norte do porto de Gdynia.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

«DUNKERQUE»

Esta belíssima barca francesa de 4 mastros foi construída, no ano de 1896, em Rouen, nos estaleiros da firma Laporte & Cie.. Pertenceu à poderosa casa armadora A. D. Bordes e foi substituir na respectiva frota um navio de mesmo nome; que, em Junho de 1891, se perdeu em circunstâncias algo misteriosa no oceano Atlântico, quando navegava de Cardiff para o Rio de Janeiro. Este veleiro foi realizado no quadro de um programa promovido pelo governo de Paris, que, nas duas últimas décadas do século XIX, ofereceu uma subvenção de 65 francos por tonelada aos proprietários de navios que aceitassem construí-los em aço. O «Dunkerque» (assim baptizado em honra de uma importante cidade portuária da Flandres) foi especialmente concebido para o comércio de nitratos com o Chile. E, até 1924, ano em que foi retirado de serviço e enviado para a sucata (foi desmantelado em Itália), manteve-se praticamente sempre ligado aos portos desse país sul-americano (Valparaiso e Iquique) através de uma rota que passava pelo perigoso cabo Horn. No seu historial é justo mencionar o facto de, em 19 Abril de 1906, este elegante veleiro ter prestado socorro aos poucos sobreviventes do navio-escola belga «Comte de Smet de Naeyer», que se afundou tragicamente no golfo da Biscaia. O «Dunkerque» de que falamos usava os serviços de uma centena de tripulantes. Deslocava 3 338 toneladas e media 99,85 metros de comprimento por 13,85 metros de boca.

«INDUSTRY»

Vapor de rodas laterais construído, em 1911, na Austrália. Operou, essencialmente, no rio Murray, (Austrália meridional) onde desempenhou tarefas polivalentes : como transporte (eventual) de passageiros e carga, como draga, como oficina móvel, etc. Era uma embarcação de 91 toneladas, que media 34 metros de comprimento por 5,60 metros de boca. O «Industry» era uma plataforma de fraco calado, o que lhe permitia aceder a zonas de profundidade limitada. onde a sua acção permitia manter canais limpos e abertos à navegação local. Este barco estava equipado com 1 máquina de 30 cv. A sua tripulação raramente ultrapassou os 4 homens. O «Industry» teve vida activa até 1969, ano em que foi retirado do serviço, após mais de meio século de útil trabalho. Posteriormente foi restaurado, para ser exposto -em Renmark- à admiração dos turistas.  Agora voltou a navegar e não é raro vê-lo a transportar, nas águas calmas do Murray, os nostálgicos da navegação fluvial e de barcos históricos. Nos anos 90 do passado século, o «Industry» serviu de palco a algumas cenas da série de televisão (produzida pela ABC) intitulada «The River King». A imagem aqui apresentada mostra o vapor em apreço na sua derradeira função, ao serviço da actividade turística.

«IRIS»


O «Iris» foi um veleiro francês do canal da Mancha, que actuou -em operações de contrabando com o sul de Inglaterra- no primeiro quartel do século XIX. Caracterizava-se pela velocidade proporcionada pelo seu aparelho, que era constituído por 2 mastros e por outras tantas velas 'terciadas'. Que eram panos trapezoidais na sua forma e de grandes dimensões em relação ao tamanho da embarcação que as usava. Esse velame conferia ao «Iris» uma velocidade tal, que lhe permitia (quase sempre) distanciar as embarcações da polícia aduaneira que, com frequência, lhes moviam perseguições. Segundo a nomenclatura francesa, estes veleiros eram chamados 'lugres', mas que, como é óbvio, nada têm a ver com os bacalhoeiros também assim designados que os portugueses mandariam posteriormente aos bancos da Terra Nova e da Gronelândia. O «Iris» (cuja tonelagem se desconhece) media 18,30 metros de comprimento por 1,70 metro de boca. No seu bojo (tinha casco em madeira) existiam vários esconderijos onde os contrabandistas (geralmente 4 ou 5 homens por cada barco deste tipo ) dissimulavam as mercadorias ilegais que transportavam. Apesar das suas espectaculares fugas diante das embarcações dos serviços fiscais, este veleiro acabou por ser capturado -em Dezembro de 1819- ao largo de Boulogne-sur-Mer. Calcula-se que, naquela época e só no sul de Inglaterra, tenha havido mais de 20 000 pessoas a viver do contrabando alimentado pelos franceses. O que resultava em prejuízos económicos relevantes para o país de Sua Majestade. Nota : o veleiro aqui representado não corresponde ao «Iris», mas a uma anónima embarcação da sua época e do seu tempo.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

«BUARQUE»

Mercante a vapor, cuja história apresenta a particularidade de ter sido o primeiro navio de bandeira brasileira a ser afundado pela marinha de guerra hitleriana, após o corte de relações entre a maior nação da América do Sul e as potências do Eixo Berlim-Roma-Tóquio. Este navio de 5 152 toneladas e com 122,20 metros de longitude por 16,50 metros de boca, foi construído em 1919 nos estaleiros American Shipbuildind Shipping Corporation, de Filadélfia, Foi uma das 122 unidades de uma classe denominada 'Hog Islander' (com capacidade para carga e passageiros), com as quais o governo de Washington pretendeu renovar a sua frota mercante logo a seguir à Grande Guerra.  Antes de ir parar a mãos brasileiras, chamou-se sucessivamente, «Bird City» (até 1932) e ««Scanpenn» (até 1940), usando as cores das armadoras American Scantic Line e Moore McCormack. Adquirido pelo Lloyd Brasileiro, foi registado no Rio de Janeiro e passou a usar o apelido de um dos seus antigos administradores e também ministro : o Dr. Manuel Buarque de Macedo. Colocado sob o comando do capitão João Joaquim de Moura, o navio passou a navegar entre a então capital do Brasil e Nova Iorque, com escalas em vários outros portos importantes como Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, La Guaira e Curaçao, entre outros. Foi durante uma dessas suas rotineiras viagens, que -no dia 15 de Fevereiro de 1942- o «Buarque» foi sobrevoado por uma aeronave não-identifica, que assinalou a sua posição com artefactos luminosos. Pouco tempo depois, quando o mercante brasílico navegava a cerca de 54 milhas náuticas ao norte do cabo Hatteras, surgiu-lhe pela frente o submarino alemão «U-432» (que se encontrava às ordens do capitão-tenente Heinz Otto Schultze), que o afundou com o disparo de 2 dos seus torpedos. Os tripulantes e passageiros do «Buarque» lograram salvar-se, por terem, antes da agressão, recorrido ao uso de baleeiras. Foram resgatados por um guarda costeiro norte-americano (o USCG «Calypso»), por um contratorpedeiro de mesma nacionalidade (o USS «Jacob Jones») e pelo petroleiro «Eagle» (da companhia Standard Oil), que os desembarcaram no porto de Norfolk. No naufrágio do navio houve apenas uma única morte a lamentar : a de um passageiro português, que faleceu num dos botes salva-vidas.

«ADROIT»

Navio de guerra da armada gaulesa construído em finais da década de 20 do passado século nos Chantiers de France, em Dunquerque. Era um dos 14 torpedeiros da classe que tomou o seu nome. O «Adroit», que entrou em serviço em 1928, era um navio que deslocava 2 000 toneladas em plena carga e que apresentava as seguintes dimensões : 107,20 metros de comprimento, por 9,84 metros de boca por 4,30 metros de calado. Foi uma unidade concebida para a luta anti-submarina, equipada com armamento apropriado para cumprir essa função (6 tubos lança-torpedos de 550 mm), mas também dotada com 4 canhões de 130 mm e com 2 peças AA de 37 mm. A sua propulsão era assegurada por um sistema (turbinas e caldeiras) que desenvolvia 34 000 cv e que o projectavam a 37 nós de velocidade máxima. O «Adroit» tinha uma guarnição de 150 homens. Este navio participou nos primeiros combates da 2ª Guerra Mundial, mas, aquando da denominada Operação Dínamo (durante a qual se pretendeu evacuar os militares Aliados cercados nas praias de Dunquerque pelo avanço das tropas nazis) o «Adroit» foi um dos numerosos navios franco-britânicos a serem destruídos pelas investidas da 'Luftwaffe'. A perda do torpedeiro em apreço ocorreu no dia 31 de Maio de 1940 (quando se encontrava sob o mando do capitão-de-fragata Dupin de Saint Cyr) e foi causado pelas bombas lançadas por um bimotor Heinkel He.111. No afundamento do torpedeiro «Adroit» pereceram 27 homens da sua equipagem. Os sobreviventes foram recolhidos por navios amigos ou feitos prisioneiros pelo invasor. A carcaça enferrujada do navio ainda era visível em meados dos anos 50 nos malfadados areais do Pas-de-Calais.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

«MARTIM DE FREITAS»

«Martim de Freitas» foi um dos vários nomes atribuídos a um navio de linha português (de 3ª classe) dos séculos XVIII e XIX. Foi construído -sob a competente orientação de mestre António da Silva- no arsenal da Baía (Brasil) em 1763 e, oficialmente, integrado na nossa armada a 28 de Fevereiro desse mesmo ano. Usou , nesse tempo, o nome de «Santo António e São José». Fez parte da Esquadra do Sul e participou, em 1784, na expedição contra Argel. Em 1794, sofreu grandes trabalhos de modernização, saindo do estaleiro com o novo nome de «Infante D. Pedro Carlos»; que se lhe conheceu até 1806, quando lhe foi dado o de «Martim de Freitas». No dia 29 de Novembro de 1807, esta nau foi um dos 16 navios de bandeira portuguesa que zarpou do estuário do Tejo rumo ao Rio de Janeiro. Nele viajou, nessa ocasião, parte da corte de D. João VI, que, com os invasores franceses às portas de Lisboa, decidiu transferir-se para o Brasil. Este navio de 64 canhões (distribuídos por 2 'decks') quedou-se por águas sul-americanas, onde, ao serviço do Império, cumpriu missões de soberania ao longo de todo o litoral brasileiro. Quando -em 1822- se consumou a independência da nossa mais extensa colónia, o navio em causa foi cedido à nova nação, que lhe deu o nome do seu primeiro imperador : «D. Pedro I». O ex-«Martim de Freitas» tornou-se, assim, o primeiro navio de guerra a hastear a bandeira do Império Brasileiro e a ostentar as cores da sua armada. Este navio apresentava (na sua fase inicial) as seguintes dimensões : 53,33 metros de comprimento (na quilha), 13,38 metros de boca e 6,37 metros de calado. Tinha uma guarnição que variava entre 500 e 650 homens, constituída por marinheiros, soldados e respectivos oficiais. Nota final : a imagem anexada representando o «Martim de Freitas», é da autoria do escritor, ilustrador e arquitecto Telmo Gomes, que a incluiu na sua excelente obra «Os Últimos Navios do Império».

quinta-feira, 11 de maio de 2017

«RORAIMA»

Navio de patrulha fluvial pertencente aos efectivos da Armada do Brasil. É uma unidade ligeira da classe que recebeu o seu nome. Usa o indicativo de amura P-30 e navega sob o epíteto de 'Águia do Amazonas'. O «Roraima» foi construído pela firma MacLaren Estaleiros e Serviços Marítimos, de Niterói, na base de um projecto do engenheiro naval Jorge A. M. Vasques. Incorporado na marinha de guerra brasileira em Fevereiro de 1975, este patrulheiro foi  incluído na Flotilha do Amazonas, que integra o 9º Distrito Naval com sede em Manaus. Desloca 365 toneladas em plena carga, mede 46,30 metros de comprimento por 8,45 metros de boca. E o seu calado é de apenas 1, 37 metro, o que lhe permite navegar nas águas baixas de alguns tributários amazónicos de menor caudal. A sua propulsão está assegurada por 2 máquinas Volvo 'Penta', que lhe autorizam uma velocidade máxima de 17 nós e um raio de acção de 6 000 milhas náuticas (com andamento reduzido a 11 nós). Do seu armamento constam : 1 canhão de 40 mm, 2 metralhadoras de 20 mm, 4 outras de 12,7 mm e 2 morteiros de 81 mm. Também transporta 2 lanchas de acção rápida capacitadas para o transporte de fuzileiros. Da sua guarnição habitual fazem parte 56 homens, 5 dos quais pertencem ao quadro de oficiais. Este navio patrulha é uma unidade polivalente, pois combina a sua actividade militar com missões de carácter humanitário, viradas para o apoio e assistência (médico-sociais, entre outros) às isoladas populações ribeirinhas. Por essa razão, o navio dispõe, igualmente, de consultórios de medicina generalista, médico-dentária e de uma enfermaria. O «Roraima» também cumpre missões de carácter diplomático, que, de quando em vez, o levam (em visitas de cortesia) a países vizinhos, tais como a Colômbia, o Peru e o Equador; que com o Brasil, partilham o vasto e rico espaço amazónico. Este navio sofreu reparações (que o modernizaram) entre Setembro de 2005 e Fevereiro de 2006. O nome deste navio-patrulha alude e presta homenagem ao estado federal de Roraima e à montanha também assim chamada. Que, com 2 875 metros de altitude, é um dos pontos culminantes do Brasil.

terça-feira, 9 de maio de 2017

«GALEOTA GRANDE»


Construída na Ribeira das Naus (na capital do Reino) por encomenda do rei D. João V, a «Galeota Grande» foi uma das várias embarcações de parada realizadas, nesse histórico estaleiro, para uso exclusivo da casa real e dos seus ilustres convidados. Esta barca, guarnecida por 1 patrão, 1 cabo proeiro e 80 remadores, foi lançada à água em 1728 e a sua construção terá sido requisitada por ocasião dos matrimónios da infanta D. Maria Bárbara e do futuro rei D. José I. A «Galeota Grande» (hoje exposta no Museu de Marinha, aberto numa ala do mosteiro dos Jerónimos) é uma belíssima e requintada embarcação, que honra a indústria naval portuguesa setecentista. Distingue-se pela beleza apurada das suas linhas, pela riqueza dos seus adornos (tanto externos como internos) e pelo luxo da camarinha, onde -entre cortinados de damasco, panos de Arrás, alcatifas raras e almofadas bordadas a ouro- tomavam lugar os soberanos e os cortesãos de maior destaque. O casco desta embarcação ostenta um decorativo listão de folhagem renascentista e as duas faces do leme mostram um magnífico golfinho dourado. A «Galeota Grande» sofreu alterações ao longo dos tempos. Assim, no reinado de D. Maria I, as armas de D. João V foram substituídas no painel de popa pelas da soberana. Acontecendo o mesmo no reinado de D. Pedro V, por alturas do seu casamento com a rainha D. Estefânia em 1858. Esta galeota foi frequentemente utilizada pela corte, em passeios e paradas no Tejo. Em 1880, a «Galeota Grande» participou dos festejos em honra do poeta Camões, tendo transportado a urna com os supostos restos mortais do poeta até aos Jerónimos. E, em inícios do século XX, foi de novo usada em dois acontecimentos importantes : durante a visita oficial de Eduardo VII a Portugal, transportando o ministro da marinha, e aquando da visita do 'kaiser' Guilherme II, levando parte da sua comitiva, do navio imperial até ao Cais das Colunas. A sua última viagem realizou-se em 1934, quando participou no cortejo comemorativo das festas da cidade.

«MARIANNE TOUTE SEULE»


Esta embarcação é uma réplica (à escala 1/1) de um pesqueiro tradicional de Berck-sur-Mer, uma pequena cidade da Flandres francesa (Pas de Calais) banhada pelo canal da Mancha. Onde, em finais do século XIX, existia uma frota pesqueira comportando mais de uma centena de embarcações deste tipo. Este barco à vela foi construído -em 1992- sob a égide de uma associação local empenhada em preservar o património e as tradições marítimas de Berck.  O «Marianne Toute Seule» (cujo nome presta homenagem a uma benemérita local, que se distinguiu na protecção e formação de crianças desamparadas) abriga-se, actualmente, no pequeno porto de Madelon, situado na baía de Authie. É uma barca de fundo chato, de boca aberta, com 2 mastros, sendo um deles (o de popa) descentrado e removível. As suas velas apresentam uma área de 40 m2. O «Marie Toute Seule» mede 5,70 metros de comprimento por 2,70 metros de largura. O fundo chato permitia aos pescadores de outrora arrastá-lo para a praia de Berck, que, nos tempos áureos da pesca na região, não dispunha de estruturas portuárias. Esta embarcação participa em manifestações e passeios, que promovem a herança de coisas do passado, que, cada vez mais, é importante proteger, mostrar, divulgar.

«VICEROY OF INDIA»

Este paquete britânico da frota P & O (Peninsular and Oriental Steam Navigation Cº Ltd) foi construído em 1928 no estaleiro da empresa Alexander Stephen & Sons, de Glásgua, e realizou a sua viagem inaugural no ano seguinte. O nome inicialmente escolhido para este navio foi o de «Taj Mahal», designativo que foi abandonado antes da sua entrada em serviço e substituído pelo do alto cargo então ocupado pelo 1º conde de Halifax. O «Viceroy of India» apresentava uma arqueação bruta de 19 648 toneladadas e media 178 metros de comprimento por 23 metros de boca. O navio podia receber a bordo 415 passageiros de 1ª classe e 258 de 2ª. A sua tripulação era constituída por 413 membros. Este paquete era um navio inovador, já que o seu sistema propulsivo (máquinas turbo-eléctricas) foi um dos primeiros do género a equipar um navio da marinha mercante. Unidade luxuosa e rápida, o «Viceroy of India» foi colocado na linha Europa-Ásia-Austrália, que passava pela rota do canal de Suez. No início da década de 30 (do século passado), este paquete bateu vários recordes de velocidade no trajecto Londres-Bombaim. No seu historial constam os socorros que prestou (em 1929) aos náufragos do seu congénere italiano «Maria Luisa», que naufragou no Mediterrâneo oriental, mas também (em 1930) ao cargueiro grego «Theodoros Bulgararis» e ao paquete «Doric» (da companhia White Star), do qual recolheu 241 passageiros, quando este navio foi abalroado pelo navio francês «Formigny» ao largo do cabo Finisterre. Em 1940, com a eclosão da 2ª Guerra Mundial, o «Viceroy of India» foi requisitado pelo almirantado britânico para ajudar no esforço de guerra. Transformado em transporte de tropas, o paquete da P & O participou -em 1942- na chamada Operação Torch, durante a qual foi torpedeado e afundado, 30 milhas  náuticas ao largo do porto argelino de Oran,, pelo submarino germânico «U-407». Durante essa ocorrência de guerra, 4 membros da tripulação do tropeiro inglês perderam a vida. As outras 450 pessoas que viajavam a bordo (essencialmente militares) puderam, no entanto, ser salvas, graças à intervenção atempada do navio HMS «Boadicea».

«MARKGRAF»


Couraçado germânico da classe 'König', que -na 'Kaiserliche Marine'- compreendeu 3 outras unidades, a saber : o «König», o «Grosser Kurfurst» e o «Kronprinz». O «Markgraf», que foi construído, em 1913, no arsenal AG Weser, de Bremen, foi comissionado no dia 1º de Outubro do ano seguinte e esteve activo até finais da Grande Guerra. Como tantos outros navios das armadas imperiais, o «Markgraf» foi intimado -depois da vitória dos Aliados- a entregar-se à 'Royal Navy'. E -em Scapa Flow- sofreu o mesmo inglório fim dos seus congéneres, ao ser voluntariamente afundado pela sua própria guarnição. Durante o primeiro conflito generalizado, o couraçado em apreço participou na mortífera batalha de Jutlândia, onde sofreu avarias de monta, causadas por cinco certeiros tiros do inimigo, que lhe mataram onze homens a bordo, para além de terem causado muitos outros feridos. Este navio também travou combates no Báltico contra as forças navais da Rússia e onde foi danificado por uma mina. Desaire que obrigou o «Markgraf» a recolher aos estaleiros de Wilhelmshavem para proceder a reparações. O afundamento deste couraçado ocorreu no dia 27 de Junho de 1919, por ordem expressa do almirante Ludwig von Reuter. A sua carcaça repousa -há quase 100 anos- a 40 metros de profundidade. Onde, com os restos de outros navios alemães, é alvo da curiosidade de muitos mergulhadores desportivos. Este navio fortemente blindado teve uma tripulação de 1 136 homens e esteve armado com 10 canhões de 305 mm, 14 de 150 mm, várias outras armas AA e com 5 tubos lança-torpedos. O seu sistema propulsivo reunia 3 turbinas e 15 caldeiras queimando carvão e, para 3 delas, fuel. A sua maquinaria desenvolvia 43 300 cv de potência, força que lhe garantia a velocidade máxima de 21 nós. Deslocava 25 800 toneladas e media 146 metros de comprimento por 28 metros de boca.

«JUNON»


Fragata francesa de 40 canhões construída no Havre (Normandia) em 1806. Estava ao serviço da armada napoleónica e navegava no mar Mediterrâneo, onde, a 10 de Novembro de 1808, foi capturada por uma esquadra inglesa formada pelas fragatas «Horatio» e «Latona» e pelas corvetas «Driver» e «Superior». A «Junon» seguia para as Antilhas (Martinica) e zarpara do porto de Toulon na companhia de 3 outros navios, dos quais se desgarrara, quando foi surpreendida e arrestada por um inimigo superior em número. Foi incorporada na 'Royal Navy', onde conservou o nome original, e reconquistada pelos franceses em águas caribenhas (ao largo da ilha de Antigua, em data de 13 de Dezembro desse mesmo ano de 1809 ), durante um combate naval que, dessa feita, não correu de feição aos britânicos. Mas o navio estava em tão mau estado de conservação, que a oficialidade do «Renomée» e do «Clorinde» (os captores) decidiu incendiá-lo. A fragata «Junon» era um navio que deslocava 1 148 toneladas e que media 46 metros de longitude por 12 metros de boca. Tinha uma guarnição de 330 homens (marinheiros e soldados) e as suas bocas de fogo, distribuídas por 2 conveses, eram de dois calibres distintos. Nota : na ilustração anexada pode ver-se a fragata «Junon» (à esquerda) afrontando um navio da marinha real inglesa.

«SELADON»

Elegante veleiro de bandeira norueguesa. Foi construído, em 1877, nos estaleiros da firma Jorgensen & Knudsen, de Drammen, para o armador local Gundersen G.. Especializado no transporte de longo curso -de passageiros e carga diversa- este navio navegava com uma equipagem de 16 homens. Tinha casco de madeira e apresentava uma arqueação bruta de 1 080 toneladas. Media 53,90 metros (casco) de comprimento por 11 metros de boca e o seu calado era de 6,40 metros. Aparelhou inicialmente como uma galera de 3 paus, mas em 1894, depois das necessárias transformações no mastro de ré, passou a navegar como uma barca. O «Seladon» fazia frequentes viagens para a região Pacífico. Naufragou, inesperadamente, depois de ter encalhado num recife de coral, quando navegava entre o porto australiano de Newcastle (na Nova Gales do Sul) e Honolulu (no Hawai). O afundamento deste veleiro norueguês ocorreu na noite de 7 de Agosto de 1886, ao largo da ilha de Starbuck, que é (actualmente) território de Kiribati. A sua tripulação recorreu ao auxílio dos botes salva-vidas para escapar ao desastre. Com escassos alimentos e muito pouca água potável, os náufragos do «Seladon» lograram, no entanto, atingir a ilha de Niulakita, no arquipélago de Tuvalu, após muitos meses de penosa navegação e de muito sofrimento. Durante essa aventurosa viagem, morreram 2 membros da equipagem do veleiro norueguês, entre os quais o seu capitão. Os sobreviventes acabariam por ser evacuados da ilha onde arribaram, 10 meses mais tarde, pelo vapor «Clyde».

sábado, 6 de maio de 2017

«EVANGELINE»



O «Evangeline» foi um paquete costeiro da Companhia Eastern Steamship Lines, que teve vida activa entre 1927 -ano em que foi lançado à água pelos estaleiros da firma William Cramp & Sons, de Filadélfia- e 13 de Novembro de 1965, data em que se afundou 60 milhas ao largo de Nassau (Baamas), em consequência de um incêndio que se declarou a bordo. Na altura da sua perda, que causou inúmeras vítimas mortais, este navio de origem norte-americana navegava com o efémero nome de «Yarmouth Castle» e hasteava bandeira panamiana. O «Evangeline» apresentava uma arqueação bruta de 5 002 toneladas e media 115 metros de comprimento por 17 metros de boca. No início da sua vida activa, este navio reunia condições para transportar (em cabine) cerca de 400 passageiros, apoiados por 176 membros de equipagem. Usou simultaneamente a bandeira dos Estados Unidos e a flâmula do seu primeiro armador (já acima referido) durante dois períodos distintos : de 1928 até 1942, tempo em que executou carreiras regulares entre Nova Iorque e a Nova Escócia, com interrupções durante o inverno, altura em que era utilizado em excursões para a Florida e para as Caraíbas. E entre 1947 e 1954, anos em que voltou às suas tarefas habituais. Mas, em 1942, o navio fora requisitado pelo governo de Washington, que -por causa da guerra na qual se comprometera contra as potências do Eixo- o usou, sucessivamente, como transporte de tropas e como navio-hospital. O «Evangeline» foi desmobilizado depois da vitória dos Aliados e entregue ao seu legítimo proprietário. Em 1954 foi transferido para a armadora Volusia Steamship Cº. com sede em Monróvia, na Libéria, guardando pavilhão desse país até 1964. E mantendo a sua actividade ligada ao turismo na área Miami-Caraíbas. Em 1965, já com a venerável idade de 38 anos e em mau estado de conservação, o «Evangeline» passou sob o controlo da Chadade Steamship Cº, com escritórios em Panamá City. Passou, desde logo a chamar-se «Yarmouth Castle» e a usar a bandeira do país do canal. O fogo que o haveria de destruir, começou num dos camarotes de passageiros e propagou-se rapidamente a todo o navio. Não foi possível salvar as vidas de 90 passageiros e membros da tripulação (entre 552 pessoas que viajavam a bordo), que haviam, na véspera, partido de Miami para gozar do sol das Caraíbas. A catástrofe do «Evangeline»/«Yarmouth Castle» provocou a realização de uma nova Convenção Internacional para a Segurança da Vida no Mar, que, em 1974, foi assinada por 158 nações e substituiu a que fora promulgada após o desastre do «Titanic» em 1912.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

«ISOBEL MOORE»

Lugre bacalhoeiro de 3 mastros. De bandeira canadiana. Foi construído (assim como o seu gémeo, o «Olive Moore») em 1920 no estaleiro Nova Scotia Shipbuilding & Transportation Cº, de Liverpool (porto do Canadá, obviamente) para a firma pesqueira e de fretes J. & F. Moore, sedeada em St. John's, Terra Nova. Este veleiro ganhou alguma notoriedade (pelas piores razões), quando -a 8 de Novembro de 1930- foi encontrado, em pleno Atlântico Norte, abandonado pela sua tripulação. Estava a ser utilizado no negócio internacional de peixe e navegava, então, sob as cores da firma AE Hickman Cº, que era, parcialmente, proprietária do navio. A informação sobre este bonito veleiro e sobre o seu destino é escassa e as raras fontes que podem ser consultadas nada revelam sobre as suas características físicas (tonelagem, dimensões, etc.) e sobre o incidente acima mencionado. O que, naturalmente, é frustrante...

«EMPRESS OF RUSSIA»


Paquele  construído em Govam, Escócia, pelo estaleiro Fairfield Shipbuildind & Engineering Company, que o lançou à água no dia 28 de Agosto de 1912. No ano seguinte integrou a frota do armador Canadian Pacific Railways, que o colocou na linha do Extremo Oriente, que tinha Vancouver como porto de partida e Hong Kong como término. O navio escalava Xangai, Nagasáqui, Kobé e Yokohama. Com 16 810 toneladas de arqueação bruta, o 'Empress of Russia» media 173,70 metros de comprimento por 20,70 metros de boca. Estava equipado com máquinas a vapor e com 2 pares de hélices quádruplas, que lhe proporcionavam uma velocidade de cruzeiro de 19 nós. Podia receber cerca de 1 200 passageiros, 284 dos quais em 1ª classe e 100 outros em 2ª.  Navio rápido, bateu um record de velocidade na linha acima referida, ao fazer o percurso Hong Kong-Vancouver em um pouco mais de 9 dias. Com a eclosão da Grande Guerra, este navio foi requisitado pelas autoridades navais britânicas, que passaram a utilizá-lo como cruzador auxiliar e como navio de transporte de tropas. O «Empress of Russia» teve papel relevante nesse conflito mundializado, pois a sua acção estendeu-se de águas australianas ao oceano Índico e das costas orientais do Canadá até ao litoral europeu. Terminada a guerra, o navio em apreço foi, de novo, mobilizado para cumprir a missão de repatriar soldados das Américas para os respectivos países e para devolver à China alguns milhares de trabalhadores originários desse país, que haviam participado, na Europa e enquanto trabalhadores, no esforço de guerra dos Aliados. Foi também este navio da Canadian Pacific Railway que recebeu a incumbência de evacuar a força expedicionária canadiana que, no início da revolução russa, se bateu na Sibéria contra os bolcheviques. Devolvido à vida civil, este navio voltou à linha Vancouver-Hong Kong, onde se manteve até vésperas da 2ª Guerra Mundial. Durante esse tempo, transportou alguns passageiros de marca, tais como os políticos Manuel Quezon (das Filipinas), Sun Yat-sen e Chiang Kai-shek (da China nacionalista) e o famoso actor e humorista norte-americano Will Rogers, uma das grandes 'stars' de Hollywood. O «Empress of Russia» voltou aos teatros de guerra no início dos anos 40 do século XX e participou em várias e importantes acções militares, de entre as quais se destaca a Operação Overlord, que desencadeou o desembarque na Normandia, em Junho de 1944. O navio canadiano sofria trabalhos de modernização num estaleiro de Barrow, quando -a 8 de Setembro de 1945- foi devastado por um incêndio acidental. Que provocou tais danos, que não foi possível recuperar o venerável paquete: que também foi -no decorrer das duas guerras generalizadas- cruzador auxiliar e navio tropeiro.

«VITUS BERING»


O «Vitus Bering» é um moderníssimo navio de apoio e abastecimento às plataformas 'off shore' com capacidades de quebra-gelos. Hasteia bandeira russa e está registado na capitania do porto de São Petersburgo. Foi construído no estaleiro Arctech de Helsínquia (Finlândia), que o lançou à água no dia 30 de Junho de 2012. Apresenta 7 487 toneladas de arqueação bruta e mede 100 metros de comprimento por 22 metros de boca. Os seus propulsores, de grande potência, permitem-lhe navegar à velocidade de 15 nós em mar aberto e de romper gelo (até 1,50 metro de espessura) com andamento limitado a 3 nós. Pode receber a bordo -em cabines confortáveis- 50 pessoas. Tem um navio gémeo, que recebeu o nome de «Alexei Chirikov». Destinados a operar nas rude águas do Oceano Glacial Árctico, estes navios estão agora a ser usados no campo petrolífero ('off shore') de Arkutum-Dagi, no mar de de Okhostsk, uma das regiões mais hostis do planeta Terra. A imagem anexada deste navio é-nos aqui apresentada num selo emitido, em 2014, pela administração postal da Federação Russa.

«VIERGE DE LOURDES»


O caíque (dito de Yport) «Vierge de Lourdes» é uma embarcação de pesca típica do litoral do País de Caux, uma porção do território normando, França. Esta barca foi construída, em 1949, no estaleiro Jouan Fiquet, de Fécamp. Desloca 10 toneladas e mede 16,50 metros de longitude por 3,88 metros de boca. O seu calado é de 0,90 m. Arvora 2 mastros (um à proa e outro à popa), que envergam 3 panos com uma área global de 77 m2. Este tipo de embarcação tinha, geralmente, uma tripulação de 3 homens, mas tem capacidade -agora que deixou a faina- para transportar um máximo de 9 passageiros. O «Vierge de Lourdes» pertenceu a uma frota pesqueira de 4 caíques idênticos construída (em finais dos anos 40 do passado século), no acima referido estaleiro, sob a orientação do mestre carpinteiro Jean Clément. Todos ostentavam nomes de inspiração religiosa : a embarcação em apreço, o «Vive Jésus», o «Dieu Protégez-Nous» e o «Notre-Dame de Bonsecours». Preservado pelo tempo (e pela vontade dos homens), o «Vierge de Lourdes» -que pescou, essencialmente, espécies costeiras como o arenque e a cavala- pertence, hoje, à Associação La Caique Vierge de Lourdes, com sede na cidade piscatória de Fécamp, onde a embarcação se mantém registada. Esta associação tem por missão assegurar a manutenção deste antigo barco de trabalho e a de organizar/participar em eventos que dão visibilidade ao património naval de França. Participa em passeios (reservados aos sócios) e até já serviu (em regime de aluguer) de base de apoio a um clube de mergulho desportivo. Está (desde que a lei o exige) equipado com um motor auxiliar de 75 cv.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

«MERCEDES»

Veleiro actualmente matriculado em Amsterdão, nos Países-Baixos. Foi um navio de trabalho que usou, sucessivamente, os nomes de «Huibertje», «Ora», «Labora», «Deo Volante», «Deo Juvante», «Atlantic» e «Atlantic A». Este último já lhe foi atribuído depois de ter sido vendido à companhia pesqueira do Reino Unido Atlantic Ocean Fishing, em 1988. O «Mercedes», que foi construído no ano de 1958 no estaleiro Metz, de Urk (na província de Flevolândia), foi adquirido em 2003 pela sociedade turística Wind is our Friend e totalmente reconstruído (em Harlingen, NL) à volta do seu casco de aço. Transformado em veleiro de 2 mastros (aparelhados em brigue) este navio recebeu acomodações para uma tripulação permanente de 12 membros e para um máximo de 130/150 pessoas (em viagens de curtíssima duração). O «Mercedes» desloca 430 toneladas e mede 50 metros de comprimento fora a fora por 3,60 metros de boca. Os 18 panos do seu velame totalizam uma área de 900 m2. O navio está equipado (como manda a lei) com 1 máquina auxiliar e com moderna aparelhagem de ajuda à navegação. Este veleiro estreou-se internacionalmente aquando do evento 'Armada 2008' de Rouen, que é uma das maiores e mais prestigiosas concentrações de veleiros do mundo. Depois disso, tem participado em acontecimentos de mesma índole em diferentes países, onde a sua silhueta já é familiar de todos dos amadores de vela. O seu actual armador é Oilivier Wipperfurth, que tem levado turistas do mar Báltico até às Antilhas, passando pelo Mediterrâneo.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

«MARCO POLO»

Grande veleiro de construção canadiana (era um 'clipper de 3 mastros deslocando 1 500 toneladas e medindo 56 metros de comprimento por 11 metros de boca) que foi realizado, em 1851, em St. John, New Brunswick, pelo estaleiro de James Smith. O seu nome de baptismo homenageava, obviamente, o famoso viajante e mercador veneziano dos séculos XIII e XIV.  Este navio iniciou a sua vida sob maus auspícios, já que adernou aquando do seu lançamento e que, depois de recuperado, encalhou num banco de Marsh Creek, onde se manteve imobilizado durante duas semanas. A sua viagem inaugural -de St. John até Liverpool, com um carregamento de madeiras, que o navio perfez em apenas 15 dias- veio, no entanto, apagar a recordação dos incidentes de princípio de carreira. Em 1852, o «Marco Polo» foi adquirido pela companhia Black Ball Line, que o colocou no transporte de passageiros e frete entre Liverpool e a Austrália; em cujo percurso este veleiro bateu vários recordes de velocidade, o que lhe valeu o epíteto de 'navio mais rápido do mundo'. Este 'clipper' serviu nessa carreira até 1867, ano em que foi alvo de grandes trabalhos de reparação e renovação. O fim do soberbo «Marco Polo» chegou uma quinzena de anos mais tarde -a 22 de Julho de 1883- quando, durante uma viagem ao Quebeque, o veleiro foi assaltado por violenta borrasca (ao largo da ilha do Príncipe Eduardo) e o seu casco sofreu vários rombos. O que ocasionou o seu desastroso encalhe numa praia de Cavendish. Desarvorado, o navio acabou por ser destruído completamente pelas forças da Natureza. O sítio da catástrofe está, hoje, englobado no Parque Nacional da Ilha do Príncipe Eduardo, que, entretanto, se transformou num lugar de grande interesse histórico-turístico do Canadá.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

«SÃO NICOLAU»


O vapor «São Nicolau» era um navio português, pertencente aos Transportes Marítimos do Estado, com sede em Lisboa. Em cujo porto foi matriculado desde que passou a hastear pavilhão verde e rubro. O «São Nicolau» foi construído, em 1905, na Alemanha, nos estaleiros Neptun, de Rostock. Chamara-se, precedentemente «Dora Horn» e havia sido pertença da companhia Reederei Horn, de Lubeck. Era um cargueiro com 2 679 toneladas de arqueação bruta, medindo 88,70 metros de comprimento por 13,40 metros de boca. A propulsão do «São Nicolau» era assegurada por 1 única máquina a vapor, que lhe permitia vogar à velocidade de 9 milhas/hora. A sua tripulação era constituída, aquando da sua perda, por 37 homens; quase todos eles originários do arquipélago de Cabo Verde, incluindo o seu comandante, capitão Amâncio José Azevedo, natural da ilha Brava. Este navio, que deveria ser alugado ao governo britânico e colocado ao serviço da companhia Furness & Withy, foi surpreendido -no dia 16 de Novembro de 1916- na entrada sul do mar da Mancha (a escassas milhas do rochedo de Cassequets) por um submarino alemão; que, sem aviso prévio, disparou 17 tiros de canhão contra o navio português, afundando-o. O infortunado «São Nicolau» saíra de Lisboa dias antes e tinha como destino o porto francês do Havre. Da sua tripulação, apenas escaparam com vida 16 homens (incluindo o seu primeiro oficial), que utilizaram as baleeiras de bordo e que foram, posteriormente e depois de muitas horas de angústia, resgatados por um navio italiano, o «Fido», que os desembarcou em Plymouth, na Inglaterra. De onde regressariam a Portugal. O agressor tudesco do vapor português foi identificado como sendo o «UC-26», que agiu sob as ordens do capitão-tenente conde Matthias von Schmettow. Curiosidades : a fotografia anexada do «São Nicolau» foi publicada pela «Ilustração Portugueza» e mostra, no canto superior esquerdo, um medalhão com o retrato do seu comandante, cuja identidade já referimos; Portugal encontrava-se, oficialmente, em estado de guerra com a Alemanha desde 9 de Março de 1916. Por iniciativa desta e na sequência do apresamento (ocorrido a 23 de Fevereiro desse mesmo ano) de dezenas de navios germânicos refugiados nos portos lusos.

domingo, 30 de abril de 2017

LADBY (barco de)

Esta embarcação datada do século X foi encontrada na Dinamarca, no túmulo de um importante chefe de clã, durante escavações feitas em Kerteminde, na ilha de Funen -entre 1934 e 1937-  pelos arqueólogos G. Rosenberg e P. Helweg Mikkelsen. Foi um navio funerário e é a única embarcação desse tipo encontrada, até hoje, naquele país do norte da Europa. Os seus restos (assim como a âncora original e pedaços de correntes) estão expostos no Museu Viking, de Ladby. A propósito da importância do anónimo chefe que com este navio foi enterrado, note-se a presença, junto ao chamado barco de Ladby, dos esqueletos de 11 cavalos (número de equídeos nunca antes visto numa sepultura) e de 3 ou 4 cães. As dimensões deste antigo navio são de 21,50 metros de comprimento por 3 metros de boca.

«TURPIN»


O HMS «Turpin» foi um submarino britânico da classe T (grupo 3), que entrou em serviço já na fase final da 2ª Guerra Mundial. Na qual não desempenhou papel de relevo. Foi construído em Inglaterra, nos estaleiros de Chatham, lançado à água em Agosto de 1943 e acrescentado aos efectivos da 'Royal Navy' a 18 de Dezembro de 1944. Ostentou o indicativo de amura P354 e diz-se que o seu nome prestava homenagem a Dick Turpin, um famoso ladrão de estradas do século XVIII, que morreu na forca. O que, a ser verdade, não deixa de ser curioso, muito curioso. Este submersível era um navio com 84,28 metros de comprimento por 7,77 metros de boca, que deslocava, em imersão, 1 560 toneladas. Propulsionado por máquinas diesel e eléctricas, o «Turpin» podia atingir 15,5 nós de velocidade à superfície e 9 nós em configuração de mergulho. Tinha uma guarnição de 61 homens (corpo de oficiais incluído) e do seu armamento constavam : 11 tubos lança-torpedos e 3 metralhadoras antiaéreas. Os navios do grupo 3 foram conservados depois do armistício, equipados com sofisticada aparelhagem de detecção e utilizados em missões de contra-espionagem aquando da chamada Guerra Fria. Durante a qual o adversário designado eram a U.R.S.S. e os seus parceiros do Pacto de Varsóvia. Este submarino foi cedido, em 1965, à marinha militar de Israel, que lhe deu o nome de «Leviathan» e o utilizou até 1978, ano em que foi desmantelado.

«J. R. TOLKIEN»

Veleiro de bandeira neerlandesa. Construído em 1963 nos estaleiros de Magdeburgo (República Democrática Alemã), esta embarcação recebeu o primitivo nome de «Dierkow», foi registada no porto de Rostock e serviu como rebocador e transporte de frete na área do mar Báltico. Depois do derrube do muro de Berlim e da subsequente extinção da R. D. A., o navio em questão foi comprado (em 1994) e levado para Amsterdão, onde foi transformado numa escuna, destinada à indústria do turismo. Foi nessa altura que recebeu o nome do famoso escritor britânico, autor de «O Senhor dos Anéis», de «Hobbit» e de outros livros de sucesso. É uma veleiro de 2 mastros, que envergam pano redondo e latino com uma superfície total de 628 m2. Foi equipado com 1 motor auxiliar (a diesel) de 365 cv. Apresenta 139 toneladas de arqueação bruta e mede 41,70 metros de comprimento por 7,80 metros de boca. A sua tripulação normal não excede os 10 membros e o número de passageiros recebidos a bordo (entre 20 e 90) depende da duração dos cruzeiros, que podem prolongar-se de 1 dia solar até 1 semana ou mais dias. Das suas acomodações constam 11 cabines equipadas com beliches, WC e chuveiros e com um salão/sala de refeições capaz de receber 50 pessoas em simultâneo. Este iate é operado pela firma Van der Rest Sail Charter.

sábado, 29 de abril de 2017

«SANTIAGO»


Foi a bordo de um navio de pequeno porte baptizado com o nome do apóstolo das Espanhas (Santiago), que -no dia 2 de Abril de 1513-  o conquistador espanhol Juan Ponce de León (natural de Valladolid) descobriu uma península situada ao norte das Antilhas. Uma terra nova que ele nomeou Florida, pelo facto do seu achamento coincidir com o Dia de Ramos ou Páscoa Florida. Esse paradisíaco pedaço da América do norte (hoje conhecido pelo seu potencial turístico, mas não só) foi pertença do reino de Espanha até 1819, ano em que esse país ibérico o cedeu aos Estados Unidos. Naquele já longínquo dia de Abril de 1513, a «Santiago» (caravela redonda, com 3 mastros e uns 30 metros de comprimento) era a almiranta de uma frota que compreendia mais dois outros navios : a nau «Santa Maria de la Consolación» e o bergantim «San Cristobal». Os 3 navios, com capacidade global para receber 73 homens a bordo, carregaram, durante essa viagem de descoberta, cerca de 200 marinheiros e soldados. A frota partira de Porto Rico -ilha da qual o castelhano Ponce de León fora o primeiro governador- numa rota nunca antes navegada por embarcações europeias, com a firme intenção de procurar uma terra onde -dizia uma lenda antiga- existia a maravilhosa Fonte da (eterna) Juventude. Desconhece-se o destino final da caravela armada «Santiago» (artilhada com alguns canhões), que fora concebida para navegar com uma tripulação de 20 homens.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

«CASERTA»

Este paquete usou sucessivamente os nomes de «Maritzburg», «Mendoza», «Caserta» e «Venezuela». Optámos aqui por designá-lo «Caserta», pelo facto de ser este o seu nome mais duradouro; e o que o navio em apreço usou de 1914 até 1923. Este navio foi construído em 1904 nos estaleiros ingleses da firma Armstrong, Whitworth & Cº, de Newcastle-upon-Tyne, para a companhia de navegação Bucknall Line; que, logo no ano seguinte, o cedeu ao Lloyd Italiano, onde o paquete recebeu o seu segundo nome e foi remetido para a linha Mediterrâneo-Nova Iorque. Na qual transportou essencialmente emigrantes, dispostos a instalar-se na América do norte. Em 1914, este transatlântico foi baptizado «Caserta» (em homenagem a uma cidade italiana da Campânia) e, mais tarde, fretado ao governo dos Estados Unidos; que o transformou em transporte de tropas armado (com 2 peças de artilharia de 76 mm) em previsão de uma entrada dos americanos no conflito contra os Impérios Centrais. O que viria a acontecer em 1917. Maldosamente apelidado 'barco do gado' ou 'barco do macarrão' (provavelmente devido às más condições de alojamento oferecidas aos militares e à pouco diversificada alimentação servida a bordo), o «Caserta» transportou milhares de tropas ianques, britânicas, italianas, etc., durante a guerra e posteriormente, quando foi necessário assegurar o regresso a casa dos combatentes. O «Caserta» retomou o serviço regular de passageiros civis em 1919 por conta da companhia N.G.I. - Navigazione Generale Italiana, ligando a Europa às cidades de Nova Iorque e/ou Filadélfia até finais do ano de 1921. Depois de uma curta pausa, o navio foi vendido, em 1923, à casa armadora La Veloce - Navigazione Italiana a Vapore, que lhe deu o seu derradeiro nome («Venezuela») e que o colocou numa linha entre a Itália e a América do Sul. Em 1924 ainda regressou ao seio da N.G.I., antes de ser desmantelado em 1928. O «Caserta» apresentava 6 847 toneladas de arqueação bruta e media 130 metros de comprimento por 16 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas a vapor de tripla expansão, cuja potência lhe garantia uma velocidade de cruzeiro de 14 nós.

«MOCTEZUMA»

Este navio hasteou bandeira dos Estados Unidos e foi fretado pelo representante diplomático de Espanha nesse país para fazer um transporte de armamento e de munições destinado ao vice-reino do Perú. Isso, num tempo em que os espanhóis tentavam jugular o movimento independentista do Chile. Este veleiro (uma espécie de brigue-escuna, ao qual os hispânicos preferem chamar 'goleta') deslocava 200 toneladas e estava armado com 8 canhões. Foi capturado sem luta -a 24 de Março de 1819- no porto de Callao pela corveta «Chacabuco» da recém-criada marinha militar do Chile e integrada na dita com o nome de «Moctezuma». Entre as suas primeiras missões bélicas constam o assédio de Callao e as conquistas de Corral e de Valdívia, em 1820, integrada na esquadra do almirante Cochrane. Posteriormente, fez parte da chamada Expedição Libertadora do Perú, servindo como navio de ligação com Valparaíso, para onde levou a notícia da queda de Lima. Este pequeno e veloz veleiro de 2 mastros teve a suprema honra de ter sido o último navio da armada chilena no qual o almirante Cochrane hasteou as suas insígnias de comando. Não nos foi possível encontrar referências sobre o seu destino final.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

«CARACAS»

Este navio de bandeira norte-americana -um paquete de propulsão mista- foi construído em 1881 nos estaleiros da firma William Cramp & Sons, de Filadélfia. Pertenceu inicialmente à casa armadora D Red Line, com escritórios na mesma cidade. E, sob as suas cores, serviu, durante algum tempo (com o seu gémeo «Valencia»), na carreira Nova Iorque-Venezuela (La Guayra e Puerto Cabello), que se realizava duas vezes por mês. O «Caracas» deslocava 1 200 toneladas e media 78 metros de longitude por 10 metros de boca. Estava equipado com 1 máquina a vapor e com 1 hélice e dispunha de 2 mastros guarnecidos com velas. A sua carga era variada, pois consistia no transporte de passageiros, frete e correio. Após 7 anos de úteis serviços, este navio foi vendido em 1888 (pela soma de 175 000 dólares) a T. Egenton Hoggg, que presidia aos destinos da Oregon Pacific Railroad Company. Por essa ocasião, o navio mudou de nome, passando a chamar-se «Yaquina Bay» e foi apontado para ser utilizado numa linha costeira da Califórnia, que serviria San Francisco entre outros portos locais. Mas a vida do «Yaquina Bay» foi de curtíssima duração, já que o navio naufragou -durante a sua primeira viagem no oceano Pacífico- na baía que lhe deu o nome. Este desastre agitou as populações do litoral californiano, que acreditaram que o malogrado paquete tenha sido sabotado por uma companhia de navegação rival. Coisa que nunca chegou a provar-se.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

«EENDRACHT»

Escuna de 3 mastros que arvora bandeira dos Países-Baixos. É o segundo veleiro com este nome (que significa 'Uníssono') a ser usado pela associação Stichting her Zeilend Zeeschip, como navio de formação náutica e treino no mar. Foi construído no estaleiro de Damen, segundo planos do reputado arquitecto naval W. de Vries Lentsch, e lançado à água em 1989. A escuna «Eentracht» (que é conhecida em muitos portos da Europa (sobretudo do norte), mas não só, tem 59 metros de comprimento por 12,30 metros de boca e o seu velame apresenta um superfície de 1 300 m2. A sua tripulação de 13 membros é seleccionada entre 350 voluntários altamente conhecedores do mar, das técnicas de navegação e capazes de transmitir conhecimentos aos 40 passageiros (geralmente jovens) que são admitidos a bordo em regime de aprendizagem. A associação proprietária deste navio, já acima citada, foi fundada em 1938, em vésperas da 2ª Guerra Mundial, mas teve que interromper o seu desígnio durante vários anos por causa desse conflito devastador e da ocupação dos Países-Baixos. No historial do veleiro «Eendracht» regista-se um encalhe junto a Newhaven, na costa sul do Reino Unido, ocorrido em 21 de Outubro de 1998. As 51 pessoas que então se encontravam a bordo foram, todas elas, resgatadas por helicóptero e colocadas em terra sãs e salvas. A escuna seria posteriormente desencalhada e reparada, antes de voltar às suas habituais rotinas.

«KERGUELEN»

Paquete francês construído em 1921 nos estaleiros ingleses da firma Swan, Hunter & Wigham Richardson, de Newcastle. Este navio, encomendado pela Compagnie de Navigation Sud-Atlantique, de Bordéus, chamou-se primitivamente «Meduana». Foi vendido, após 7 anos de uso (em 1928), ao armador Charcheurs Réunis, que lhe deu o novo nome de «Kerguelen» (em honra de Kerguelen de Trémarec, um ilustre navegador e explorador polar do século XVIII) e que o colocou na sua linha da América do Sul. A 6 de Agosto de 1940 -já com parte da França ocupada pelas tropas hitlerianas- este navio foi apresado pela 'Kriegsmarine' e adaptado ao transporte de tropas, com o intento de ser utilizado na projectada Operação Seelowe, a abortada tentativa de invasão da Grã-Bretanha. Em Novembro de 1941, foi transferido para a companhia Reederei F. Laeisz, com sede em Hamburdo, para uso civil. Foi esse seu novo armador que lhe deu o seu terceiro nome, a saber : «Winrich von Kniprode». Em Janeiro de 1945, a escassos quatro meses da derrota final da Alemanha, o navio em apreço ainda foi transformado em navio-hospital, para serviço na evacuação de combatentes feridos e/ou doentes da frente de leste. Em Março, o antigo «Kerguelen» sofreu danos durante um incidente de guerra e, em Novembro de 1945, já em tempo de paz, foi devolvido aos seus legítimos proprietários, a referida companhia Chargeurs Réunis. Posteriormente, foi afretado pelo governo francês, já com o referido nome de «Kerguelen», (navio com 10 123 toneladas de arqueação bruta e com 148 metros de comprimento por 18 metros de boca) para cumprir uma das suas derradeiras missões : transportar tropas para a Indochina, onde os naturais dessa vasta região do sudoeste asiático se haviam levantado de armas na mão contra o poder colonial de Paris. O navio foi desactivado em 1954 e enviado, em Fevereiro do ano seguinte, para Antuérpia (na Bélgica), onde o estaleiro dos irmãos Van Heyghen  procedeu ao seu desmantelamento.

«SAGE»


Construído no arsenal de Toulon com desenho de Pierre-Blaise Coulomb, este navio pertenceu a uma série de vasos de guerra (compreendendo dezenas de unidades) artilhado com 64 canhões, distribuídos por 2 cobertas. Lançado ao mar em 1751, serviu na marinha real de França durante o período conturbado da chamada Guerra dos Sete Anos. O «Sage» deslocava 1 100 toneladas e media 44,50 metros de comprimento por 12,19 metros de boca. O seu calado era de 5,80 metros. A guarnição dos navios deste tipo andava à volta dos 650 homens. Reputado pela sua robustez (o seu casco era em madeira de carvalho), o «Sage» e seus congéneres também se distinguiam pelas suas excelentes qualidades náuticas. Encontrava-se sob as ordens do capitão Noble du Revest quando, em 1755 se reacendeu a guerra contra a Inglaterra. Participou, no ano seguinte (integrado numa frota de 12 navios de guerra chefiada pelo marquês de La Galissonière), na batalha vitoriosa de Minorca contra a esquadra britânica de John Byng. Confronto do qual este navio francês saiu com sérias avarias causadas pelo fogo inimigo. Em 1757, já sob o comando do capitão Dabon, esteve em águas da América do norte, onde participou na defesa de Louisbourg; que ajudou a salvar da invasão inglesa. Regressou ao Medideterrâneo em finais desse mesmo ano, onde se viu confrontado com uma terrível epidemia de tifo, que matou um número elevado de membros da sua tripulação. Foi riscado das listas da marinha em 1768, presumindo-se que tenha sido, em consequência disso, desmantelado.

sábado, 22 de abril de 2017

«LLANGIBBY CASTLE»

Construído, em 1929, nos estaleiros de Govan (Glásgua) da companhia Garland & Wolff, este paquete navegou até 1954 com as cores da casa armadora britânica Union-Castle Mail Cº, de Londres. Com uma interrupção nos anos de guerra, durante os quais serviu (como tantos outros navios do seu tipo) como transporte de tropas sob a autoridade da 'Royal Navy'. O «Llangibby Castle» apresentava-se como um navio de 11 951 toneladas de arqueação bruta, medindo 148 metros de comprimento por 20,17 metros de boca. O seu sistema propulsivo desenvolvia uma potência de 1 300 nhp, que lhe facultava uma velocidade máxima de 14,5 nós. Durante o seu primeiro período civil, esteve, sobretudo, nas linhas de África. Teve vida atribulada durante o segundo conflito generalizado. Transportou prisioneiros alemães para campos de detenção situados na África oriental e, na noite de 22 de Dezembro de 1940, foi alvo de um bombardeamento da 'Luftwaffe' e danificado quando se encontrava atracado num dos cais de Liverpool. Em 16 de Janeiro de 1946 sofreu nova agressão tudesca, quando navegava no Atlântico norte integrado no comboio WS-15. Desta vez, o ataque foi obra do submarino «U-581», que o atingiu na popa com um dos seus torpedos. O «Llangibby Castle» logrou refugiar-se no porto neutral da Horta (Açores), até onde foi perseguido e atacado por aviões 'Condor' (Fw-200). O ex-paquete inglês ali permaneceu (durante os 14 dias que as convenções internacionais autorizavam) para colmatar os rombos sofridos; que à falta do material adequado foram reparados... com madeira e cimento. Depois da sua saída de águas territoriais portuguesas, o «Llangibby Castle» e a escolta que entretanto apareceu para o proteger foram envolvidos numa série de combates; que resultaram no afundamento do «U-581». Chegado à Grã-Bretanha em inícios de 1943, após uma épica viagem de 3 400 milhas náuticas sem leme e com a popa sumariamente reparada, este navio sofreu ali profundos trabalhos de transformação, de modo a poder transportar uns 1 600 combatentes e 18 lanchas de desembarque. Em vista de futuras operações a efectuar na frente ocidental. Foi assim, já com essas características, que o «Llangibby Castle» pôde participar nas operações decisivas baptizadas Torch e Overlord. Durante esta última (desembarque nas praias da Normandia), calcula-se que o «Llangebby Castle» tenha feito mais de 70 travessias do mar da Mancha e assegurado a transferência de 100 000 combatentes do sul de Inglaterra para portos do continente. No imediato pós-guerra (até fins de 1946), este navio ainda participou no repatriamento de 6 000 tropas de África, Índia e Birmânia para a Europa. Devolvido ao seu legítimo proprietário em Janeiro de 1947, o navio em apreço regressou à sua actividade normal. Por pouco tempo, já que em meados de 1954 foi mandado para a sucata e desmantelado.

«COMORIN»

O paquete «Comorin» pertenceu à companhia de navegação britânica P & O, de Londres. Que o utilizou nas linhas ultramarinas da empresa (Oriente e Austrália, sobretudo) até à sua requisição, em 1939, pela 'Royal Navy'. Que, por imperativos ligados à situação de guerra com a Alemanha nazi, lhe atribuiu o designativo «F 49» e o transformou numa das suas unidades auxiliares armadas. O navio em apreço foi construído nos estaleiros Barclay, Curle and Cº, de Whiteinch (Glásgua) e lançado à água no ano de 1925. Apresentava 15 116 toneladas de arqueação bruta e media 160 metros de comprimento por 21,40 metros de boca. Podia receber a bordo um pouco mais de 300 passageiros, 2/3 dos quais em 1ª classe. Estava equipado com maquinaria a vapor (2 motores de quádrupla expansão) desenvolvendo uma potência global de 2 075 nhp, força que lhe permitia navegar à velocidade de cruzeiro de 16 nós. O «Comorin» teve um fim trágico, já que -no dia 8 de Abril de 1941- afundou ao largo da costa ocidental de África (em águas da Serra Leoa), resultando desse incidente a morte de 20 dos seus tripulantes. As causas do soçobro deste antigo paquete inglês ficaram a dever-se a um incêndio que se declarou a bordo (a 7 de Abril) e que se revelou impossível de extinguir. Houve 455 sobreviventes, que foram salvos por vários navios britânicos que navegavam de conserva com o «Comorin», nomeadamente pelo contratorpedeiro HMS «Lincoln», que, no dia seguinte à catástrofe, recebeu ordens para canhonear a carcaça fumegante do malogrado navio , pelo facto desta representar um real perigo para a navegação naquela zona.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

«CELTIC»

Transatlântico de bandeira britânica, que foi propriedade da companhia White Star Line. Foi construído pelos estaleiros Harland & Wolff, de Belfast (Irlanda do Norte), que o lançaram à água no dia 4 de Abril de 1901. A arqueação bruta deste paquete era de 20 904 toneladas. Media 214 metros de comprimento por 23 metros de boca. As suas 2 máquinas a vapor de quádrupla expansão (acopladas a 2 hélices) desenvolviam 14 000 ihp e asseguravam ao navio uma velocidade máxima de 16 nós. Aquando da sua inauguração, o «Celtic» podia acolher 2 850 passageiros, incluindo 300 em 1ª classe e 160 em segunda. Foi o primeiro de uma série de navios (quase idênticos) que, na frota do seu armador, foram apelidados 'The Big Four'. O «Celtic» foi colocado na linha Liverpool-Nova Iorque, a mais prestigiosa e mais rentável das carreiras marítimas da época. A eclosão da Grande Guerra impôs a sua mobilização e utilização, pela 'Royal Navy' como navio tropeiro e cruzador-auxiliar. A sua primeira missão bélica ocorreu em Janeiro de 1916, quando levou para o Egpto milhares de soldados para a frente oriental. Outros episódios desse tempo e dignos de menção foram o choque deste navio, em 1917, ao largo da ilha de Man, com uma mina, que causou 17 mortos a bordo e graves avarias ao «Celtic». E, também, em Março do ano seguinte (depois de ter sido reparado no estaleiro de origem) o seu torpedeamento, no mar da Irlanda, pelo submarino alemão «UB-77»; que causou a bordo 6 mortos. Mas, ainda dessa vez, o navio sobreviveu à agressão do inimigo e, de novo, foi reparado. Com o regresso da paz, o paquete foi restaurado e volveu à sua actividade comercial. Perseguido, porém, pela má sorte, o «Celtic» foi -entre 1925 e 1927- protagonista de duas colisões com outros tantos navios. Mas o pior estava ainda para vir e ocorreu em 10 de Dezembro de 1928, na aproximação ao porto de Cobh, na Irlanda. O paquete em questão, que transportava 200 passageiros e um carregamento de cereal, sofreu ali um encalhe, sem possibilidade de resgate. Na sequência deste derradeiro incidente de navegação, houve vários mortos entre os membros da equipagem, que foram vitimados por inalação de fumos tóxicos. O navio acabou por ser desmantelado 'in situ' e, em 1933, nada restava dele... Para alé de recordações, é claro.

«WATSON A. WEST»

Escuna de bandeira norte-americana com casco de madeira e com 4 mastros. Foi construída, em 1901, no estaleiro Cousins & McWhinney -localizado em Aberdeen, no estado norte-americano de Washington- por encomenda da firma Slade & West Lumber Cº, também ela sediada em Aberdeen. A «Watson A. West» era um belo veleiro com 818 toneladas de arqueação bruta, medindo 58,70 metros de comprimento por 12,20 metros de boca. Calado : 4,30 metros. Durante a sua vida activa, de 22 anos, este veleiro conheceu praticamento todos os portos da costa californiana e muitos outros localizados em plagas tão distantes como a Austrália, o Japão, a Insulíndia, o Chile ou a África do Sul; para onde (e de onde) transportou mercadorias e materiais diversos. Navio de grande resistência, provou-o um dia, numa das suas viagens nos mares da Ásia, entre Surabaia e Java, quando, com um carregamento de copra a bordo, foi assaltado por ventos violentos e mar muito agitado. Nesse transe, apesar de ter perdido parte da mastreação e do velame, a escuna «Watson A. West» e a sua intrépida equipagem, conseguiram atingir Uraga, no Japão, onde o navio recebeu reparos. Para além do seu primitivo proprietário (já referido), esta escuna norte-americana navegou com as cores da casa armadora Pacific Freighters Cº, com escrtórios em São Francisco da Califórnia. Foi, pois, ao serviço desta firma e sob o comando do capitão Sorensen, que, a 23 de Fevereiro de 1923, o veleiro em apreço naufragou numa noite de breu e com nevoeiro espesso. A escuna «Watson A. West» navegava então (carregada com madeira serrada) entre Gray's Harbour e o arquipélago de Santa Bárbara (na costa Oeste dos Estados Unidos), quando foi arremessada contra uns perigosos rochedos e se perdeu. A natureza da carga transportada, permitiu à escuna manter-se à superfície por tempo suficiente para que os seus 9 tripulantes pudessem organizar o seu próprio salvamento. Não havendo, assim, perdas de vidas humanas a lamentar.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

«CONDORCET»

Couraçado da marinha francesa pertencente à classe 'Danton'. Permaneceu no serviço activo dessa instituição militar entre 1911 e 1942. Foi construído nos Chantiers de la Loire, em Saint Nazaire, Bretanha. Recebeu o nome do marquês Nicholas de Condorcet, um matemático e filósofo do século XVIII. Era um vaso de guerra fortemente blindado (200/255 mm na cinta), com 18 350 toneladas de deslocamento e com 146,60 metros de comprimento por 25,80 metros de boca e por 8,50 metros de calado. A sua propulsão a vapor (24 caldeiras), que desenvolvia uma potência de 18 400 cv, assegurava-lhe uma velocidade máxima de 19 nós. Estava portentosamente armado, contando a sua artilharia principal com 4 canhões de 305 mm, 12 de 240 mm, 16 de 75 mm e 2 tubos lança-torpedos de 450 mm. Durante a Grande Guerra, participou em operações no Mediterrâneo, nomeadamente no Adriático, na defesa da Tunísia e de Corfu. No período de entre duas guerras, completamente obsoleto, o «Condorcet -já em situação de reserva- ainda serviu como navio-escola de torpedos e de electricidade e como quartel flutuante. Esta última utilidade foi também aproveitada pelos alemães, após o franqueamento da famosa Linha de Demarcação (em 11 de Novembro de 1942). O navio encontrava-se, então, em Toulon, onde foi alvo -até ao final do segundo conflito generalizado- de destruições perpetradas pelo ocupante e pelas aviações dos Aliados, que o alvejaram por várias vezes. Em Dezembro de 1945, já depois de assinado o Armistício, a carcaça do «Condorcet» foi vendida para a sucata e posteriormente desmantelada. Nota : a silhueta dos couraçados da classe 'Danton' era facilmente identificável graças às suas 5 volumosas chaminés.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

«TEUTONIC»

Paquete britânico da companhia White Star Line, construído em 1889 nos estaleiros Harland & Wolff, de Belfast. Era um navio com 9 984 toneladas de arqueação bruta e com as seguintes dimensões : 177,70 metros de comprimento por 17,60 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas a vapor de tripla expansão, acopladas a 2 hélices; que lhe proporcionavam uma velocidade máxima de 20,5 nós. Era um navio com capacidade para receber 1 490 passageiros. Foi o mais moderno transatlântico do Reino Unido e do seu tempo, já que navegava inteiramente a vapor, sem recurso a velas auxiliares. Participou (foi a sua primeira missão) na Spithead Naval Review, que, nesse ano de 1889, se festejou, em conjunto, com a visita oficial di 'kaiser' Guilherme II; que visitou o novo paquete. Curiosamente, participaria no mesmo evento, em 1897, por ocasião do jubileu da rainha-imperatriz Vitória. Colocado na linha da América do norte, o «Tetonic» podia alojar 300 passageiros em 1ª classe, 190 em 2ª e 1 000 outros (geralmente emigrantes) na 3ª classe. O «Teutonic» foi utilizado, em 1900, durante a Guerra dos Boers, como trasporte de tropas, levando para a África do Sul, contingentes militares. Em 1901 o navio sobreviveu a um violento 'tsunami', comprovando a solidez da sua construção. Mas, em 1911, já marcado pela vetustez, este navio foi afastado da prestigiosa linha de Nova Iorque, para integrar a frota da Dominion Line (uma companhia associada da White Star) e passar a navegar para o Canadá. No seu historial inscrevem-se, em 1913, um incidente com um icebergue, que quase lhe fez sofrer o destino trágico do «Titanic» e -durante a Grande Guerra- a sua participação no conflito como cruzador-auxiliar. Período em que acolheu a bordo 6 armas de artilharia e respectivo corpo de militares especializados no manuseamento dessas poderosas armas. Com o regresso da paz, o navio foi considerado incapaz de retomar a sua actividade mercantil e arrumado. Em 1921 foi parar a Emden (na Alemanha), onde se procedeu ao seu completo desmantelamento.

«CIMBA»


0 «Cimba» foi um 'clipper' de bandeira britânica, construído muito especialmente para o coméricio da lã com a Austrália. Foi lançado ao mar em Abril de 1878 pelo estaleiro A. Hood, de Aberdeen, e logo entregue ao armador A. Nicol & Cº, com sede na mesma cidade da Escócia. Era um navio com casco de ferro, arvorando 3 mastros e apresentando 1 174 toneladas de arqueação bruta e as seguintes dimensões : 68 metros de longitude por 10,52 metros de boca por 6,58 metros de calado. Aparelhado em galera, este elegante e rápido navio (que chegou a navegar do canal da Mancha para a maior cidade da ilha-continente em apenas 72 dias) efectuou, durante 20 anos, a viagem entre Londres e Sydney sem grandes incidentes de percurso. Era facilmente identificável, graças ao seu casco verde e amarelo e à sua figura de proa representando um leão. Em Março de 1906, foi vendido a um armador norueguês, por conta do qual passou a navegar para outros destinos, como as Américas  do norte e do sul (nomeadamente para o Chile, via cabo Horn) até 26 de Julho de 1915. Data em que encalhou, sem possibilidades de ser safo, perto de Pointe-des-Monts, na costa oriental do Canadá.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

«DAVID CROCKETT»

O veleiro «David Crockett» (um 'clipper') foi construído, em 1853, nos estaleiros da firma Greenman & Cº, de Mystic, Connecticut. A encomenda deste navio fora passada pelos armadores Handy & Everett, de Nova Iorque, que, com ele, desejavam reforçar a sua linha com Liverpool; para onde já transportavam passageiros e carga diversa. O «David Crockett» -cujo nome de baptismo aludia a uma das mais populares figuras da América pioneira- apresentava 1 547 toneladas de armação bruta e as seguintes características : casco de madeira, 3 mastros, 67 metros de longitude por 12,50 metros de boca. Esteve, inicialmente, sob o mando do capitão Joseph W. Spencer. Em 1857, foi vendido à Lawrence Gilles & Cº, também ela com escritórios em Nova Iorque. E passou a privilegiar a linha entre esta cidade da costa leste e San Francisco (Califórnia), via cabo Horn. O 'David Crockett» revelou-se um navio bastante rápido, batendo alguns recordes entre esses dois importantes portos dos Estados Unidos. Como, por exemplo, aquele em que levou 89 dias de navegação entre a Califórnia e Sandy Hook. A 20 de Abril de 1874, preparava-se para levantar âncora da cidade de Nova Iorque, para entregar um carregamento de trigo a um cliente de Liverpool; mas a tripulação amotinou-se e o «David Crockett» partiu com 5 dias de atraso. Durante essa travessia, o capitão Burgess foi levado por uma vaga que varreu o navio e afogou-se, passando o comando para o oficial denominado Anderson, que o levou a bom porto, após 107 dias de tormentosa navegação. Em 1880, a propriedade deste navio (e de mais 3 outros veleiros da sua companhia) foi transferida para o armador John Rosenfelf, de San Francisco. E depois desse negócio, o «David Crockett» foi vendido por mais duas vezes. Terminou a sua carreira como navio carvoeiro, até que, em Fevereiro de 1899, encalhou -sem possibilidade de salvação- no Romer Shoal, na baía de Nova Iorque. Onde, em pouco tempo, foi destruído pelos vendavais de inverno. A imagem do «David Crockett» que aqui se deixa, é uma tela do famoso pintor Antonio Jacobsen, que o retratou numa das suas chegadas ao East River.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

«MARCHIONESS OF QUEENSBURY»/«MARQUESS OF QUEENSBURY»

Navio com um passado algo enigmático. A começar pelo nome de baptismo, que uns dizem ter sido «Marquesa de Queensbury» e outros «Marquês de Queensbury». Quanto aos correios da Jamaica, que lhe consagraram um selo em 1974 (ver ilustração anexada), esses optaram por lhe chamar, muito simplesmente, «Queensbury». A viagem inaugural deste navio inglês levou-o de Falmouth até Lisboa -capital do Reino de Portugal- e regresso ao porto de origem. Durou de 25 de Junho de 1814 até 26 de Julho desse mesmo ano. Era um navio especializado no transporte de passageiros, carga diversa e correio. Foi construído num não-identificado estaleiro de Inglaterra  por encomenda de um certo capitão Hannah, sob cujas ordens navegou alguns anos. Sabe-se que se fez de viagem regularmente para as Américas (continental e insular), tocando portos como os de Nova Iorque, Halifax, Tampico, Vera Cruz, Havana  e outros, das Caraíbas, como por exemplo e nomeadamente da Jamaica; para onde assegurou o serviço oficial do correio. Também foi visto no Brasil, em portos do sul de Espanha e de outras zonas do Mediterrâneo, do estreito até à Grécia. Foi, ulteriormente, vendido, quando já era capitaneado pelo tenente Swain, deixando a sua actividade comercial para integrar o serviço policial de fronteiras de Gibraltar. Parece ter terminado (em data incerta) como batelão de transporte e armazenamento de carvão. Outras coisas sobre este navio que escapam ao nosso conhecimento são as suas principais características físicas, tais como a tonelagem e as dimensões apresentadas. Mas aqui fica um pouco do que se sabe sobre este misterioso e belíssimo veleiro...

«NEPTUNE»


A «Neptune» é uma barca tradicional do lago Léman, construída em 1904 em Locum, um lugar da comuna de Meillerie, situada no departamento francês da Alta Sabóia. Arvora hoje, no entanto, pavilhão da Confederação Helvética, que lhe atribuiu o estatuto de 'monumento histórico'. Esta embarcação, construída com madeiras da região alpina, mede 27,30 metros de comprimento por 8,50 metros de boca. Está equipada com 2 característicos mastros envergando velas latinas, que totalizam 275 m2 de área. Era, propriamente falando, um barco de carga (podendo transportar 120 toneladas), destinado a acarretar materiais de construção (pedra, cascalho, areia, madeiras...), que beneficiaram, sobretudo, o desenvolvimento urbano da cidade de Genebra; que se situa a cerca de 45 quilómetros de Meillerie, seu primeiro porto de abrigo. Inteiramente restaurada em 2004, a «Neptune» é um dos raros e derradeiros vestígios da navegação de trabalho no lago Léman, que, nos seus tempos áureos (inícios do século XX), chegou a contar com uma frota de 60 barcas idênticas. Adquirida em 1971 pelo Estado de Genebra, a barca é propriedade de uma fundação, que assegura a sua conservação e a promoção cultural que lhe está associada. O seu porto de abrigo é, actualmente, o de Eaux-Vives. Curiosidade : A «Neptune» (e não outra barca do mesmo tipo) figura no brasão de armas de Préverenges, uma localidade do cantão de Vaud.

«WINDSOR CASTLE»

Dado como concluído pelos estaleiros navais Cammell, Laird & Cº, de Birkenhead (G. B.) em 1959, este paquete, o «Windsor Castle», passou a integrar, no ano seguinte, a frota da Union-Castle Mail Steamship Company, sediada em Londres. Casa armadora que o colocou na sua linha da África do Sul, cuja viagem se iniciava em Southampton e se prolongava até Durban, com escalas em Las Palmas, Capetown, Port Elizabeth e East London. Navio elegante, espaçoso e confortável (dispunha de climatização nas áreas reservadas aos passageiros e tripulantes), o Windsor Castle», estava equipado com hospital, cine-teatro, amplas salas de jantar e de convívio, piscinas, spa, etc. No que respeitava a sua carga mercantil, oferecia  espaços para secos e refrigerados, assim como tanques para o transporte de vinho. Apresentava-se como um navio de 37 640 toneladas de arqueação bruta, medindo 238,80 metros de comprimento por 28,63 metros de boca. Este paquete era movido por um sistema comportando poderosas turbinas a vapor (com uma potência instalada de 49 000 shp) e podia alcançar a velocidade de cruzeiro de 22,5 nós. Tinha uma tripulação de 475 membros e podia acolher 191 passageiros na 1ª classe e 591 na classe turística. A sua acção foi travada pela aviação comercial de longo curso, que acabaria por derrotar os transportes marítimos. Em consequência disso, o «Windsor Castle» foi definitivamente arredado do serviço da África em 1977. Depois, foi vendido a um armador grego, que lhe deu o nome de «Margarita L» e o utilizou -no Próximo Oriente- como escritórios, hotel e centro de lazer. Em meados de 1991, o navio regressou ao porto do Pireu, para ali se submeter a grandes trabalhos de conservação. Em 2004 o velho paquete, agora com quase meio século de vida, foi vendido a sucateiros indianos, que lhe deram o derradeiro nome de «Rita», antes de o remeterem para Alang, onde foi prontamente desmantelado. E assim terminou a odisseia deste soberbo navio, que, durante a sua vida activa, fez 124 viagens completas (percorrendo mais de 1 600 000 milhas náuticas) e transportou perto de 270 000 passageiros.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

«AFON ALAW»

Construído em 1891 nos estaleiros A. Stephens & Sons, de Glásgua (Escócia), o «Afon Alaw» era  uma barca de 4 mastros, com casco de aço; que pertenceu (até 1904) à frota da casa armadora Hughes Richard & Cº, com sede em Liverpool. A partir desse ano, navegou com o nome de «Storebror», arvorou bandeira norueguesa e a marca da companhia marítima Stray S.O.-Sven O. Stray, de Kristiansand. Era um navio (de transporte) com 2 049 toneladas de arqueação bruta, que media 86,70 metros de longitude por 12,50 metros de boca. O seu calado fixava-se na cota dos 7 metros. Exerceu a sua actividade em todos os oceanos do mundo. No dia 4 de Janeiro de 1918 (decorria, então a 1ª Guerra Mundial), navegava este veleiro em pleno Atlântico sul (numa viagem que começara -sem carga a bordo- no porto da Beira, Moçambique, e que deveria terminar em Montevideu, no Uruguai), quando foi interceptado pelo navio corsário «Wolfe», da Alemanha Imperial; que o afundou a tiros de canhão, depois do comandante deste cruzador auxiliar ter dado ordem de prisão aos noruegueses. O ex-«Afon Alaw» (nome de um rio do norte das ilhas britânicas) afundou-se ao largo da costa brasileira. Quanto ao seu agressor, prosseguiu o seu caminho de regresso à Alemanha, depois de ter cumprido uma missão de 451 longos dias, que custou às marinhas aliadas 35 navios mercantes e 2 vasos de guerra. Todos eles afundados ! Para além disso, o «Wolfe» chegou a Kiel (em Fevereiro de 1918) com 467 prisioneiros de guerra e com um carregamento de produtos (borracha, cobre, zinco, seda, copra, etc.) apreendidos ao inimigo.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

«U-707»

Submarino alemão do tipo VIIC, lançado à água -em 18 de Dezembro de 1941- pelos estaleiros navais HC Stülken Sohn, de Hamburgo. A integração plena deste navio nas listas da armada germânica, tornou-se oficial em meados do ano seguinte, tendo o «U-707» passado, sucessivamente, pelas flotilhas 8 e 7. O seu único comandante operacional foi o 1º tenente Günter Gretschel. Como todos os submarinos da sua classe, o «U-707» deslocava 871 toneladas em imersão e media 67,10 metros de comprimento por 6,18 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por motores diesel/eléctricos, que lhe asseguravam a velocidade máxima de 17,7 nós à superfície e 7,6 nós em configuração de mergulho. Com andamento reduzido, podia dispor de uma autonomia de 8 500 milhas náuticas. A sua profundidade limite situava-se nos 220 metros. Estava equipado com 5 tubos lança-torpedos municiados com 14 engenhos e, no convés, com 1 canhão de 88 mm e com 1 peça AA de 20 mm. A sua guarnição podia variar entre 44 e 52 homens. Operou essencialmente no Atlântico (aquando da Segunda Guerra Mundial), onde -durante a sua curta vida operacional- afundou 2 navios mercantes dos Aliados : o «Jonathan Sturges» (norte-americano) e o «North Britain» (com pavilhão do Reino Unido). O «U-707» foi destruído no dia 9 de Novembro de 1943, no decorrer da sua quarta missão, por um avião britânico estacionado na base das Lages, ilha Terceira. Foi o primeiro submersível germânico a ser afundado por uma aeronave inglesa a operar nos Açores, depois das facilidades concedidas por Salazar (pouco tempo antes) às forças militares dos Aliados. No soçobro do «U-707» pereceu toda a sua equipagem, quer dizer 51 homens. A imagem mostra um navio do tipo VIIC.