sexta-feira, 28 de abril de 2017

«CASERTA»

Este paquete usou sucessivamente os nomes de «Maritzburg», «Mendoza», «Caserta» e «Venezuela». Optámos aqui por designá-lo «Caserta», pelo facto de ser este o seu nome mais duradouro; e o que o navio em apreço usou de 1914 até 1923. Este navio foi construído em 1904 nos estaleiros ingleses da firma Armstrong, Whitworth & Cº, de Newcastle-upon-Tyne, para a companhia de navegação Bucknall Line; que, logo no ano seguinte, o cedeu ao Lloyd Italiano, onde o paquete recebeu o seu segundo nome e foi remetido para a linha Mediterrâneo-Nova Iorque. Na qual transportou essencialmente emigrantes, dispostos a instalar-se na América do norte. Em 1914, este transatlântico foi baptizado «Caserta» (em homenagem a uma cidade italiana da Campânia) e, mais tarde, fretado ao governo dos Estados Unidos; que o transformou em transporte de tropas armado (com 2 peças de artilharia de 76 mm) em previsão de uma entrada dos americanos no conflito contra os Impérios Centrais. O que viria a acontecer em 1917. Maldosamente apelidado 'barco do gado' ou 'barco do macarrão' (provavelmente devido às más condições de alojamento oferecidas aos militares e à pouco diversificada alimentação servida a bordo), o «Caserta» transportou milhares de tropas ianques, britânicas, italianas, etc., durante a guerra e posteriormente, quando foi necessário assegurar o regresso a casa dos combatentes. O «Caserta» retomou o serviço regular de passageiros civis em 1919 por conta da companhia N.G.I. - Navigazione Generale Italiana, ligando a Europa às cidades de Nova Iorque e/ou Filadélfia até finais do ano de 1921. Depois de uma curta pausa, o navio foi vendido, em 1923, à casa armadora La Veloce - Navigazione Italiana a Vapore, que lhe deu o seu derradeiro nome («Venezuela») e que o colocou numa linha entre a Itália e a América do Sul. Em 1924 ainda regressou ao seio da N.G.I., antes de ser desmantelado em 1928. O «Caserta» apresentava 6 847 toneladas de arqueação bruta e media 130 metros de comprimento por 16 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas a vapor de tripla expansão, cuja potência lhe garantia uma velocidade de cruzeiro de 14 nós.

«MOCTEZUMA»

Este navio hasteou bandeira dos Estados Unidos e foi fretado pelo representante diplomático de Espanha nesse país para fazer um transporte de armamento e de munições destinado ao vice-reino do Perú. Isso, num tempo em que os espanhóis tentavam jugular o movimento independentista do Chile. Este veleiro (uma espécie de brigue-escuna, ao qual os hispânicos preferem chamar 'goleta') deslocava 200 toneladas e estava armado com 8 canhões. Foi capturado sem luta -a 24 de Março de 1819- no porto de Callao pela corveta «Chacabuco» da recém-criada marinha militar do Chile e integrada na dita com o nome de «Moctezuma». Entre as suas primeiras missões bélicas constam o assédio de Callao e as conquistas de Corral e de Valdívia, em 1820, integrada na esquadra do almirante Cochrane. Posteriormente, fez parte da chamada Expedição Libertadora do Perú, servindo como navio de ligação com Valparaíso, para onde levou a notícia da queda de Lima. Este pequeno e veloz veleiro de 2 mastros teve a suprema honra de ter sido o último navio da armada chilena no qual o almirante Cochrane hasteou as suas insígnias de comando. Não nos foi possível encontrar referências sobre o seu destino final.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

«CARACAS»

Este navio de bandeira norte-americana -um paquete de propulsão mista- foi construído em 1881 nos estaleiros da firma William Cramp & Sons, de Filadélfia. Pertenceu inicialmente à casa armadora D Red Line, com escritórios na mesma cidade. E, sob as suas cores, serviu, durante algum tempo (com o seu gémeo «Valencia»), na carreira Nova Iorque-Venezuela (La Guayra e Puerto Cabello), que se realizava duas vezes por mês. O «Caracas» deslocava 1 200 toneladas e media 78 metros de longitude por 10 metros de boca. Estava equipado com 1 máquina a vapor e com 1 hélice e dispunha de 2 mastros guarnecidos com velas. A sua carga era variada, pois consistia no transporte de passageiros, frete e correio. Após 7 anos de úteis serviços, este navio foi vendido em 1888 (pela soma de 175 000 dólares) a T. Egenton Hoggg, que presidia aos destinos da Oregon Pacific Railroad Company. Por essa ocasião, o navio mudou de nome, passando a chamar-se «Yaquina Bay» e foi apontado para ser utilizado numa linha costeira da Califórnia, que serviria San Francisco entre outros portos locais. Mas a vida do «Yaquina Bay» foi de curtíssima duração, já que o navio naufragou -durante a sua primeira viagem no oceano Pacífico- na baía que lhe deu o nome. Este desastre agitou as populações do litoral californiano, que acreditaram que o malogrado paquete tenha sido sabotado por uma companhia de navegação rival. Coisa que nunca chegou a provar-se.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

«EENDRACHT»

Escuna de 3 mastros que arvora bandeira dos Países-Baixos. É o segundo veleiro com este nome (que significa 'Uníssono') a ser usado pela associação Stichting her Zeilend Zeeschip, como navio de formação náutica e treino no mar. Foi construído no estaleiro de Damen, segundo planos do reputado arquitecto naval W. de Vries Lentsch, e lançado à água em 1989. A escuna «Eentracht» (que é conhecida em muitos portos da Europa (sobretudo do norte), mas não só, tem 59 metros de comprimento por 12,30 metros de boca e o seu velame apresenta um superfície de 1 300 m2. A sua tripulação de 13 membros é seleccionada entre 350 voluntários altamente conhecedores do mar, das técnicas de navegação e capazes de transmitir conhecimentos aos 40 passageiros (geralmente jovens) que são admitidos a bordo em regime de aprendizagem. A associação proprietária deste navio, já acima citada, foi fundada em 1938, em vésperas da 2ª Guerra Mundial, mas teve que interromper o seu desígnio durante vários anos por causa desse conflito devastador e da ocupação dos Países-Baixos. No historial do veleiro «Eendracht» regista-se um encalhe junto a Newhaven, na costa sul do Reino Unido, ocorrido em 21 de Outubro de 1998. As 51 pessoas que então se encontravam a bordo foram, todas elas, resgatadas por helicóptero e colocadas em terra sãs e salvas. A escuna seria posteriormente desencalhada e reparada, antes de voltar às suas habituais rotinas.

«KERGUELEN»

Paquete francês construído em 1921 nos estaleiros ingleses da firma Swan, Hunter & Wigham Richardson, de Newcastle. Este navio, encomendado pela Compagnie de Navigation Sud-Atlantique, de Bordéus, chamou-se primitivamente «Meduana». Foi vendido, após 7 anos de uso (em 1928), ao armador Charcheurs Réunis, que lhe deu o novo nome de «Kerguelen» (em honra de Kerguelen de Trémarec, um ilustre navegador e explorador polar do século XVIII) e que o colocou na sua linha da América do Sul. A 6 de Agosto de 1940 -já com parte da França ocupada pelas tropas hitlerianas- este navio foi apresado pela 'Kriegsmarine' e adaptado ao transporte de tropas, com o intento de ser utilizado na projectada Operação Seelowe, a abortada tentativa de invasão da Grã-Bretanha. Em Novembro de 1941, foi transferido para a companhia Reederei F. Laeisz, com sede em Hamburdo, para uso civil. Foi esse seu novo armador que lhe deu o seu terceiro nome, a saber : «Winrich von Kniprode». Em Janeiro de 1945, a escassos quatro meses da derrota final da Alemanha, o navio em apreço ainda foi transformado em navio-hospital, para serviço na evacuação de combatentes feridos e/ou doentes da frente de leste. Em Março, o antigo «Kerguelen» sofreu danos durante um incidente de guerra e, em Novembro de 1945, já em tempo de paz, foi devolvido aos seus legítimos proprietários, a referida companhia Chargeurs Réunis. Posteriormente, foi afretado pelo governo francês, já com o referido nome de «Kerguelen», (navio com 10 123 toneladas de arqueação bruta e com 148 metros de comprimento por 18 metros de boca) para cumprir uma das suas derradeiras missões : transportar tropas para a Indochina, onde os naturais dessa vasta região do sudoeste asiático se haviam levantado de armas na mão contra o poder colonial de Paris. O navio foi desactivado em 1954 e enviado, em Fevereiro do ano seguinte, para Antuérpia (na Bélgica), onde o estaleiro dos irmãos Van Heyghen  procedeu ao seu desmantelamento.

«SAGE»


Construído no arsenal de Toulon com desenho de Pierre-Blaise Coulomb, este navio pertenceu a uma série de vasos de guerra (compreendendo dezenas de unidades) artilhado com 64 canhões, distribuídos por 2 cobertas. Lançado ao mar em 1751, serviu na marinha real de França durante o período conturbado da chamada Guerra dos Sete Anos. O «Sage» deslocava 1 100 toneladas e media 44,50 metros de comprimento por 12,19 metros de boca. O seu calado era de 5,80 metros. A guarnição dos navios deste tipo andava à volta dos 650 homens. Reputado pela sua robustez (o seu casco era em madeira de carvalho), o «Sage» e seus congéneres também se distinguiam pelas suas excelentes qualidades náuticas. Encontrava-se sob as ordens do capitão Noble du Revest quando, em 1755 se reacendeu a guerra contra a Inglaterra. Participou, no ano seguinte (integrado numa frota de 12 navios de guerra chefiada pelo marquês de La Galissonière), na batalha vitoriosa de Minorca contra a esquadra britânica de John Byng. Confronto do qual este navio francês saiu com sérias avarias causadas pelo fogo inimigo. Em 1757, já sob o comando do capitão Dabon, esteve em águas da América do norte, onde participou na defesa de Louisbourg; que ajudou a salvar da invasão inglesa. Regressou ao Medideterrâneo em finais desse mesmo ano, onde se viu confrontado com uma terrível epidemia de tifo, que matou um número elevado de membros da sua tripulação. Foi riscado das listas da marinha em 1768, presumindo-se que tenha sido, em consequência disso, desmantelado.

sábado, 22 de abril de 2017

«LLANGIBBY CASTLE»

Construído, em 1929, nos estaleiros de Govan (Glásgua) da companhia Garland & Wolff, este paquete navegou até 1954 com as cores da casa armadora britânica Union-Castle Mail Cº, de Londres. Com uma interrupção nos anos de guerra, durante os quais serviu (como tantos outros navios do seu tipo) como transporte de tropas sob a autoridade da 'Royal Navy'. O «Llangibby Castle» apresentava-se como um navio de 11 951 toneladas de arqueação bruta, medindo 148 metros de comprimento por 20,17 metros de boca. O seu sistema propulsivo desenvolvia uma potência de 1 300 nhp, que lhe facultava uma velocidade máxima de 14,5 nós. Durante o seu primeiro período civil, esteve, sobretudo, nas linhas de África. Teve vida atribulada durante o segundo conflito generalizado. Transportou prisioneiros alemães para campos de detenção situados na África oriental e, na noite de 22 de Dezembro de 1940, foi alvo de um bombardeamento da 'Luftwaffe' e danificado quando se encontrava atracado num dos cais de Liverpool. Em 16 de Janeiro de 1946 sofreu nova agressão tudesca, quando navegava no Atlântico norte integrado no comboio WS-15. Desta vez, o ataque foi obra do submarino «U-581», que o atingiu na popa com um dos seus torpedos. O «Llangibby Castle» logrou refugiar-se no porto neutral da Horta (Açores), até onde foi perseguido e atacado por aviões 'Condor' (Fw-200). O ex-paquete inglês ali permaneceu (durante os 14 dias que as convenções internacionais autorizavam) para colmatar os rombos sofridos; que à falta do material adequado foram reparados... com madeira e cimento. Depois da sua saída de águas territoriais portuguesas, o «Llangibby Castle» e a escolta que entretanto apareceu para o proteger foram envolvidos numa série de combates; que resultaram no afundamento do «U-581». Chegado à Grã-Bretanha em inícios de 1943, após uma épica viagem de 3 400 milhas náuticas sem leme e com a popa sumariamente reparada, este navio sofreu ali profundos trabalhos de transformação, de modo a poder transportar uns 1 600 combatentes e 18 lanchas de desembarque. Em vista de futuras operações a efectuar na frente ocidental. Foi assim, já com essas características, que o «Llangibby Castle» pôde participar nas operações decisivas baptizadas Torch e Overlord. Durante esta última (desembarque nas praias da Normandia), calcula-se que o «Llangebby Castle» tenha feito mais de 70 travessias do mar da Mancha e assegurado a transferência de 100 000 combatentes do sul de Inglaterra para portos do continente. No imediato pós-guerra (até fins de 1946), este navio ainda participou no repatriamento de 6 000 tropas de África, Índia e Birmânia para a Europa. Devolvido ao seu legítimo proprietário em Janeiro de 1947, o navio em apreço regressou à sua actividade normal. Por pouco tempo, já que em meados de 1954 foi mandado para a sucata e desmantelado.

«COMORIN»

O paquete «Comorin» pertenceu à companhia de navegação britânica P & O, de Londres. Que o utilizou nas linhas ultramarinas da empresa (Oriente e Austrália, sobretudo) até à sua requisição, em 1939, pela 'Royal Navy'. Que, por imperativos ligados à situação de guerra com a Alemanha nazi, lhe atribuiu o designativo «F 49» e o transformou numa das suas unidades auxiliares armadas. O navio em apreço foi construído nos estaleiros Barclay, Curle and Cº, de Whiteinch (Glásgua) e lançado à água no ano de 1925. Apresentava 15 116 toneladas de arqueação bruta e media 160 metros de comprimento por 21,40 metros de boca. Podia receber a bordo um pouco mais de 300 passageiros, 2/3 dos quais em 1ª classe. Estava equipado com maquinaria a vapor (2 motores de quádrupla expansão) desenvolvendo uma potência global de 2 075 nhp, força que lhe permitia navegar à velocidade de cruzeiro de 16 nós. O «Comorin» teve um fim trágico, já que -no dia 8 de Abril de 1941- afundou ao largo da costa ocidental de África (em águas da Serra Leoa), resultando desse incidente a morte de 20 dos seus tripulantes. As causas do soçobro deste antigo paquete inglês ficaram a dever-se a um incêndio que se declarou a bordo (a 7 de Abril) e que se revelou impossível de extinguir. Houve 455 sobreviventes, que foram salvos por vários navios britânicos que navegavam de conserva com o «Comorin», nomeadamente pelo contratorpedeiro HMS «Lincoln», que, no dia seguinte à catástrofe, recebeu ordens para canhonear a carcaça fumegante do malogrado navio , pelo facto desta representar um real perigo para a navegação naquela zona.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

«CELTIC»

Transatlântico de bandeira britânica, que foi propriedade da companhia White Star Line. Foi construído pelos estaleiros Harland & Wolff, de Belfast (Irlanda do Norte), que o lançaram à água no dia 4 de Abril de 1901. A arqueação bruta deste paquete era de 20 904 toneladas. Media 214 metros de comprimento por 23 metros de boca. As suas 2 máquinas a vapor de quádrupla expansão (acopladas a 2 hélices) desenvolviam 14 000 ihp e asseguravam ao navio uma velocidade máxima de 16 nós. Aquando da sua inauguração, o «Celtic» podia acolher 2 850 passageiros, incluindo 300 em 1ª classe e 160 em segunda. Foi o primeiro de uma série de navios (quase idênticos) que, na frota do seu armador, foram apelidados 'The Big Four'. O «Celtic» foi colocado na linha Liverpool-Nova Iorque, a mais prestigiosa e mais rentável das carreiras marítimas da época. A eclosão da Grande Guerra impôs a sua mobilização e utilização, pela 'Royal Navy' como navio tropeiro e cruzador-auxiliar. A sua primeira missão bélica ocorreu em Janeiro de 1916, quando levou para o Egpto milhares de soldados para a frente oriental. Outros episódios desse tempo e dignos de menção foram o choque deste navio, em 1917, ao largo da ilha de Man, com uma mina, que causou 17 mortos a bordo e graves avarias ao «Celtic». E, também, em Março do ano seguinte (depois de ter sido reparado no estaleiro de origem) o seu torpedeamento, no mar da Irlanda, pelo submarino alemão «UB-77»; que causou a bordo 6 mortos. Mas, ainda dessa vez, o navio sobreviveu à agressão do inimigo e, de novo, foi reparado. Com o regresso da paz, o paquete foi restaurado e volveu à sua actividade comercial. Perseguido, porém, pela má sorte, o «Celtic» foi -entre 1925 e 1927- protagonista de duas colisões com outros tantos navios. Mas o pior estava ainda para vir e ocorreu em 10 de Dezembro de 1928, na aproximação ao porto de Cobh, na Irlanda. O paquete em questão, que transportava 200 passageiros e um carregamento de cereal, sofreu ali um encalhe, sem possibilidade de resgate. Na sequência deste derradeiro incidente de navegação, houve vários mortos entre os membros da equipagem, que foram vitimados por inalação de fumos tóxicos. O navio acabou por ser desmantelado 'in situ' e, em 1933, nada restava dele... Para alé de recordações, é claro.

«WATSON A. WEST»

Escuna de bandeira norte-americana com casco de madeira e com 4 mastros. Foi construída, em 1901, no estaleiro Cousins & McWhinney -localizado em Aberdeen, no estado norte-americano de Washington- por encomenda da firma Slade & West Lumber Cº, também ela sediada em Aberdeen. A «Watson A. West» era um belo veleiro com 818 toneladas de arqueação bruta, medindo 58,70 metros de comprimento por 12,20 metros de boca. Calado : 4,30 metros. Durante a sua vida activa, de 22 anos, este veleiro conheceu praticamento todos os portos da costa californiana e muitos outros localizados em plagas tão distantes como a Austrália, o Japão, a Insulíndia, o Chile ou a África do Sul; para onde (e de onde) transportou mercadorias e materiais diversos. Navio de grande resistência, provou-o um dia, numa das suas viagens nos mares da Ásia, entre Surabaia e Java, quando, com um carregamento de copra a bordo, foi assaltado por ventos violentos e mar muito agitado. Nesse transe, apesar de ter perdido parte da mastreação e do velame, a escuna «Watson A. West» e a sua intrépida equipagem, conseguiram atingir Uraga, no Japão, onde o navio recebeu reparos. Para além do seu primitivo proprietário (já referido), esta escuna norte-americana navegou com as cores da casa armadora Pacific Freighters Cº, com escrtórios em São Francisco da Califórnia. Foi, pois, ao serviço desta firma e sob o comando do capitão Sorensen, que, a 23 de Fevereiro de 1923, o veleiro em apreço naufragou numa noite de breu e com nevoeiro espesso. A escuna «Watson A. West» navegava então (carregada com madeira serrada) entre Gray's Harbour e o arquipélago de Santa Bárbara (na costa Oeste dos Estados Unidos), quando foi arremessada contra uns perigosos rochedos e se perdeu. A natureza da carga transportada, permitiu à escuna manter-se à superfície por tempo suficiente para que os seus 9 tripulantes pudessem organizar o seu próprio salvamento. Não havendo, assim, perdas de vidas humanas a lamentar.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

«CONDORCET»

Couraçado da marinha francesa pertencente à classe 'Danton'. Permaneceu no serviço activo dessa instituição militar entre 1911 e 1942. Foi construído nos Chantiers de la Loire, em Saint Nazaire, Bretanha. Recebeu o nome do marquês Nicholas de Condorcet, um matemático e filósofo do século XVIII. Era um vaso de guerra fortemente blindado (200/255 mm na cinta), com 18 350 toneladas de deslocamento e com 146,60 metros de comprimento por 25,80 metros de boca e por 8,50 metros de calado. A sua propulsão a vapor (24 caldeiras), que desenvolvia uma potência de 18 400 cv, assegurava-lhe uma velocidade máxima de 19 nós. Estava portentosamente armado, contando a sua artilharia principal com 4 canhões de 305 mm, 12 de 240 mm, 16 de 75 mm e 2 tubos lança-torpedos de 450 mm. Durante a Grande Guerra, participou em operações no Mediterrâneo, nomeadamente no Adriático, na defesa da Tunísia e de Corfu. No período de entre duas guerras, completamente obsoleto, o «Condorcet -já em situação de reserva- ainda serviu como navio-escola de torpedos e de electricidade e como quartel flutuante. Esta última utilidade foi também aproveitada pelos alemães, após o franqueamento da famosa Linha de Demarcação (em 11 de Novembro de 1942). O navio encontrava-se, então, em Toulon, onde foi alvo -até ao final do segundo conflito generalizado- de destruições perpetradas pelo ocupante e pelas aviações dos Aliados, que o alvejaram por várias vezes. Em Dezembro de 1945, já depois de assinado o Armistício, a carcaça do «Condorcet» foi vendida para a sucata e posteriormente desmantelada. Nota : a silhueta dos couraçados da classe 'Danton' era facilmente identificável graças às suas 5 volumosas chaminés.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

«TEUTONIC»

Paquete britânico da companhia White Star Line, construído em 1889 nos estaleiros Harland & Wolff, de Belfast. Era um navio com 9 984 toneladas de arqueação bruta e com as seguintes dimensões : 177,70 metros de comprimento por 17,60 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas a vapor de tripla expansão, acopladas a 2 hélices; que lhe proporcionavam uma velocidade máxima de 20,5 nós. Era um navio com capacidade para receber 1 490 passageiros. Foi o mais moderno transatlântico do Reino Unido e do seu tempo, já que navegava inteiramente a vapor, sem recurso a velas auxiliares. Participou (foi a sua primeira missão) na Spithead Naval Review, que, nesse ano de 1889, se festejou, em conjunto, com a visita oficial di 'kaiser' Guilherme II; que visitou o novo paquete. Curiosamente, participaria no mesmo evento, em 1897, por ocasião do jubileu da rainha-imperatriz Vitória. Colocado na linha da América do norte, o «Tetonic» podia alojar 300 passageiros em 1ª classe, 190 em 2ª e 1 000 outros (geralmente emigrantes) na 3ª classe. O «Teutonic» foi utilizado, em 1900, durante a Guerra dos Boers, como trasporte de tropas, levando para a África do Sul, contingentes militares. Em 1901 o navio sobreviveu a um violento 'tsunami', comprovando a solidez da sua construção. Mas, em 1911, já marcado pela vetustez, este navio foi afastado da prestigiosa linha de Nova Iorque, para integrar a frota da Dominion Line (uma companhia associada da White Star) e passar a navegar para o Canadá. No seu historial inscrevem-se, em 1913, um incidente com um icebergue, que quase lhe fez sofrer o destino trágico do «Titanic» e -durante a Grande Guerra- a sua participação no conflito como cruzador-auxiliar. Período em que acolheu a bordo 6 armas de artilharia e respectivo corpo de militares especializados no manuseamento dessas poderosas armas. Com o regresso da paz, o navio foi considerado incapaz de retomar a sua actividade mercantil e arrumado. Em 1921 foi parar a Emden (na Alemanha), onde se procedeu ao seu completo desmantelamento.

«CIMBA»


0 «Cimba» foi um 'clipper' de bandeira britânica, construído muito especialmente para o coméricio da lã com a Austrália. Foi lançado ao mar em Abril de 1878 pelo estaleiro A. Hood, de Aberdeen, e logo entregue ao armador A. Nicol & Cº, com sede na mesma cidade da Escócia. Era um navio com casco de ferro, arvorando 3 mastros e apresentando 1 174 toneladas de arqueação bruta e as seguintes dimensões : 68 metros de longitude por 10,52 metros de boca por 6,58 metros de calado. Aparelhado em galera, este elegante e rápido navio (que chegou a navegar do canal da Mancha para a maior cidade da ilha-continente em apenas 72 dias) efectuou, durante 20 anos, a viagem entre Londres e Sydney sem grandes incidentes de percurso. Era facilmente identificável, graças ao seu casco verde e amarelo e à sua figura de proa representando um leão. Em Março de 1906, foi vendido a um armador norueguês, por conta do qual passou a navegar para outros destinos, como as Américas  do norte e do sul (nomeadamente para o Chile, via cabo Horn) até 26 de Julho de 1915. Data em que encalhou, sem possibilidades de ser safo, perto de Pointe-des-Monts, na costa oriental do Canadá.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

«DAVID CROCKETT»

O veleiro «David Crockett» (um 'clipper') foi construído, em 1853, nos estaleiros da firma Greenman & Cº, de Mystic, Connecticut. A encomenda deste navio fora passada pelos armadores Handy & Everett, de Nova Iorque, que, com ele, desejavam reforçar a sua linha com Liverpool; para onde já transportavam passageiros e carga diversa. O «David Crockett» -cujo nome de baptismo aludia a uma das mais populares figuras da América pioneira- apresentava 1 547 toneladas de armação bruta e as seguintes características : casco de madeira, 3 mastros, 67 metros de longitude por 12,50 metros de boca. Esteve, inicialmente, sob o mando do capitão Joseph W. Spencer. Em 1857, foi vendido à Lawrence Gilles & Cº, também ela com escritórios em Nova Iorque. E passou a privilegiar a linha entre esta cidade da costa leste e San Francisco (Califórnia), via cabo Horn. O 'David Crockett» revelou-se um navio bastante rápido, batendo alguns recordes entre esses dois importantes portos dos Estados Unidos. Como, por exemplo, aquele em que levou 89 dias de navegação entre a Califórnia e Sandy Hook. A 20 de Abril de 1874, preparava-se para levantar âncora da cidade de Nova Iorque, para entregar um carregamento de trigo a um cliente de Liverpool; mas a tripulação amotinou-se e o «David Crockett» partiu com 5 dias de atraso. Durante essa travessia, o capitão Burgess foi levado por uma vaga que varreu o navio e afogou-se, passando o comando para o oficial denominado Anderson, que o levou a bom porto, após 107 dias de tormentosa navegação. Em 1880, a propriedade deste navio (e de mais 3 outros veleiros da sua companhia) foi transferida para o armador John Rosenfelf, de San Francisco. E depois desse negócio, o «David Crockett» foi vendido por mais duas vezes. Terminou a sua carreira como navio carvoeiro, até que, em Fevereiro de 1899, encalhou -sem possibilidade de salvação- no Romer Shoal, na baía de Nova Iorque. Onde, em pouco tempo, foi destruído pelos vendavais de inverno. A imagem do «David Crockett» que aqui se deixa, é uma tela do famoso pintor Antonio Jacobsen, que o retratou numa das suas chegadas ao East River.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

«MARCHIONESS OF QUEENSBURY»/«MARQUESS OF QUEENSBURY»

Navio com um passado algo enigmático. A começar pelo nome de baptismo, que uns dizem ter sido «Marquesa de Queensbury» e outros «Marquês de Queensbury». Quanto aos correios da Jamaica, que lhe consagraram um selo em 1974 (ver ilustração anexada), esses optaram por lhe chamar, muito simplesmente, «Queensbury». A viagem inaugural deste navio inglês levou-o de Falmouth até Lisboa -capital do Reino de Portugal- e regresso ao porto de origem. Durou de 25 de Junho de 1814 até 26 de Julho desse mesmo ano. Era um navio especializado no transporte de passageiros, carga diversa e correio. Foi construído num não-identificado estaleiro de Inglaterra  por encomenda de um certo capitão Hannah, sob cujas ordens navegou alguns anos. Sabe-se que se fez de viagem regularmente para as Américas (continental e insular), tocando portos como os de Nova Iorque, Halifax, Tampico, Vera Cruz, Havana  e outros, das Caraíbas, como por exemplo e nomeadamente da Jamaica; para onde assegurou o serviço oficial do correio. Também foi visto no Brasil, em portos do sul de Espanha e de outras zonas do Mediterrâneo, do estreito até à Grécia. Foi, ulteriormente, vendido, quando já era capitaneado pelo tenente Swain, deixando a sua actividade comercial para integrar o serviço policial de fronteiras de Gibraltar. Parece ter terminado (em data incerta) como batelão de transporte e armazenamento de carvão. Outras coisas sobre este navio que escapam ao nosso conhecimento são as suas principais características físicas, tais como a tonelagem e as dimensões apresentadas. Mas aqui fica um pouco do que se sabe sobre este misterioso e belíssimo veleiro...

«NEPTUNE»


A «Neptune» é uma barca tradicional do lago Léman, construída em 1904 em Locum, um lugar da comuna de Meillerie, situada no departamento francês da Alta Sabóia. Arvora hoje, no entanto, pavilhão da Confederação Helvética, que lhe atribuiu o estatuto de 'monumento histórico'. Esta embarcação, construída com madeiras da região alpina, mede 27,30 metros de comprimento por 8,50 metros de boca. Está equipada com 2 característicos mastros envergando velas latinas, que totalizam 275 m2 de área. Era, propriamente falando, um barco de carga (podendo transportar 120 toneladas), destinado a acarretar materiais de construção (pedra, cascalho, areia, madeiras...), que beneficiaram, sobretudo, o desenvolvimento urbano da cidade de Genebra; que se situa a cerca de 45 quilómetros de Meillerie, seu primeiro porto de abrigo. Inteiramente restaurada em 2004, a «Neptune» é um dos raros e derradeiros vestígios da navegação de trabalho no lago Léman, que, nos seus tempos áureos (inícios do século XX), chegou a contar com uma frota de 60 barcas idênticas. Adquirida em 1971 pelo Estado de Genebra, a barca é propriedade de uma fundação, que assegura a sua conservação e a promoção cultural que lhe está associada. O seu porto de abrigo é, actualmente, o de Eaux-Vives. Curiosidade : A «Neptune» (e não outra barca do mesmo tipo) figura no brasão de armas de Préverenges, uma localidade do cantão de Vaud.

«WINDSOR CASTLE»

Dado como concluído pelos estaleiros navais Cammell, Laird & Cº, de Birkenhead (G. B.) em 1959, este paquete, o «Windsor Castle», passou a integrar, no ano seguinte, a frota da Union-Castle Mail Steamship Company, sediada em Londres. Casa armadora que o colocou na sua linha da África do Sul, cuja viagem se iniciava em Southampton e se prolongava até Durban, com escalas em Las Palmas, Capetown, Port Elizabeth e East London. Navio elegante, espaçoso e confortável (dispunha de climatização nas áreas reservadas aos passageiros e tripulantes), o Windsor Castle», estava equipado com hospital, cine-teatro, amplas salas de jantar e de convívio, piscinas, spa, etc. No que respeitava a sua carga mercantil, oferecia  espaços para secos e refrigerados, assim como tanques para o transporte de vinho. Apresentava-se como um navio de 37 640 toneladas de arqueação bruta, medindo 238,80 metros de comprimento por 28,63 metros de boca. Este paquete era movido por um sistema comportando poderosas turbinas a vapor (com uma potência instalada de 49 000 shp) e podia alcançar a velocidade de cruzeiro de 22,5 nós. Tinha uma tripulação de 475 membros e podia acolher 191 passageiros na 1ª classe e 591 na classe turística. A sua acção foi travada pela aviação comercial de longo curso, que acabaria por derrotar os transportes marítimos. Em consequência disso, o «Windsor Castle» foi definitivamente arredado do serviço da África em 1977. Depois, foi vendido a um armador grego, que lhe deu o nome de «Margarita L» e o utilizou -no Próximo Oriente- como escritórios, hotel e centro de lazer. Em meados de 1991, o navio regressou ao porto do Pireu, para ali se submeter a grandes trabalhos de conservação. Em 2004 o velho paquete, agora com quase meio século de vida, foi vendido a sucateiros indianos, que lhe deram o derradeiro nome de «Rita», antes de o remeterem para Alang, onde foi prontamente desmantelado. E assim terminou a odisseia deste soberbo navio, que, durante a sua vida activa, fez 124 viagens completas (percorrendo mais de 1 600 000 milhas náuticas) e transportou perto de 270 000 passageiros.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

«AFON ALAW»

Construído em 1891 nos estaleiros A. Stephens & Sons, de Glásgua (Escócia), o «Afon Alaw» era  uma barca de 4 mastros, com casco de aço; que pertenceu (até 1904) à frota da casa armadora Hughes Richard & Cº, com sede em Liverpool. A partir desse ano, navegou com o nome de «Storebror», arvorou bandeira norueguesa e a marca da companhia marítima Stray S.O.-Sven O. Stray, de Kristiansand. Era um navio (de transporte) com 2 049 toneladas de arqueação bruta, que media 86,70 metros de longitude por 12,50 metros de boca. O seu calado fixava-se na cota dos 7 metros. Exerceu a sua actividade em todos os oceanos do mundo. No dia 4 de Janeiro de 1918 (decorria, então a 1ª Guerra Mundial), navegava este veleiro em pleno Atlântico sul (numa viagem que começara -sem carga a bordo- no porto da Beira, Moçambique, e que deveria terminar em Montevideu, no Uruguai), quando foi interceptado pelo navio corsário «Wolfe», da Alemanha Imperial; que o afundou a tiros de canhão, depois do comandante deste cruzador auxiliar ter dado ordem de prisão aos noruegueses. O ex-«Afon Alaw» (nome de um rio do norte das ilhas britânicas) afundou-se ao largo da costa brasileira. Quanto ao seu agressor, prosseguiu o seu caminho de regresso à Alemanha, depois de ter cumprido uma missão de 451 longos dias, que custou às marinhas aliadas 35 navios mercantes e 2 vasos de guerra. Todos eles afundados ! Para além disso, o «Wolfe» chegou a Kiel (em Fevereiro de 1918) com 467 prisioneiros de guerra e com um carregamento de produtos (borracha, cobre, zinco, seda, copra, etc.) apreendidos ao inimigo.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

«U-707»

Submarino alemão do tipo VIIC, lançado à água -em 18 de Dezembro de 1941- pelos estaleiros navais HC Stülken Sohn, de Hamburgo. A integração plena deste navio nas listas da armada germânica, tornou-se oficial em meados do ano seguinte, tendo o «U-707» passado, sucessivamente, pelas flotilhas 8 e 7. O seu único comandante operacional foi o 1º tenente Günter Gretschel. Como todos os submarinos da sua classe, o «U-707» deslocava 871 toneladas em imersão e media 67,10 metros de comprimento por 6,18 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por motores diesel/eléctricos, que lhe asseguravam a velocidade máxima de 17,7 nós à superfície e 7,6 nós em configuração de mergulho. Com andamento reduzido, podia dispor de uma autonomia de 8 500 milhas náuticas. A sua profundidade limite situava-se nos 220 metros. Estava equipado com 5 tubos lança-torpedos municiados com 14 engenhos e, no convés, com 1 canhão de 88 mm e com 1 peça AA de 20 mm. A sua guarnição podia variar entre 44 e 52 homens. Operou essencialmente no Atlântico (aquando da Segunda Guerra Mundial), onde -durante a sua curta vida operacional- afundou 2 navios mercantes dos Aliados : o «Jonathan Sturges» (norte-americano) e o «North Britain» (com pavilhão do Reino Unido). O «U-707» foi destruído no dia 9 de Novembro de 1943, no decorrer da sua quarta missão, por um avião britânico estacionado na base das Lages, ilha Terceira. Foi o primeiro submersível germânico a ser afundado por uma aeronave inglesa a operar nos Açores, depois das facilidades concedidas por Salazar (pouco tempo antes) às forças militares dos Aliados. No soçobro do «U-707» pereceu toda a sua equipagem, quer dizer 51 homens. A imagem mostra um navio do tipo VIIC.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

GENNESARETH (Barca de)


Os restos desta barca (muito provavelmente de pesca) foram descobertos em 1986 numa margem lodosa do mar da Galileia. Afirmaram peritos em arqueologia que a estudaram (e que recorreram à utilização das técnicas de datação do carbono 14), que a dita poderá ter sido construída há 20 séculos, coincidindo, assim, com os tempos em que Cristo e os seus seguidores calcorreavam aquela região da Palestina, propagando a fé num Deus único e misericordioso. Daí até se ter pretendido que esta modesta embarcação -que mede uns 8,20 metros de longitude por 2,30 metros de boca- possa ter sido usada por Jesus e pelos seus apóstolos foi um passo. Por isso, também muita gente apoda esse achado (preservado por se encontrar envolvido numa espessa e protectora camada de argila) a 'barca de Jesus'. Administradores do território onde foi descoberta esta relíquia, os israelitas que descobriram a barca de Gennesareth (de um dos nomes que dão a um espaço lagunar, também chamado mar da Galileia ou lago de Tiberíade), empreenderam, com notável êxito, uma longa, delicada e inovadora operação de salvaguarda e de conservação da preciosa embarcação. Que se, muito provavelmente, nada teve a ver com Jesus, permitirá elucidar muitos estudiosos sobre os costumes e as técnicas usadas pelas populações locais há 2 000 anos. Entre outras coisas, os peritos destacam o facto de a chamada barca de Jesus ter sido realizada com 12 madeiras diferentes; o que atesta que o seu proprietário não era rico e não tinha recursos para encomendar um lote homogéneo de material para a sua construção. Esta antiquíssima barca (ou o que dela resta) está exposta no museu Ygal Alon, pertencente ao 'kibbutz' Ginosar, de onde são originários os seus dois felizes descobridores.

«ALTAIR»

Lugre bacalhoeiro português, construído no estaleiro da Gafanha da Nazaré, por mestre Manuel Maria Bolais Mónica.  O navio (de 3 mastros, com casco em madeira) foi lançado ao mar a 25 de Março de 1918 e resultou de uma encomenda feita pela Companhia Aveirense de Navegação e Pesca. Que, ao tempo, tinha à sua frente um importante comerciante da Cidade da Ria «com ligações fortes ao poder político e económico locais». Isto, num tempo em que, com o aproximar do fim da Grande Guerra, se previa um forte incremento da construção naval civil, nomeadamente de embarcações para a pesca longínqua. Ao navio em apreço foi dado o poético nome de «Altair», que é também o da estrela mais brilhante da constelação da Águia; à qual está associada uma lenda, que tem como protagonistas Zeus e a bela Ganímedes. Este navio, registado na capitania do porto de Aveiro, apresentava uma arqueação bruta de 242,36 toneladas e media 35,70 metros de comprimento (entre perpendiculares) por 8,90 metros de boca e por 3,85 metros de pontal. Navegava exclusivamente à vela, pois naquele tempo ainda não era comum, na nossa marinha de pesca, o uso de motores auxiliares. A escolha do seu primeiro capitão recaiu na pessoa de um lobo do mar chamado Fernão Domingues Magano; que o comandou durante as suas primeiras campanhas de pesca : as de 1918 e de 1919. A história do «Altair» terminou em 1921, ano em que foi vendido à Companhia Portuguesa de Pesca do Bacalhau (igualmente de Aveiro) e passou a denominar-se «Vega». Mais tarde, em 1924,  mudou mais uma vez de mãos, sendo integrado na frota da Sociedade Continental de Pesca (de Lisboa) e mudando o seu registo para a capital. Finalmente, regressou a Aveiro (onde voltou a ser matriculado com o derradeiro nome de «Vaz»), mercê de uma transacção feita a favor do armador João Cândido Vaz. O fim deste bacalhoeiro chegou no dia 31 de Agosto de 1940 (já depois de ter eclodido a Segunda Guerra Mundial) nos mares da Terra Nova, onde se afundou com água aberta. Naufrágio sem vítimas.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

«REWA»

Paquete britânico da companhia da B.I.S.N. Co. (British India), de Glásgua. Foi construído em Dumbarton, nos estaleiros William Denny & Brothers, que o lançaram ao mar no dia 14 de Fevereiro de 1906. Era um navio com 7 308 toneladas de arqueação bruta e com 139 metros de comprimento por 17 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por turbinas a vapor, que desenvolviam uma potência de 9 344 shp; força que lhe permitia navegar à velocidade máxima de 18 nós. Destinado à carreira do Oriente (via canal de Suez), este paquete cumpriu a sua missão com regularidade e sem incidentes dignos de menção; até 1914, ano em rebentou a Grande Guerra e o «Rewa» foi requisitado pelo governo de Sua Majestade e entregue à 'Navy', que o transformou em navio-hospital. Operou, no desempenho dessas suas novas funções, alternativamente no Atlântico e no Mediterrâneo. Foi torpedeado e afundado pelo submarino alemão «U-55, que se encontrava sob as ordens de um oficial de nome Wilhelm Werner. O navio-hospital -que regressava da Grécia com feridos- fizera escalas técnicas em Malta e Gibraltar. Dirigia-se para Cardiff e soçobrou no estreito de Bristol perto da meia-noite de 4 de Janeiro de 1918. No momento do ataque germânico, o «Rewa» navegava com as luzes acesas e ostentava todas as marcas exigidas pela Convenção da Haia e não atravessara a pretensa zona perigosa, delimitada unilateralmente pelo governo alemão em 29 de Janeiro de 1917. O seu afundamento pode, pois, considerar-se criminoso aos olhos das leis da guerra. No naufrágio do «Rewa» apenas pereceram 3 membros da sua equipagem, sendo os restantes ocupantes -marinheiros, pessoal de saúde e feridos- salvos por navios (nomeadamente de guerra) que apareceram no local do desastre. Os destroços do «Rewa» foram descobertos por uma equipa de mergulhadores em Setembro de 2003. Repousam a 60 metros de profundidade, a 33 milhas náuticas de Newquay, na costa norte das Cornualhas. Alguns dos objectos recuperados do seu bojo foram decisivos na identificação do navio-hospital.

«PIONEERING SPIRIT»


Diz-se deste mastodôntico navio, que é a maior estrutura flutuante e automóvel jamais construída pelo homem. O que não é surpreendente, quando se sabe que -em plena carga- o «Pioneering Spirit» pode deslocar 932 000 toneladas. Este navio com 382 metros de comprimento por 124 metros de boca e por 30 metros de calado, tem propulsão assegurada por um conjunto de 12 máquinas diesel-eléctricas Rolls-Royce desenvolvendo, unitariamente, uma potência de 6 050 kW. Força que lhe confere uma velocidade máxima de 14 nós. Foi construído nos estaleiros da firma Daewoo (em 2013), na Coreia do Sul e pertence à companhia Allseas Engineering BV, com sede na Suíça. O navio está, quanto a ele, registado em Valletta, na ilha-estado de Malta. Não vou descrevê-lo fisicamente, deixando aos leitores deste blogue a oportunidade de descobrir este extraordinário navio de trabalho, através da fotografia anexada. O «Pioneering Spirit» (que terá custado a faraminosa soma de 2,6 milhares de milhões de dólares) foi concebido para operar -junto das companhias petrolíferas 'off shore'- no levantamento e transporte de cargas com peso excepcional. Para tanto, o navio dispõe de material de elevação específico, que pode suportar umas surpreendentes 24 000 toneladas. O que permitiu à Allseas fechar contratos com diversas companhias extractoras de petóleo e de gás para remover (no mar do Norte, nomeadamente) plataformas de prospecção inteiras. E obsoletas. O «Pioneering Spirit» chamou-se, primitivamente, «Pieter Schelte» (nome do pai do seu propritário); mas essa designação foi violentamente contestada (o que obrigou a mudá-la), pelo facto do seu patrono ter sido identificado como um antigo oficial das sinistras SS, que deixou escritos anti-semitas de uma indignidade só possível por parte de um servidor obediente de Hitler. O tal monstro com forma humana que está na origem da exterminação de 6 milhões de judeus europeus, para além de milhões de outras etnias não-arianas, prisioneiros de guerra indefesos, etc. Mas isso é, naturalmente, uma outra história...

«KALMAR NYCKEL»

Construído nos Países-Baixos por volta de 1625, este navio (primitivamente chamado «Sleutel») foi adquirido, três ou quatro anos mais tarde, por um consórcio comercial da cidade sueca de Kalmar. Compra feita com o intuito de transportar emigrantes nórdicos para o Novo Mundo, onde a Suécia desejava estabelecer uma colónia. Mais tarde, o «Kalmar Nyckel» seria comprado pela armada real sueca e dotado de armamento defensivo. Sabe-se que, em 1637, este navio e um outro de menor porte chamado «Fogel Grip» partiram de Gotemburgo para a América setentrional -sob o comando de um capitão de nome Jan Hindrksen van der Water- mas que a viagem correu mal e requereu adiamento. Apanhados, com efeito, por violenta tempestade no mar do Norte, os dois navios foram encaminhados para um porto da Holanda, onde receberam reparações. Depois de, novamente, serem dados como aptos para atravessar o Atlântico, dali partiram no dia 1º de Janeiro de 1638, atingindo o seu porto de destino a 3 de Março desse mesmo ano. Os pioneiros suecos fundaram ali um colonato ao qual deram o nome de Forte Cristina. À volta do qual se desenvolveria a actual cidade de Wilmington, no estado de Delaware. Sabe-se que o «Kalmar Nyckel» realizou outras três viagens transatlânticas todas elas com o mesmo fim e destino. Numa delas  (que terminou em 17 de Abril de 1640) este navio transportou Reorus Torkillus, que foi o primeiro clérigo luterano a desembarcar nas Américas. Depois do seu regresso definitivo à Europa, o navio em apreço foi readquirido pelos batavos e afundado a 12 de Julho de 1652 -durante a Primeira Guerra Anglo-Holandesa- ao largo das costas da Escócia, por um navio inglês da esquadra do almirante Blake. Uma réplica deste histórico navio foi realizada, em 1997, nos 'states' à escala 1/1. Este último navio pertence a uma associação sediada em Wilmington (a antiga Fort Christina) chamada Kalmar Nyckel Fondation. Acreditando que as dimensões do novo navio correspondam às do modelo, o «Kalmar Nyckel» seria um navio com 27 metros de comprimento (na linha de flutuação) e com 7,60 metros de boca. A ilustração que aqui anexei é uma tela a óleo representando o «Kalmar Nyckel», pintada em 1922 pelo artista Jacob Hägg.

«LIBERAL»

Canhoneira da Armada Real Portuguesa, construída em 1884, na Grã-Bretanha, no estaleiro da firma Laydrs. Tinha uma 'sister ship' na sua congénere «Zaire», de idêntica origem e a cuja classe pertenceu. A «Liberal» deslocava 558 toneladas e apresentava as seguintes dimensões : 42,56 metros de longitude por 7,50 metros de boca por 3,43 metros de calado. Era um navio  de madeira e ferro, de propulsão mista (vela/vapor), dispondo de 3 mastros (aparelhados em barca) e equipada com uma máquina com 500 cv de potência. Estava armada com 6 bocas de fogo de distintos calibres : 2 canhões de 150 mm, 2 de 100 mm e 2 metralhadoras de 11 mm. Com uma guarnição de cerca de 100 homens, a «Liberal» serviu em águas metropolitanas, mas também esteve em comissões no ultramar, a saber em Angola, Ajudá, São Tomé e Príncipe, Moçambique, Índia e Macau. Entre os oficiais ilustres que, temporariamente, integraram a sua guarnição, ressalve-se o nome do futuro almirante (que também foi geógrafo e inventor) Carlos Viegas Gago Coutinho. Este navio -que já havia sofrido um acidente de mesma índole em águas moçambicanas, dois anos antes- perdeu-se no dia 22 de Junho de 1910, perto do Ambriz. Todos os seus marinheiros e passageiros (entre os quais se encontrava o tenente-coronel Alves Roçadas, então governador geral de Angola) foram socorridos pela equipagem do vapor «Vilhena», que os desembarcou, sãos e salvos, em Luanda. Nesse mesmo ano, a canhoneira «Liberal» foi riscada da lista de efectivos da nossa Armada.