terça-feira, 18 de julho de 2017

«LA CURIEUSE»

Pequeno veleiro de bandeira francesa (aparelhado ora como um 'ketch', ora como uma escuna), que deixou o seu nome ligado à exploração científica das ilhas (pré-antárcticas) Kerguelen. O veleiro «La Curieuse» apresentava 75 toneladas de arqueação bruta e media 20,75 metros de comprimento. Foi construído, em 1911, no estaleiro de Léon Lefèvre, de Boulogne-sur-Mer com desenho original do arquitecto naval G. Soé. Dispunha de motor auxiliar. Durante a segunda expedição ao arquipélago Kerguelen levada a cabo por Raymond Rallier du Baty, esta pequena embarcação navegou com uma equipagem de, apenas, 7 homens, incluindo o chefe de expedição. «La Curieuse» fez-se ao mar a 16 de Julho de 1912, para realizar uma viagem (patrocinada pelo Museu de História Natural e pelo Ministério da Educação Pública), que deveria durar 5 anos; e que serviria para completar os trabalhos executados aquando de um precedente cruzeiro às mesmas ilhas, feito com o suporte de um outro navio. Antes de atingir o seu objectivo (as Kerguelen), este veleiro escalou vários portos, nomeadamente o do Funchal. «La Curieuse» chegou ao seu destino final a 22 de Outubro de 1913, onde realizou um trabalho de grande interesse científico; mas interrompeu a sua actividade, quando  Rallier du Baty tomou conhecimento do estado de guerra entre o seu país, a França, e a Alemanha Imperial. Essa tomada de decisão foi feita em sintonia com os outros membros da expedição, pois alguns deles (incluindo o chefe) decidiram alistar-se nas forças armadas para combater o 'kaiser' e os seus exércitos. A embarcação em apreço ficou-se por Sidney, na Austrália, desconhecendo o escriba de serviço qual terá sido o seu destino.

«HIGHLAND HOPE»

Paquete de bandeira britânica, pertencente à frota da companhia Nelson Line; que foi fundada em 1880 com o primeiro intuito de explorar o negócio de transporte de carne congelada da Argentina para os mercados europeus. Construído nos estaleiros da firma Harland & Wolff de Belfast (Irlanda do Norte) em 1930, o «Highland Hope» era um navio que também transportava correio e passageiros. Neste último domínio, refira-se que tinha capacidade para receber a bordo mais de 700 pessoas, que eram, na sua quase generalidade, emigrantes com destino ao Brasil e à Argentina. A sua arqueação bruta era de 14 129 toneladas e o navio media 159 metros de comprimento por 21,20 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas diesel, desenvolvendo uma potência de 2 190 nhp, que lhe permitia avançar à velocidade de cruzeiro de 16 nós. O «Highland Hope» foi colocado numa linha que ligava Londres a Buenos Aires, com escalas nos portos de Boulogne-sur-Mer, Vigo, Lisboa (acessoriamente) e Rio de Janeiro. No dia 19 de Novembro de 1930, quando ainda não completara 1 ano de serviço, este paquete britânico (com 550 passageiros e tripulantes a bordo) foi despedaçar-se contra os Farilhões -perto de Peniche- devido ao nevoeiro e, ao que tudo indica, a um grosseiro erro de navegação. Alertados pelo tremendo estrondo provocado pelo encalhe, os penicheiros que por ali pescavam nas suas frágeis embarcações, dirijiram-se para o lugar do sinistro, logrando salvar todos os náufragos. Acto que seria, mais tarde, reconhecido e recompensado com diplomas e medalhas pelo governo de Sua Majestade. O navio, considerado irremediavelmente perdido, pelo armador e respectiva companhia de seguros, foi depois pilhado pelos pescadores locais, que dele sacaram objectos de pequena dimensão, que ainda hoje existem e são mostrados como troféus. Um empresa de salvados recuperaria, quando as condições do mar lhe permitiram o acesso à carcaça do malfadado «Highland Hope», metais não ferrosos e outros materiais com algum valor comercial. De modo que aquilo que hoje resta do navio (que já passou cerca de 90 anos no fundo do mar) é pouca coisa (um amontoado de chapas e ferros retorcidos), que apenas representa um espólio para os arqueólogos subaquáticos e para os curiosos da História Marítima. Curiosamente, o navio que foi mandado construir para substituir o navio aqui em apreço, foi, também ele, vítima de um destino infeliz. Com efeito, o «Highlant Patriot» foi afundado -no dia 1 de Outubro de 1940- pelo submarino alemão «U-38». Só que aqueles que nele viajavam não tiveram a mesma sorte dos que se encontravam a bordo do seu predecessor. 140 morreram...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

«VENTUROSO»


Lugre português de 4 mastros e com casco de madeira, construído em 1919 num estaleiro de Vila do Conde pelo mestre carpinteiro Jeremias Martins Novais; que era membro de uma família de afamados construtores navais do norte do país, responsável pela realização de numerosos e excelentes navios à vela. O «Venturoso» pertenceu à Sociedade Comercial de Navegação, Lda., com sede no Porto. A rara informação existente sobre este navio, apenas refere que apresentava 413 toneladas de arqueação líquida (TAL) e que nunca usou motor auxiliar. São igualmente conhecidos os nomes dos seus dois capitães : José Cochim (que passou pelo navio em apreço entre 1919 e 1921) e José Ançã (que o terá governado entre 1922 e 1923). Este quase misterioso navio perdeu-se num também pouco documentado naufrágio, que ocorreu em pleno oceano Atlântico, quando o «Venturoso» navegava de Belém do Pará, para a Cidade Invicta. Nada se sabe sobre a existência de eventuais sobreviventes ao soçobro do navio. Mas depreende-se, pela data da morte do seu capitão, que este terá sido uma das vítimas do afundamento do lugre. A foto aqui anexada é de autor desconhecido. Foi apresentada (julgo que pela primeira vez) no excelente blogue «Navios à Vista», ao qual pedimos desde já a sua indulgência por esta bem intencionada usurpação e apresentamos melhores comprimentos. Mas também ela (a foto) é polémica, pois não há certezas de que, realmente, represente o «Venturoso».

sábado, 15 de julho de 2017

«P. R. HAZELTINE»


O veleiro «P. R. Hazeltine» (uma galera de 3 mastros com casco em madeira) foi construído em 1876 nos estaleiros Carter C. P. & Company, de Belfast, no estado norte-americano de Maine. O seu único armador foi a firma Ezekiel H. Herriman, da mesma cidade. Que perdeu este navio aquando da sua viagem inaugural, que começou Liverpool (Nova Iorque, a não confundir com o porto britânico homónimo) e tinha como destino São Francisco da Califórnia. Transportava carga diversa. Nesse tempo, a passagem para o oceano Pacífico fazia-se obrigatoriamente pela rota do cabo Horn, reputado pelas dificuldades que causava mesmo aos capitães e marinheiros mais experimentados. Foi por ali que este veleiro se perdeu, depois de se ter esventrado contra os recifes da ilha Wollaston, pertencente à República do Chile. Grande parte da carga deste novo veleiro estadunidense foi salva (graças ao bom estado do tempo) e toda a equipagem e passageiros do «P. R. Haxeltine» se salvou com recurso às baleeiras de bordo. Depois de terem rumado ao canal de Le Maire, os náufragos foram resgatados pelos navios «Sonoma» e «Gustave» (também eles veleiros) e deixados em porto seguro. O naufrágio da galera americana ocorreu no dia 25 de Agosto de 1876. Curiosidade : a tela que aqui representa o navio em apreço é da autoria do artista Percy A. Senborn.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

«SÃO GABRIEL»

Cruzador de 3ª classe da Armada Portuguesa. Foi encomendado, ainda nos tempos da monarquia e ao mesmo tempo que o seu gémeo «São Rafael», para cumprir os planos de modernização da nossa frota de guerra delineados pelo então ministro Jacinto Cândido. Foi construído em França, na cidade do Havre, pelos estaleiros da firma Forges et Chantiers du Havre (Augustin Normand), que o botaram ao mar no ano de 1900. Era um belo navio protegido por uma coberta couraçada de 35 mm, que deslocava 1 850 toneladas. Media 75 metros de comprimento por 10,80 metros de boca por 4,35 metros de calado. O sistema de propulsão deste cruzador era constituído por 2 máquinas a vapor de tripla expansão, que desenvolviam 3 000 cv e que podiam conferir ao navio 16 nós de velocidade máxima. O «São Gabriel» estava armado (artilharia principal) com 2 canhões de 150 mm, com 4 de 120 mm, com 8 de 75 mm e com 1 tubo lança-torpedos posicionado à proa. Tinha, inicialmente, mastros aparelhados com velas, como ainda era de uso na época da sua realização. Recebeu, já depois de ter sido recepcionado pela Armada, aparelhagem TSF. Teve a sua base em Lisboa. A coroa de glória do «São Gabriel» advém-lhe do facto de ter sido o primeiro navio português a ter realizado uma circum-navegação do globo (entre 11 de Dezembro de 1909 e 19 de Abril de 1911) e através de uma rota reconhecidamente difícil, que passou pelo estreito de Magalhães e pelos canais da Patagónia. A dita viagem durou 16 meses e 9 dias, tendo o navio percorrido cerca de 42 000 milhas náuticas (durante as quais afrontou um tufão nos mares da China) e visitado 72 portos nacionais e estrangeiros. Repare-se que o navio partiu de Portugal quando por cá ainda reinava D. Manuel II e que regressou à base já depois de instaurada a República. A viagem decorreu sem incidentes, já que, durante esse longo périplo, não ocorreram a bordo nem mortes, nem feridos, nem sequer houve doenças de membros da guarnição. Este cruzador, que não teve papel relevante durante o primeiro conflito generalizado, foi abatido do serviço activo em 1924, quando já era um navio obsoleto.

«GALGO»

Esta minúscula embarcação entrou na História naval durante os anos quentes da Grande Guerra, ao prestar serviço para a nossa Armada nas águas do Algarve. Era um rebocador pertencente à firma Júdice Fialho & Companhia, registado no porto da então Vila Nova de Portimão, que a autoridade marítima requisitou (em finais de Setembro de 1916) e transformou em patrulha armado. Para tanto, recebeu artilharia (1 canhão-revólver Hotchkiss de 37 mm) e a sua tripulação foi reforçada com elementos da marinha de guerra. Entre os quais figurava o 1º tenente Alberto Carlos dos Santos, que assumiu o comando. A missão do «Galgo» consistia na vigilância da costa algarvia, entre o cabo de São Vicente e Lagos. O «Galgo» fora construído nos estaleiros Ross & Duncan, de Glásgua, em data não apurada e renovado em Lisboa no ano de 1911. Deslocava 83 toneladas (em plena carga) e media 27,10 metros de comprimento fora a fora por 5,18 metros de boca. Estava equipado com 1 máquina de origem inglesa desenvolvendo uma potência de 75 cv, que lhe imprimia uma velocidade máxima de 10 milhas/hora. Foi o único 'navio' da Armada Portuguesa que, durante aquele devastador conflito e com os seus limitados meios, ousou opor-se à acção do submarino germânico «U-35» (comandado pelo famoso e temível capitão-tenente Lothar von Arnauld de la Perière), que afundou quatro navios dos Aliados só na zona de Sagres. Foi também o modesto «Galgo» e a sua corajosa tripulação de 15 homens, que lograram resgatar (com vida) ao oceano muitos dos náufragos dos cargueiros destruídos pelo supracitado submersível. Largas dezenas. O «Galgo» foi desmilitarizado pela Armada em 1918 e posteriormente devolvido ao seu legítimo proprietário. Desconhece-se quando e em que circunstâncias deixou de navegar. Curiosidade : as instâncias nacionais e internacionais protegeram os restos dos navios afundados ao largo do promontório de Sagres, transformando essa zona numa espécie de 'santuário', que a UNESCO já classificou, aliás e segundo a imprensa, como património da Humanidade.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

«HAR ZION»

Este navio (um cargueiro) foi lançado à água em 1907 pelos estaleiros Burmeister & Wain Maskin, de Copenhague; que o construíram para satisfazer uma encomenda do armador (também ele dinamarquês) Det Ostasiatiska. Armador que o utilizou até 1913, com o primitivo nome de «St. Jan». Passou depois por várias mãos, inclusivamente pelas do governo dos EUA (que se se serviu dele, entre 1918 e 1919, para repatriar alguns dos seus militares que haviam combatido em França, durante a Grande Guerra), e usou variadas bandeiras. Para além de também ter ostentado o nome de «Nikerie», este navio ainda viu pintado no seu casco o nome de «Risveglio». Após ter navegado, pois, sob bandeiras dinamarquesa, norte-americana, neerlandesa (anos 30) e italiana, este cargueiro foi vendido, em 1935, a um armador judeu, proprietário da companhia Palestine Maritime Lloyd Ltd., que o registou na Grã-Bretanha e que para o navio requereu pavilhão desse país. Vocacionado para o transporte de carga geral, o agora chamado «Har Zion» esteve algum tempo a operar entre o futuro estado de Israel e os portos do mar Negro, implicado num negócio de troca de frutos (especialmente citrinos) por madeiras, animais vivos, etc. No início da 2ª Guerra Mundial, o «Har Zion» passou a navegar no oceano Atlântico. A sua derradeira viagem desenrolava-se entre Liverpool e Savannah, quando transportava para esta cidade da Geórgia (EUA) um carregamento de álcool e de fertilizantes. Seguia integrado no comboio OB-205 (devidamente protegido por navios de guerra da 'Royal Navy'), quando foi surpreendido -ainda em águas europeias- pelo submarino inimigo «U-38»; que o torpedeou e afundou. Dos seus 37 tripulantes, só um escaparia com vida ao soçobro do navio. Este facto ocorreu em data de 31 de Agosto de 1940. O «Har Zion» apresentava as seguintes características : 2 508 toneladas de arqueação bruta; 98,90 metros de comprimento por 12,40 metros de boca por 5,84 metros de calado. A sua propulsão era assegurada por 1 máquina a vapor de tripla expansão (com veio acoplado a 1 hélice) desenvolvendo uma potência de 1 450 hp. Força que lhe transmitia uma velocidade de cruzeiro da ordem dos 11 nós. Curiosidade : aqui há uns anos, a administração postal israelita emitiu um selo homenageando este navio e a sua tripulação.

domingo, 9 de julho de 2017

«HAVHINGSTEN FRA GLENDALOUGH»


Este navio -lançado ao mar em 2004 e cujo nome significa, na nossa língua, 'garanhão marinho de Glendalough'- é a réplica (à escala 1/1) de um drakkar Viking achado, em 1972, no fiorde de Roskilde e conhecido , no Museu dos Navios Vikings dessa localidade dinamarquesa, onde está exposto, pelo nome de «Skuldelev 2»; que data, segundo os peritos, do ano de 1042 da era cristã. A réplica foi construída na Dinamarca, segundo os métodos usados na Idade Média e com materiais não muito diferentes dos utilizados nessa recuada época. Considerado muito próximo do original que lhe serviu de modelo, este drakkar (navio de guerra dos antigos escandinavos) desloca 9,6 toneladas e mede 29,26 metros de comprimento por 3,80 metros de boca. O seu calado é inferior a 1 metro. Dispõe, naturalmente, de um único mastro (que culmina a 14 metros) , que está equipado com uma vela com 112 m2 de superfície., Está, igualmente, equipado com vários remos, que são accionados por alguns dos 60 homens que o navio pode receber a bordo. Quando não está fundeado no seu porto de abrigo (Roskilde), esta cópia de embarcação antiga é usada por cientistas (estudiosos dos Vikings e dos seus navios) e/ou navega nos fiordes locais em cruzeiros de formação para jovens e menos jovens. Já visitou todos os países da Escandinávia e regiões limítrofes e, em 2007, empreendeu uma expedição até Dublin (na actual República da Irlanda), onde despertou grande curiosidade.

domingo, 2 de julho de 2017

«NIOBE»

Depois de ter servido na 'Royal Navy' e de ter indirectamente participado na 2ª Guerra dos Boers, desembarcando homens e material bélico na África do Sul, o «Niobe» -um cruzador protegido da classe 'Diadem'- foi integrado na armada do Canadá; constituindo com o «Rainbow» o primeiro grupo de navios de combate da marinha militar desse grande país. O «Niobe» foi construído, em 1898, pelos estaleiros navais da Vickers em Barrow-in-Furness. Era um navio de 11 000 toneladas de deslocamento, medindo 141 metros de longitude por 21 metros de boca e com um calado de 7,77 metros. Movia-se pela força (20 000 cv) de 1 máquina a vapor de tripla expansão, accionando 2 hélices. A sua velocidade máxima atingia os 20 nós. Do seu armamento principal constavam 16 canhões de 152 mm, 17 outras peças de menor calibre e 2 tubos lança-torpedos de 450 mm. Tinha uma guarnição de 677 homens (oficiais incluídos) e a sua base situava-se em Halifax, na província litorânea da Nova Escócia. Depois de um incidente de navegação, que imobilizou o navio (por encalhe e durante 18 longos meses), o «Niobe» teve a oportunidade de participar nos combates do primeiro conflito generalizado : a chamada Grande Guerra. Para tanto, foi reintegrado na 'Royal Navy', que o mandou patrulhar costas sensíveis, durante 12 meses. Devido à sua vetustez, o navio foi retirado da primeira linha e regressou a Halifax, onde chegou em meados do ano de 1915; e onde passou a servir -até ao fim do conflito- como quartel-general. Uma parte dos seus marinheiros pereceu na terrível e mortífera catástrofe de Halifax de 1917, provocada pela explosão do navio francês «Mont Blanc». Depois disso, sem utilidade prática, acabou a sua carreira a funcionar como simples depósito de material. Em 1920, o «Niobe» foi desarmado e, dois anos mais tarde, em 1922, foi conduzido a Filadélfia, nos Estados Unidos, par ali ser desmantelado.

«CABO DE BUENA ESPERANZA»

Navio espanhol de utilidade mista (passageiros/carga). Navegou sob pavilhão ibérico ('bandera oro y sangre') desde 1940, ano em que, depois de ter sido adquirido nos Estados Unidos pela Ybarra y Cia., tomou o nome de «María del Carmen». Por muito pouco tempo, já que, ainda nesse mesmo ano, passou a chamar-se, dessa vez definitivamente, «Cabo de Buena Esperanza». Este navio nasceu nos estaleiros da firma Shipbuilding Corporation, de Camden, Nova Iorque, em 1920, onde foi baptizado com o nome original de «Hoosier State». Tomou, em 1922,, o seu último nome americano de «President Lincoln». Pertenceu, primitivamente, à frota da companhia Dollar Steamship Company, sendo transferido posteriormente para a American President Line. Foi o primeiro paquete a operar na carreira regular San Francisco-Manila. Após a sua transferência para a Europa e de ter sido registado em Sevilha, o «Cabo de Buena Esperanza», foi colocado na linha da América do Sul, servindo Barcelona (cidade de partida da carreira), Cádiz, Santa Cruz de Tenerife, La Guaira, Curaçau, Rio de Janeiro, Santos, Montevideu e Buenos Aires. Assim chamado em honra do promontório descoberto, em fins do século XV, pelo navegador português Bartolomeu Dias, este navio teve uma vida mais ou menos tranquila, apesar de ter feito muitas travessias transatlânticas durante os anos perigosos da 2ª Guerra Mundial. Dois factos marcantes inscrevem-se no seu historial : nos anos 40, em pleno oceano Atlântico, o «Cabo de Buena Esperanza» resgatou um hidroavião do couraçado HMS «Malaya» e respectiva tripulação, desembarcando aparelho e homens (são e salvos) em Santa Cruz de Tenerife. E, em 1946, coube-lhe a suprema honra de transferir para território espanhol os restos mortais do grande compositor e músico Manuel de Falla, que havia falecido na Argentina. O navio em apreço apresentava, na sua fase final, as seguintes características : 12 594 toneladas de arqueação bruta; 170,28 metros de comprimento por 32,82 metros de boca por 7,62 metros de calado. A sua propulsão era assegurada por um sistema propulsivo (equipado com 4 turbinas a vapor) que desenvolvia uma potência de 13 200 hp e que lhe proporcionava uma velocidade máxima de 17 nós. A sua tripulação era constituída por 206 membros; que estavam ao serviço dos 560 passageiros (300 em 1ª classe) que o navio podia transportar. O «Cabo de Buena Esperanza» foi desmantelado em 1958 num estaleiro especializado do porto de Barcelona. Deixou muitas saudades àqueles que o utilizaram, mormente aos milhares de emigrantes europeus que nele embarcaram para se fixar em vários países da América do Sul.

«BOURBAKI»

Veleiro francês de 3 mastros (barca) e casco de aço lançado à água em 1898 pelos Ateliers et Chantiers de la Loire, de Nantes, para os armadores R. Guillon & R. Fleury da mesma cidade. Era um navio de 2 297 toneladas de arqueação bruta, medindo 79,54 metros de comprimento por 12,26 metros de boca. O seu calado cotava 6,20 metros. A superfície do seu velame era de 2 631 m2. Durante várias décadas assegurou o transporte de fosfatos (Nantes foi o primeiro porto francês importador desse produto) entre os portos chilenos e a cidade-natal de Júlio Verne, via cabo Horn. Mas chegou a operar noutros percursos. Em 1935, altura em que os grandes veleiros já haviam sido suplantados pelos navios a vapor, o obsoleto «Bourbaki»  foi adquirido pela sociedade local Neptune (pertença de negociantes de ferro velho), desarvorado, equipado com uma grua e transformado em batelão transportador de restos de navios desmantelados. Estava ancorado -no dia 19 de Dezembro de 1938- à entrada de Port Haliguen (situado na península de Quiberon), quando foi afundado por terrível tempestade. Presumo que a este navio tenha sido dado o nome de Charles Denis Bourbaki, um general dos exércitos de Napoleão III.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

«KONING DER NEDERLANDEN»

Couraçado da armada neerlandesa construído em finais do século XIX (1877) no estaleiro Rijkswerf de Amesterdão. Era um navio com um deslocamento de 5 400 toneladas, medindo 81,80 metros de longitude por 15,20 metros de boca. O seu calado atingia (em plena carga) os 6 metros. O seu sistema propulsivo (2 máquinas a vapor e 7 caldeiras) desenvolvia um potência de 4 630 cv, força que lhe permitia atingir uma velocidade de 12 nós. Podia carregar 630 toneladas de carvão e a sua autonomia ficava dependente do consumo (mais ou menos pródigo) desse combustível sólido. A sua cinta estava blindada com chaparia de 150/200 mm e nos pontos mais sensíveis a sua couraça podia exceder os 300 mm de espessura. Do seu armamento inicial constavam 4 canhões de 280 mm, 2 peças de 120 mm e um canhão-revólver de 37 mm. O «Koning der Nederlanden», que aquando da sua integração na marinha de guerra batava, era o seu maior navio, tinha uma guarnição de 256 homens, incluindo oficiais. Em finais do século, já completamente ultrapassada, esta unidade passou a exercer funções de navio-quartel e foi enviada para Surabaia, na actual Indonésia, então colónia dos Países-Baixos. O antiquado navio sobreviveu até 1942, até ao momento em que se travou a batalha de Java, e foi afundado pelo sua própria equipagem, para que não caísse nas mãos do invasor japonês. A imagem anexada mostra o navio em apreço no início da sua vida activa. E ainda apresentando os seus 3 mastros de origem mais o respectivo velame.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

«SIRIO»

Paquete da companhia Navigazione Generale Italiana. Foi construído nos estaleiros navais da firma Robert Napier & Sons, de Glásgua (Escócia), que o lançaram à água em 1883. Deslocava 4 141 toneladas e media 129 metros de comprimento por 14 metros de boca. A sua máquina a vapor desenvolvia uma potência de 5 323 cv, que lhe conferiam uma velocidade máxima de 18 nós. Podia receber, oficialmente, uns 1 300 passageiros. Todas estas características faziam deste navio o orgulho da marinha mercante italiana de fins do século XIX  e transição para a centúria seguinte. Foi colocado pelo seu armador na rentável linha da América do Sul, para onde convergiam, nesse tempo, muitos milhares de emigrantes transalpinos, mas também espanhóis e de outras nacionalidades. A rota do «Sirio» começava em Génova (onde o navio estava matriculado) e passava por Barcelona, Cádiz, arquipélagos das Canárias e de Cabo Verde, antes de escalar Rio de Janeiro, Santos e Buenos Aires. Na viagem fatídica de Agosto de 1906, este paquete (que embarcara 620 passageiros na origem e 75 outros na capital da Catalunha) navegava em águas calmas, nada pressagiando que, no dia 4 (por volta das 16 horas), se fosse enfeixar nuns recifes da costa espanhola, existentes nas imediações do cabo de Palos, perto de Cartagena. O navio italiano levou algum tempo a resistir às golfadas que haveriam de o engolir totalmente, o que permitiu a algumas embarcações espanholas navegando naquele lugar do Mediterrâneo ocidental de o abordar e de salvar algumas centenas de náufragos. De referir (entre outras) a intervenção do vapor «Joven  Miguel», ao qual se atribui o resgate de umas 200 pessoas. Mas o essencial dos passageiros (alguns não contabilizados por serem clandestinos) e tripulantes do «Sirio» terminaram ali as suas vidas, Números oficiais do município de Cartagena apontaram para 242 mortos, mas esses números revelaram-se ultrapassados e fontes mais credíveis (embora extraoficiais) referem entre 400 e 500 vítimas. A catástrofe provocou uma verdadeira onda de solidariedade no sul de Espanha, onde a população socorreu os sobreviventes do «Sirio» com víveres e agasalhos, com dinheiro proveniente da receita de espectáculos e até com a oferta de adopção de órfãos. No soçobro do navio morreram algumas celebridades, tais como a cantora de 'zarzuelas' Lola Millajes e o bispo de São Paulo (Brasil). Referentemente a esta última personagem, disse-se que deu a sua bênção a muitos dos que iriam morrer. O grande pintor brasileiro Benedito Calixto até imortalizou essa atitude do bispo numa das suas telas (conservada no Museu de Arte Sacra de São Paulo), a que deu o título «O Naufrágio do Sirio».

quinta-feira, 15 de junho de 2017

«LAGOS»

Navio de transporte de passageiros utilizado na travessia entre o Barreiro e Lisboa-Terreiro do Paço. Pertenceu à famosa série de embarcações do tipo dito 'Viana do Castelo', pelo facto de todas elas (em número de 6) terem sido construídas nos estaleiros navais daquela cidade minhota. Os seus armadores foram, sucessivamente, a CP e, já em fins da sua vida em águas nacionais, a Soflusa. O «Lagos» foi construído em 1970 e, nesse mesmo ano, começou a operar regularmente no estuário do Tejo. Apresentava uma arqueação bruta de um pouco mais de 700 toneladas e media 50 metros de longitude por 9,52 metros de boca. Podia transportar 1 022 passageiros -em condições de tempo normais- distribuídos por três classes distintas. Estava equipado com uma máquina diesel de origem alemã (MAN), que lhe facultava uma velocidade de cruzeiro de 13 nós. O que lhe permitia percorrer o trajecto onde se manteve largos anos (até inícios do século XXI) em 25 minutos. Depois de ter sido retirado do serviço activo e substituído (como os seus congéneres por modernos catamarãs), o «Lagos» esteve algum tempo atracado ao cais da Siderurgia Nacional (no rio Coina), à espera do seu desmantelamento. O que acabou por não acontecer, visto, ter sido adquirido por um armador de São Tomé e Príncipe. Que o denominou «Liliana Carneiro» e o empregou numa linha de transporte de passageiros e frete entre aquela antiga colónia portuguesa e Libreville, no Gabão. No seu historial recente, está registado o facto de ter sido assaltado, em 2010, por piratas nigerianos. Posteriormente resgatado, este antigo navio da frota dos Caminhos-de-Ferro Portugueses continua a navegar e usa, agora, pavilhão da República dos Camarões.

sábado, 3 de junho de 2017

«CAPITÂNIA»

Este navio -uma galé- é geralmente referido na lista de vasos de guerra portugueses que participaram, no seio da malfadada Invencível Armada, no ataque lançado -em meados de 1588- por Filipe II (o nosso Filipe I) contra a Inglaterra isabelina. Sabe-se que foi construído num estaleiro nacional, mas não há (ao que julgamos saber) informação específica sobre a sua tonelagem, dimensões e demais características físicas. Estava armado com 5 canhões e pertenceu, aquando do referido evento, a uma esquadra de galés -da qual terá sido capitânia, daí o nome pelo qual é conhecido- colocada sob as ordens de D. Diego de Medrano. Naufragou, em data incerta do mês de Junho daquele ano de 1588, no golfo de Biscaia, ao largo da cidade francesa de Bayonne. Foi um dos vários navios portugueses do seu tipo -já algo ultrapassado e pouco adaptado à navegação nos mares que circundam as ilhas britânicas- que foram mobilizados contra os 'hereges protestantes' e que, depois da derrota sofrida, deixaram o campo livre para que a Inglaterra passasse a assumir a liderança das nações de vocação marítima. A imagem aqui anexada mostra um navio português do tipo e do tempo da galé «Capitânia».

quarta-feira, 31 de maio de 2017

«CHARLES GOUNOD»

Este veleiro francês -que recebeu o nome de um grande compositor parisiense do século XIX- era uma barca de 3 mastros; que foi lançada à água no ano de 1900 pelos Ateliers et Chantiers de la Loire, de Saint Nazaire. Matriculado em Nantes, apresentava-se como um navio com 2 199 toneladas de arqueação bruta, medindo 85,30 metros de comprimento por 12,30 metros de boca. Pertenceu à frota do armador Norbert & Guillon. A sua celebridade adveio-lhe do facto de se ter cruzado -no dia 21 de Janeiro de 1917- quando o mundo sofria as agruras da Grande Guerra, com o temível corsário alemão «Seeadler» (colocado sob o mando do conde Felix von Luckner, um dos mais notáveis oficiais de marinha do 'kaiser') em pleno oceano Atlântico. O «Charles Gounod» procedia da Austrália (pela rota do cabo Horn) e dirigia-se a Nantes com um carregamento de cereais (milho e trigo). Interceptado pelo 'raider', depois de feroz perseguição, durante a qual o navio germânico se mostrou mais rápido, o veleiro gaulês viu parte da sua carga pilhada pelo inimigo e toda a sua equipagem (24 homens) receber ordem de prisão. A tripulação do navio vencido seria, enquanto o «Gounod» era armadilhado (com cargas explosivas) e afundado, transferida para o «Cambronne» (capturado precedentemente pelos alemães) e, dias mais tarde, desembarcada no porto neutro do Rio de Janeiro; de onde seria posteriormente (em Abril de 1917) repatriada para a Europa.

terça-feira, 23 de maio de 2017

«VIMIERA»


'Destroyer' da armada real britânica. O seu nome lembra (de maneira trapalhona) a batalha de Vimeiro -travada durante a Guerra Peninsular- durante a qual as tropas anglo-portuguesas venceram o exército napoleónico de invasão colocado às ordens de Junot. Este navio foi construído nos estaleiros da firma Swan, Hunter & Wigham Richardson, de Wallsend; que o lançaram à água em 1917. A sua entrada em serviço quando a Grande Guerra se aproximava do fim, não lhe deu a oportunidade de participar nos combates desse primeiro conflito generalizado. De modo que a sua carreira foi quase sem história (salvando o facto de ter transportado dois plenipotenciários russos para o seu país, depois de terem negociado, em Londres, o Acordo de Comércio Anglo-Soviético) até ao deflagrar da guerra de 1939-1945. Altura em que o «Vimiera» já era um navio algo antiquado. Apesar de, entretanto, ser sofrido trabalhos de modernização e de ter recebido armamento antiaéreo. As suas primeiras acções consistiram na escolta de comboios no mar do Norte (desde 1939) e em operações de apoio à evacuação (em 1940) das tropas aliadas de Dunkerque. Nesta acção, estima-se que tenha resgatado cerca de 2 000 militares, apesar de ter sido seriamente danificado por um ataque da 'Luftwaffe'; que implicou uma passagem pelo estaleiro. Depois de devidamente reparado este 'destroyer' voltou à proteção de comboios e atribui-se-lhe (em 1941) o abate de várias aeronaves hitlerianas; facto que valeu alguns membros da sua guarnição a atribuição de medalhas e outras distinções. Ainda nesse mesmo ano, o «Vimiera» ilustrou-se por ter salvo marinheiros de navios do comboio FS-559, que, na sequência de mais um ataque aéreo do inimigo, encalharam nas praias de Haisborough. Esta valente unidade da 'Royal Navy' (que era da classe 'V' e que usou o lema 'Vitória como antigamente') afundou-se no dia 6 de Janeiro de 1942 no estuário do Tamisa, depois de ter chocado com uma mina. Sofrendo a perda de 93 homens. O «Vimiera» deslocava 1 339 toneladas em plena carga e apresentava as seguintes dimensões : 91,40 metros de comprimento por 8,20 metros de boca por 2,70 metros de calado. a sua maquinaria a vapor (caldeiras e turbinas) desenvolvia uma potência de 27 000 shp, o que lhe permitia navegar à velocidade máxima de 34 nós. Do seu armamento constavam 4 canhões de 102 mm, peças para tiro AA e 4 tubos lança-torpedos.

«JACQUES»


Este soberbo veleiro -uma barca de 3 mastros e com casco de ferro- foi construído no Havre (França), pelo estaleiro Ehrenberg; que o lançou à água no dia 21 de Janeiro de 1897. A sua carreira começou sob maus auspícios, visto que no dia do seu bota-abaixo o navio se virou sobre um dos cais do acima referido porto, danificando seriamente o mastreame. O «Jacques» era um navio de 1941 toneladas (TAB ou deslocamento ?), medindo 76,80 metros de comprimento por 11,60 metros de boca. Sabe-se que teve, pelo menos, dois armadores franceses e que -já nas mãos da Compagnie Générale des Îles Kerguelen (a operar no arquipélago pré-Antárctico de São Paulo e Amsterdão) este veleiro foi buscar às Falkland, em 1913, um milhar de ovelhas destinadas a serem aclimatadas nas ilhas Kerguelen. Operação que, diga-se de passagem, constituiu um retumbante fracasso. O «Jacques» foi vendido, em 1914, ao armador norueguês A/S Strix, de Sarpsborg, que lhe conferiu o novo nome de «Strix». E, cinco anos passados, em 1919, foi transferido para a frota da A/S Vigor, de Chistiansand, também da Noruega, que lhe acordou o seu derradeiro nome : «Vicomte». Este 'cap-hornier' (nome dado pelos gauleses aos navios aptos a realizar viagens transoceânicas e a afrontar o terrível cabo Horn) ainda navegou até 1924; ano em que, por se encontrar obsoleto, foi enviado para a Alemanha para ali ser desmantelado.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

«LIFLAND»


Cargueiro a vapor construído, em 1921, nos estaleiros Moller A. P., de Odense (Dinamarca). Equipado com 1 máquina Vickers, fabricada no Reino Unido, este navio podia atingir 9,5 nós de velocidade máxima. A sua tripulação era normalmente constituída por 23 homens. O seu armador foi a sociedade A.N. Petersen & E. Hahn-Petersen com escritórios em Copenhague.; que usou o «Lifland» até 1940 e que (nesse mesmo ano e por causa da ocupação nazi da Dinamarca) autorizou a sua transferência para o Ministério da Guerra britânico. Que haveria de utilizar este cargueiro para fins de transporte militar e outros. Não duraria muito tempo em mãos inglesas, já que, por volta das 21 horas do dia 29 de Setembro de 1942, este navio (que navegava com o comboio aliado SC-101) foi interceptado e torpedeado pelo submarino germânico «U-610». O ataque produziu-se a sudoeste do cabo Farewell e não houve sobreviventes. 24 mortos. A ilustração aqui anexada é da autoria do artista R. Mattson e mostra o navio em 1936, quando ainda usava bandeira do seu país de origem.

«CHARLESVILLE»


Paquete que desfraldou, inicialmente, bandeira da Bélgica. Foi construído em Hoboken (arrabaldes de Antuérpia) pelos estaleiros navais de John Cockerill. Serviu durante uma dezena de anos na linha Amtuérpia-Matadi (no antigo Congo Belga). O «Charlesville» era um navio com 10 901 toneladas de arqueação bruta, que media 153,66 metros de longitude por 19,60 metros de boca.  A sua propulsão era assegurada por máquinas diesel, que desenvolviam 7 200 cv; força que lhe proporcionava uma velocidade de cruzeiro de 16 nós. A sua tripulação comportava 140 elementos, inteiramente colocados ao serviço dos 248 passageiros que o «Charlesville» podia acolher nos confortáveis camarotes de bordo. Não era raro que este paquete da Compagnie Maritime Belge (pertencente a uma classe que compreendia, igualmente, os navios «Elisabethville», «Léopoldville», «Baudoinville» e «Albertville») prolongasse o seu itinerário até ao porto angolano do Lobito, transportando, frequentemente, passageiros portugueses. Este paquete manteve-se na linha de África até 1960, quer dizer até meia dúzia de anos depois da independência do Congo; só sendo retirado do serviço devido à concorrência do transporte aéreo. Em Julho de 1967 foi adquirido por uma empresa estatal da extinta R. D. A. -a VEB Deutsche Seereederei, de Rostock- e colocado numa linha que ligava a chamada Alemanha de Leste a Cuba, ao México e às Antilhas (Baamas, Bermucas, Jamaica). Para além do frete e dos passageiros que então  transportava, o rebaptizado «Georg Bücchner» também formou, nesse tempo, 150 aprendizes de diferentes profissões ligadas à navegação. Em 1977, este navio foi imobilizado no referido porto de Rostock, onde funcionou, sucessivamente, instituto profissional, lugar de exposições marítimas, centro de emprego, navio-hotel, etc.. Posteriormente desactivado, o ex-paquete foi alvo das atenções de um grupo de nostálgicos de antigos navios (sedeado na Bélgica), que solicitou as autoridades do seu país para que o comprasse, visto haver abertura por parte dos seus proprietários de então. Mas o negócio nunca foi fechado e o navio foi enviado para um estaleiro de Klaipeda, na Lituânia, que se responsabilizou pelo seu desmantelamento. Puxado por dois rebocadores polacos, o antigo «Charlesville» nunca chegou, porém, ao seu destino, por se ter afundado no Báltico na noite de 30 para 31 de Maio de 2013. A sua carcaça repousa não muito longe do farol de Rozewska, situado ao norte do porto de Gdynia.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

«DUNKERQUE»

Esta belíssima barca francesa de 4 mastros foi construída, no ano de 1896, em Rouen, nos estaleiros da firma Laporte & Cie.. Pertenceu à poderosa casa armadora A. D. Bordes e foi substituir na respectiva frota um navio de mesmo nome; que, em Junho de 1891, se perdeu em circunstâncias algo misteriosa no oceano Atlântico, quando navegava de Cardiff para o Rio de Janeiro. Este veleiro foi realizado no quadro de um programa promovido pelo governo de Paris, que, nas duas últimas décadas do século XIX, ofereceu uma subvenção de 65 francos por tonelada aos proprietários de navios que aceitassem construí-los em aço. O «Dunkerque» (assim baptizado em honra de uma importante cidade portuária da Flandres) foi especialmente concebido para o comércio de nitratos com o Chile. E, até 1924, ano em que foi retirado de serviço e enviado para a sucata (foi desmantelado em Itália), manteve-se praticamente sempre ligado aos portos desse país sul-americano (Valparaiso e Iquique) através de uma rota que passava pelo perigoso cabo Horn. No seu historial é justo mencionar o facto de, em 19 Abril de 1906, este elegante veleiro ter prestado socorro aos poucos sobreviventes do navio-escola belga «Comte de Smet de Naeyer», que se afundou tragicamente no golfo da Biscaia. O «Dunkerque» de que falamos usava os serviços de uma centena de tripulantes. Deslocava 3 338 toneladas e media 99,85 metros de comprimento por 13,85 metros de boca.

«INDUSTRY»

Vapor de rodas laterais construído, em 1911, na Austrália. Operou, essencialmente, no rio Murray, (Austrália meridional) onde desempenhou tarefas polivalentes : como transporte (eventual) de passageiros e carga, como draga, como oficina móvel, etc. Era uma embarcação de 91 toneladas, que media 34 metros de comprimento por 5,60 metros de boca. O «Industry» era uma plataforma de fraco calado, o que lhe permitia aceder a zonas de profundidade limitada. onde a sua acção permitia manter canais limpos e abertos à navegação local. Este barco estava equipado com 1 máquina de 30 cv. A sua tripulação raramente ultrapassou os 4 homens. O «Industry» teve vida activa até 1969, ano em que foi retirado do serviço, após mais de meio século de útil trabalho. Posteriormente foi restaurado, para ser exposto -em Renmark- à admiração dos turistas.  Agora voltou a navegar e não é raro vê-lo a transportar, nas águas calmas do Murray, os nostálgicos da navegação fluvial e de barcos históricos. Nos anos 90 do passado século, o «Industry» serviu de palco a algumas cenas da série de televisão (produzida pela ABC) intitulada «The River King». A imagem aqui apresentada mostra o vapor em apreço na sua derradeira função, ao serviço da actividade turística.

«IRIS»


O «Iris» foi um veleiro francês do canal da Mancha, que actuou -em operações de contrabando com o sul de Inglaterra- no primeiro quartel do século XIX. Caracterizava-se pela velocidade proporcionada pelo seu aparelho, que era constituído por 2 mastros e por outras tantas velas 'terciadas'. Que eram panos trapezoidais na sua forma e de grandes dimensões em relação ao tamanho da embarcação que as usava. Esse velame conferia ao «Iris» uma velocidade tal, que lhe permitia (quase sempre) distanciar as embarcações da polícia aduaneira que, com frequência, lhes moviam perseguições. Segundo a nomenclatura francesa, estes veleiros eram chamados 'lugres', mas que, como é óbvio, nada têm a ver com os bacalhoeiros também assim designados que os portugueses mandariam posteriormente aos bancos da Terra Nova e da Gronelândia. O «Iris» (cuja tonelagem se desconhece) media 18,30 metros de comprimento por 1,70 metro de boca. No seu bojo (tinha casco em madeira) existiam vários esconderijos onde os contrabandistas (geralmente 4 ou 5 homens por cada barco deste tipo ) dissimulavam as mercadorias ilegais que transportavam. Apesar das suas espectaculares fugas diante das embarcações dos serviços fiscais, este veleiro acabou por ser capturado -em Dezembro de 1819- ao largo de Boulogne-sur-Mer. Calcula-se que, naquela época e só no sul de Inglaterra, tenha havido mais de 20 000 pessoas a viver do contrabando alimentado pelos franceses. O que resultava em prejuízos económicos relevantes para o país de Sua Majestade. Nota : o veleiro aqui representado não corresponde ao «Iris», mas a uma anónima embarcação da sua época e do seu tempo.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

«BUARQUE»

Mercante a vapor, cuja história apresenta a particularidade de ter sido o primeiro navio de bandeira brasileira a ser afundado pela marinha de guerra hitleriana, após o corte de relações entre a maior nação da América do Sul e as potências do Eixo Berlim-Roma-Tóquio. Este navio de 5 152 toneladas e com 122,20 metros de longitude por 16,50 metros de boca, foi construído em 1919 nos estaleiros American Shipbuildind Shipping Corporation, de Filadélfia, Foi uma das 122 unidades de uma classe denominada 'Hog Islander' (com capacidade para carga e passageiros), com as quais o governo de Washington pretendeu renovar a sua frota mercante logo a seguir à Grande Guerra.  Antes de ir parar a mãos brasileiras, chamou-se sucessivamente, «Bird City» (até 1932) e ««Scanpenn» (até 1940), usando as cores das armadoras American Scantic Line e Moore McCormack. Adquirido pelo Lloyd Brasileiro, foi registado no Rio de Janeiro e passou a usar o apelido de um dos seus antigos administradores e também ministro : o Dr. Manuel Buarque de Macedo. Colocado sob o comando do capitão João Joaquim de Moura, o navio passou a navegar entre a então capital do Brasil e Nova Iorque, com escalas em vários outros portos importantes como Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, La Guaira e Curaçao, entre outros. Foi durante uma dessas suas rotineiras viagens, que -no dia 15 de Fevereiro de 1942- o «Buarque» foi sobrevoado por uma aeronave não-identifica, que assinalou a sua posição com artefactos luminosos. Pouco tempo depois, quando o mercante brasílico navegava a cerca de 54 milhas náuticas ao norte do cabo Hatteras, surgiu-lhe pela frente o submarino alemão «U-432» (que se encontrava às ordens do capitão-tenente Heinz Otto Schultze), que o afundou com o disparo de 2 dos seus torpedos. Os tripulantes e passageiros do «Buarque» lograram salvar-se, por terem, antes da agressão, recorrido ao uso de baleeiras. Foram resgatados por um guarda costeiro norte-americano (o USCG «Calypso»), por um contratorpedeiro de mesma nacionalidade (o USS «Jacob Jones») e pelo petroleiro «Eagle» (da companhia Standard Oil), que os desembarcaram no porto de Norfolk. No naufrágio do navio houve apenas uma única morte a lamentar : a de um passageiro português, que faleceu num dos botes salva-vidas.

«ADROIT»

Navio de guerra da armada gaulesa construído em finais da década de 20 do passado século nos Chantiers de France, em Dunquerque. Era um dos 14 torpedeiros da classe que tomou o seu nome. O «Adroit», que entrou em serviço em 1928, era um navio que deslocava 2 000 toneladas em plena carga e que apresentava as seguintes dimensões : 107,20 metros de comprimento, por 9,84 metros de boca por 4,30 metros de calado. Foi uma unidade concebida para a luta anti-submarina, equipada com armamento apropriado para cumprir essa função (6 tubos lança-torpedos de 550 mm), mas também dotada com 4 canhões de 130 mm e com 2 peças AA de 37 mm. A sua propulsão era assegurada por um sistema (turbinas e caldeiras) que desenvolvia 34 000 cv e que o projectavam a 37 nós de velocidade máxima. O «Adroit» tinha uma guarnição de 150 homens. Este navio participou nos primeiros combates da 2ª Guerra Mundial, mas, aquando da denominada Operação Dínamo (durante a qual se pretendeu evacuar os militares Aliados cercados nas praias de Dunquerque pelo avanço das tropas nazis) o «Adroit» foi um dos numerosos navios franco-britânicos a serem destruídos pelas investidas da 'Luftwaffe'. A perda do torpedeiro em apreço ocorreu no dia 31 de Maio de 1940 (quando se encontrava sob o mando do capitão-de-fragata Dupin de Saint Cyr) e foi causado pelas bombas lançadas por um bimotor Heinkel He.111. No afundamento do torpedeiro «Adroit» pereceram 27 homens da sua equipagem. Os sobreviventes foram recolhidos por navios amigos ou feitos prisioneiros pelo invasor. A carcaça enferrujada do navio ainda era visível em meados dos anos 50 nos malfadados areais do Pas-de-Calais.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

«MARTIM DE FREITAS»

«Martim de Freitas» foi um dos vários nomes atribuídos a um navio de linha português (de 3ª classe) dos séculos XVIII e XIX. Foi construído -sob a competente orientação de mestre António da Silva- no arsenal da Baía (Brasil) em 1763 e, oficialmente, integrado na nossa armada a 28 de Fevereiro desse mesmo ano. Usou , nesse tempo, o nome de «Santo António e São José». Fez parte da Esquadra do Sul e participou, em 1784, na expedição contra Argel. Em 1794, sofreu grandes trabalhos de modernização, saindo do estaleiro com o novo nome de «Infante D. Pedro Carlos»; que se lhe conheceu até 1806, quando lhe foi dado o de «Martim de Freitas». No dia 29 de Novembro de 1807, esta nau foi um dos 16 navios de bandeira portuguesa que zarpou do estuário do Tejo rumo ao Rio de Janeiro. Nele viajou, nessa ocasião, parte da corte de D. João VI, que, com os invasores franceses às portas de Lisboa, decidiu transferir-se para o Brasil. Este navio de 64 canhões (distribuídos por 2 'decks') quedou-se por águas sul-americanas, onde, ao serviço do Império, cumpriu missões de soberania ao longo de todo o litoral brasileiro. Quando -em 1822- se consumou a independência da nossa mais extensa colónia, o navio em causa foi cedido à nova nação, que lhe deu o nome do seu primeiro imperador : «D. Pedro I». O ex-«Martim de Freitas» tornou-se, assim, o primeiro navio de guerra a hastear a bandeira do Império Brasileiro e a ostentar as cores da sua armada. Este navio apresentava (na sua fase inicial) as seguintes dimensões : 53,33 metros de comprimento (na quilha), 13,38 metros de boca e 6,37 metros de calado. Tinha uma guarnição que variava entre 500 e 650 homens, constituída por marinheiros, soldados e respectivos oficiais. Nota final : a imagem anexada representando o «Martim de Freitas», é da autoria do escritor, ilustrador e arquitecto Telmo Gomes, que a incluiu na sua excelente obra «Os Últimos Navios do Império».

quinta-feira, 11 de maio de 2017

«RORAIMA»

Navio de patrulha fluvial pertencente aos efectivos da Armada do Brasil. É uma unidade ligeira da classe que recebeu o seu nome. Usa o indicativo de amura P-30 e navega sob o epíteto de 'Águia do Amazonas'. O «Roraima» foi construído pela firma MacLaren Estaleiros e Serviços Marítimos, de Niterói, na base de um projecto do engenheiro naval Jorge A. M. Vasques. Incorporado na marinha de guerra brasileira em Fevereiro de 1975, este patrulheiro foi  incluído na Flotilha do Amazonas, que integra o 9º Distrito Naval com sede em Manaus. Desloca 365 toneladas em plena carga, mede 46,30 metros de comprimento por 8,45 metros de boca. E o seu calado é de apenas 1, 37 metro, o que lhe permite navegar nas águas baixas de alguns tributários amazónicos de menor caudal. A sua propulsão está assegurada por 2 máquinas Volvo 'Penta', que lhe autorizam uma velocidade máxima de 17 nós e um raio de acção de 6 000 milhas náuticas (com andamento reduzido a 11 nós). Do seu armamento constam : 1 canhão de 40 mm, 2 metralhadoras de 20 mm, 4 outras de 12,7 mm e 2 morteiros de 81 mm. Também transporta 2 lanchas de acção rápida capacitadas para o transporte de fuzileiros. Da sua guarnição habitual fazem parte 56 homens, 5 dos quais pertencem ao quadro de oficiais. Este navio patrulha é uma unidade polivalente, pois combina a sua actividade militar com missões de carácter humanitário, viradas para o apoio e assistência (médico-sociais, entre outros) às isoladas populações ribeirinhas. Por essa razão, o navio dispõe, igualmente, de consultórios de medicina generalista, médico-dentária e de uma enfermaria. O «Roraima» também cumpre missões de carácter diplomático, que, de quando em vez, o levam (em visitas de cortesia) a países vizinhos, tais como a Colômbia, o Peru e o Equador; que com o Brasil, partilham o vasto e rico espaço amazónico. Este navio sofreu reparações (que o modernizaram) entre Setembro de 2005 e Fevereiro de 2006. O nome deste navio-patrulha alude e presta homenagem ao estado federal de Roraima e à montanha também assim chamada. Que, com 2 875 metros de altitude, é um dos pontos culminantes do Brasil.

terça-feira, 9 de maio de 2017

«GALEOTA GRANDE»


Construída na Ribeira das Naus (na capital do Reino) por encomenda do rei D. João V, a «Galeota Grande» foi uma das várias embarcações de parada realizadas, nesse histórico estaleiro, para uso exclusivo da casa real e dos seus ilustres convidados. Esta barca, guarnecida por 1 patrão, 1 cabo proeiro e 80 remadores, foi lançada à água em 1728 e a sua construção terá sido requisitada por ocasião dos matrimónios da infanta D. Maria Bárbara e do futuro rei D. José I. A «Galeota Grande» (hoje exposta no Museu de Marinha, aberto numa ala do mosteiro dos Jerónimos) é uma belíssima e requintada embarcação, que honra a indústria naval portuguesa setecentista. Distingue-se pela beleza apurada das suas linhas, pela riqueza dos seus adornos (tanto externos como internos) e pelo luxo da camarinha, onde -entre cortinados de damasco, panos de Arrás, alcatifas raras e almofadas bordadas a ouro- tomavam lugar os soberanos e os cortesãos de maior destaque. O casco desta embarcação ostenta um decorativo listão de folhagem renascentista e as duas faces do leme mostram um magnífico golfinho dourado. A «Galeota Grande» sofreu alterações ao longo dos tempos. Assim, no reinado de D. Maria I, as armas de D. João V foram substituídas no painel de popa pelas da soberana. Acontecendo o mesmo no reinado de D. Pedro V, por alturas do seu casamento com a rainha D. Estefânia em 1858. Esta galeota foi frequentemente utilizada pela corte, em passeios e paradas no Tejo. Em 1880, a «Galeota Grande» participou dos festejos em honra do poeta Camões, tendo transportado a urna com os supostos restos mortais do poeta até aos Jerónimos. E, em inícios do século XX, foi de novo usada em dois acontecimentos importantes : durante a visita oficial de Eduardo VII a Portugal, transportando o ministro da marinha, e aquando da visita do 'kaiser' Guilherme II, levando parte da sua comitiva, do navio imperial até ao Cais das Colunas. A sua última viagem realizou-se em 1934, quando participou no cortejo comemorativo das festas da cidade.

«MARIANNE TOUTE SEULE»


Esta embarcação é uma réplica (à escala 1/1) de um pesqueiro tradicional de Berck-sur-Mer, uma pequena cidade da Flandres francesa (Pas de Calais) banhada pelo canal da Mancha. Onde, em finais do século XIX, existia uma frota pesqueira comportando mais de uma centena de embarcações deste tipo. Este barco à vela foi construído -em 1992- sob a égide de uma associação local empenhada em preservar o património e as tradições marítimas de Berck.  O «Marianne Toute Seule» (cujo nome presta homenagem a uma benemérita local, que se distinguiu na protecção e formação de crianças desamparadas) abriga-se, actualmente, no pequeno porto de Madelon, situado na baía de Authie. É uma barca de fundo chato, de boca aberta, com 2 mastros, sendo um deles (o de popa) descentrado e removível. As suas velas apresentam uma área de 40 m2. O «Marie Toute Seule» mede 5,70 metros de comprimento por 2,70 metros de largura. O fundo chato permitia aos pescadores de outrora arrastá-lo para a praia de Berck, que, nos tempos áureos da pesca na região, não dispunha de estruturas portuárias. Esta embarcação participa em manifestações e passeios, que promovem a herança de coisas do passado, que, cada vez mais, é importante proteger, mostrar, divulgar.

«VICEROY OF INDIA»

Este paquete britânico da frota P & O (Peninsular and Oriental Steam Navigation Cº Ltd) foi construído em 1928 no estaleiro da empresa Alexander Stephen & Sons, de Glásgua, e realizou a sua viagem inaugural no ano seguinte. O nome inicialmente escolhido para este navio foi o de «Taj Mahal», designativo que foi abandonado antes da sua entrada em serviço e substituído pelo do alto cargo então ocupado pelo 1º conde de Halifax. O «Viceroy of India» apresentava uma arqueação bruta de 19 648 toneladadas e media 178 metros de comprimento por 23 metros de boca. O navio podia receber a bordo 415 passageiros de 1ª classe e 258 de 2ª. A sua tripulação era constituída por 413 membros. Este paquete era um navio inovador, já que o seu sistema propulsivo (máquinas turbo-eléctricas) foi um dos primeiros do género a equipar um navio da marinha mercante. Unidade luxuosa e rápida, o «Viceroy of India» foi colocado na linha Europa-Ásia-Austrália, que passava pela rota do canal de Suez. No início da década de 30 (do século passado), este paquete bateu vários recordes de velocidade no trajecto Londres-Bombaim. No seu historial constam os socorros que prestou (em 1929) aos náufragos do seu congénere italiano «Maria Luisa», que naufragou no Mediterrâneo oriental, mas também (em 1930) ao cargueiro grego «Theodoros Bulgararis» e ao paquete «Doric» (da companhia White Star), do qual recolheu 241 passageiros, quando este navio foi abalroado pelo navio francês «Formigny» ao largo do cabo Finisterre. Em 1940, com a eclosão da 2ª Guerra Mundial, o «Viceroy of India» foi requisitado pelo almirantado britânico para ajudar no esforço de guerra. Transformado em transporte de tropas, o paquete da P & O participou -em 1942- na chamada Operação Torch, durante a qual foi torpedeado e afundado, 30 milhas  náuticas ao largo do porto argelino de Oran,, pelo submarino germânico «U-407». Durante essa ocorrência de guerra, 4 membros da tripulação do tropeiro inglês perderam a vida. As outras 450 pessoas que viajavam a bordo (essencialmente militares) puderam, no entanto, ser salvas, graças à intervenção atempada do navio HMS «Boadicea».

«MARKGRAF»


Couraçado germânico da classe 'König', que -na 'Kaiserliche Marine'- compreendeu 3 outras unidades, a saber : o «König», o «Grosser Kurfurst» e o «Kronprinz». O «Markgraf», que foi construído, em 1913, no arsenal AG Weser, de Bremen, foi comissionado no dia 1º de Outubro do ano seguinte e esteve activo até finais da Grande Guerra. Como tantos outros navios das armadas imperiais, o «Markgraf» foi intimado -depois da vitória dos Aliados- a entregar-se à 'Royal Navy'. E -em Scapa Flow- sofreu o mesmo inglório fim dos seus congéneres, ao ser voluntariamente afundado pela sua própria guarnição. Durante o primeiro conflito generalizado, o couraçado em apreço participou na mortífera batalha de Jutlândia, onde sofreu avarias de monta, causadas por cinco certeiros tiros do inimigo, que lhe mataram onze homens a bordo, para além de terem causado muitos outros feridos. Este navio também travou combates no Báltico contra as forças navais da Rússia e onde foi danificado por uma mina. Desaire que obrigou o «Markgraf» a recolher aos estaleiros de Wilhelmshavem para proceder a reparações. O afundamento deste couraçado ocorreu no dia 27 de Junho de 1919, por ordem expressa do almirante Ludwig von Reuter. A sua carcaça repousa -há quase 100 anos- a 40 metros de profundidade. Onde, com os restos de outros navios alemães, é alvo da curiosidade de muitos mergulhadores desportivos. Este navio fortemente blindado teve uma tripulação de 1 136 homens e esteve armado com 10 canhões de 305 mm, 14 de 150 mm, várias outras armas AA e com 5 tubos lança-torpedos. O seu sistema propulsivo reunia 3 turbinas e 15 caldeiras queimando carvão e, para 3 delas, fuel. A sua maquinaria desenvolvia 43 300 cv de potência, força que lhe garantia a velocidade máxima de 21 nós. Deslocava 25 800 toneladas e media 146 metros de comprimento por 28 metros de boca.

«JUNON»


Fragata francesa de 40 canhões construída no Havre (Normandia) em 1806. Estava ao serviço da armada napoleónica e navegava no mar Mediterrâneo, onde, a 10 de Novembro de 1808, foi capturada por uma esquadra inglesa formada pelas fragatas «Horatio» e «Latona» e pelas corvetas «Driver» e «Superior». A «Junon» seguia para as Antilhas (Martinica) e zarpara do porto de Toulon na companhia de 3 outros navios, dos quais se desgarrara, quando foi surpreendida e arrestada por um inimigo superior em número. Foi incorporada na 'Royal Navy', onde conservou o nome original, e reconquistada pelos franceses em águas caribenhas (ao largo da ilha de Antigua, em data de 13 de Dezembro desse mesmo ano de 1809 ), durante um combate naval que, dessa feita, não correu de feição aos britânicos. Mas o navio estava em tão mau estado de conservação, que a oficialidade do «Renomée» e do «Clorinde» (os captores) decidiu incendiá-lo. A fragata «Junon» era um navio que deslocava 1 148 toneladas e que media 46 metros de longitude por 12 metros de boca. Tinha uma guarnição de 330 homens (marinheiros e soldados) e as suas bocas de fogo, distribuídas por 2 conveses, eram de dois calibres distintos. Nota : na ilustração anexada pode ver-se a fragata «Junon» (à esquerda) afrontando um navio da marinha real inglesa.

«SELADON»

Elegante veleiro de bandeira norueguesa. Foi construído, em 1877, nos estaleiros da firma Jorgensen & Knudsen, de Drammen, para o armador local Gundersen G.. Especializado no transporte de longo curso -de passageiros e carga diversa- este navio navegava com uma equipagem de 16 homens. Tinha casco de madeira e apresentava uma arqueação bruta de 1 080 toneladas. Media 53,90 metros (casco) de comprimento por 11 metros de boca e o seu calado era de 6,40 metros. Aparelhou inicialmente como uma galera de 3 paus, mas em 1894, depois das necessárias transformações no mastro de ré, passou a navegar como uma barca. O «Seladon» fazia frequentes viagens para a região Pacífico. Naufragou, inesperadamente, depois de ter encalhado num recife de coral, quando navegava entre o porto australiano de Newcastle (na Nova Gales do Sul) e Honolulu (no Hawai). O afundamento deste veleiro norueguês ocorreu na noite de 7 de Agosto de 1886, ao largo da ilha de Starbuck, que é (actualmente) território de Kiribati. A sua tripulação recorreu ao auxílio dos botes salva-vidas para escapar ao desastre. Com escassos alimentos e muito pouca água potável, os náufragos do «Seladon» lograram, no entanto, atingir a ilha de Niulakita, no arquipélago de Tuvalu, após muitos meses de penosa navegação e de muito sofrimento. Durante essa aventurosa viagem, morreram 2 membros da equipagem do veleiro norueguês, entre os quais o seu capitão. Os sobreviventes acabariam por ser evacuados da ilha onde arribaram, 10 meses mais tarde, pelo vapor «Clyde».

sábado, 6 de maio de 2017

«EVANGELINE»



O «Evangeline» foi um paquete costeiro da Companhia Eastern Steamship Lines, que teve vida activa entre 1927 -ano em que foi lançado à água pelos estaleiros da firma William Cramp & Sons, de Filadélfia- e 13 de Novembro de 1965, data em que se afundou 60 milhas ao largo de Nassau (Baamas), em consequência de um incêndio que se declarou a bordo. Na altura da sua perda, que causou inúmeras vítimas mortais, este navio de origem norte-americana navegava com o efémero nome de «Yarmouth Castle» e hasteava bandeira panamiana. O «Evangeline» apresentava uma arqueação bruta de 5 002 toneladas e media 115 metros de comprimento por 17 metros de boca. No início da sua vida activa, este navio reunia condições para transportar (em cabine) cerca de 400 passageiros, apoiados por 176 membros de equipagem. Usou simultaneamente a bandeira dos Estados Unidos e a flâmula do seu primeiro armador (já acima referido) durante dois períodos distintos : de 1928 até 1942, tempo em que executou carreiras regulares entre Nova Iorque e a Nova Escócia, com interrupções durante o inverno, altura em que era utilizado em excursões para a Florida e para as Caraíbas. E entre 1947 e 1954, anos em que voltou às suas tarefas habituais. Mas, em 1942, o navio fora requisitado pelo governo de Washington, que -por causa da guerra na qual se comprometera contra as potências do Eixo- o usou, sucessivamente, como transporte de tropas e como navio-hospital. O «Evangeline» foi desmobilizado depois da vitória dos Aliados e entregue ao seu legítimo proprietário. Em 1954 foi transferido para a armadora Volusia Steamship Cº. com sede em Monróvia, na Libéria, guardando pavilhão desse país até 1964. E mantendo a sua actividade ligada ao turismo na área Miami-Caraíbas. Em 1965, já com a venerável idade de 38 anos e em mau estado de conservação, o «Evangeline» passou sob o controlo da Chadade Steamship Cº, com escritórios em Panamá City. Passou, desde logo a chamar-se «Yarmouth Castle» e a usar a bandeira do país do canal. O fogo que o haveria de destruir, começou num dos camarotes de passageiros e propagou-se rapidamente a todo o navio. Não foi possível salvar as vidas de 90 passageiros e membros da tripulação (entre 552 pessoas que viajavam a bordo), que haviam, na véspera, partido de Miami para gozar do sol das Caraíbas. A catástrofe do «Evangeline»/«Yarmouth Castle» provocou a realização de uma nova Convenção Internacional para a Segurança da Vida no Mar, que, em 1974, foi assinada por 158 nações e substituiu a que fora promulgada após o desastre do «Titanic» em 1912.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

«ISOBEL MOORE»

Lugre bacalhoeiro de 3 mastros. De bandeira canadiana. Foi construído (assim como o seu gémeo, o «Olive Moore») em 1920 no estaleiro Nova Scotia Shipbuilding & Transportation Cº, de Liverpool (porto do Canadá, obviamente) para a firma pesqueira e de fretes J. & F. Moore, sedeada em St. John's, Terra Nova. Este veleiro ganhou alguma notoriedade (pelas piores razões), quando -a 8 de Novembro de 1930- foi encontrado, em pleno Atlântico Norte, abandonado pela sua tripulação. Estava a ser utilizado no negócio internacional de peixe e navegava, então, sob as cores da firma AE Hickman Cº, que era, parcialmente, proprietária do navio. A informação sobre este bonito veleiro e sobre o seu destino é escassa e as raras fontes que podem ser consultadas nada revelam sobre as suas características físicas (tonelagem, dimensões, etc.) e sobre o incidente acima mencionado. O que, naturalmente, é frustrante...

«EMPRESS OF RUSSIA»


Paquele  construído em Govam, Escócia, pelo estaleiro Fairfield Shipbuildind & Engineering Company, que o lançou à água no dia 28 de Agosto de 1912. No ano seguinte integrou a frota do armador Canadian Pacific Railways, que o colocou na linha do Extremo Oriente, que tinha Vancouver como porto de partida e Hong Kong como término. O navio escalava Xangai, Nagasáqui, Kobé e Yokohama. Com 16 810 toneladas de arqueação bruta, o 'Empress of Russia» media 173,70 metros de comprimento por 20,70 metros de boca. Estava equipado com máquinas a vapor e com 2 pares de hélices quádruplas, que lhe proporcionavam uma velocidade de cruzeiro de 19 nós. Podia receber cerca de 1 200 passageiros, 284 dos quais em 1ª classe e 100 outros em 2ª.  Navio rápido, bateu um record de velocidade na linha acima referida, ao fazer o percurso Hong Kong-Vancouver em um pouco mais de 9 dias. Com a eclosão da Grande Guerra, este navio foi requisitado pelas autoridades navais britânicas, que passaram a utilizá-lo como cruzador auxiliar e como navio de transporte de tropas. O «Empress of Russia» teve papel relevante nesse conflito mundializado, pois a sua acção estendeu-se de águas australianas ao oceano Índico e das costas orientais do Canadá até ao litoral europeu. Terminada a guerra, o navio em apreço foi, de novo, mobilizado para cumprir a missão de repatriar soldados das Américas para os respectivos países e para devolver à China alguns milhares de trabalhadores originários desse país, que haviam participado, na Europa e enquanto trabalhadores, no esforço de guerra dos Aliados. Foi também este navio da Canadian Pacific Railway que recebeu a incumbência de evacuar a força expedicionária canadiana que, no início da revolução russa, se bateu na Sibéria contra os bolcheviques. Devolvido à vida civil, este navio voltou à linha Vancouver-Hong Kong, onde se manteve até vésperas da 2ª Guerra Mundial. Durante esse tempo, transportou alguns passageiros de marca, tais como os políticos Manuel Quezon (das Filipinas), Sun Yat-sen e Chiang Kai-shek (da China nacionalista) e o famoso actor e humorista norte-americano Will Rogers, uma das grandes 'stars' de Hollywood. O «Empress of Russia» voltou aos teatros de guerra no início dos anos 40 do século XX e participou em várias e importantes acções militares, de entre as quais se destaca a Operação Overlord, que desencadeou o desembarque na Normandia, em Junho de 1944. O navio canadiano sofria trabalhos de modernização num estaleiro de Barrow, quando -a 8 de Setembro de 1945- foi devastado por um incêndio acidental. Que provocou tais danos, que não foi possível recuperar o venerável paquete: que também foi -no decorrer das duas guerras generalizadas- cruzador auxiliar e navio tropeiro.

«VITUS BERING»


O «Vitus Bering» é um moderníssimo navio de apoio e abastecimento às plataformas 'off shore' com capacidades de quebra-gelos. Hasteia bandeira russa e está registado na capitania do porto de São Petersburgo. Foi construído no estaleiro Arctech de Helsínquia (Finlândia), que o lançou à água no dia 30 de Junho de 2012. Apresenta 7 487 toneladas de arqueação bruta e mede 100 metros de comprimento por 22 metros de boca. Os seus propulsores, de grande potência, permitem-lhe navegar à velocidade de 15 nós em mar aberto e de romper gelo (até 1,50 metro de espessura) com andamento limitado a 3 nós. Pode receber a bordo -em cabines confortáveis- 50 pessoas. Tem um navio gémeo, que recebeu o nome de «Alexei Chirikov». Destinados a operar nas rude águas do Oceano Glacial Árctico, estes navios estão agora a ser usados no campo petrolífero ('off shore') de Arkutum-Dagi, no mar de de Okhostsk, uma das regiões mais hostis do planeta Terra. A imagem anexada deste navio é-nos aqui apresentada num selo emitido, em 2014, pela administração postal da Federação Russa.

«VIERGE DE LOURDES»


O caíque (dito de Yport) «Vierge de Lourdes» é uma embarcação de pesca típica do litoral do País de Caux, uma porção do território normando, França. Esta barca foi construída, em 1949, no estaleiro Jouan Fiquet, de Fécamp. Desloca 10 toneladas e mede 16,50 metros de longitude por 3,88 metros de boca. O seu calado é de 0,90 m. Arvora 2 mastros (um à proa e outro à popa), que envergam 3 panos com uma área global de 77 m2. Este tipo de embarcação tinha, geralmente, uma tripulação de 3 homens, mas tem capacidade -agora que deixou a faina- para transportar um máximo de 9 passageiros. O «Vierge de Lourdes» pertenceu a uma frota pesqueira de 4 caíques idênticos construída (em finais dos anos 40 do passado século), no acima referido estaleiro, sob a orientação do mestre carpinteiro Jean Clément. Todos ostentavam nomes de inspiração religiosa : a embarcação em apreço, o «Vive Jésus», o «Dieu Protégez-Nous» e o «Notre-Dame de Bonsecours». Preservado pelo tempo (e pela vontade dos homens), o «Vierge de Lourdes» -que pescou, essencialmente, espécies costeiras como o arenque e a cavala- pertence, hoje, à Associação La Caique Vierge de Lourdes, com sede na cidade piscatória de Fécamp, onde a embarcação se mantém registada. Esta associação tem por missão assegurar a manutenção deste antigo barco de trabalho e a de organizar/participar em eventos que dão visibilidade ao património naval de França. Participa em passeios (reservados aos sócios) e até já serviu (em regime de aluguer) de base de apoio a um clube de mergulho desportivo. Está (desde que a lei o exige) equipado com um motor auxiliar de 75 cv.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

«MERCEDES»

Veleiro actualmente matriculado em Amsterdão, nos Países-Baixos. Foi um navio de trabalho que usou, sucessivamente, os nomes de «Huibertje», «Ora», «Labora», «Deo Volante», «Deo Juvante», «Atlantic» e «Atlantic A». Este último já lhe foi atribuído depois de ter sido vendido à companhia pesqueira do Reino Unido Atlantic Ocean Fishing, em 1988. O «Mercedes», que foi construído no ano de 1958 no estaleiro Metz, de Urk (na província de Flevolândia), foi adquirido em 2003 pela sociedade turística Wind is our Friend e totalmente reconstruído (em Harlingen, NL) à volta do seu casco de aço. Transformado em veleiro de 2 mastros (aparelhados em brigue) este navio recebeu acomodações para uma tripulação permanente de 12 membros e para um máximo de 130/150 pessoas (em viagens de curtíssima duração). O «Mercedes» desloca 430 toneladas e mede 50 metros de comprimento fora a fora por 3,60 metros de boca. Os 18 panos do seu velame totalizam uma área de 900 m2. O navio está equipado (como manda a lei) com 1 máquina auxiliar e com moderna aparelhagem de ajuda à navegação. Este veleiro estreou-se internacionalmente aquando do evento 'Armada 2008' de Rouen, que é uma das maiores e mais prestigiosas concentrações de veleiros do mundo. Depois disso, tem participado em acontecimentos de mesma índole em diferentes países, onde a sua silhueta já é familiar de todos dos amadores de vela. O seu actual armador é Oilivier Wipperfurth, que tem levado turistas do mar Báltico até às Antilhas, passando pelo Mediterrâneo.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

«MARCO POLO»

Grande veleiro de construção canadiana (era um 'clipper de 3 mastros deslocando 1 500 toneladas e medindo 56 metros de comprimento por 11 metros de boca) que foi realizado, em 1851, em St. John, New Brunswick, pelo estaleiro de James Smith. O seu nome de baptismo homenageava, obviamente, o famoso viajante e mercador veneziano dos séculos XIII e XIV.  Este navio iniciou a sua vida sob maus auspícios, já que adernou aquando do seu lançamento e que, depois de recuperado, encalhou num banco de Marsh Creek, onde se manteve imobilizado durante duas semanas. A sua viagem inaugural -de St. John até Liverpool, com um carregamento de madeiras, que o navio perfez em apenas 15 dias- veio, no entanto, apagar a recordação dos incidentes de princípio de carreira. Em 1852, o «Marco Polo» foi adquirido pela companhia Black Ball Line, que o colocou no transporte de passageiros e frete entre Liverpool e a Austrália; em cujo percurso este veleiro bateu vários recordes de velocidade, o que lhe valeu o epíteto de 'navio mais rápido do mundo'. Este 'clipper' serviu nessa carreira até 1867, ano em que foi alvo de grandes trabalhos de reparação e renovação. O fim do soberbo «Marco Polo» chegou uma quinzena de anos mais tarde -a 22 de Julho de 1883- quando, durante uma viagem ao Quebeque, o veleiro foi assaltado por violenta borrasca (ao largo da ilha do Príncipe Eduardo) e o seu casco sofreu vários rombos. O que ocasionou o seu desastroso encalhe numa praia de Cavendish. Desarvorado, o navio acabou por ser destruído completamente pelas forças da Natureza. O sítio da catástrofe está, hoje, englobado no Parque Nacional da Ilha do Príncipe Eduardo, que, entretanto, se transformou num lugar de grande interesse histórico-turístico do Canadá.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

«SÃO NICOLAU»


O vapor «São Nicolau» era um navio português, pertencente aos Transportes Marítimos do Estado, com sede em Lisboa. Em cujo porto foi matriculado desde que passou a hastear pavilhão verde e rubro. O «São Nicolau» foi construído, em 1905, na Alemanha, nos estaleiros Neptun, de Rostock. Chamara-se, precedentemente «Dora Horn» e havia sido pertença da companhia Reederei Horn, de Lubeck. Era um cargueiro com 2 679 toneladas de arqueação bruta, medindo 88,70 metros de comprimento por 13,40 metros de boca. A propulsão do «São Nicolau» era assegurada por 1 única máquina a vapor, que lhe permitia vogar à velocidade de 9 milhas/hora. A sua tripulação era constituída, aquando da sua perda, por 37 homens; quase todos eles originários do arquipélago de Cabo Verde, incluindo o seu comandante, capitão Amâncio José Azevedo, natural da ilha Brava. Este navio, que deveria ser alugado ao governo britânico e colocado ao serviço da companhia Furness & Withy, foi surpreendido -no dia 16 de Novembro de 1916- na entrada sul do mar da Mancha (a escassas milhas do rochedo de Cassequets) por um submarino alemão; que, sem aviso prévio, disparou 17 tiros de canhão contra o navio português, afundando-o. O infortunado «São Nicolau» saíra de Lisboa dias antes e tinha como destino o porto francês do Havre. Da sua tripulação, apenas escaparam com vida 16 homens (incluindo o seu primeiro oficial), que utilizaram as baleeiras de bordo e que foram, posteriormente e depois de muitas horas de angústia, resgatados por um navio italiano, o «Fido», que os desembarcou em Plymouth, na Inglaterra. De onde regressariam a Portugal. O agressor tudesco do vapor português foi identificado como sendo o «UC-26», que agiu sob as ordens do capitão-tenente conde Matthias von Schmettow. Curiosidades : a fotografia anexada do «São Nicolau» foi publicada pela «Ilustração Portugueza» e mostra, no canto superior esquerdo, um medalhão com o retrato do seu comandante, cuja identidade já referimos; Portugal encontrava-se, oficialmente, em estado de guerra com a Alemanha desde 9 de Março de 1916. Por iniciativa desta e na sequência do apresamento (ocorrido a 23 de Fevereiro desse mesmo ano) de dezenas de navios germânicos refugiados nos portos lusos.

domingo, 30 de abril de 2017

LADBY (barco de)

Esta embarcação datada do século X foi encontrada na Dinamarca, no túmulo de um importante chefe de clã, durante escavações feitas em Kerteminde, na ilha de Funen -entre 1934 e 1937-  pelos arqueólogos G. Rosenberg e P. Helweg Mikkelsen. Foi um navio funerário e é a única embarcação desse tipo encontrada, até hoje, naquele país do norte da Europa. Os seus restos (assim como a âncora original e pedaços de correntes) estão expostos no Museu Viking, de Ladby. A propósito da importância do anónimo chefe que com este navio foi enterrado, note-se a presença, junto ao chamado barco de Ladby, dos esqueletos de 11 cavalos (número de equídeos nunca antes visto numa sepultura) e de 3 ou 4 cães. As dimensões deste antigo navio são de 21,50 metros de comprimento por 3 metros de boca.

«TURPIN»


O HMS «Turpin» foi um submarino britânico da classe T (grupo 3), que entrou em serviço já na fase final da 2ª Guerra Mundial. Na qual não desempenhou papel de relevo. Foi construído em Inglaterra, nos estaleiros de Chatham, lançado à água em Agosto de 1943 e acrescentado aos efectivos da 'Royal Navy' a 18 de Dezembro de 1944. Ostentou o indicativo de amura P354 e diz-se que o seu nome prestava homenagem a Dick Turpin, um famoso ladrão de estradas do século XVIII, que morreu na forca. O que, a ser verdade, não deixa de ser curioso, muito curioso. Este submersível era um navio com 84,28 metros de comprimento por 7,77 metros de boca, que deslocava, em imersão, 1 560 toneladas. Propulsionado por máquinas diesel e eléctricas, o «Turpin» podia atingir 15,5 nós de velocidade à superfície e 9 nós em configuração de mergulho. Tinha uma guarnição de 61 homens (corpo de oficiais incluído) e do seu armamento constavam : 11 tubos lança-torpedos e 3 metralhadoras antiaéreas. Os navios do grupo 3 foram conservados depois do armistício, equipados com sofisticada aparelhagem de detecção e utilizados em missões de contra-espionagem aquando da chamada Guerra Fria. Durante a qual o adversário designado eram a U.R.S.S. e os seus parceiros do Pacto de Varsóvia. Este submarino foi cedido, em 1965, à marinha militar de Israel, que lhe deu o nome de «Leviathan» e o utilizou até 1978, ano em que foi desmantelado.

«J. R. TOLKIEN»

Veleiro de bandeira neerlandesa. Construído em 1963 nos estaleiros de Magdeburgo (República Democrática Alemã), esta embarcação recebeu o primitivo nome de «Dierkow», foi registada no porto de Rostock e serviu como rebocador e transporte de frete na área do mar Báltico. Depois do derrube do muro de Berlim e da subsequente extinção da R. D. A., o navio em questão foi comprado (em 1994) e levado para Amsterdão, onde foi transformado numa escuna, destinada à indústria do turismo. Foi nessa altura que recebeu o nome do famoso escritor britânico, autor de «O Senhor dos Anéis», de «Hobbit» e de outros livros de sucesso. É uma veleiro de 2 mastros, que envergam pano redondo e latino com uma superfície total de 628 m2. Foi equipado com 1 motor auxiliar (a diesel) de 365 cv. Apresenta 139 toneladas de arqueação bruta e mede 41,70 metros de comprimento por 7,80 metros de boca. A sua tripulação normal não excede os 10 membros e o número de passageiros recebidos a bordo (entre 20 e 90) depende da duração dos cruzeiros, que podem prolongar-se de 1 dia solar até 1 semana ou mais dias. Das suas acomodações constam 11 cabines equipadas com beliches, WC e chuveiros e com um salão/sala de refeições capaz de receber 50 pessoas em simultâneo. Este iate é operado pela firma Van der Rest Sail Charter.

sábado, 29 de abril de 2017

«SANTIAGO»


Foi a bordo de um navio de pequeno porte baptizado com o nome do apóstolo das Espanhas (Santiago), que -no dia 2 de Abril de 1513-  o conquistador espanhol Juan Ponce de León (natural de Valladolid) descobriu uma península situada ao norte das Antilhas. Uma terra nova que ele nomeou Florida, pelo facto do seu achamento coincidir com o Dia de Ramos ou Páscoa Florida. Esse paradisíaco pedaço da América do norte (hoje conhecido pelo seu potencial turístico, mas não só) foi pertença do reino de Espanha até 1819, ano em que esse país ibérico o cedeu aos Estados Unidos. Naquele já longínquo dia de Abril de 1513, a «Santiago» (caravela redonda, com 3 mastros e uns 30 metros de comprimento) era a almiranta de uma frota que compreendia mais dois outros navios : a nau «Santa Maria de la Consolación» e o bergantim «San Cristobal». Os 3 navios, com capacidade global para receber 73 homens a bordo, carregaram, durante essa viagem de descoberta, cerca de 200 marinheiros e soldados. A frota partira de Porto Rico -ilha da qual o castelhano Ponce de León fora o primeiro governador- numa rota nunca antes navegada por embarcações europeias, com a firme intenção de procurar uma terra onde -dizia uma lenda antiga- existia a maravilhosa Fonte da (eterna) Juventude. Desconhece-se o destino final da caravela armada «Santiago» (artilhada com alguns canhões), que fora concebida para navegar com uma tripulação de 20 homens.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

«CASERTA»

Este paquete usou sucessivamente os nomes de «Maritzburg», «Mendoza», «Caserta» e «Venezuela». Optámos aqui por designá-lo «Caserta», pelo facto de ser este o seu nome mais duradouro; e o que o navio em apreço usou de 1914 até 1923. Este navio foi construído em 1904 nos estaleiros ingleses da firma Armstrong, Whitworth & Cº, de Newcastle-upon-Tyne, para a companhia de navegação Bucknall Line; que, logo no ano seguinte, o cedeu ao Lloyd Italiano, onde o paquete recebeu o seu segundo nome e foi remetido para a linha Mediterrâneo-Nova Iorque. Na qual transportou essencialmente emigrantes, dispostos a instalar-se na América do norte. Em 1914, este transatlântico foi baptizado «Caserta» (em homenagem a uma cidade italiana da Campânia) e, mais tarde, fretado ao governo dos Estados Unidos; que o transformou em transporte de tropas armado (com 2 peças de artilharia de 76 mm) em previsão de uma entrada dos americanos no conflito contra os Impérios Centrais. O que viria a acontecer em 1917. Maldosamente apelidado 'barco do gado' ou 'barco do macarrão' (provavelmente devido às más condições de alojamento oferecidas aos militares e à pouco diversificada alimentação servida a bordo), o «Caserta» transportou milhares de tropas ianques, britânicas, italianas, etc., durante a guerra e posteriormente, quando foi necessário assegurar o regresso a casa dos combatentes. O «Caserta» retomou o serviço regular de passageiros civis em 1919 por conta da companhia N.G.I. - Navigazione Generale Italiana, ligando a Europa às cidades de Nova Iorque e/ou Filadélfia até finais do ano de 1921. Depois de uma curta pausa, o navio foi vendido, em 1923, à casa armadora La Veloce - Navigazione Italiana a Vapore, que lhe deu o seu derradeiro nome («Venezuela») e que o colocou numa linha entre a Itália e a América do Sul. Em 1924 ainda regressou ao seio da N.G.I., antes de ser desmantelado em 1928. O «Caserta» apresentava 6 847 toneladas de arqueação bruta e media 130 metros de comprimento por 16 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas a vapor de tripla expansão, cuja potência lhe garantia uma velocidade de cruzeiro de 14 nós.

«MOCTEZUMA»

Este navio hasteou bandeira dos Estados Unidos e foi fretado pelo representante diplomático de Espanha nesse país para fazer um transporte de armamento e de munições destinado ao vice-reino do Perú. Isso, num tempo em que os espanhóis tentavam jugular o movimento independentista do Chile. Este veleiro (uma espécie de brigue-escuna, ao qual os hispânicos preferem chamar 'goleta') deslocava 200 toneladas e estava armado com 8 canhões. Foi capturado sem luta -a 24 de Março de 1819- no porto de Callao pela corveta «Chacabuco» da recém-criada marinha militar do Chile e integrada na dita com o nome de «Moctezuma». Entre as suas primeiras missões bélicas constam o assédio de Callao e as conquistas de Corral e de Valdívia, em 1820, integrada na esquadra do almirante Cochrane. Posteriormente, fez parte da chamada Expedição Libertadora do Perú, servindo como navio de ligação com Valparaíso, para onde levou a notícia da queda de Lima. Este pequeno e veloz veleiro de 2 mastros teve a suprema honra de ter sido o último navio da armada chilena no qual o almirante Cochrane hasteou as suas insígnias de comando. Não nos foi possível encontrar referências sobre o seu destino final.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

«CARACAS»

Este navio de bandeira norte-americana -um paquete de propulsão mista- foi construído em 1881 nos estaleiros da firma William Cramp & Sons, de Filadélfia. Pertenceu inicialmente à casa armadora D Red Line, com escritórios na mesma cidade. E, sob as suas cores, serviu, durante algum tempo (com o seu gémeo «Valencia»), na carreira Nova Iorque-Venezuela (La Guayra e Puerto Cabello), que se realizava duas vezes por mês. O «Caracas» deslocava 1 200 toneladas e media 78 metros de longitude por 10 metros de boca. Estava equipado com 1 máquina a vapor e com 1 hélice e dispunha de 2 mastros guarnecidos com velas. A sua carga era variada, pois consistia no transporte de passageiros, frete e correio. Após 7 anos de úteis serviços, este navio foi vendido em 1888 (pela soma de 175 000 dólares) a T. Egenton Hoggg, que presidia aos destinos da Oregon Pacific Railroad Company. Por essa ocasião, o navio mudou de nome, passando a chamar-se «Yaquina Bay» e foi apontado para ser utilizado numa linha costeira da Califórnia, que serviria San Francisco entre outros portos locais. Mas a vida do «Yaquina Bay» foi de curtíssima duração, já que o navio naufragou -durante a sua primeira viagem no oceano Pacífico- na baía que lhe deu o nome. Este desastre agitou as populações do litoral californiano, que acreditaram que o malogrado paquete tenha sido sabotado por uma companhia de navegação rival. Coisa que nunca chegou a provar-se.