segunda-feira, 22 de maio de 2017

«LIFLAND»


Cargueiro a vapor construído, em 1921, nos estaleiros Moller A. P., de Odense (Dinamarca). Equipado com 1 máquina Vickers, fabricada no Reino Unido, este navio podia atingir 9,5 nós de velocidade máxima. A sua tripulação era normalmente constituída por 23 homens. O seu armador foi a sociedade A.N. Petersen & E. Hahn-Petersen com escritórios em Copenhague.; que usou o «Lifland» até 1940 e que (nesse mesmo ano e por causa da ocupação nazi da Dinamarca) autorizou a sua transferência para o Ministério da Guerra britânico. Que haveria de utilizar este cargueiro para fins de transporte militar e outros. Não duraria muito tempo em mãos inglesas, já que, por volta das 21 horas do dia 29 de Setembro de 1942, este navio (que navegava com o comboio aliado SC-101) foi interceptado e torpedeado pelo submarino germânico «U-610». O ataque produziu-se a sudoeste do cabo Farewell e não houve sobreviventes. 24 mortos. A ilustração aqui anexada é da autoria do artista R. Mattson e mostra o navio em 1936, quando ainda usava bandeira do seu país de origem.

«CHARLESVILLE»


Paquete que desfraldou, inicialmente, bandeira da Bélgica. Foi construído em Hoboken (arrabaldes de Antuérpia) pelos estaleiros navais de John Cockerill. Serviu durante uma dezena de anos na linha Amtuérpia-Matadi (no antigo Congo Belga). O «Charlesville» era um navio com 10 901 toneladas de arqueação bruta, que media 153,66 metros de longitude por 19,60 metros de boca.  A sua propulsão era assegurada por máquinas diesel, que desenvolviam 7 200 cv; força que lhe proporcionava uma velocidade de cruzeiro de 16 nós. A sua tripulação comportava 140 elementos, inteiramente colocados ao serviço dos 248 passageiros que o «Charlesville» podia acolher nos confortáveis camarotes de bordo. Não era raro que este paquete da Compagnie Maritime Belge (pertencente a uma classe que compreendia, igualmente, os navios «Elisabethville», «Léopoldville», «Baudoinville» e «Albertville») prolongasse o seu itinerário até ao porto angolano do Lobito, transportando, frequentemente, passageiros portugueses. Este paquete manteve-se na linha de África até 1960, quer dizer até meia dúzia de anos depois da independência do Congo; só sendo retirado do serviço devido à concorrência do transporte aéreo. Em Julho de 1967 foi adquirido por uma empresa estatal da extinta R. D. A. -a VEB Deutsche Seereederei, de Rostock- e colocado numa linha que ligava a chamada Alemanha de Leste a Cuba, ao México e às Antilhas (Baamas, Bermucas, Jamaica). Para além do frete e dos passageiros que então  transportava, o rebaptizado «Georg Bücchner» também formou, nesse tempo, 150 aprendizes de diferentes profissões ligadas à navegação. Em 1977, este navio foi imobilizado no referido porto de Rostock, onde funcionou, sucessivamente, instituto profissional, lugar de exposições marítimas, centro de emprego, navio-hotel, etc.. Posteriormente desactivado, o ex-paquete foi alvo das atenções de um grupo de nostálgicos de antigos navios (sedeado na Bélgica), que solicitou as autoridades do seu país para que o comprasse, visto haver abertura por parte dos seus proprietários de então. Mas o negócio nunca foi fechado e o navio foi enviado para um estaleiro de Klaipeda, na Lituânia, que se responsabilizou pelo seu desmantelamento. Puxado por dois rebocadores polacos, o antigo «Charlesville» nunca chegou, porém, ao seu destino, por se ter afundado no Báltico na noite de 30 para 31 de Maio de 2013. A sua carcaça repousa não muito longe do farol de Rozewska, situado ao norte do porto de Gdynia.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

«DUNKERQUE»

Esta belíssima barca francesa de 4 mastros foi construída, no ano de 1896, em Rouen, nos estaleiros da firma Laporte & Cie.. Pertenceu à poderosa casa armadora A. D. Bordes e foi substituir na respectiva frota um navio de mesmo nome; que, em Junho de 1891, se perdeu em circunstâncias algo misteriosa no oceano Atlântico, quando navegava de Cardiff para o Rio de Janeiro. Este veleiro foi realizado no quadro de um programa promovido pelo governo de Paris, que, nas duas últimas décadas do século XIX, ofereceu uma subvenção de 65 francos por tonelada aos proprietários de navios que aceitassem construí-los em aço. O «Dunkerque» (assim baptizado em honra de uma importante cidade portuária da Flandres) foi especialmente concebido para o comércio de nitratos com o Chile. E, até 1924, ano em que foi retirado de serviço e enviado para a sucata (foi desmantelado em Itália), manteve-se praticamente sempre ligado aos portos desse país sul-americano (Valparaiso e Iquique) através de uma rota que passava pelo perigoso cabo Horn. No seu historial é justo mencionar o facto de, em 19 Abril de 1906, este elegante veleiro ter prestado socorro aos poucos sobreviventes do navio-escola belga «Comte de Smet de Naeyer», que se afundou tragicamente no golfo da Biscaia. O «Dunkerque» de que falamos usava os serviços de uma centena de tripulantes. Deslocava 3 338 toneladas e media 99,85 metros de comprimento por 13,85 metros de boca.

«INDUSTRY»

Vapor de rodas laterais construído, em 1911, na Austrália. Operou, essencialmente, no rio Murray, (Austrália meridional) onde desempenhou tarefas polivalentes : como transporte (eventual) de passageiros e carga, como draga, como oficina móvel, etc. Era uma embarcação de 91 toneladas, que media 34 metros de comprimento por 5,60 metros de boca. O «Industry» era uma plataforma de fraco calado, o que lhe permitia aceder a zonas de profundidade limitada. onde a sua acção permitia manter canais limpos e abertos à navegação local. Este barco estava equipado com 1 máquina de 30 cv. A sua tripulação raramente ultrapassou os 4 homens. O «Industry» teve vida activa até 1969, ano em que foi retirado do serviço, após mais de meio século de útil trabalho. Posteriormente foi restaurado, para ser exposto -em Renmark- à admiração dos turistas.  Agora voltou a navegar e não é raro vê-lo a transportar, nas águas calmas do Murray, os nostálgicos da navegação fluvial e de barcos históricos. Nos anos 90 do passado século, o «Industry» serviu de palco a algumas cenas da série de televisão (produzida pela ABC) intitulada «The River King». A imagem aqui apresentada mostra o vapor em apreço na sua derradeira função, ao serviço da actividade turística.

«IRIS»


O «Iris» foi um veleiro francês do canal da Mancha, que actuou -em operações de contrabando com o sul de Inglaterra- no primeiro quartel do século XIX. Caracterizava-se pela velocidade proporcionada pelo seu aparelho, que era constituído por 2 mastros e por outras tantas velas 'terciadas'. Que eram panos trapezoidais na sua forma e de grandes dimensões em relação ao tamanho da embarcação que as usava. Esse velame conferia ao «Iris» uma velocidade tal, que lhe permitia (quase sempre) distanciar as embarcações da polícia aduaneira que, com frequência, lhes moviam perseguições. Segundo a nomenclatura francesa, estes veleiros eram chamados 'lugres', mas que, como é óbvio, nada têm a ver com os bacalhoeiros também assim designados que os portugueses mandariam posteriormente aos bancos da Terra Nova e da Gronelândia. O «Iris» (cuja tonelagem se desconhece) media 18,30 metros de comprimento por 1,70 metro de boca. No seu bojo (tinha casco em madeira) existiam vários esconderijos onde os contrabandistas (geralmente 4 ou 5 homens por cada barco deste tipo ) dissimulavam as mercadorias ilegais que transportavam. Apesar das suas espectaculares fugas diante das embarcações dos serviços fiscais, este veleiro acabou por ser capturado -em Dezembro de 1819- ao largo de Boulogne-sur-Mer. Calcula-se que, naquela época e só no sul de Inglaterra, tenha havido mais de 20 000 pessoas a viver do contrabando alimentado pelos franceses. O que resultava em prejuízos económicos relevantes para o país de Sua Majestade. Nota : o veleiro aqui representado não corresponde ao «Iris», mas a uma anónima embarcação da sua época e do seu tempo.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

«BUARQUE»

Mercante a vapor, cuja história apresenta a particularidade de ter sido o primeiro navio de bandeira brasileira a ser afundado pela marinha de guerra hitleriana, após o corte de relações entre a maior nação da América do Sul e as potências do Eixo Berlim-Roma-Tóquio. Este navio de 5 152 toneladas e com 122,20 metros de longitude por 16,50 metros de boca, foi construído em 1919 nos estaleiros American Shipbuildind Shipping Corporation, de Filadélfia, Foi uma das 122 unidades de uma classe denominada 'Hog Islander' (com capacidade para carga e passageiros), com as quais o governo de Washington pretendeu renovar a sua frota mercante logo a seguir à Grande Guerra.  Antes de ir parar a mãos brasileiras, chamou-se sucessivamente, «Bird City» (até 1932) e ««Scanpenn» (até 1940), usando as cores das armadoras American Scantic Line e Moore McCormack. Adquirido pelo Lloyd Brasileiro, foi registado no Rio de Janeiro e passou a usar o apelido de um dos seus antigos administradores e também ministro : o Dr. Manuel Buarque de Macedo. Colocado sob o comando do capitão João Joaquim de Moura, o navio passou a navegar entre a então capital do Brasil e Nova Iorque, com escalas em vários outros portos importantes como Salvador, Recife, Fortaleza, Belém, La Guaira e Curaçao, entre outros. Foi durante uma dessas suas rotineiras viagens, que -no dia 15 de Fevereiro de 1942- o «Buarque» foi sobrevoado por uma aeronave não-identifica, que assinalou a sua posição com artefactos luminosos. Pouco tempo depois, quando o mercante brasílico navegava a cerca de 54 milhas náuticas ao norte do cabo Hatteras, surgiu-lhe pela frente o submarino alemão «U-432» (que se encontrava às ordens do capitão-tenente Heinz Otto Schultze), que o afundou com o disparo de 2 dos seus torpedos. Os tripulantes e passageiros do «Buarque» lograram salvar-se, por terem, antes da agressão, recorrido ao uso de baleeiras. Foram resgatados por um guarda costeiro norte-americano (o USCG «Calypso»), por um contratorpedeiro de mesma nacionalidade (o USS «Jacob Jones») e pelo petroleiro «Eagle» (da companhia Standard Oil), que os desembarcaram no porto de Norfolk. No naufrágio do navio houve apenas uma única morte a lamentar : a de um passageiro português, que faleceu num dos botes salva-vidas.

«ADROIT»

Navio de guerra da armada gaulesa construído em finais da década de 20 do passado século nos Chantiers de France, em Dunquerque. Era um dos 14 torpedeiros da classe que tomou o seu nome. O «Adroit», que entrou em serviço em 1928, era um navio que deslocava 2 000 toneladas em plena carga e que apresentava as seguintes dimensões : 107,20 metros de comprimento, por 9,84 metros de boca por 4,30 metros de calado. Foi uma unidade concebida para a luta anti-submarina, equipada com armamento apropriado para cumprir essa função (6 tubos lança-torpedos de 550 mm), mas também dotada com 4 canhões de 130 mm e com 2 peças AA de 37 mm. A sua propulsão era assegurada por um sistema (turbinas e caldeiras) que desenvolvia 34 000 cv e que o projectavam a 37 nós de velocidade máxima. O «Adroit» tinha uma guarnição de 150 homens. Este navio participou nos primeiros combates da 2ª Guerra Mundial, mas, aquando da denominada Operação Dínamo (durante a qual se pretendeu evacuar os militares Aliados cercados nas praias de Dunquerque pelo avanço das tropas nazis) o «Adroit» foi um dos numerosos navios franco-britânicos a serem destruídos pelas investidas da 'Luftwaffe'. A perda do torpedeiro em apreço ocorreu no dia 31 de Maio de 1940 (quando se encontrava sob o mando do capitão-de-fragata Dupin de Saint Cyr) e foi causado pelas bombas lançadas por um bimotor Heinkel He.111. No afundamento do torpedeiro «Adroit» pereceram 27 homens da sua equipagem. Os sobreviventes foram recolhidos por navios amigos ou feitos prisioneiros pelo invasor. A carcaça enferrujada do navio ainda era visível em meados dos anos 50 nos malfadados areais do Pas-de-Calais.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

«MARTIM DE FREITAS»

«Martim de Freitas» foi um dos vários nomes atribuídos a um navio de linha português (de 3ª classe) dos séculos XVIII e XIX. Foi construído -sob a competente orientação de mestre António da Silva- no arsenal da Baía (Brasil) em 1763 e, oficialmente, integrado na nossa armada a 28 de Fevereiro desse mesmo ano. Usou , nesse tempo, o nome de «Santo António e São José». Fez parte da Esquadra do Sul e participou, em 1784, na expedição contra Argel. Em 1794, sofreu grandes trabalhos de modernização, saindo do estaleiro com o novo nome de «Infante D. Pedro Carlos»; que se lhe conheceu até 1806, quando lhe foi dado o de «Martim de Freitas». No dia 29 de Novembro de 1807, esta nau foi um dos 16 navios de bandeira portuguesa que zarpou do estuário do Tejo rumo ao Rio de Janeiro. Nele viajou, nessa ocasião, parte da corte de D. João VI, que, com os invasores franceses às portas de Lisboa, decidiu transferir-se para o Brasil. Este navio de 64 canhões (distribuídos por 2 'decks') quedou-se por águas sul-americanas, onde, ao serviço do Império, cumpriu missões de soberania ao longo de todo o litoral brasileiro. Quando -em 1822- se consumou a independência da nossa mais extensa colónia, o navio em causa foi cedido à nova nação, que lhe deu o nome do seu primeiro imperador : «D. Pedro I». O ex-«Martim de Freitas» tornou-se, assim, o primeiro navio de guerra a hastear a bandeira do Império Brasileiro e a ostentar as cores da sua armada. Este navio apresentava (na sua fase inicial) as seguintes dimensões : 53,33 metros de comprimento (na quilha), 13,38 metros de boca e 6,37 metros de calado. Tinha uma guarnição que variava entre 500 e 650 homens, constituída por marinheiros, soldados e respectivos oficiais. Nota final : a imagem anexada representando o «Martim de Freitas», é da autoria do escritor, ilustrador e arquitecto Telmo Gomes, que a incluiu na sua excelente obra «Os Últimos Navios do Império».

quinta-feira, 11 de maio de 2017

«RORAIMA»

Navio de patrulha fluvial pertencente aos efectivos da Armada do Brasil. É uma unidade ligeira da classe que recebeu o seu nome. Usa o indicativo de amura P-30 e navega sob o epíteto de 'Águia do Amazonas'. O «Roraima» foi construído pela firma MacLaren Estaleiros e Serviços Marítimos, de Niterói, na base de um projecto do engenheiro naval Jorge A. M. Vasques. Incorporado na marinha de guerra brasileira em Fevereiro de 1975, este patrulheiro foi  incluído na Flotilha do Amazonas, que integra o 9º Distrito Naval com sede em Manaus. Desloca 365 toneladas em plena carga, mede 46,30 metros de comprimento por 8,45 metros de boca. E o seu calado é de apenas 1, 37 metro, o que lhe permite navegar nas águas baixas de alguns tributários amazónicos de menor caudal. A sua propulsão está assegurada por 2 máquinas Volvo 'Penta', que lhe autorizam uma velocidade máxima de 17 nós e um raio de acção de 6 000 milhas náuticas (com andamento reduzido a 11 nós). Do seu armamento constam : 1 canhão de 40 mm, 2 metralhadoras de 20 mm, 4 outras de 12,7 mm e 2 morteiros de 81 mm. Também transporta 2 lanchas de acção rápida capacitadas para o transporte de fuzileiros. Da sua guarnição habitual fazem parte 56 homens, 5 dos quais pertencem ao quadro de oficiais. Este navio patrulha é uma unidade polivalente, pois combina a sua actividade militar com missões de carácter humanitário, viradas para o apoio e assistência (médico-sociais, entre outros) às isoladas populações ribeirinhas. Por essa razão, o navio dispõe, igualmente, de consultórios de medicina generalista, médico-dentária e de uma enfermaria. O «Roraima» também cumpre missões de carácter diplomático, que, de quando em vez, o levam (em visitas de cortesia) a países vizinhos, tais como a Colômbia, o Peru e o Equador; que com o Brasil, partilham o vasto e rico espaço amazónico. Este navio sofreu reparações (que o modernizaram) entre Setembro de 2005 e Fevereiro de 2006. O nome deste navio-patrulha alude e presta homenagem ao estado federal de Roraima e à montanha também assim chamada. Que, com 2 875 metros de altitude, é um dos pontos culminantes do Brasil.

terça-feira, 9 de maio de 2017

«GALEOTA GRANDE»


Construída na Ribeira das Naus (na capital do Reino) por encomenda do rei D. João V, a «Galeota Grande» foi uma das várias embarcações de parada realizadas, nesse histórico estaleiro, para uso exclusivo da casa real e dos seus ilustres convidados. Esta barca, guarnecida por 1 patrão, 1 cabo proeiro e 80 remadores, foi lançada à água em 1728 e a sua construção terá sido requisitada por ocasião dos matrimónios da infanta D. Maria Bárbara e do futuro rei D. José I. A «Galeota Grande» (hoje exposta no Museu de Marinha, aberto numa ala do mosteiro dos Jerónimos) é uma belíssima e requintada embarcação, que honra a indústria naval portuguesa setecentista. Distingue-se pela beleza apurada das suas linhas, pela riqueza dos seus adornos (tanto externos como internos) e pelo luxo da camarinha, onde -entre cortinados de damasco, panos de Arrás, alcatifas raras e almofadas bordadas a ouro- tomavam lugar os soberanos e os cortesãos de maior destaque. O casco desta embarcação ostenta um decorativo listão de folhagem renascentista e as duas faces do leme mostram um magnífico golfinho dourado. A «Galeota Grande» sofreu alterações ao longo dos tempos. Assim, no reinado de D. Maria I, as armas de D. João V foram substituídas no painel de popa pelas da soberana. Acontecendo o mesmo no reinado de D. Pedro V, por alturas do seu casamento com a rainha D. Estefânia em 1858. Esta galeota foi frequentemente utilizada pela corte, em passeios e paradas no Tejo. Em 1880, a «Galeota Grande» participou dos festejos em honra do poeta Camões, tendo transportado a urna com os supostos restos mortais do poeta até aos Jerónimos. E, em inícios do século XX, foi de novo usada em dois acontecimentos importantes : durante a visita oficial de Eduardo VII a Portugal, transportando o ministro da marinha, e aquando da visita do 'kaiser' Guilherme II, levando parte da sua comitiva, do navio imperial até ao Cais das Colunas. A sua última viagem realizou-se em 1934, quando participou no cortejo comemorativo das festas da cidade.

«MARIANNE TOUTE SEULE»


Esta embarcação é uma réplica (à escala 1/1) de um pesqueiro tradicional de Berck-sur-Mer, uma pequena cidade da Flandres francesa (Pas de Calais) banhada pelo canal da Mancha. Onde, em finais do século XIX, existia uma frota pesqueira comportando mais de uma centena de embarcações deste tipo. Este barco à vela foi construído -em 1992- sob a égide de uma associação local empenhada em preservar o património e as tradições marítimas de Berck.  O «Marianne Toute Seule» (cujo nome presta homenagem a uma benemérita local, que se distinguiu na protecção e formação de crianças desamparadas) abriga-se, actualmente, no pequeno porto de Madelon, situado na baía de Authie. É uma barca de fundo chato, de boca aberta, com 2 mastros, sendo um deles (o de popa) descentrado e removível. As suas velas apresentam uma área de 40 m2. O «Marie Toute Seule» mede 5,70 metros de comprimento por 2,70 metros de largura. O fundo chato permitia aos pescadores de outrora arrastá-lo para a praia de Berck, que, nos tempos áureos da pesca na região, não dispunha de estruturas portuárias. Esta embarcação participa em manifestações e passeios, que promovem a herança de coisas do passado, que, cada vez mais, é importante proteger, mostrar, divulgar.

«VICEROY OF INDIA»

Este paquete britânico da frota P & O (Peninsular and Oriental Steam Navigation Cº Ltd) foi construído em 1928 no estaleiro da empresa Alexander Stephen & Sons, de Glásgua, e realizou a sua viagem inaugural no ano seguinte. O nome inicialmente escolhido para este navio foi o de «Taj Mahal», designativo que foi abandonado antes da sua entrada em serviço e substituído pelo do alto cargo então ocupado pelo 1º conde de Halifax. O «Viceroy of India» apresentava uma arqueação bruta de 19 648 toneladadas e media 178 metros de comprimento por 23 metros de boca. O navio podia receber a bordo 415 passageiros de 1ª classe e 258 de 2ª. A sua tripulação era constituída por 413 membros. Este paquete era um navio inovador, já que o seu sistema propulsivo (máquinas turbo-eléctricas) foi um dos primeiros do género a equipar um navio da marinha mercante. Unidade luxuosa e rápida, o «Viceroy of India» foi colocado na linha Europa-Ásia-Austrália, que passava pela rota do canal de Suez. No início da década de 30 (do século passado), este paquete bateu vários recordes de velocidade no trajecto Londres-Bombaim. No seu historial constam os socorros que prestou (em 1929) aos náufragos do seu congénere italiano «Maria Luisa», que naufragou no Mediterrâneo oriental, mas também (em 1930) ao cargueiro grego «Theodoros Bulgararis» e ao paquete «Doric» (da companhia White Star), do qual recolheu 241 passageiros, quando este navio foi abalroado pelo navio francês «Formigny» ao largo do cabo Finisterre. Em 1940, com a eclosão da 2ª Guerra Mundial, o «Viceroy of India» foi requisitado pelo almirantado britânico para ajudar no esforço de guerra. Transformado em transporte de tropas, o paquete da P & O participou -em 1942- na chamada Operação Torch, durante a qual foi torpedeado e afundado, 30 milhas  náuticas ao largo do porto argelino de Oran,, pelo submarino germânico «U-407». Durante essa ocorrência de guerra, 4 membros da tripulação do tropeiro inglês perderam a vida. As outras 450 pessoas que viajavam a bordo (essencialmente militares) puderam, no entanto, ser salvas, graças à intervenção atempada do navio HMS «Boadicea».

«MARKGRAF»


Couraçado germânico da classe 'König', que -na 'Kaiserliche Marine'- compreendeu 3 outras unidades, a saber : o «König», o «Grosser Kurfurst» e o «Kronprinz». O «Markgraf», que foi construído, em 1913, no arsenal AG Weser, de Bremen, foi comissionado no dia 1º de Outubro do ano seguinte e esteve activo até finais da Grande Guerra. Como tantos outros navios das armadas imperiais, o «Markgraf» foi intimado -depois da vitória dos Aliados- a entregar-se à 'Royal Navy'. E -em Scapa Flow- sofreu o mesmo inglório fim dos seus congéneres, ao ser voluntariamente afundado pela sua própria guarnição. Durante o primeiro conflito generalizado, o couraçado em apreço participou na mortífera batalha de Jutlândia, onde sofreu avarias de monta, causadas por cinco certeiros tiros do inimigo, que lhe mataram onze homens a bordo, para além de terem causado muitos outros feridos. Este navio também travou combates no Báltico contra as forças navais da Rússia e onde foi danificado por uma mina. Desaire que obrigou o «Markgraf» a recolher aos estaleiros de Wilhelmshavem para proceder a reparações. O afundamento deste couraçado ocorreu no dia 27 de Junho de 1919, por ordem expressa do almirante Ludwig von Reuter. A sua carcaça repousa -há quase 100 anos- a 40 metros de profundidade. Onde, com os restos de outros navios alemães, é alvo da curiosidade de muitos mergulhadores desportivos. Este navio fortemente blindado teve uma tripulação de 1 136 homens e esteve armado com 10 canhões de 305 mm, 14 de 150 mm, várias outras armas AA e com 5 tubos lança-torpedos. O seu sistema propulsivo reunia 3 turbinas e 15 caldeiras queimando carvão e, para 3 delas, fuel. A sua maquinaria desenvolvia 43 300 cv de potência, força que lhe garantia a velocidade máxima de 21 nós. Deslocava 25 800 toneladas e media 146 metros de comprimento por 28 metros de boca.

«JUNON»


Fragata francesa de 40 canhões construída no Havre (Normandia) em 1806. Estava ao serviço da armada napoleónica e navegava no mar Mediterrâneo, onde, a 10 de Novembro de 1808, foi capturada por uma esquadra inglesa formada pelas fragatas «Horatio» e «Latona» e pelas corvetas «Driver» e «Superior». A «Junon» seguia para as Antilhas (Martinica) e zarpara do porto de Toulon na companhia de 3 outros navios, dos quais se desgarrara, quando foi surpreendida e arrestada por um inimigo superior em número. Foi incorporada na 'Royal Navy', onde conservou o nome original, e reconquistada pelos franceses em águas caribenhas (ao largo da ilha de Antigua, em data de 13 de Dezembro desse mesmo ano de 1809 ), durante um combate naval que, dessa feita, não correu de feição aos britânicos. Mas o navio estava em tão mau estado de conservação, que a oficialidade do «Renomée» e do «Clorinde» (os captores) decidiu incendiá-lo. A fragata «Junon» era um navio que deslocava 1 148 toneladas e que media 46 metros de longitude por 12 metros de boca. Tinha uma guarnição de 330 homens (marinheiros e soldados) e as suas bocas de fogo, distribuídas por 2 conveses, eram de dois calibres distintos. Nota : na ilustração anexada pode ver-se a fragata «Junon» (à esquerda) afrontando um navio da marinha real inglesa.

«SELADON»

Elegante veleiro de bandeira norueguesa. Foi construído, em 1877, nos estaleiros da firma Jorgensen & Knudsen, de Drammen, para o armador local Gundersen G.. Especializado no transporte de longo curso -de passageiros e carga diversa- este navio navegava com uma equipagem de 16 homens. Tinha casco de madeira e apresentava uma arqueação bruta de 1 080 toneladas. Media 53,90 metros (casco) de comprimento por 11 metros de boca e o seu calado era de 6,40 metros. Aparelhou inicialmente como uma galera de 3 paus, mas em 1894, depois das necessárias transformações no mastro de ré, passou a navegar como uma barca. O «Seladon» fazia frequentes viagens para a região Pacífico. Naufragou, inesperadamente, depois de ter encalhado num recife de coral, quando navegava entre o porto australiano de Newcastle (na Nova Gales do Sul) e Honolulu (no Hawai). O afundamento deste veleiro norueguês ocorreu na noite de 7 de Agosto de 1886, ao largo da ilha de Starbuck, que é (actualmente) território de Kiribati. A sua tripulação recorreu ao auxílio dos botes salva-vidas para escapar ao desastre. Com escassos alimentos e muito pouca água potável, os náufragos do «Seladon» lograram, no entanto, atingir a ilha de Niulakita, no arquipélago de Tuvalu, após muitos meses de penosa navegação e de muito sofrimento. Durante essa aventurosa viagem, morreram 2 membros da equipagem do veleiro norueguês, entre os quais o seu capitão. Os sobreviventes acabariam por ser evacuados da ilha onde arribaram, 10 meses mais tarde, pelo vapor «Clyde».

sábado, 6 de maio de 2017

«EVANGELINE»



O «Evangeline» foi um paquete costeiro da Companhia Eastern Steamship Lines, que teve vida activa entre 1927 -ano em que foi lançado à água pelos estaleiros da firma William Cramp & Sons, de Filadélfia- e 13 de Novembro de 1965, data em que se afundou 60 milhas ao largo de Nassau (Baamas), em consequência de um incêndio que se declarou a bordo. Na altura da sua perda, que causou inúmeras vítimas mortais, este navio de origem norte-americana navegava com o efémero nome de «Yarmouth Castle» e hasteava bandeira panamiana. O «Evangeline» apresentava uma arqueação bruta de 5 002 toneladas e media 115 metros de comprimento por 17 metros de boca. No início da sua vida activa, este navio reunia condições para transportar (em cabine) cerca de 400 passageiros, apoiados por 176 membros de equipagem. Usou simultaneamente a bandeira dos Estados Unidos e a flâmula do seu primeiro armador (já acima referido) durante dois períodos distintos : de 1928 até 1942, tempo em que executou carreiras regulares entre Nova Iorque e a Nova Escócia, com interrupções durante o inverno, altura em que era utilizado em excursões para a Florida e para as Caraíbas. E entre 1947 e 1954, anos em que voltou às suas tarefas habituais. Mas, em 1942, o navio fora requisitado pelo governo de Washington, que -por causa da guerra na qual se comprometera contra as potências do Eixo- o usou, sucessivamente, como transporte de tropas e como navio-hospital. O «Evangeline» foi desmobilizado depois da vitória dos Aliados e entregue ao seu legítimo proprietário. Em 1954 foi transferido para a armadora Volusia Steamship Cº. com sede em Monróvia, na Libéria, guardando pavilhão desse país até 1964. E mantendo a sua actividade ligada ao turismo na área Miami-Caraíbas. Em 1965, já com a venerável idade de 38 anos e em mau estado de conservação, o «Evangeline» passou sob o controlo da Chadade Steamship Cº, com escritórios em Panamá City. Passou, desde logo a chamar-se «Yarmouth Castle» e a usar a bandeira do país do canal. O fogo que o haveria de destruir, começou num dos camarotes de passageiros e propagou-se rapidamente a todo o navio. Não foi possível salvar as vidas de 90 passageiros e membros da tripulação (entre 552 pessoas que viajavam a bordo), que haviam, na véspera, partido de Miami para gozar do sol das Caraíbas. A catástrofe do «Evangeline»/«Yarmouth Castle» provocou a realização de uma nova Convenção Internacional para a Segurança da Vida no Mar, que, em 1974, foi assinada por 158 nações e substituiu a que fora promulgada após o desastre do «Titanic» em 1912.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

«ISOBEL MOORE»

Lugre bacalhoeiro de 3 mastros. De bandeira canadiana. Foi construído (assim como o seu gémeo, o «Olive Moore») em 1920 no estaleiro Nova Scotia Shipbuilding & Transportation Cº, de Liverpool (porto do Canadá, obviamente) para a firma pesqueira e de fretes J. & F. Moore, sedeada em St. John's, Terra Nova. Este veleiro ganhou alguma notoriedade (pelas piores razões), quando -a 8 de Novembro de 1930- foi encontrado, em pleno Atlântico Norte, abandonado pela sua tripulação. Estava a ser utilizado no negócio internacional de peixe e navegava, então, sob as cores da firma AE Hickman Cº, que era, parcialmente, proprietária do navio. A informação sobre este bonito veleiro e sobre o seu destino é escassa e as raras fontes que podem ser consultadas nada revelam sobre as suas características físicas (tonelagem, dimensões, etc.) e sobre o incidente acima mencionado. O que, naturalmente, é frustrante...

«EMPRESS OF RUSSIA»


Paquele  construído em Govam, Escócia, pelo estaleiro Fairfield Shipbuildind & Engineering Company, que o lançou à água no dia 28 de Agosto de 1912. No ano seguinte integrou a frota do armador Canadian Pacific Railways, que o colocou na linha do Extremo Oriente, que tinha Vancouver como porto de partida e Hong Kong como término. O navio escalava Xangai, Nagasáqui, Kobé e Yokohama. Com 16 810 toneladas de arqueação bruta, o 'Empress of Russia» media 173,70 metros de comprimento por 20,70 metros de boca. Estava equipado com máquinas a vapor e com 2 pares de hélices quádruplas, que lhe proporcionavam uma velocidade de cruzeiro de 19 nós. Podia receber cerca de 1 200 passageiros, 284 dos quais em 1ª classe e 100 outros em 2ª.  Navio rápido, bateu um record de velocidade na linha acima referida, ao fazer o percurso Hong Kong-Vancouver em um pouco mais de 9 dias. Com a eclosão da Grande Guerra, este navio foi requisitado pelas autoridades navais britânicas, que passaram a utilizá-lo como cruzador auxiliar e como navio de transporte de tropas. O «Empress of Russia» teve papel relevante nesse conflito mundializado, pois a sua acção estendeu-se de águas australianas ao oceano Índico e das costas orientais do Canadá até ao litoral europeu. Terminada a guerra, o navio em apreço foi, de novo, mobilizado para cumprir a missão de repatriar soldados das Américas para os respectivos países e para devolver à China alguns milhares de trabalhadores originários desse país, que haviam participado, na Europa e enquanto trabalhadores, no esforço de guerra dos Aliados. Foi também este navio da Canadian Pacific Railway que recebeu a incumbência de evacuar a força expedicionária canadiana que, no início da revolução russa, se bateu na Sibéria contra os bolcheviques. Devolvido à vida civil, este navio voltou à linha Vancouver-Hong Kong, onde se manteve até vésperas da 2ª Guerra Mundial. Durante esse tempo, transportou alguns passageiros de marca, tais como os políticos Manuel Quezon (das Filipinas), Sun Yat-sen e Chiang Kai-shek (da China nacionalista) e o famoso actor e humorista norte-americano Will Rogers, uma das grandes 'stars' de Hollywood. O «Empress of Russia» voltou aos teatros de guerra no início dos anos 40 do século XX e participou em várias e importantes acções militares, de entre as quais se destaca a Operação Overlord, que desencadeou o desembarque na Normandia, em Junho de 1944. O navio canadiano sofria trabalhos de modernização num estaleiro de Barrow, quando -a 8 de Setembro de 1945- foi devastado por um incêndio acidental. Que provocou tais danos, que não foi possível recuperar o venerável paquete: que também foi -no decorrer das duas guerras generalizadas- cruzador auxiliar e navio tropeiro.

«VITUS BERING»


O «Vitus Bering» é um moderníssimo navio de apoio e abastecimento às plataformas 'off shore' com capacidades de quebra-gelos. Hasteia bandeira russa e está registado na capitania do porto de São Petersburgo. Foi construído no estaleiro Arctech de Helsínquia (Finlândia), que o lançou à água no dia 30 de Junho de 2012. Apresenta 7 487 toneladas de arqueação bruta e mede 100 metros de comprimento por 22 metros de boca. Os seus propulsores, de grande potência, permitem-lhe navegar à velocidade de 15 nós em mar aberto e de romper gelo (até 1,50 metro de espessura) com andamento limitado a 3 nós. Pode receber a bordo -em cabines confortáveis- 50 pessoas. Tem um navio gémeo, que recebeu o nome de «Alexei Chirikov». Destinados a operar nas rude águas do Oceano Glacial Árctico, estes navios estão agora a ser usados no campo petrolífero ('off shore') de Arkutum-Dagi, no mar de de Okhostsk, uma das regiões mais hostis do planeta Terra. A imagem anexada deste navio é-nos aqui apresentada num selo emitido, em 2014, pela administração postal da Federação Russa.

«VIERGE DE LOURDES»


O caíque (dito de Yport) «Vierge de Lourdes» é uma embarcação de pesca típica do litoral do País de Caux, uma porção do território normando, França. Esta barca foi construída, em 1949, no estaleiro Jouan Fiquet, de Fécamp. Desloca 10 toneladas e mede 16,50 metros de longitude por 3,88 metros de boca. O seu calado é de 0,90 m. Arvora 2 mastros (um à proa e outro à popa), que envergam 3 panos com uma área global de 77 m2. Este tipo de embarcação tinha, geralmente, uma tripulação de 3 homens, mas tem capacidade -agora que deixou a faina- para transportar um máximo de 9 passageiros. O «Vierge de Lourdes» pertenceu a uma frota pesqueira de 4 caíques idênticos construída (em finais dos anos 40 do passado século), no acima referido estaleiro, sob a orientação do mestre carpinteiro Jean Clément. Todos ostentavam nomes de inspiração religiosa : a embarcação em apreço, o «Vive Jésus», o «Dieu Protégez-Nous» e o «Notre-Dame de Bonsecours». Preservado pelo tempo (e pela vontade dos homens), o «Vierge de Lourdes» -que pescou, essencialmente, espécies costeiras como o arenque e a cavala- pertence, hoje, à Associação La Caique Vierge de Lourdes, com sede na cidade piscatória de Fécamp, onde a embarcação se mantém registada. Esta associação tem por missão assegurar a manutenção deste antigo barco de trabalho e a de organizar/participar em eventos que dão visibilidade ao património naval de França. Participa em passeios (reservados aos sócios) e até já serviu (em regime de aluguer) de base de apoio a um clube de mergulho desportivo. Está (desde que a lei o exige) equipado com um motor auxiliar de 75 cv.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

«MERCEDES»

Veleiro actualmente matriculado em Amsterdão, nos Países-Baixos. Foi um navio de trabalho que usou, sucessivamente, os nomes de «Huibertje», «Ora», «Labora», «Deo Volante», «Deo Juvante», «Atlantic» e «Atlantic A». Este último já lhe foi atribuído depois de ter sido vendido à companhia pesqueira do Reino Unido Atlantic Ocean Fishing, em 1988. O «Mercedes», que foi construído no ano de 1958 no estaleiro Metz, de Urk (na província de Flevolândia), foi adquirido em 2003 pela sociedade turística Wind is our Friend e totalmente reconstruído (em Harlingen, NL) à volta do seu casco de aço. Transformado em veleiro de 2 mastros (aparelhados em brigue) este navio recebeu acomodações para uma tripulação permanente de 12 membros e para um máximo de 130/150 pessoas (em viagens de curtíssima duração). O «Mercedes» desloca 430 toneladas e mede 50 metros de comprimento fora a fora por 3,60 metros de boca. Os 18 panos do seu velame totalizam uma área de 900 m2. O navio está equipado (como manda a lei) com 1 máquina auxiliar e com moderna aparelhagem de ajuda à navegação. Este veleiro estreou-se internacionalmente aquando do evento 'Armada 2008' de Rouen, que é uma das maiores e mais prestigiosas concentrações de veleiros do mundo. Depois disso, tem participado em acontecimentos de mesma índole em diferentes países, onde a sua silhueta já é familiar de todos dos amadores de vela. O seu actual armador é Oilivier Wipperfurth, que tem levado turistas do mar Báltico até às Antilhas, passando pelo Mediterrâneo.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

«MARCO POLO»

Grande veleiro de construção canadiana (era um 'clipper de 3 mastros deslocando 1 500 toneladas e medindo 56 metros de comprimento por 11 metros de boca) que foi realizado, em 1851, em St. John, New Brunswick, pelo estaleiro de James Smith. O seu nome de baptismo homenageava, obviamente, o famoso viajante e mercador veneziano dos séculos XIII e XIV.  Este navio iniciou a sua vida sob maus auspícios, já que adernou aquando do seu lançamento e que, depois de recuperado, encalhou num banco de Marsh Creek, onde se manteve imobilizado durante duas semanas. A sua viagem inaugural -de St. John até Liverpool, com um carregamento de madeiras, que o navio perfez em apenas 15 dias- veio, no entanto, apagar a recordação dos incidentes de princípio de carreira. Em 1852, o «Marco Polo» foi adquirido pela companhia Black Ball Line, que o colocou no transporte de passageiros e frete entre Liverpool e a Austrália; em cujo percurso este veleiro bateu vários recordes de velocidade, o que lhe valeu o epíteto de 'navio mais rápido do mundo'. Este 'clipper' serviu nessa carreira até 1867, ano em que foi alvo de grandes trabalhos de reparação e renovação. O fim do soberbo «Marco Polo» chegou uma quinzena de anos mais tarde -a 22 de Julho de 1883- quando, durante uma viagem ao Quebeque, o veleiro foi assaltado por violenta borrasca (ao largo da ilha do Príncipe Eduardo) e o seu casco sofreu vários rombos. O que ocasionou o seu desastroso encalhe numa praia de Cavendish. Desarvorado, o navio acabou por ser destruído completamente pelas forças da Natureza. O sítio da catástrofe está, hoje, englobado no Parque Nacional da Ilha do Príncipe Eduardo, que, entretanto, se transformou num lugar de grande interesse histórico-turístico do Canadá.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

«SÃO NICOLAU»


O vapor «São Nicolau» era um navio português, pertencente aos Transportes Marítimos do Estado, com sede em Lisboa. Em cujo porto foi matriculado desde que passou a hastear pavilhão verde e rubro. O «São Nicolau» foi construído, em 1905, na Alemanha, nos estaleiros Neptun, de Rostock. Chamara-se, precedentemente «Dora Horn» e havia sido pertença da companhia Reederei Horn, de Lubeck. Era um cargueiro com 2 679 toneladas de arqueação bruta, medindo 88,70 metros de comprimento por 13,40 metros de boca. A propulsão do «São Nicolau» era assegurada por 1 única máquina a vapor, que lhe permitia vogar à velocidade de 9 milhas/hora. A sua tripulação era constituída, aquando da sua perda, por 37 homens; quase todos eles originários do arquipélago de Cabo Verde, incluindo o seu comandante, capitão Amâncio José Azevedo, natural da ilha Brava. Este navio, que deveria ser alugado ao governo britânico e colocado ao serviço da companhia Furness & Withy, foi surpreendido -no dia 16 de Novembro de 1916- na entrada sul do mar da Mancha (a escassas milhas do rochedo de Cassequets) por um submarino alemão; que, sem aviso prévio, disparou 17 tiros de canhão contra o navio português, afundando-o. O infortunado «São Nicolau» saíra de Lisboa dias antes e tinha como destino o porto francês do Havre. Da sua tripulação, apenas escaparam com vida 16 homens (incluindo o seu primeiro oficial), que utilizaram as baleeiras de bordo e que foram, posteriormente e depois de muitas horas de angústia, resgatados por um navio italiano, o «Fido», que os desembarcou em Plymouth, na Inglaterra. De onde regressariam a Portugal. O agressor tudesco do vapor português foi identificado como sendo o «UC-26», que agiu sob as ordens do capitão-tenente conde Matthias von Schmettow. Curiosidades : a fotografia anexada do «São Nicolau» foi publicada pela «Ilustração Portugueza» e mostra, no canto superior esquerdo, um medalhão com o retrato do seu comandante, cuja identidade já referimos; Portugal encontrava-se, oficialmente, em estado de guerra com a Alemanha desde 9 de Março de 1916. Por iniciativa desta e na sequência do apresamento (ocorrido a 23 de Fevereiro desse mesmo ano) de dezenas de navios germânicos refugiados nos portos lusos.