segunda-feira, 20 de julho de 2009

«PAMIR»


Quatro mastros barca construído (em 1905) nos estaleiros da firma Blohm und Voss, de Hamburgo, para a marinha mercante alemã. Media 114,50 m de comprimento por 14 m de boca. Os seus três mastros dianteiros, que se elevavam a 51 m acima do convés, e o de popa (ligeiramente mais curto) podiam arvorar 3 800 m2 de pano. Tal aparelho vélico imprimia ao navio uma velocidade máxima de 16 nós. O «Pamir», que pertenceu ao famoso armador F. Laeisz, começou a sua actividade como transportador de nitrato do Chile, produto que o obrigou a dobrar (por várias vezes) o temido cabo Horn. Quando rebentou a Grande Guerra, o «Pamir» refugiou-se num porto das Canárias, onde permaneceu até o fim do conflito. Em 1920 foi entregue à Itália, como parte da indemnização de guerra devida pela Alemanha àquele país. Mas, em 1924, voltou à frota original e ao transporte de nitratos, depois de ter sido readquirido pela F. Laeisz por um montante de 7 000 libras esterlinas. Vendido a um armador finlandês no início dos anos 30, o veleiro passou a ir buscar trigo à Austrália. Em 1941 foi apresado pelos neo-zelandeses no porto de Wellington. Depois de vicissitudes várias, este navio -que foi o último dos grandes veleiros mercantes a transpor (em 1949) o cabo Horn- foi desactivado. Estava prometido ao camartelo, quando foi salvo por um armador alemão nostálgico dos velhos e belos tempos da marinha à vela. Transformado em navio-escola, o «Pamir» foi apanhado no mar dos Açores pelo furacão 'Carrie' em 21 de Setembro de 1957. Incapaz de lutar contra a força bruta dos elementos, o navio foi destroçado e afundado pela tempestade. Da sua equipagem, constituída por 86 homens (34 oficiais e marinheiros, mais 52 cadetes), só sobreviveram seis. O drama do grande veleiro, noticiado pela imprensa do mundo inteiro, inspirou um comovente telefilme produzido pela TV alemã e intitulado «Der Untergang der Pamir».

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