terça-feira, 28 de julho de 2009

«MÉDUSE»


Fragata da marinha de guerra napoleónica, que, após a queda de Bonaparte e do regresso dos Bourbons ao trono de França, foi enviada ao Senegal, em missão de soberania. O navio foi colocado sob o mando de Hugues Duroy de Chaumaray, um oficial de marinha que há mais de 20 anos não punha os pés num navio. A incapacidade de Chaumaray aliada ao facto de ele se ter incompatibilizado, desde o início da viagem, com os seus subalternos, ditaram a sorte desta indesditosa fragata da 'Royale', cujo nome é, ainda hoje, sinónimo de horror. A tragédia da «Méduse», cuja história tanto impressionou a França e a Europa no primeiro quartel do século XIX, resume-se a isto : a 2 de Julho de 1816, depois da fragata ter encalhado, por negligência dos seus oficiais, no banco de Arguim (situado ao largo das costas da Mauritânia), o seu comandante mandou arriar as chalupas e sair da «Méduse» todos os seus tripulantes dispensáveis e todos os seus passageiros. Isso, com o intuito de tentar safar o navio na subida da maré. E como as chalupas se revelaram insuficientes para conter tanta gente, Chamaray mandou construir uma jangada, na qual foram obrigadas a tomar lugar umas 150 pessoas, marinheiros e soldados na sua esmagadora maioria. Como se goraram todas as tentativas para desencalhar a «Méduse», essa jangada teve que funcionar como meio de salvação improvisado e instável; e no qual não se haviam constituído reservas de água potável e de mantimentos para tanta gente. A jangada da «Méduse» andou 4 longos dias à deriva no oceano Atlântico e quando foi possível, enfim, socorrer os desgraçados, apenas restavam a bordo 15 sobreviventes. Segundo o testemunho de alguns deles, a tenebrosa jangada foi palco de cenas atrozes : suicídios, assassínios e até casos de canibalismo. O comandante da fragata «Méduse» que, no dizer de alguns, abandonara o navio num escaler quase vazio, foi julgado por um tribunal militar de Rochefort. A negligência e, sobretudo, a conduta de Hugues Duroy de Chaumaray -verdadeiramente indignas de um capitão de navio- foram sancionadas com 3 anos de cadeia e com a desonrosa expulsão do acusado da armada real. O drama da jangada da morte inspirou ao pintor Théodore Géricault a sua obra-prima. A tela intitulada «Le Radeau de la Méduse» (que faz parte das prestigiosas colecções do museu do Louvre) reproduz toda a ansiedade e todo o horror vividos pelos náufragos da funesta embarcação. Horror acentuado pelo génio de um pintor, que se conta entre os maiores artistas plásticos do seu tempo.

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