quarta-feira, 15 de julho de 2009

«DELÃES»


Lugre-motor de três mastros concebido e apetrechado para a pesca bacalhoeira nos grandes bancos da Terra Nova e da Groenlândia. Foi construído no afamado estaleiro de mestre Mónica (da Gafanha da Nazaré) para a S.N.A.B., uma companhia lisboeta. Estava, no entanto, registado na praça do Porto. O seu capitão era o ilhavense João Nunes de Oliveira e Sousa, quando, a 10 de Setembro de 1942, depois de uma longa campanha de pesca (79 dias) e já de regresso a Portugal, o «Delães» foi afundado -a tiros de peça- pelo submarino alemão U-96, às ordens do capitão-tenente Hans Jürgen Hellriegel. Note-se que a condição de navio neutral do «Delães» estava bem patente no seu casco branco, onde além do seu nome, figuravam a menção do país de origem e uma reprodução da bandeira nacional. Alguém pretendeu que, no momento do pérfido ataque ao «Delães», o lugre se encontrava nas proximidades de um comboio de navios aliados e não respeitara o silêncio rádio imposto nessas circunstâncias muito particulares. Após o soçobro do navio (que carregava 9 500 quintais de bacalhau) os seus 54 tripulantes tentaram a salvação a bordo de 10 dos seus dóris (nos quais faltavam a água e os mantimentos), quando se encontravam a umas 600 milhas marítimas da terra mais próxima. Todos foram salvos, no dia que sucedeu ao afundamento do navio, pelo lugre-motor «Labrador», que, por felicidade, seguia para Lisboa na esteira do malogrado «Delães».

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