segunda-feira, 17 de agosto de 2009

«TORREY CANYON»


Petroleiro de bandeira liberiana. Quando, em 1958, foi construído no estaleiro de Newport News Shipbuilding (Virgínia, EUA) os seus tanques tinham capacidade para 60 000 toneladas de crude. Mas, depois de uma operação de aumento de porte efectuada no Japão em 1964, a capacidade do navio duplicou. Nessa sua última configuração, o «Torrey Canyon» media 267,30 m de comprimento por 41,25 m de boca e o seu calado máximo era de 17,20 m. O derradeiro armador do «Torrey» foi a Barracuda Tanker Corporation (sedeada nas Bermudas), filial da Union Oil of California; e a sociedade B.P. foi a responsável pelo seu último afretamento. Em 19 de Fevereiro de 1967, o navio -que carregara no Koweit- tomou o caminho de Milford Haven, na Grã-Bretanha, onde devia entregar o seu carregamento de petróleo em rama. A longa viagem (a efectuar pela rota do cabo da Boa Esperança) passou-se sem incidentes até à manhã de do dia 18 de Março; altura em que o navio já se encontrava perto do seu porto de destino e se esventrou nos rochedos de Pollard's Rock, situados ao largo das ilhas Scilly. O desastre teve várias causas, sendo provado que uma delas se ficou a dever a desentendimentos entre o comandante do petroleiro e o seu imediato, por questões de navegação. Na sequência do encalhe, o «Torrey Canyon» perdeu imediatamente 30 000 galões de petróleo, que, devido à acção das marés e do vento, começaram a poluir as costas inglesa e francesa. Para evitar um derrame de maiores proporções, a chamada célula de crise, reunida na base aérea de Culdrose, decidiu lançar fogo ao navio, alvejando-o com 42 bombas incendiárias. Mas tudo isto não chegou para evitar à Europa marítima a maior catástrofe ecológica da sua história. Na sequência da qual o nome do «Torrey Canyon» ficou associado a algo de apocalíptico. Tanto mais que, por falta de experiência no domínio da luta antipoluição, britânicos e franceses usaram, nas suas praias, produtos de limpeza ainda mais tóxicos do que o líquido derramado pelo petroleiro naufragado. Um longo e complexo processo nos tribunais teve lugar, para determinar culpas e estabelecer o montante das indemnizações a atribuir às vítimas dos estragos causados pela gigantesca maré negra do «Torrey Canyon», petroleiro de triste memória.

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