segunda-feira, 31 de agosto de 2009

«MORA»


Navio normando do século XI. Parece ter sido construído em Barfleur por encomenda de Matilde de Flandres, que o ofereceu a seu marido Guilherme, o Bastardo, duque de Normandia. Era um navio inspirado pelas técnicas nórdicas de construção naval e pela tradição franca. Segundo a tapeçaria dita de Bayeux -que é, na realidade, um bordado- na qual o «Mora» (ou similar) está representado várias vezes, este assemelhava-se bastante aos navios viquingues dos séculos precedentes, embora fosse de maior porte, mais estável e melhor adaptado ao transporte de equídeos. O «Mora» era uma nave de propulsão mista (vela de pendão/30 remadores), que serviu de modelo às muitas centenas de embarcações que o Bastardo mandou construir em previsão da invasão da Grã-Bretanha. Chamados 'moras' em homenagem ao seu ilustre predecessor, esses navios levaram até às costas inglesas os 15 000 guerreiros normandos que haveriam de infligir uma histórica derrota a Haroldo II na batalha de Hastings, travada em 14 de Outubro de 1066. Derrota que permitiu a Guilherme trocar o seu pouco reluzente cognome pelo de O Conquistador e de cingir a coroa real de Inglaterra. Durante a memorável travessia do mar da Mancha, o «Mora» foi comandado pelo capitão barfleurense Etienne. Curiosidade : o poeta Côtis-Capel (1915-1986) dedicou um sentido poema (escrito em 'patois' normando) ao «Mora» e à sua odisseia.

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