segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

«NIASSA»


Paquete da Companhia Nacional de Navegação. Foi construído nos estaleiros Cockerill, de Hoboken (Antuérpia-Bélgica), em 1955. Era um navio com 16 330 toneladas de deslocamento, medindo 151,27 metros de comprimento por 19,44 metros de boca. Os seus cinco porões tinham capacidade para receber 13 250 m3 de frete diverso, incluindo 600 m3 de carga frigorífica; e as suas cabines podiam acomodar 22 passageiros em 1ª classe e 300 outros em classe turística. Tinha 132 tripulantes. A sua poderosa máquina diesel permitia-lhe atingir a velocidade de cruzeiro de 16 nós. A viagem inaugural do «Niassa» começou em Lisboa a 7 de Setembro de 1955 e levou o navio até aos portos da então África Oriental Portuguesa. Ainda nesse mesmo ano, o navio foi fretado pelo Ministério do Exército para transportar tropas e material bélico para o Extremo-Oriente e para as colónias africanas. Facto que se repetiu antes de eclodirem as chamadas guerras coloniais e que se acentuou nos anos 60 e 70 do século XX, enquanto decorreram esses conflitos em Angola, na Guiné e em Moçambique. Em Janeiro de 1973, quase dezoito anos depois de ter entrado ao serviço, o «Niassa» foi reclassificado pelos estaleiros de Glásgua (Escócia), voltando à carreira de África, alternando as viagens de carácter civil com os afretamentos militares. Depois da independência das colónias, o paquete limitou as suas viagens africanas ao arquipélago de Cabo Verde, para onde rumou até 1977. Afretado pela CTM, o navio fez 8 idas e volta à Madeira. Nos seus últimos tempos de vida, precisamente durante uma dessas viagens, o «Niassa» ainda se distinguiu, ao rebocar e salvar o cargueiro «Cedros», muito maltratado pelos efeitos de violento temporal que rebentou ao largo da costa portuguesa. Tornado obsoleto, o paquete foi desactivado em 1978 e vendido no ano seguinte a um sucateiro espanhol, que o mandou rebocar até Bilbau para demolição.

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