quinta-feira, 14 de abril de 2016

«EUGENIO DI SAVOIA»

Cruzador ligeiro da 'Regia Marina', pertencente ao grupo 4 da classe 'Condottieri', também chamado subclasse 'Duca d'Aosta'. Este navio foi realizado pelos estaleiros Ansaldo, de Génova, que o lançaram ao mar no dia 16 de Março de 1935. Foi integrado no serviço activo no ano seguinte e, em 13 de Fevereiro de 1937, em consequência da aliança estabelecida entre Francisco Franco e Benito Mussolini, o cruzador «Eugénio di Savoia» bombardeou a cidade de Barcelona (afecta aos republicanos), onde causou 18 mortes. Em 1938, este navio iniciou -com o seu gémeo «Duca d'Aosta»- uma circum-navegação do globo, que terminou em La Spezia no mês de Março do ano seguinte. Durante a 2ª Guerra Mundial, este cruzador participou em vários combates e acções contra a armada britânica do Mediterrâneo, nomeadamente na batalha de Punta Stilo (Julho de 1940), operações Harpoon (1942) e Pedestal (Agosto 1942), etc. Em 4 de Dezembro de 1942, o «Eugénio di Savoia» foi seriamente atingido pelas bombas de uma formação de 'Liberators' norte-americanos que alvejaram o porto de Nápoles, onde este navio se encontrava ancorado. Após a prisão do 'duce' em 1943 e da subsequente reviravolta política ocorrida em Itália, o cruzador em apreço foi levado para Suez, onde serviu os Aliados como navio de treino. E, seis anos após o fim do conflito, em 1951, foi cedido à marinha helénica, onde chegou a ser navio-almirante da frota e o transporte escolhido pelo rei Paulo da Grécia para efectuar algumas das suas visitas a países da região mediterrânica : Turquia, Jugoslávia, França, Líbano. Durante a ditadura dos coronéis, o «Elli» (seu novo nome)  ainda serviu de navio-prisão para os oponentes ao regime militar. Parece ter sido leiloado como sucata em 1973 e desmantelado pelo comprador na sequência desse negócio. O «Eugénio di Savoia» era um navio de 10 540 toneladas (em plena carga), que media 187 metros de comprimento por 17,50 metros de boca. Os seus propulsores desenvolviam uma força de 110 000 cv, que lhe asseguravam uma velocidade de 36,5 nós e uma autonomia de 3 900 milhas náuticas, com andamento reduzido a 14 nós. Do seu armamento inicial constavam 8 canhões de 152 mm, 6 de 100 mm, 8 peças AA de 100 mm e 12 de 13,2 mm. Para além disso, este navio era servido por 2 aeronaves e respectivas catapultas. A sua blindagem era razoável, nomeadamente a nível da cinta principal (70 mm) e da torre de comando, que estava protegida por uma couraça de 100 mm. Guarnição : 578 homens, incluindo oficiais.

terça-feira, 12 de abril de 2016

«FRITHJOF»

Navio alemão de defesa costeira pertencente à classe 'Siegfried'. Navios que começaram a equipar a armada imperial germânica na derradeira década do século XIX. Foi construído pelos estaleiros AG Weser, de Bremen, que o lançaram à água em Junho de 1891. Este navio deslocava 3 500 toneladas e media 79 metros de comprimento por 14,90 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas a vapor de tripla expansão (acopladas a 2 hélices), desenvolvendo uma potência global de 4 800 ihp. Força que lhe facultava uma velocidade de 15 nós e uma autonomia de 4 800 milhas náuticas. O «Frithjof» estava razoavelmente  couraçado e encontrava-se armado com 3 canhões de 240 mm, 8 outros de 88 mm e com 4 tubos lança-torpedos de 350 mm. Foi integrado na armada tudesca em 1893 e participou em várias manobras militares, no Báltico, até 1902, ano em que entrou na doca seca do Kaiserliche Werft, de Kiel, para ali se submeter a uma importante reconstrução. No final dos trabalhos, em 1903, saiu de lá mais longo (com 86,13 metros), mais pesado (com 4 367 toneladas de deslocamento), com novas caldeiras e com algumas alterações no seu armamento; nomeadamente na sua bateria secundária que recebeu novas e mais 'performantes' peças de 88 mm e na sua bateria de lança-torpedos, que passou a contar com 3 tubos de 450 mm. Curiosidade : entre 1905 e 1906, o seu oficial de navegação foi um certo Erich Raeder, que seria um dos almirantes mais famosos da marinha nazi. Em 1908, este navio foi integrado num esquadrão de treino e passou a servir na instrução dos artilheiros da frota. Durante a Grande Guerra, o «Frithjof» ainda serviu como unidade de defesa costeira, integrado no VI Esquadrão dessa especialidade, mas, devido à sua vetustez, acabou por ser desmobilizado em Agosto de 1915, tendo a sua guarnição sido transferida para outros navios da marinha do 'kaiser'. Depois do conflito, foi reconstruído como navio mercante, servindo, nessa qualidade, até 1930. Ano em que foi desmantelado num estaleiro do porto de Dantzig. Nota final : os 5 outros navios da classe a que pertencera o «Frithjof» foram o «Siegfried» (cabeça de série), o «Beowulf», o «Heimdall», o «Hildebrand» e o «Hagen».

ZARAGOZA»

Corveta da marinha mexicana, com vida operacional entre 1892 e 1926. Foi construída pelos estaleiros havrenses da firma Société Nouvelle des Forges et Chantiers de la Méditerranée. A «Zaragoza» era de propulsão mista (velas/vapor), tinha casco de aço, 3 mastros e estava armada com 8 peças de artilharia : 6 canhões de 100 mm e 2 rotativos de 37 mm. Chegou ao porto de Vera Cruz a 13 de Fevereiro de 1892 sob as ordens do capitão Reginald C. Brenton, um oficial britânico contratado pela armada mexicana e levando a bordo o comodoro Ángel Ortiz Monasterio. Este navio regressou ainda nesse ano à Europa, a Espanha, onde participou nos festejos comemorativos da descoberta da América e onde recebeu a visita da rainha Maria Cristina. Fez duas visitas de cortesia aos EUA e a França, antes de, em 1894, se tornar o primeiro navio de bandeira mexicana a realizar uma viagem de circum-navegação do globo. Durante a qual visitou inúmeros portos estrangeiros. Entre 1898 e 1905, a «Zaragoza» esteve envolvida na rebelião dos maias do Yucatão, transportando tropas, armas e munições para o terreno do conflito. E em 1905 fez parte do esquadrão naval que levou o presidente Francisco Madero àquela região pacificada. Depois disso, esta corveta viu-se envolvida em vários episódios de carácter militar que agitaram o México : revolta de Félix Díaz (colocando-se o navio e a sua guarnição do lado dos constitucionalistas), desembarque ianque de Vera Cruz (sem acção verdadeiramente ofensiva por parte da «Zaragoza») e, em 1914, repressão no Yucatão da rebelião chefiada por Benjamin Argumedo. Em 1919, esteve em missão em Montevideu, de onde regressou como escolta do cruzador «Uruguay», que transladou para o México os restos mortais do embaixador e poeta Amado Nervo. E, finalmente, em 1923/1924, esta corveta cumpriu a sua derradeira missão ao participar num levante fracassado contra o governo de Álvaro Obregón. Foi oficialmente desactivada, após 34 anos de serviço, no dia 6 de Março de 1926, durante uma cerimónia que ocorreu na presença de um membro do governo. O velho navio foi posteriormente afundado aquando de um exercício de tiro da armada a que pertencera.

«VILLE DU HAVRE»

Paquete francês de propulsão mista (velas/vapor) construído, em 1865, nos estaleiros da firma Thames Iron Works, de Blackwall (Inglaterra), por encomenda da Compagnie Générale Transatlantique. Colocado na carreira das Américas, este vapor de rodas laterais, chegou a usar os nomes de «Napoléon III» e de «Invasion III», antes de adoptar a derradeira designação de «Ville du Havre», com a qual navegou entre 1871 e 1873. A sua viagem inaugural iniciou-se a 26 de Abril de 1866 no Havre e terminou 14 dias mais tarde em Nova Iorque, tendo realizado o percurso à velocidade média de 13,22 nós. Uma decepção para o seu armador, pois o novo navio da linha transatlântica demonstrara que era o mais lento de toda a sua frota. Em 1871, este navio deu entrada no estaleiro Leslie, de Habburn-on-the-Tyne (Reino Unido), onde sofreu transformações de monta. Assim, o seu casco de aço foi alongado de 17 metros, passando a medir 128,50 metros (a boca era de 14 metros) e a sua arqueação bruta passou das 3 376 para 5 065 toneladas. As rodas de paletas foram substituídas por 1 hélice accionado por nova máquina, uma 'compound' de 4 cilindros, desenvolvendo uma potência de 4200 cv. O navio, que então recebeu o seu último nome, também aumentou a sua capacidade de carga, passado a poder receber a bordo 170 passageiros de 1ª classe, 100 de 2ª e 50 de 3ª. Recolocado na linha de Nova Iorque -a mais prestigiosa das carreiras transatlânticas- o «Ville du Havre» cumpriu rigorosamente a sua missão, até que, na madrugada de 22 de Novembro de 1873, quando navegava, com tempo calmo e luzes de bordo acesas (inclusive as de sinalização), na posição de 47º de latitude  Norte e de 38º de longitude Oeste,  foi incompreensivelmente abalroado pelo veleiro britânico (de 1 800 toneladas) «Loch Earn»; que, lançado a toda velocidade, lhe abriu enorme e fatal rombo. Que afundou o paquete francês -que transportava 313 passageiros- nuns curtos 12 minutos. Na catástrofe pereceram 226 pessoas. Sobreviveram 61 viajantes e 26 membros da tripulação, que foram resgatados das chalupas pela equipagem do navio norte-americano «Tremountain», que, horas depois, acudiu aos pedidos de socorro emitidos pelos náufragos. Um drama desta envergadura provocou, naturalmente, grande emoção em França, mas também em todos os países de onde eram oriundos os passageiros do malogrado «Ville du Havre».

domingo, 27 de março de 2016

«TARAPACA»

Veleiro francês de 4 mastros construído, em 1886, nos estaleiros de William Bruce Thompson  (em Whiteinch, perto de Glásgua) para o armador Bordes. Era um navio com casco de aço e com uma arqueação bruta de 2 506 toneladas. Armava em galera e media 92,63 metros de comprimento por 13,48 metros de boca. O seu calado era de 7,10 metros. Destinado ao comércio dos nitratos com o Chile, este grande veleiro tomou o nome de uma região desse país da América do Sul. O primeiro incidente de monta da sua carreira ocorreu -em Março de 1901- nas paragens do terrífico cabo Horn e saldou-se pela morte de três dos seus marinheiros. Logo em Setembro desse mesmo ano, o «Tarapaca» (2º do nome) chocou violentamente com o molhe de La Palice, sofrendo um rombo de 2 metros abaixo da linha de flutuação, o que requereu cinco intensos dias de trabalhos para recuperar o navio e salvar a sua carga. Parece que os tempos que intermediaram entre esse difícil ano e 1917 as coisas melhoraram significativamente para o navio e para as suas tripulações, pois não há outros registos de problemas. Mas, a 25 de Maio desse penúltimo ano da Grande Guerra, quando regressava de Iquique com 4 000 toneladas de salitre, este navio foi surpreendido, em pleno Atlântico (mas já ao alcance das costas europeias), pelo submarino germânico «U-52»; que, a tiros do seu canhão de 105 mm, o intimou a interromper a sua viagem. Investido o veleiro e aprisionado (para interrogatório) o seu comandante, alguns homens do submersível inimigo procederam à instalação de cargas explosivas no veleiro francês; que o meteram a pique. Isso, depois de toda a equipagem do «Tarapaca» ter sido colocada a bordo das baleeiras e poder sobreviver, assim, à destruição do seu veleiro.

«ESMERALDA»


Muito provavelmente construído em Lisboa -no arsenal da Ribeira das Naus- no ano de 1498, presume-se que o navio «Esmeralda» tenha sido idêntico a tantos outros ali concebidos e fabricados para a famosa Carreira da Índia. Sabe-se que esta nau pertenceu à segunda armada (de 20 velas) que Vasco da Gama levou ao Oriente e que zarpou da capital do Reino a 10 de Fevereiro de 1502. Também é do conhecimento geral que a «Esmeralda» (que era uma das unidades de maior porte da frota do Gama) foi comandada por Vicente Sodré, tio materno do grande navegador sineense.  É igualmente notório que a nau em apreço foi a capitânia de uma flotilha que, em Novembro daquele mesmo ano, participou no bloqueio de Calecute, cidade indiana precedentemente bombardeada pelo futuro conde da Vidigueira. Na Primavera de 1503, a «Esmeralda» patrulhava mares arábicos, perto da entrada do golfo Pérsico, quando foi surpreendida por uma forte tempestade que lhe foi fatal. A nau de Vicente Sodré afundou-se, em data indeterminada do mês de Maio, a pouca distância da ilha de Al Hallaniyah, que hoje pertence ao sultanato de Omã. O Ministério do Património e da Cultura desse estado árabe e a Blue Water Recoveries, uma empresa britânica especializada na recuperação de navios imersos, anunciaram que os restos do seu naufrágio foram descobertos em 1998 e que a sua exploração sistemática foi iniciada já no século XXI. E mostraram, muito recentemente, em Mascate, parte do espólio recuperado da velha nau portuguesa : cerca de 3 000 artefactos, que confirmam que este é, garantidamente, «o mais antigo navio luso da era das Descobertas a ser encontrado e estudado cientificamente por uma equipa de arqueólogos e outros especialistas». No entanto, alguns historiadores mantêm uma atitude céptica em relação ao achado. Curiosidade : a nau aqui representada não é a «Esmeralda», mas um navio contemporâneo das armadas de D. Manuel I.

«VIKING»


O «Viking» é uma elegante barca de 4 mastros, construída, em 1906, nos estaleiros da firma Burmeister & Wain, de Copenhague. Com casco de aço, este veleiro apresenta 2 959  toneladas de arqueação bruta e mede 118 metros de comprimento fora a fora por 13,90 metros de boca. O seu calado cotava (no tempo da sua actividade) 7 metros. E o seu sistema vélico, composto por 32 panos, apresentava uma superfície total de 2 850 m2. O «Viking» era um cargueiro rapidíssimo (que bateu recordes de velocidade) e que, até meados do século XX, transportou, por todos os oceanos e mares do mundo, mercadorias tão diversas como cereais, sal, carvão, madeira, guano, cimento e material de construção. Em vésperas da Segunda Guerra Mundial este soberbo navio -que também chegou a hastear pavilhão da Finlândia- esteve ameaçado de desmantelamento; mas, por intervenção do governo da Suécia, que o adquiriu em 1950, escapou ao camartelo. Com base, desde então, no porto de Gotemburgo, o «Viking» já serviu ali de escritório comercial de diferentes firmas da cidade, já foi escola de marinheiros e é, agora, uma hospedaria de luxo  (o Hotel Barken Viking) a funcionar no parque de atrações de Liseberg.