
Couraçado da armada da U.R.S.S. construído em São Petersburgo pelo Arsenal do Almirantado. Foi feito nos tempos da Rússia Imperial (em 1911), servindo na armada de Nicolau II, até à eclosão da revolução soviética de 1917, tendo usado, até então, o nome de «Gangut». Era um navio de 23 600 toneladas de deslocamento, que media 184 metros de comprimento por 26 metros de boca. A sua propulsão era (inicialmente) assegurada por um grupo de máquinas a vapor que desenvolvia (em 1911) uma potência global de 42 000 cv. A sua velocidade máxima ultrapassava os 23 nós. Fortemente blindado, o futuro «Octyabrkaya Revolutsiya» (nome que se traduz na nossa língua por ‘Revolução de Outubro’), tinha como armamento principal 12 canhões de 305 mm e 10 de 120 mm, para além de 4 tubos lança-torpedos de 450 mm. A sua guarnição era constituída por 1 220 homens. No seu historial, enquanto navio imperial, consta que participou (vitoriosamente), em 1915, na batalha do golfo de Riga contra uma esquadra alemã. E também que, nesse mesmo ano, foi palco de um motim, que os seus oficiais não ousaram castigar com a severidade habitual. Em 1918, a guarnição do ainda «Gangut» aceitou as instruções de Lenine para abandonar o combate e dirigir-se para Kronstadt, onde o navio deveria participar na defesa da recém-fundada União Soviética. Em plena guerra civil, diante da ameaça dos brancos (anticomunistas) o navio foi voluntariamente afundado -em 3 de Maio de 1919- na foz do Neva, para mais facilmente assegurar, com a sua poderosa artilharia, a protecção da cidade de Leninegrado, a ex-São Petersburgo. Reemergido, o couraçado foi colocado numa lista de navios que deveriam receber importantes reestruturações. Essa modernização só ocorreu, no entanto, em 1925, ano em que recebeu o seu derradeiro nome. Nova intervenção no navio teve lugar entre 1931 e 1934. A natureza dos trabalhos então efectuados no velho couraçado elevou o seu deslocamento para 26 700 toneladas; viu a substituição das suas máquinas a vapor por engenhos a ‘mazout’, passando a potência do seu sistema motor para 61 000 cv. O navio recebeu também, nessa altura, um moderno sistema de transmissões rádio. Em Dezembro de 1939, o «Revolução de Outubro» participou na chamada Guerra de Inverno contra a Finlândia, atacando, com o seu poder de fogo, a linha Mannerheim. Depois do ataque dos hitlerianos à União Soviética (em 1941) o navio fez parte integrante da defesa de Leninegrado, lutando, simultaneamente, contra a marinha de guerra inimiga, contra o exército nazi e, mercê do seu novo armamento antiaéreo, contra a poderosa ‘Luftwaffe’; que, durante os raides de 21 e 27 de Setembro de 1941, lhe infligiu sérias avarias. A resistência do navio e a coragem da sua guarnição valeram ao veterano vaso de guerra a Ordem da Bandeira Vermelha. Depois da vitória da U.R.S.S. (e dos Aliados), o navio foi restaurado e manteve-se em Leninegrado, onde serviu -até 1954- como escola de marinhagem da armada vermelha. Em 1956, o couraçado foi desactivado e, em 1959, após 48 anos de vida, foi desmantelado. As suas âncoras e algumas das suas peças AA foram conservadas e decoram, hoje, um parque da cidade de Kronstadt.
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