segunda-feira, 31 de agosto de 2009

«SEEADLER»


Três mastros galera construído em 1888 nos estaleiros Robert Duncan & Cº (Escócia) para a sociedade armadora River Platte Shipping, de Nova Iorque. O navio foi lançado à água com o nome de «Pass of Balmaha» e serviu como navio de transporte de mercadorias várias até 1915, ano da sua captura (por contrabando) pelo submarino alemão U-36. Media 75 m de comprimento fora a fora, deslocava perto de 2 000 toneladas e dispunha de um aparelho constituído por 24 velas. Estava equipado com um motor auxiliar (já instalado pelos alemães ?) que desenvolvia 1 000 cv. Os germânicos atribuiram-lhe, depois de o terem modificado, o nome de «Seeadler» e a designação de cruzador-auxiliar, provido de 2 canhões de 105 mm. O seu comando foi confiado ao capitão-tenente conde Felix von Luckner, que, na sua juventude, já havia navegado em todos os mares do mundo e que, enquanto oficial subalterno da marinha imperial alemão, estivera na mortífera batalha de Jutlândia. O primeiro e último cruzeiro do «Seeadler» -consagrado à guerra de corso- iniciou-se num porto do Báltico, de onde o veleiro zarpou, no dia 21 de Dezembro de 1916, rumo às águas livres do Atlântico e do Pacífico. Durante esse raide, que durou 225 dias, o veleiro alemão serviu-se da arte da camuflagem desenvolvida pela sua tripulação para se aproximar, sem despertar desconfianças, de navios inimigos e atacá-los. Durante esse período de 8 meses, fazendo jus ao seu nome de 'Águia dos Mares', o corsário imperial canhoneou 14 navios de várias nacionalidades (3 vapores e 11 veleiros), afundando-os sem remissão. Mas também sem causar mortes. A carreira do «Seeadler» terminou em princípios de Agosto de 1917, quando uma tempestade o atirou contra a costa rochosa da ilha de Mopélia (Polinésia francesa).

«MORA»


Navio normando do século XI. Parece ter sido construído em Barfleur por encomenda de Matilde de Flandres, que o ofereceu a seu marido Guilherme, o Bastardo, duque de Normandia. Era um navio inspirado pelas técnicas nórdicas de construção naval e pela tradição franca. Segundo a tapeçaria dita de Bayeux -que é, na realidade, um bordado- na qual o «Mora» (ou similar) está representado várias vezes, este assemelhava-se bastante aos navios viquingues dos séculos precedentes, embora fosse de maior porte, mais estável e melhor adaptado ao transporte de equídeos. O «Mora» era uma nave de propulsão mista (vela de pendão/30 remadores), que serviu de modelo às muitas centenas de embarcações que o Bastardo mandou construir em previsão da invasão da Grã-Bretanha. Chamados 'moras' em homenagem ao seu ilustre predecessor, esses navios levaram até às costas inglesas os 15 000 guerreiros normandos que haveriam de infligir uma histórica derrota a Haroldo II na batalha de Hastings, travada em 14 de Outubro de 1066. Derrota que permitiu a Guilherme trocar o seu pouco reluzente cognome pelo de O Conquistador e de cingir a coroa real de Inglaterra. Durante a memorável travessia do mar da Mancha, o «Mora» foi comandado pelo capitão barfleurense Etienne. Curiosidade : o poeta Côtis-Capel (1915-1986) dedicou um sentido poema (escrito em 'patois' normando) ao «Mora» e à sua odisseia.

domingo, 30 de agosto de 2009

«CUTTY SARK»


Famoso clipper britãnico do século XIX. Foi construído em 1869 nos estaleiros escoceses de Scott & Lindon, de Dumbarton. Deslocava 921 toneladas e dispunha de três mastros aparelhados em galera. Esteve implicado nos lucrativos comércios do chá do Oriente e da lã neo-zelandesa e australiana. Perdeu uma célebre corrida de velocidade contra o «Thermopylae» (futuro «Pedro Nunes») em 1872, o que não o impediu de ser um dos mais rápidos e admirados navios do seu tempo. O andamento máximo do «Cutty Sark» era impressionante, atribuindo-se-lhe um record, por ter percorrido a distância de 360 milhas náuticas em apenas 24 horas. O seu capitão e proprietário, John Willis, vendeu-o -em 1895- à sociedade portuguesa de Joaquim Antunes Ferreira, que lhe mudou o nome de baptismo para «Ferreira» e o conservou durante 27 anos. No final da sua longa carreira em Portugal, o navio -que aqui aparelhou em patacho a partir de 1916- ainda viu (por um curtíssimo espaço de tempo) o seu nome alterado para «Maria do Amparo». O veleiro voltou à Inglaterra em 1922, ano em que o seu novo proprietário lhe restituiu o nome e aspecto originais; e onde o célebre clipper ainda chegou a exercer funções de navio-escola. O ano de 1953 marcou, definitivamente, o fim da sua actividade. Depois de alguns trabalhos de restauro, o «Cutty Sark» foi rebocado (em 1954) para Greenwich, onde ficou exposto à admiração do público. Em 21 de Maio de 2007, o navio foi ali quase totalmente destruído por um incêndio, cujas causas ainda não foram muito bem elucidadas. Um programa de recuperação do clipper já foi montado, subsistindo, no entanto, o problema dos custos dessa delicada operação, que poderiam ascender a uns 10 milhões de libras.

«WILHELM GUSTLOFF»


Paquete construído nos estaleiros Blohm & Voss, de Hamburgo, para a KdF/Kraft durch Freude, uma organização da Alemanha hitleriana (cujo nome significa 'Força pela Alegria') muito semelhante, nos seus objectivos, à nossa antiga F.N.A.T.. Este navio de 25 000 toneladas, que recebeu o seu nome em homenagem ao líder do partido nazi suíço, media 208,50 m de comprimento por 23,60 m de boca e podia deslocar-se a uma velocidade superior a 15 nós. Tinha uma tripulação de 417 homens e mulheres e podia receber 1 465 passageiros. Foi lançado à água no dia 15 de Março de 1938 e inaugurado num cruzeiro à ilha da Madeira, que fez escala em Lisboa. O «Wilhem Gustloff» foi um dos navios mobilizados para repatriar a Legião Condor de Espanha, logo após a vitória franquista de 1939. Durante o segundo conflito mundial foi transformado em navio-hospital. A sua celebridade data de inícios de 1945 -mais precisamente da noite de 30 de Janeiro desse derradeiro ano de guerra- pelo facto de ter sido atingido por três torpedos disparados do submarino soviético «S-13» e de ter afundado na sequência desse ataque. O «Wilhelm Gustloff» navegava, nessa altura, ao largo da península de Hel (no mar Báltico) e transportava entre 6 000 e 10 000 pessoas (as fontes de informação divergem muito) provenientes de Gotenhafen (hoje Gdynia) e que eram, essencialmente, refugiados, soldados feridos da frente leste e especialistas da frota submarina alemã. Das águas gélidas do Báltico só foi possível resgatar 904 náufragos. O número de perdas humanas elevou-se, assim, a muitos milhares de pessoas, fazendo deste afundamento a maior tragédia de toda a história marítima.

«SCORPENE»


Moderno submarino francês vocacionado para missões de natureza vária : luta contra navios de superfície e submersíveis, operações especiais, reconhecimento, guerra electrónica, lança-minas, etc. O seu conceptor e construtor é a firma D.C.N.S., que firmou contrato com a Navantia (de Espanha) para a execução de encomendas oriundas de certos países estrangeiros. O «Scorpene», que tem a reputação de ser extremamente silencioso, desloca 1 650 toneladas à superfície e 2 000 em imersão. Pode mergulhar a mais de 300 metros de profundidade e o seu raio de acção é da ordem das 6 500 milhas náuticas à velocidade de cruzeiro de 8 nós. A sua tripulação é de 31 homens, podendo, no entanto, ser reduzida se o navio receber -por opção do comanditário- um sistema automatizado de navegação. Os aparelhos de detecção, assim como o armamento do «Scorpene» (6 tubos lança-torpedos de 533 mm, guarnecidos com 18 projécteis) são dos mais performantes da actualidade. Além dos navios deste tipo destinados à armada francesa, a D.C.N.S. recebeu pedidos do Chile (2) e da Malásia (2). 10 outras unidades foram encomendadas pelas marinhas de guerra da Índia (6 construídas ou a construir, sob licença, nos estaleiros desse país da Ásia) e do Brasil (4). Também no que respeita os submersíveis deste último país haverá transferência de tecnologia, visto que os navios de classe 'Scorpene' brasileiros deverão ser, todos eles, realizados pelo arsenal do Rio de Janeiro. No quadro deste último contrato, a França aceitou ajudar a armada brasileira a desenvolver o seu próprio projecto de realização de um submarino nuclear de ataque.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

«AMERICAN PRIDE»


Veleiro de 200 toneladas (arvorando bandeira norte-americana), construído em 1941 pelos estaleiros Muller Boat Works, de Nova Iorque. Mede 30,70 metros de comprimento por 6,40 metros de boca. Tem agora um motor auxiliar. Chamou-se inicialmente «Virginia» e pescou bacalhau nos grandes bancos do Canadá durante quase quatro décadas. Ainda usou, sucessivamente, os nomes de «Alaho», de «Ste. Catherine», de «Lady in Blue» e de «Natalie Todd», antes de receber a sua actual designação. É reconhecível por apresentar um velame de cor ocre. Em 1986 sofreu uma restauração aprofundada e, dez anos mais tarde, este bonito navio foi adquirido pelo American Heritage Marine Institute (hoje Fundação Marítima das Crianças), que lhe atribuíu Long Beach, na Califórnia, como porto de abrigo. O «American Pride» é, actualmente, utilizado para formar jovens na arte da navegação à vela e na realização de viagens de estudos científicos relacionados com as seguintes disciplinas : oceanografia, biologia marinha e ciências do ambiente. Eventualmente o veleiro também recebe turistas e participa em regatas. A sua tripulação permanente conta com 6 marinheiros.

«INFANTE DOM HENRIQUE»


Paquete português que pertenceu à frota da Companhia Colonial de Navegação e, posteriormente, à da C.T.M.. Foi construído nos estaleiros belgas de John Cockerill (Hoboken/Antuérpia) em 1961. Era um gracioso, estável e luxuoso navio com 195,50 m de comprimento por 24,50 m de boca, capaz de deslocar 24 000 toneladas. A sua propulsão era assegurada por duas poderosas máquinas que lhe imprimiam uma velocidade máxima de 21 nós. A tripulação completa do «Infante Dom Henrique» era composta por 318 pessoas e o navio podia receber a bordo 1 018 passageiros distribuídos por três classes : 1ª, turística e turística B. O paquete dispunha de 4 salões com bar, 2 restaurantes, 1 hospital, 2 capelas, biblioteca e sala de leitura, salão de cabeleireiro, etc. A sua decoração, que fora confiada ao arquitecto José Manuel Barreto, era sumptuosa. O «Infante Dom Henrique» foi inaugurado a 4 de Outubro de 1961 numa viagem às colónias portuguesas de África. Serviu sobretudo nessa linha (Lisboa-Luanda-Lobito-Lourenço Marques-Beira-Lisboa) e em cruzeiros até 1976. Já inactivo, o «Infante» foi comprado (em 1977) pelo Gabinete da Área de Sines, para alojar os trabalhadores das muitas obras em realização no complexo industrial desse porto alentejano. Em 1986 o navio foi adquirido pelo conhecido armador grego Potamianos, que lhe mudou o nome para «Vasco da Gama» e o utilizou como unidade de cruzeiros em diferentes mares do globo. O navio deu, nessa altura e nessa função, várias voltas ao mundo. Em 1994 passou para a posse da Premier Cruises, uma sociedade turística norte-americana que lhe deu o seu derradeiro nome : «Seawind Crown». Depois de várias peripécias ligadas à falência do seu último proprietário, o velho navio esteve arrestado, uns tempos, no porto de Barcelona. Até que, no ano de 2004, foi parar à China, país onde foi desmantelado.