Desconhece-se se foi este o seu nome oficial, mas foi o estranho designativo que este navio negreiro português do século XVIII deixou na História. Das suas características físicas também nada se sabe, a não ser que era um veleiro de porte médio. A sua fama adveio-lhe de factos ligados ao seu naufrágio -que ocorreu (depois de dobrado o cabo da Boa Esperança) em frente de Capetown, no dia 27 de Dezembro de 1794. O «São José Paquete de África», que zarpara de Lisboa a 27 de Abril desse mesmo ano, sob o mando do capitão Manuel João Pereira, dirigiu-se a Moçambique para proceder ao embarque de 400/500 escravos, destinados a serem vendidos no Maranhão, Brasil. 212 deles morreram afogados aquando do já referido soçobro do navio. Uma catástrofe que só não teve as repercussões esperadas, porque os cativos ainda não beneficiavam -nesse tempo- do estatuto de seres humanos; mas eram vergonhosamente considerados, isso sim, mera mercadoria. Os restos deste naufrágio foram descobertos por caçadores de tesouros, que os confundiram com os destroços de um navio holandês afundado naquelas paragens. Só em 2008-2009, uma equipa de mergulhadores da S.W.P. (Slave Wrecks Project) fez a sua identificação correcta, já que devidamente comprovada por documentação fidedigna, encontrada nos arquivos de Lisboa. Nota final : a imagem que ilustra este texto não é a do veleiro em apreço, mas a de um brigue daquela época, utilizado no infame contrabando de seres humanos.
sábado, 22 de outubro de 2016
«SÃO JOSÉ PAQUETE DE ÁFRICA»
Desconhece-se se foi este o seu nome oficial, mas foi o estranho designativo que este navio negreiro português do século XVIII deixou na História. Das suas características físicas também nada se sabe, a não ser que era um veleiro de porte médio. A sua fama adveio-lhe de factos ligados ao seu naufrágio -que ocorreu (depois de dobrado o cabo da Boa Esperança) em frente de Capetown, no dia 27 de Dezembro de 1794. O «São José Paquete de África», que zarpara de Lisboa a 27 de Abril desse mesmo ano, sob o mando do capitão Manuel João Pereira, dirigiu-se a Moçambique para proceder ao embarque de 400/500 escravos, destinados a serem vendidos no Maranhão, Brasil. 212 deles morreram afogados aquando do já referido soçobro do navio. Uma catástrofe que só não teve as repercussões esperadas, porque os cativos ainda não beneficiavam -nesse tempo- do estatuto de seres humanos; mas eram vergonhosamente considerados, isso sim, mera mercadoria. Os restos deste naufrágio foram descobertos por caçadores de tesouros, que os confundiram com os destroços de um navio holandês afundado naquelas paragens. Só em 2008-2009, uma equipa de mergulhadores da S.W.P. (Slave Wrecks Project) fez a sua identificação correcta, já que devidamente comprovada por documentação fidedigna, encontrada nos arquivos de Lisboa. Nota final : a imagem que ilustra este texto não é a do veleiro em apreço, mas a de um brigue daquela época, utilizado no infame contrabando de seres humanos.
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
«SÁNCHEZ BARCÁIZTEGUI»
Contratorpedeiro da armada espanhola, que fez parte da 1ª série da classe 'Charruca'. Recebeu o nome de um notável marinheiro galego do século XIX, caído em combate durante a 3ª Guerra Carlista. Este navio foi construído pela SECN - Cartagena e colocado no serviço activo em 1928. Deslocava 1 800 toneladas em plena carga e media 101 metros de comprimento por 9,60 metros de boca. Do seu armamento principal constaram 4 canhões de 120 mm, 1 peça antiaérea de 76 mm, 6 tubos lança-torpedos de 533 mm e 2 calhas para arremesso de cargas de profundidade. A sua propulsão era assegurada por um sistema (com uma potência de 42 000 cv) que compreendia 2 turbinas, 4 caldeiras e 2 hélices e que lhe proporcionava uma velocidade da ordem dos 30 nós e uma autonomia de 4 500 milhas náuticas, com andamento reduzido a 14 nós. A sua tripulação normal era de 160 homens, incluindo oficiais. Uma das mais sombrias páginas da sua história foi ter servido (no porto de Barcelona) de navio-prisão, onde estiveram detidos Miguel Azaña -acusado de ser o instigador da Revolução das Astúrias- e alguns dos seus seguidores. Em Julho de 1936, este navio estava ancorado no porto de Cartagena, quando, no dia 17, o seu comandante (um capitão de fragata) recebeu ordens do ministro da marinha para se dirigir a Melilla, território espanhol do norte de África. Onde o comandante do «Sánchez Barcáiztegui» e parte do quadro de oficiais decidiram aderir à sublevação franquista. Mas, fiel à República, a marinhagem prendeu os seus superiores e forçou a saída do porto para se dirigir a Málaga. Ao serviço do governo legítimo de Espanha, este navio foi -durante a Guerra Civil- um dos mais activos na luta contra os franquistas, participando em operações no Mediterrâneo, principalmente na zona do estreito de Gibraltar. A 5 de Março de 1939, já no final do conflito vencido pelos fascistas, o «Sánchez Barcáiztegui» foi gravemente atingido pelas bombas de 5 trimotores Savoia- Marchetti SM.79; aviões mussolinianos colocados ao serviço dos interesses de Franco. Com o fim da guerra, o navio em apreço foi integrado na frota dos chamados nacionalistas. Ainda a registar no historial deste navio, esteve um dramático incidente ocorrido na ria do Ferrol -a 28 de Fevereiro de 1947- durante o qual este 'destroyer' causou o afundamento acidental de uma lancha de transporte de passageiros e matou 13 pessoas : 12 mulheres e 1 homem. Refira-se, a título de pura curiosidade, que o barco abalroado se chamava «Generalissimo Franco»...
«HAWAIIAN PATRIOT»
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
«SUDARSHINI»
Construído -em 2 011- num estaleiro da cidade de Vasco da Gama (Goa Shipyard Limited), com desenho do arquitecto naval inglês Colin Mudie, este magnífico veleiro é um dos navios-escola da marinha indiana. Com casco de aço, arvora 3 mastros aparelhados em barca. Desloca 513 toneladas e mede 54 metros de comprimento por 8,53 metros de boca por 4,50 metros de calado. O mais altaneiro dos seus mastros eleva-se 34,50 metros acima da linha de água. A sua superfície vélica é de 1 035 m2. Está equipado com 2 máquinas auxiliares (diesel) desenvolvendo uma potência global de 640 hp. Este belíssimo navio pode embarcar uma equipagem de 5 oficiais, 31 sargentos e praças, para além de 30 cadetes. O «Sudarshini», que foi incorporado na armada da União Indiana a 27 de Janeiro de 2 012, realizou a sua viagem inaugural nesse mesmo ano, fazendo um cruzeiro de 12 000 milhas náuticas; que o levou a 13 portos de 9 países do sudeste asiático, percorrendo antigas rotas comerciais dos marinheiros locais. O navio regressou à Índia, ao porto de Cochim, a 25 de Março de 2 013, sendo recebido festivamente. Tal como muitos dos seus congéneres, o «Sudarshini» desempenha, a cada visita que faz no exterior, o papel de embaixador da sua armada e do seu país.
«ANDRÓMEDA»
«JOHN ENA»
Veleiro com casco de aço construído nos estaleiros R. Duncan & Cº, de Port Glasgow; que o lançaram à água em Julho de 1892. O seu primeiro armador foi a companhia San Francisco Shipping, sedeada nas ilhas Havai, em Honolulu; que o utilizou, essencialmente no oceano Pacífico -como transporte de carga diversa- até 1907. Mas esta barca também navegou no Atlântico (onde, em 1902, perdeu 2 homens da sua equipagem, na sequência de terrível tempestade) e no Índico. Desde o referido ano de 1907, passou pelas mãos de seis outros proprietários, todos eles armadores californianos com base na chamada Cidade da Porta Dourada : A.O. Lorentzen, Rolph Navigation & Coal, Standard Oil, Robert Dollar, J. Boots e A.F. Mahony. O «John Ena» apresentava-se como um navio de 2 842 toneladas de arqueação bruta e medindo 95,31 metros de comprimento por 14,65 metros de boca. O seu calado era de 7,62 metros. Estava equipado com 4 mastros e respectivo velame, que dispunha de superfície impressionante. Em 1926, já em fim de vida, perdeu os mastros durante uma operação de reboque e, entre 1934 e 1937, procedeu-se ao seu desmantelamento num estaleiro de San Pedro (Califórnia). A fama do «John Ena» adveio-lhe, muito simplesmente, do facto de... não tido história. Para além de ter sido, no entanto, um dos maiores, mais elegantes e mais longevos navios da sua época. Navios de um tempo em que o vento ainda era o principal meio usado para se ir de mar em oceano, com o intuito de atingir as terras mais recônditas do planeta Terra.terça-feira, 11 de outubro de 2016
«ATHENA»
Luxuoso iate construído em 2004 nos estaleiros da empresa Royal Huisman (Vollenhove, Países Baixos) por encomenda do milionário James H. Clark, um homem que fez fortuna no mundo da Internet. É uma embarcação soberba, em cujo bojo funcionam um teatro e uma importante biblioteca, para além de camarotes (e demais 'utilidades') de grande aparato. A sua beleza (tanto exterior como interna) valeram-lhe um 'award' atribuído pelo Show Boats International, que o designou, em 2004, melhor iate na categoria de veleiro com mais de 40 metros. O «Athena» -que, actualmente, está registado em Georgetown e usa pavilhão das ilhas Caiman- desloca 1 126 toneladas e mede 90 metros de longitude por 12,20 metros de boca. O seu calado é de 5,77 metros. Apresenta-se como um veleiro de 3 mastros, desfraldando velame áurico. O seu proprietário chegou a alugar o «Athena» (até 2007) a seus colegas milionários pela 'modesta' quantia de 1/2 milhão de dólares semanais. Mas parece que já não é o caso, reservando agora este magnífico veleiro para seu exclusivo uso. Não nos foi possível obter informação mais detalhada, nomeadamente sobre coisas como a motorização auxiliar e sistemas de ajuda à navegação. Que supomos ser (como é lógico) da mais alta tecnologia.
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