
As referências sobre esta nau portuguesa de inícios do século XVI são quase inexistentes. De modo que pouca coisa, sobre as suas características físicas (e outras, como, por exemplo, onde e quando foi construída), se pode adiantar. Presume-se, todavia, que não se terá distinguido das muitas outras naus realizadas nas tercenas portuguesas desse tempo e destinadas à carreira da Índia : um navio robusto, de casco bojudo, apto a transportar um importante número de marinheiros e homens de armas, para além, naturalmente, de ser capaz de embarcar carregamentos importantes de pimenta e de outras especiarias na viagem de retorno à Europa. Sabe-se, no entanto, que, em Janeiro de 1504, a nau «Faial», então colocada sob as ordens do prestigiado capitão Nicolau Coelho, naufragou (vinda da Índia e aquando de uma viagem de regresso a Portugal) nos baixios de São Lázaro, que, actualmente, se integram no arquipélago das Quirimbas, Moçambique. No soçobro do navio (que pertencia a uma frota superiormente comandada por Francisco de Albuquerque), pereceram parte da sua guarnição e parte dos seus passageiros. Entre as vítimas mortais, encontrava-se o próprio Nicolau Coelho; um insigne capitão que já comandara a caravela «Bérrio», na primeira expedição de Vasco da Gama ao Oriente, e que fora ao Brasil integrado na frota cabralina que divulgou o achamento das terras de Vera Cruz. Curiosidades : a nau que ilustra este texto nada tem a ver com o navio aqui em apreço; a não ser o facto de também se tratar de um navio quinhentista, similar à nau «Faial». Nicolau Coelho nasceu em Felgueiras por volta de 1460 e deveria ter uns 44/45 anos de idade, quando perdeu a vida ao serviço do Reino de Portugal e de D. Manuel I.
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