Este submarino de concepção alemã pertenceu à moderna e aerodinâmica classe XXI, utilizada pela armada hitleriana em finais do segundo conflito generalizado. Foi construído nos estaleiros navais da firma Blohn und Voss, de Hamburgo, que o lançaram à água no dia 4 de Outubro de 1944. Este submarino foi colocado no serviço operacional da 31ª Flotilha -baseada em Bergen, na Noruega ocupada- no dia 1º de Abril de 1945 e devido à vitória dos Aliados (um mês mais tarde) nunca participou em operações de guerra. No dia 8 de Maio desse mesmo ano, a tripulação do então designado «U-2518» entregou-se, em Horten, com o seu navio aos Britânicos. Transferido para Londonderry, o navio ali permaneceu até Fevereiro do ano seguinte, sendo depois cedido à marinha de guerra francesa; onde lhe foi atribuído o número de amura S-613. As transformações a que foi sujeito tiveram lugar no arsenal de Cherburgo e terminaram em Janeiro de 1948. A sua primeira missão (na realidade, um teste para avaliar as suas reais capacidades) consistiu num cruzeiro entre Toulon (porto de guerra do Mediterrâneo) e Casabianca (Córsega), que o antigo submarino germânico efectuou integralmente em imersão graças à utilização do 'schnorchel'. Em 1951, o estado-maior da armada gaulesa deu-lhe o nome de «Roland Morillot», que já fora o atribuído a um congénere capturado e destruído pelos alemães (aquando da ocupação de França) em fase avançada da sua construção. O S-613 serviu na 'Marine Nationale' até Outubro de 1967, sendo posteriormente vendido a uma empresa de La Spezia (Itália), que ali procedeu ao seu desmantelamento. Entretanto, o «Roland Morillot» havia participado na Operação Mosqueteiro, realizada conjuntamente (em 1956) com navios da Marinha Real Britânica durante a chamada Crise de Suez. O S-613, que dispunha de uma guarnição de 57 homens, apresentava as seguintes características técnicas e militares : 1 621 toneladas de deslocamento (à superfície) ; 76,70 metros de longitude por 6,32 metros de boca; 17,5 nós de velocidade máxima (em configuração de mergulho); 280 metros de profundidade limite autorizados; 15 500 milhas náuticas de raio de acção (à superfície e com andamento limitado a 10 nós). 6 tubos lança-torpedos de 533 mm municiados com 24 engenhos; 2 torretas com 4 canhões AA de 20 mm; 12 minas. Submersível inovador, esta unidade da classe XXI distinguia-se por ser formada por 8 secções de casco pré-fabricadas e inteiramente soldadas entre si. A França tirou o máximo proveito da sua utilização e inspirou-se no S-613 para criar os submarinos da classe 'Requin'.
sábado, 31 de dezembro de 2016
«ROLAND MORILLOT»
Este submarino de concepção alemã pertenceu à moderna e aerodinâmica classe XXI, utilizada pela armada hitleriana em finais do segundo conflito generalizado. Foi construído nos estaleiros navais da firma Blohn und Voss, de Hamburgo, que o lançaram à água no dia 4 de Outubro de 1944. Este submarino foi colocado no serviço operacional da 31ª Flotilha -baseada em Bergen, na Noruega ocupada- no dia 1º de Abril de 1945 e devido à vitória dos Aliados (um mês mais tarde) nunca participou em operações de guerra. No dia 8 de Maio desse mesmo ano, a tripulação do então designado «U-2518» entregou-se, em Horten, com o seu navio aos Britânicos. Transferido para Londonderry, o navio ali permaneceu até Fevereiro do ano seguinte, sendo depois cedido à marinha de guerra francesa; onde lhe foi atribuído o número de amura S-613. As transformações a que foi sujeito tiveram lugar no arsenal de Cherburgo e terminaram em Janeiro de 1948. A sua primeira missão (na realidade, um teste para avaliar as suas reais capacidades) consistiu num cruzeiro entre Toulon (porto de guerra do Mediterrâneo) e Casabianca (Córsega), que o antigo submarino germânico efectuou integralmente em imersão graças à utilização do 'schnorchel'. Em 1951, o estado-maior da armada gaulesa deu-lhe o nome de «Roland Morillot», que já fora o atribuído a um congénere capturado e destruído pelos alemães (aquando da ocupação de França) em fase avançada da sua construção. O S-613 serviu na 'Marine Nationale' até Outubro de 1967, sendo posteriormente vendido a uma empresa de La Spezia (Itália), que ali procedeu ao seu desmantelamento. Entretanto, o «Roland Morillot» havia participado na Operação Mosqueteiro, realizada conjuntamente (em 1956) com navios da Marinha Real Britânica durante a chamada Crise de Suez. O S-613, que dispunha de uma guarnição de 57 homens, apresentava as seguintes características técnicas e militares : 1 621 toneladas de deslocamento (à superfície) ; 76,70 metros de longitude por 6,32 metros de boca; 17,5 nós de velocidade máxima (em configuração de mergulho); 280 metros de profundidade limite autorizados; 15 500 milhas náuticas de raio de acção (à superfície e com andamento limitado a 10 nós). 6 tubos lança-torpedos de 533 mm municiados com 24 engenhos; 2 torretas com 4 canhões AA de 20 mm; 12 minas. Submersível inovador, esta unidade da classe XXI distinguia-se por ser formada por 8 secções de casco pré-fabricadas e inteiramente soldadas entre si. A França tirou o máximo proveito da sua utilização e inspirou-se no S-613 para criar os submarinos da classe 'Requin'.
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
KVALSUND (NAVIO DE)
Este navio Viking foi descoberto, em 1920, numa zona pantanosa situada junto da aldeia de Kvalsund, na ilha norueguesa de Nerlandsoya. Segundo os peritos que o estudaram, a sua construção remontaria ao século VII. Peritos que também pensam que navegava exclusivamente à força de remos. Igualmente chamado 'navio de Kvalsund 2', para o distinguir de uma outra embarcação achada ao mesmo tempo e no mesmo lugar, o seu casco (18 metros de comprimento por 3,20 metros de boca por 0,78 metro de calado) foi realizado em madeiras de carvalho e de pinho Era impulsionado por 10 pares de remos (presumindo-se que a sua equipagem fosse constituída por 21 homens) e dispunha, à popa e do lado estibordo, de um remo de esparrela para o direccionar. A carcaça do chamado navio de Kvalsund foi removida (sob a orientação técnica do arqueólogo norueguês Haakon Shettelig) do seu original jazigo, depois de todas as suas peças terem sido fotografadas e previamente tratadas com óleo de linhaça. E, depois dessa preparação necessária, foi transportada para o Museu de Bergen, onde permanece exposta à admiração do público. Uma réplica conforme ao original e executada à escala 1/1 (cuja fotografia aqui se apresenta) foi realizada em 1973. Pode ser admirada no Sunnmore Museum de Alesund, onde foi colocada.
«MAURETANEA» (II)

O «Mauretanea» (segundo do nome) foi um paquete britânico (do armador Cunard-White Star), que navegou entre 1939 e 1965. Construído pelos estaleiros ingleses da firma Cammell Laird, de Birkenhead, era um navio com 35 738 toneladas de arqueação bruta, medindo 235 metros de comprimento por 27 metros de boca. O seu sistema propulsivo desenvolvia uma potência de 42 000 shp, força que lhe imprimia uma velocidade máxima de 23 nós. Este «Mauretanea» tinha, inicialmente, capacidade para receber 1 300 passageiros. A sua tripulação compreendia 802 membros. Fez a sua viagem inaugural (com partida a 17 de Janeiro de 1939) entre Liverpool e Nova Iorque. E, no início do ano seguinte, foi colocado na linha Londres-Nova Iorque. Por muito pouco tempo, já que, por causa do conflito mundial, o navio foi requisitado pela 'Navy', que o converteu em transporte de tropas. Nessa condição e durante a guerra em questão, o «Mauretania» (II) percorreu 540 000 milhas náuticas e transportou 340 000 militares. Regressou, em 1947, ao seio da Cunard, que o readaptou ao transporte de civis e o colocou na sua linha de Southampton-Nova Iorque. Em 1962, viu os seus interiores serem modificados e o seu casco pintado de verde, pois passou a servir, essencialmente, a indústria do cruzeiros; passando o Mediterrâneo e o mar das Caraíbas a constituir as suas principais áreas de acção. A vida activa do «Mauretania» (II) terminou em 1965, ano em que foi mandado desmantelar num estaleiro especializado da Escócia.
«D. AUGUSTO»

O vapor de rodas «D. Augusto» operou -desde os derradeiros anos do século XIX até inícios de 1941- na linha Lisboa-Barreiro-Lisboa mantida pelos Caminhos-de-Ferro do Sul e Sueste e, posteriormente, pela C.P.. Depois de pacientes buscas, confesso que não fui capaz de recolher informação substantiva e fidedigna sobre as suas características físicas e outras : tonelagem, dimensões, motorização, capacidade, etc. Em 1910, depois do triunfo da revolução republicana, o seu nome passou a ser «Algarve», pelo facto do precedente ter conotações monárquicas. Após mais de quatro décadas de serviço, este navio foi atirado contra o molhe da estação do Barreiro-Mar no dia 15 de Fevereiro de 1941, em consequência do devastador ciclone que assolou o território português e que causou estragos mais visíveis na orla marítima. O ex-«D. Augusto» sofreu tais danos, que foi julgado irrecuperável; sendo, por essa razão, enviado para a sucata. A gravura anexada -da autoria do mestre barreirense Manuel Cabanas, que, por sua vez, se inspirou num desenho de Américo Marinho- é uma das raras imagens conhecidas (senão a única) do navio em apreço.
sábado, 12 de novembro de 2016
«ATLANTE»
Este navio foi lançado à água, em 1894, pelos estaleiros da companhia Wigham Richardson, de Newcastle (GB), com o primitivo nome de «New Londoner»; e navegou sob pavilhão britânico até 1910. Nesse ano, passou a hastear bandeira espanhola, depois de ter sido adquirido pela Sociedad Navigación y Industria, que o rebaptizou com o nome de «Atlante» e o registou em Barcelona. Navio misto (passageiros e carga), mudou novamente de mãos em 1918, ao ser vendido à Compañia Transmediterranea, da qual foi propriedade até 1940. Foi nesse ano que, por se encontrar obsoleto, que este navio foi vendido como sucata e desmantelado num estaleiro de Puerto Mahón, na ilha balear de Minorca. Navio de 2 cobertas, deslocava (em plena carga) 2 707 toneladas e media 89,10 metros de longitude por 10,24 metros de boca. O seu calado não excedia 4,10 metros. A sua propulsão era assegurada por 1 máquina a vapor de tripla expansão com uma potência de 390 nhp. A sua velocidade de cruzeiro era da ordem dos 14 nós. Estava preparado para receber 110 passageiros. Depois de ter navegado (por conta dos seus proprietários ingleses) em águas dos mares da Mancha e do Norte, passou a operar (ao serviço dos seus patrões espanhóis) para as Canárias (na linha Barcelona-Cádiz-Santa Cruz de Tenerife) e, posteriormente, da chamada Cidade Condal para as Baleares e portos do norte de África. A sua fama advém-lhe, no entanto, do facto de, em 1936 -durante a Guerra Civil de Espanha- ter sido arrestado por forças republicanas em Puerto Mahón e de, ali, ter sido transformado em navio-prisão; onde muitos detidos sofreram dos maus-tratos dos seus carcereiros, antes de 75 deles (entre os quais se encontravam padres) serem fuzilados, na sequência de um bombardeamento aéreo franquista, que fez vítimas na cidade. Enfim, os horrores da guerra...
«CARINTHIA»
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
«AUDACIEUSE»
Fragata francesa de propulsão mista(vela/vapor), lançada à água a 26 de Abril de 1856 pelo arsenal de Brest. O seu desenho (como o dos demais navios da classe 'Impératrice Eugénie', à qual pertenceu) foi trabalho do afamado engenheiro naval Henri Dupuy de Lôme. Esta fragata da armada de Napoleão III deslocava 3 765 toneladas e media 73,80 metros de comprimento por 14,78 metros de boca por 6,90 metros de calado. Dispunha de 3 mastros e respectivo aparelho e de 1 máquina (com veio acoplado a 1 hélice) com 2 150 ihp de potência; força que lhe permitia alcançar uma velocidade de cruzeiro de 12 nós. A «Audacieuse» estava armada com uma vintena de peças de artilharia de distintos calibres, de entre as quais se destacavam 2 canhões de 160 mm. Tal como as suas três congéneres da acima referida classe («Impératrice Eugénie», «Souveraine» e «Foudre»), a «Audacieuse» foi subaproveitada, resumindo-se a sua vida operacional a pouco mais do que uma viagem ao Oriente, onde conduziu o barão Gros, nomeado embaixador extraordinário de França na corte imperial da China; cruzeiro que durou cerca de dois anos. Depois do seu regresso à Europa, entrou no arsenal de Cherburgo para sofrer trabalhos de modernização, que se prolongaram até Novembro de 1862; e, dois anos mais tarde foi, surpreendentemente, desarmada a título definitivo. Foi desmantelada no porto militar de Cherburgo em 1872, logo depois da derrota de Napoleão III, na chamada guerra Franco-Prussiana.
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