Curiosa história (mas não única) a deste navio que, no curto espaço de duas décadas hasteou os pavilhões dos Estados Unidos da América, da União Soviética e do Japão. Construído em 1943 pelos estaleiros Kaiser Cargo Inc., de Richmond (Califórnia), que o lançaram à água no dia 14 de Setembro desse ano, o «Albuquerque» (PF-7) era uma fragata da classe 'Tacoma'; que actuou, durante a Segunda Guerra Mundial, essencialmente em águas do Alasca. Onde participou na defesa desse território e na protecção de comboios de navios cruzando águas das Aleutas e do mar de Bering. Em meados do ano de 1945, no quadro do Projecto Hula, o navio foi transferido para a U.R.S.S., nação que, após a derrota infligida aos nazis, se preparava para entrar na guerra contra o império japonês. Sob a bandeira vermelha da primeira nação comunista, esta fragata utilizou o designativo de «EK-14» e operou como patrulheiro nas águas do Extremo Oriente soviético. Findo o conflito generalizado, o navio foi alvo de negociações para que se efectuasse a sua devolução aos 'states', o que foi feito oficialmente em data do 15 de Novembro de 1949. A tempo do «Albuquerque» participar na guerra da Coreia, que se desenrolou entre 1950 e 1953. Durante este último ano, o navio foi emprestado ao Japão -novo aliado dos E.U.A. naquela região do globo- onde tomou o nome (provisório) de «Tochi» e o número de amura PF-16. Mas, em 1962, já estava, de novo, de volta à armada dos E.U.A., onde, uma vez mais, recuperou o nome que originalmente ostentou em homenagem a uma importante cidade do Novo México. Mas, entretanto, a fragata envelhecera e, três anos mais tarde, acabou por ser desactivada e colocada na lista de navios a eliminar. O que terá acontecido, muito provavelmente, em 1971. Características gerais do «Albuquerque» aquando da sua primeira inclusão na armada dos Estados Unidos : 2 454 toneladas de deslocamento (plena carga); 92,63 metros de comprimento; 11,56 metros de boca; 4,70 metros de calado. Sistema propulsivo : 2 máquinas verticais de tripla expansão, potenciando (cada uma delas) 5 500 shp; 2 hélices; 20 nós de velocidade máxima. Armamento principal : 3 canhões de grosso calibre (3''/50), 4 de 40 mm, 9 de 20 mm, várias calhas de arremesso de cargas de profundidade. Curiosidade : 28 fragatas da classe 'Tacoma' foram emprestadas pelos Estados Unidos, em 1945, à marinha de guerra da União soviética.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
«ALBUQUERQUE»
Curiosa história (mas não única) a deste navio que, no curto espaço de duas décadas hasteou os pavilhões dos Estados Unidos da América, da União Soviética e do Japão. Construído em 1943 pelos estaleiros Kaiser Cargo Inc., de Richmond (Califórnia), que o lançaram à água no dia 14 de Setembro desse ano, o «Albuquerque» (PF-7) era uma fragata da classe 'Tacoma'; que actuou, durante a Segunda Guerra Mundial, essencialmente em águas do Alasca. Onde participou na defesa desse território e na protecção de comboios de navios cruzando águas das Aleutas e do mar de Bering. Em meados do ano de 1945, no quadro do Projecto Hula, o navio foi transferido para a U.R.S.S., nação que, após a derrota infligida aos nazis, se preparava para entrar na guerra contra o império japonês. Sob a bandeira vermelha da primeira nação comunista, esta fragata utilizou o designativo de «EK-14» e operou como patrulheiro nas águas do Extremo Oriente soviético. Findo o conflito generalizado, o navio foi alvo de negociações para que se efectuasse a sua devolução aos 'states', o que foi feito oficialmente em data do 15 de Novembro de 1949. A tempo do «Albuquerque» participar na guerra da Coreia, que se desenrolou entre 1950 e 1953. Durante este último ano, o navio foi emprestado ao Japão -novo aliado dos E.U.A. naquela região do globo- onde tomou o nome (provisório) de «Tochi» e o número de amura PF-16. Mas, em 1962, já estava, de novo, de volta à armada dos E.U.A., onde, uma vez mais, recuperou o nome que originalmente ostentou em homenagem a uma importante cidade do Novo México. Mas, entretanto, a fragata envelhecera e, três anos mais tarde, acabou por ser desactivada e colocada na lista de navios a eliminar. O que terá acontecido, muito provavelmente, em 1971. Características gerais do «Albuquerque» aquando da sua primeira inclusão na armada dos Estados Unidos : 2 454 toneladas de deslocamento (plena carga); 92,63 metros de comprimento; 11,56 metros de boca; 4,70 metros de calado. Sistema propulsivo : 2 máquinas verticais de tripla expansão, potenciando (cada uma delas) 5 500 shp; 2 hélices; 20 nós de velocidade máxima. Armamento principal : 3 canhões de grosso calibre (3''/50), 4 de 40 mm, 9 de 20 mm, várias calhas de arremesso de cargas de profundidade. Curiosidade : 28 fragatas da classe 'Tacoma' foram emprestadas pelos Estados Unidos, em 1945, à marinha de guerra da União soviética.
«BAIKAL»
Num tempo em que o traçado do caminho-de-ferro Transsiberiano ainda não contornava o lago Baikal, este era cruzado por 'ferries' que transportavam comboios entre as duas margens deste autêntico mar interior, que mede, 'grosso modo' 650 km de comprimento por 100 km de largura. Um desses navios tomou o nome do lago em referência e foi construído, na Grã-Bretanha, pelos estaleiros Armstrong, Whitworth & Cº, de Elswick. Depois foi desmontado, transportado para a aldeia de Listvenichye, nos confins da Rússia, onde se procedeu à sua reconstrução definitiva. O «Baikal» entrou em serviço no ano de 1900. Esta curiosa embarcação -que tinha capacidades quebra-gelo- podia deslocar até 4 267 toneladas em plena carga. Media 88,40 metros de longitude por 17,40 metros de largura e o seu calado era de 5,80 metros. O 'ferry' «Baikal» estava equipado com 3 máquinas a vapor de tripla expansão, desenvolvendo uma potência global de 3 750 h.p., e com 2 hélices. A sua velocidade máxima era de 12 nós. Podia transportar -para além da sua tripulação e de 300 passageiros- duas dezenas de carruagens e respectivas locomotivas. Aquando da guerra, que precedeu a conquista e consolidação do poder pelos soviéticos, este navio foi armado com canhões e com metralhadoras. Durante esse conflito, o navio em apreço chegou a ser atacado (e seriamente danificado) por tropas checas, aliadas aos Russos Brancos. Reemergido na sequência do afundamento que resultou desse ataque, o «Baikal» acabou por ser desmantelado em finais dos anos 20 do passado século. Diz-se que parte do seu equipamento (como as hélices e as máquinas, por exemplo) permanecem, no entanto e ainda, no fundo do lago que lhe deu o nome, num sítio próximo da foz do rio Angara.
«EL-REI»
Navio português de finais do século XV. Integrada na segunda armada enviada por D. Manuel I ao Oriente, sob a superior chefia de Pedro Álvares Cabral, esta nau -de 360 tonéis- foi designada sota-capitânea da frota e colocada sob as ordens de Sancho de Tovar. Foi um dos doze navios (naus e caravelas), dos treze que partiram de Lisboa, que -a 22 de Abril de 1500- avistou as costas da América do sul e revelou ao mundo o achamento do Brasil; que os navegadores portugueses baptizariam, num primeiro tempo, terras de Vera Cruz. Depois de se ter fornecido de água e mantimentos frescos, este navio zarpou do Brasil com o resto da frota, logrou dobrar o cabo da Boa Esperança (quando alguns ficaram pelo caminho, como o capitaneado por Bartolomeu Dias) e pôde alcançar Calecut, o seu porto de destino. Depois de ali ter carregado especiarias e outros produtos locais, esta nau fez-se à vela para Portugal, aonde, infelizmente, nunca chegaria. Porque se perdeu -por encalhe- num baixio junto de Quíloa (na actual Tanzânia). A tripulação pôde, contudo, salvar-se e resgatar parte da preciosa mercadoria transportada. Esta nau foi um dos raros navios da frota cabralina de 1500, cujo nome foi preservado. Não se lhe conhece o essencial das características físicas, mas presume-se que estas não seriam muito diferentes das dos outros navios de longo curso do seu tempo. Nota : a imagem que ilustra este texto não é a da nau «El-Rei», mas a de um navio português da sua época.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
«PERICLES»
'Clipper' de bandeira britânica com casco de aço e com 3 mastros aparelhados em galera. Foi construído em 1877 nos estaleiros de Walter Hood & Sons de Aberdeen, para uso da companhia marítima Aberdeen White Star Lines, sedeada na mesma cidade escocesa. O «Pericles» apresentava-se com uma arqueação bruta de 1 598 toneladas e com as seguintes dimensões : 79 metros de comprimento; 12 metros de boca; 7 metros de calado. Navio rapidíssimo, fez um brilharete aquando da sua viagem inaugural, ao ligar Londres a Sydney, na Autrália, em apenas 71 dias de navegação. Este veleiro especializou-se nas viagens para os antípodas, partindo da capital do império e fazendo uma escala em Plymouth. Levava, geralmente, emigrantes e produtos manufacturados na Inglaterra e trazia da Austrália lã e outras mercadorias locais. A sua mais memorável viagem realizou-a o «Pericles», no entanto, entre a Índia e as ilhas Fiji no ano de 1884. O veleiro embarcou no porto de partida 461 trabalhadores braçais indostânicos, que, durante a travessia foram alvo de um surto de cólera. 35 adoeceram gravemente e 20 deles morreram antes de chegarem ao seu destino. Este incidente obrigou o navio a escalar Sydney com a bandeira amarela içada e a permanecer vários dias em quarentena. Em 1904, o «Pericles» mudou de nacionalidade, já que foi vendido a um armador norueguês de Kristiansand; que, todavia, lhe conservou o nome original. Atenção que não teve um dos seus derradeiros proprietários, também ele escandinavo, que, em 1916, lhe deu novo denominativo, a saber : «Sjursjo». Em fim de carreira, este belíssimo 'clipper' foi vendido a um sucateiro, que o levou para Kiel (Alemanha), onde o navio foi desmantelado no ano de 1923.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
«LYUBOV ORLOVA»
Este pequeno paquete -construído na antiga Jugoslávia para a frota comercial soviética do Extremo Oriente- deixou o seu nome associado a um dos grandes mistérios da História marítima moderna.Isso, ao desaparecer no Atlântico norte (sem deixar rasto) no início do ano de 2013. Realizado pelos estaleiros navais Titovo Brodogadimoste, de Kraljevica, o navio em apreço foi lançado ao mar em 1975 e iniciou a sua viagem inaugural a 19 de Julho do ano seguinte, sob as cores de uma armadora estatizada conhecida no Ocidente pelo nome de Far East Shipping Cº., sedeada em Vladivostok, na Sibéria. No seio da qual o «Lyubov Orlova» se manteve até 1992. Este navio, que tinha acomodações para 110 passageiros e uma tripulação constituída por uma centena de elementos, possuía uma proa em aço especial, que lhe permitia navegar com relativa segurança nos mares gelados de regiões como a Antárctida, onde foi várias vezes, em missões que misturavam a actividade científica ao turismo. Com uma arqueação bruta de 4 251 toneladas, este navio media uma centena de metros de comprimento por 16,20 metros de boca. O seu calado atingia os 4,60 metros. Em 1992, o «Lyubov Orlova» passou a ostentar as insígnias da Marine Expeditions, marca que conservou durante sete anos. Em 1999, foi registado em Avatiu e, desde então, passou a usar pavilhão das ilhas Cook, mas conservou o seu nome de origem e continuou a manter a sua especificidade de navio destinado ao chamado turismo de aventura. Para além das expidições aos mares autrais, também esteve nos mares setentrionais do Canadá, inclusivamente no Árctico. Em Setembro de 1910, o navio foi apresado em St. John's (na Terra Nova) por alegadas dívidas ao fisco do seu armador. Ali esteve até 2012, ano em que terá sido vendido ao sucateiro que deveria assegurar o seu desmantelamento. Mas durante as operações de reboque para o estaleiro, o «Lyobov Orlova» foi abandonado pela tripulação (em circunstâncias nunca esclarecidas) e deixado à deriva no Atlântico norte. Onde se chegou a recear que o navio desgovernado representasse um perigo para as plataformas de petróleo. O ex-paquete russo foi avistado, pela última vez, a 23 de Fevereiro, a cerca de 1 300 milhas náuticas das costas ocidentais da Irlanda. Depois disso, nunca mais houve notícias, presumindo-se que se tenha afundado. Curiosidade : ao «Lyubov Orlova» foi dado o nome de uma estrela do cinema soviético, que era a actriz preferida de milhões de russos, inclusivé do ditador Estáline.
«NGOLA KILUANGE»
Navio de bandeira angolana, cuja actividade principal -a inspecção das pescas na Zona Económica Exclusiva- é controlada pelo Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas. O casco e superestruturas deste navio foram construídas na Roménia, nos estaleiro da firma Damen Shipyards Galati e os acabamento foram executados (e dados como terminados em 2012) nos Países Baixos pela empresa-mãe. O «Ngola Kiluange» apresenta 903 toneladas de arqueação bruta e mede 62 metros de comprimento por 10 metros de boca. O calado é de 3,40 metros. O seu porto de abrigo é o de Luanda. O navio pode acolher uma equipagem de 45 membros. O seu sistema propulsivo é constituído por um engenho MTU (de fabrico alemão) com ima potência de 3 110 h.p.; força que permite ao «Ngola Kiluange» navegar à velocidade de cruzeiro de 17 nós. Este navio está equipado com moderna tecnologia, nomeadamente no domínio da navegação e da detecção de intrusos. E, para além das acomodações dos seus tripulantes, dispõe de sistema de extinção de incêndios. dispositivo de recolha de náufragos, enfermaria, ginásio, etc. O «Ngola Kiluange» também pode, a par das suas missões de fiscalização da pesca ilegal, cumprir tarefas ligadas à busca e salvamento em alto mar. O estado angolado encomendou, ao mesmo tempo que o navio em apreço, duas outras unidades : o navio «Nzinga Mbandi», que é gémeo do «Ngola Kiluange» e destinado a cumprir missões idênticas e o «Pensador», que é uma embarcação de menor porte vocacionada para a pesquisa científica em ambiente marinho. Curiosidade : o nome dado ao navio aqui apresentado é o de um rei do Ndongo, que, no século XVI, resistiu à colonisação lusa. E que foi decapitado na ainda embrionária cidade de São Paulo da Assunção de Loanda pelas autoridades portuguesas.
quarta-feira, 21 de maio de 2014
«SPARTAN»
Cruzador ligeiro da 'Royal Navy' especializado na luta antiaérea. Pertenceu à classe 'Dido' modificada, que deu origem à subclasse 'Bellona'. Construído nos estaleiros navais da firma Vickers-Armstrong, de Barrow-in-Furness, o «Spartan» foi lançado à água a 27 de Agosto de 1942 e entrou nos activos da armada britânica cerca de um ano mais tarde, em Agosto de 1943. Deslocava 6 050 toneladas em plena carga e media 148 metros de comprimento por 15,40 metros de boca. As suas máquinas desenvolviam uma potência de 62 000 shp, que o projectavam à velocidade máxima de 32,25 nós. Do seu armamento principal constavam 8 canhões de 133 mm, 24 peças antiaéreas de dois calibres distintos e 6 tubos lança-torpedos de 530 mm. A sua guarnição era constituída por 530 homens, oficiais incluídos. Esteve inicialmente destacado na 'Home Fleet', operando apartir da base de Scapa Flow. Depois, em finais de Outubro de 1943, foi transferido para o Mediterrâneo. Ali (já depois da queda de Mussolini) o «Spartan» deu apoio às tropas aliadas desembarcadas em Ânzio, procedendo ao canhoneio de objectivos terrestres. Foi durante essa campanha que -a 29 de Janeiro de 1944- este cruzador britânico foi alvo de um virulento ataque aéreo por parte da 'Luftwaffe'. O navio estava ancorado (na baía de Ânzio) e quando, a bordo, a sua equipagem se apercebeu da aproximação de 18 aenonaves inimigas já era tarde para esboçar uma defesa com base na movimentação do cruzador. Uma espessa núvem de fumaça ainda foi expelida pelas duas chaminés do navio, mas isso foi insuficiente para evitar o encaixe de uma sofisticada bomba radioguiada Hs 293, largada de um Dornier Do-217. O engenho inimigo furou o convés do navio e, ao rebentar, devastou-o irreparavelmente. O cruzador «Spartan» adernou para bombordo e afundou-se umas horas mais tarde. Em consequência do rebentamento da bomba e do soçobro do navio houve a lamentar a morte de 46 homens (5 oficiais e 41 praças) e 42 feridos.
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