sábado, 20 de outubro de 2012

«BRIGIDA AF DRAMMEN»



Belo veleiro norueguês (barca de 3 mastros) construído, em 1861, num estaleiro de St. Martins, pequena localidade da baía de Fundy, na província canadiana de New Brunswick. Usou, primitivamente, o simples nome de «Brigida». Era um navio com casco de madeira, de 471 toneladas, que media 40,75 metros de comprimento por 7,60 metros de boca. Sabe-se que se destinava ao transporte de carga geral, mas ignoram-se o nome do seu primeiro proprietário e o essencial do seu historial. Foi vendido para a Noruega, em data incerta, país onde teve quatro armadores : B. Holst, de Drammen, que o comprou aos canadianos e o trouxe para a Europa, Hans Scheel, também ele de Drammen, W. Klaveness, de Fredriksvaern e A F. Klaveness, de Sandfjord. Este último armador tê-lo-á conservado de 1875 até 1898, ano em que o «Brigida af Drammen» foi vendido para a sucata e desmantelado em Fredrikstad. Curiosidade : a tela que aqui apresentamos com a representação deste bonito (mas pouco conhecido) veleiro foi pintada em 1871 -a guache e aguarela- pelo artista Andreas Lind. Pertenceu à colecção de História Marítima Holm-Petersen, antes de passar para as mãos de um amador de arte alemão.

«DESERTAS»



Vapor mercante de bandeira portuguesa (na fase final da sua carreira), pertencente aos Transportes Marítimos do Estado. Foi construído na Alemanha (no estaleiro Flensburger Schiffsbau AG, de Flensburg) em 1895. Usou, sucessivamente, os nomes de «Thekla» (na Kingsin Linie, de Bremen), de «Wittenberg» (na Norddeutscher Lloyd, de Bremen) e de «Hochfeld» (na Continental Reederei, de Hamburgo), antes de ser requisitado pelo governo português em 1917, no Funchal; porto onde este navio germânico se havia refugiado desde o início da Grande Guerra, para escapar às represálias da armada real britânica. Baptizado «Desertas» em homenagem aos ilhéus desabitados do arquipélago da Madeira, este navio -com 3 689 toneladas de arqueação bruta e com 108,10 metros de comprimento por 12,80 metros de boca- foi alugado ao governo britânico, passando a navegar sob as cores da companhia Furness Withy, de Hartlepool. Tendo encalhado -a 5 de Setembro de 1918- junto à Costa Nova (Aveiro), este vapor foi alvo de um ataque, com tiros de peça, por um submarino germânico não-identificado. Essa acção de guerra, que durou cerca de meia hora, foi presenciada por umas duas centenas de pessoas, na sua maioria banhistas, que desfrutavam dos últimos dias cálidos do Verão. E que, segundo notícias de um jornal nortenho («O Comércio do Porto»), entraram em pânico perante a intensidade do fogo disparado do submersível. O ataque frustrou-se, até porque de S. Jacinto (onde funcionava uma estação naval francesa) descolaram dois hidroaviões armados para dar caça ao intruso; que desapareceu nas profundezas do Atlântico, ao detectar a presença das duas aeronaves inimigas. O vapor «Desertas» só seria desencalhado em Março de 1920. Dali seguiu para Lisboa, onde foi submetido a grandes reparações. Em 1921, recebeu um nome novo, o de «Mendes Barata», em homenagem ao homem que concorreu para a sua recuperação. Em 1926, foi parar à frota da Companhia Colonial de Navegação, que o utilizou durante um período de tempo muito curto. Com efeito, o navio «Desertas» foi vendido no ano seguinte a um negociante holandês de sucatas, que procedeu -em Outubro de 1927- ao seu desmantelamento num estaleiro de Scheveningen.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

«ARCTIC PRINCESS»



O «Arctic Princess» é, com as suas 121 587 toneladas de arqueação bruta e com os seus 288 metros de comprimento por 49 metros de boca e com os seus 10 metros de calado, o maior navio de transporte de gás natural jamais construído. Foi lançado à água no ano de 2006 pelos estaleiros japoneses da sociedade Mitsubishi Heavy Industries Ltd, que levaram cerca de quatro anos a realizá-lo. O «Arctic Princess», que iça bandeira norueguesa e que está registado no porto de Hammerfest (cidade da ilha de Kvalo, próxima do círculo polar), pode transportar (em cada uma das suas viagens) 147 835 m3 de gás liquefeito, ou seja a quantidade necessária para abastecer -durante um ano inteiro- uma cidade de 45 000 habitantes. A propulsão deste gigante dos mares é assegurada por motores dotados com turbinas a vapor fabricados pela firma Kawasaki e que desenvolvem uma potência de 27 600 kW. A velocidade máxima deste navio ronda os 20 nós. O «Arctic Princess» tem acomodações para receber 39 pessoas, mas a sua tripulação normal é de, apenas, 28 membros. O navio abastece-se, geralmente, no terminal de Melkoya, com gás em proveniência de Snohvit, no mar de Barentz, a 72º de latitude norte. E distribui, depois, esse produto pelo mundo inteiro. A carga (arrefecida até temperatura de -163º) é transportada em quatro tanques de forma esférica, com 42 metros de diâmetros. A visão deste navio, cuja pintura predominante é o cor-de-laranja, é deveras impressionante. O «Arctic Princess» está a operar, actualmente, por conta da companhia Statoil Hydro, uma empresa do grupo norueguês Hoegh LNG Ltd.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

«MOSHULU»



Este soberbo veleiro de casco de aço e com 4 mastros (aparelhados em barca) foi construído pelos estaleiros A. W. Hamilton & Cº, de Port Glasgow, em 1904. Foi, com o seu gémeo «Hans», um dos últimos grandes veleiros realizados por estes prestigiados estaleiros navais escoceses. O veleiro em apreço chamou-se primitivamente «Kurt», em homenagem ao Dr. Kurt Siemers, director da sua primeira casa armadora : a companhia GHJ Siemers, de Hamburgo. Hasteou pavilhão germânico até 1917 (ano em que foi apresado pelas autoridades norte-americanas), depois de ter navegado entre a Europa e regiões tão longínquas como o Chile, a Austrália, as Filipinas ou a costa oeste dos Estados Unidos. Este navio encontrava-se, aliás, no porto de Astoria (Oregon) quando os Estados Unidos decidiram entrar (em 1917) na guerra contra os Impérios Centrais. Navegou algum tempo com o nome de «Dreadnought», antes do serviço de registo de navios se aperceber que já havia, nos ‘states’, um mercante com esse designativo. Passou, então, a usar o nome de Moshulu», que é um termo do dialecto dos Senecas (grupo étnico dos EUA) significando ‘destemido’. Esta barca passou, entre 1920 e 1935, pelas mãos de vários armadores, que o continuaram a utilizar no comércio internacional; sobretudo no rentável negócio das madeiras. Em 1935, a barca «Moshulu» foi vendida ao armador finlandês Gustaf Erikson, que negociava cereais com a Austrália. Foi durante uma dessas viagens para esse país dos antípodas, que viajou no «Moshulu» (como moço de bordo) um certo Eric Newby, que se tornaria, anos mais tarde, um conceituado escritor. Este veleiro foi apreendido no porto de Kristiansand em 1940, aquando da invasão da Noruega pelos exércitos nazis. Depois da 2ª Guerra Mundial, a carreira deste veleiro continuou a ser atribulada, pois passou por um naufrágio e por negociatas que lhe fizeram, várias vezes, mudar de proprietário, de estatuto (foi, sucessivamente mercante, armazém flutuante, navio-escola, etc) e de bandeira. Mas o navio sobreviveu ao tempo e a todas essas vicissitudes e é, hoje, um navio-restaurante-bar, exposto no porto de Filadélfia. O antigo moço de bordo, Eric Newby, deu-lhe alguma visibilidade, graças aos seus livros, assim como vários filmes («Rocky», «O Padrinho II» ou «Blow Out»). Estranho destino o deste navio de início do século XX… Características gerais : 7 000 toneladas de deslocamento; 121 metros de comprimento; 14,30 metros de boca; 8,50 metros de pontal; mastro grande com 65 metros de altura; 4 180 m2 de velas; 35 homens de tripulação.

«BULL»



Galeaça inglesa de meados do século XVI, que fez parte da armada do rei Henrique VIII, da dinastia dos Tudor. Pertenceu a uma série de quatro navios idênticos construídos -por volta de 1546- no estaleiro de Woolwich, uma antiga localidade autónoma das margens do Tamisa, hoje integrada na área urbana de Londres. Como todos os navios do seu tipo (galeaça significa literalmente galé grande), o «Bull» movia-se à vela e a remos. Este de navio deslocava cerca de 200 toneladas e media 36,50 metros de comprimento por 6,70 metros de boca. O seu calado cotava 3 metros. O «Bull» estava armado com 18 bocas de fogo de pequeno calibre e de fraco alcance; o que deixa presumir que o navio foi concebido para cumprir missões de carácter puramente defensivo no estuário do rio Tamisa. Usava pano redondo e latino nos seus 4 mastros e empregava uma tripulação de 84 marinheiros (entre os quais se incluíam 44 remadores), 16 artilheiros e 20 soldados. Apesar das suas fracas capacidades bélicas, é dado como adquirido o facto do «Bull» ter participado nos combates contra a Invencível Armada. Parece ter sobrevivido até 1603, ano em que se perdeu o rasto deste curioso navio das armadas reais de Inglaterra. Curiosidade : algumas fontes (minoritárias) referem o «Bull» ('Touro') como sendo um galeão.

«FIUME»


Cruzador pesado da 'Regia Marina', lançado à água a 27 de Abril de 1930 pelos estaleiros Stabilimeno Tecnico Triestino. Era um navio da classe 'Zara', que deslocava 14 530 toneladas em plena carga e que media 182,80 metros de comprimento por 20 metros de boca. O seu sistema propulsivo desenvolvia uma potência de 95 000 cv, o que lhe garantia uma velocidade máxima da ordem dos 33 nós. A sua autonomia ultrapassava as 5 300 milhas náuticas, com andamento estabelizado a 16 nós. O «Fiume», que tinha uma guarnição de 1 090 homens (oficiais incluídos), era um navio razoavelmente blindado, que estava armado com 8 canhões de 203 mm, com 16 peças AA de 100 mm e com um número importante de meios de defesa/ataque de calibre inferior. Estava dotado com uma catapulta para hidros, o que lhe permitia operar 2 aparelhos Romeo Ro-43. Mobilizado durante a 2ª Guerra Mundial para actuar contra as forças britânicas do Mediterrâneo, o «Fiume» estreou-se, em Março de 1941, numa operação lançada pela armada real italiana contra navios mercantes dos Aliados, que navegavam para a Grécia. Mas a sua carreira bélica foi de curta duração, já que terminou abruptamente no dia 29 de Março de 1941, data em que foi afundado -durante a moderna batalha naval do cabo Matapão- por uma forte esquadra britânica, superiormente comandada pelo almirante Cunningham. Que ali obteve um êxito estrondoso, ao causar a perda de várias unidades da frota fascista. Entre elas, contaram-se, para além do «Fiume», mais dois navios da sua classe : o «Zara» e o «Pola». Curiosidade : foi também ao largo do cabo Matapão (Grécia), onde ocorreu o combate acima referido, que, a 19 de Julho de 1717, se feriu uma outra memorável batalha naval, durante a qual os navios portugueses de el-rei D. João V -comandados por Lopo Furtado de Mendonça, conde do Rio Grande- venceram brilhantemente uma armada turca. 

«REINA MERCEDES»



Cruzador da armada espanhola pertencente à classe ‘Reina Cristina’. Foi construído, em 1887, pelo arsenal de Cartagena. Deslocava 3 900 toneladas e media 84 metros de comprimento por 13 metros de boca e o seu calado era de 6,70 metros. Concebido no período de transição da vela para o vapor, este navio usava esses dois modos de propulsão, envergando (nos seus 3 mastros) 1 725 m2 de pano e utilizando 1 máquina alternativa com 4 100 cv de potência e 1 hélice. Atingia a velocidade máxima de 15 nós. O «Reina Mercedes» tinha uma guarnição de 380 homens. O seu armamento compreendia 6 canhões de 160 mm, 3 de 57 mm, 2 de 42 mm, 6 de 37 mm, 2 metralhadoras e 5 tubos lança-torpedos. O seu nome prestava homenagem à primeira esposa do soberano Afonso XII, Dona Maria de las Mercedes de Orleans. Foi enviado para Santiago de Cuba em 1893, para reforçar os efectivos da esquadra espanhola naquela região das Caraíbas e ali serviu, inicialmente, como navio de instrução e, a partir de 1895, como navio-almirante das forças navais do país vizinho. Quando rebentou a guerra hispano-americana, este navio estava (por falta de manutenção) praticamente impossibilitado de combater. Facto que provocou o desembarque de 4 das suas peças de artilharia de 160 mm, que foram colocados em Socapa, para reforçar a defesa costeira. Nessas condições, o «Reina Mercedes» não podia rivalizar com as unidades inimigas e foi, por essa razão, conduzido até ao canal de acesso ao porto de Santiago, onde a sua guarnição tencionava afundá-lo. Interceptado -a 6 de Junho de 1898- por forças do inimigo, o navio espanhol recebeu 35 impactos directos da artilharia naval norte-americana e foi semi-afundado. O «Reina Mercedes» acabou por ser capturado pelos ianques no dia 17 de Julho desse mesmo ano de 1898, em consequência da rendição dos defensores de Santiago de Cuba. Reemergido e rebocado para os Estados Unidos, este navio foi reparado (nos estaleiros de Kittery, Maine) e transformado em navio-quartel. Em 1912, sofreu novas transformações (nos estaleiros de Norfolk), sendo enviado, depois, para Annapolis (sede da Academia Naval da armada dos Estados Unidos), onde alojou, durante muitos anos, os cadetes desse estabelecimento militar de ensino superior. Em 1957, foi, finalmente, enviado para o ferro-velho e desmantelado no porto de Baltimore. Curiosidade : os restos do antigo cruzador «Reina Cristina» (entretanto baptizados «IX-25» pelos cadetes de Annapolis) tornaram a arvorar pavilhão espanhol em 1920, aquando da visita do couraçado «Alfonso XIII». Gesto amistoso dos anfitriões, que muito sensibilizou os membros da guarnição deste vaso de guerra ibérico.