terça-feira, 9 de outubro de 2012
«CALIFORNIA»
Construído pelos estaleiros de Alexander Stephen & Sons, de Glásgua, no ano de 1923, este navio pertenceu à frota da firma Henderson Brothers Ltd, também ela sedeada naquela cidade da Escócia. Utilizado na rentável linha de Nova Iorque, o «California» passou a usar, em meados dos anos 30, as cores da famosa Anchor Line, companhia que sucedeu à acima denominada firma. Com 16 792 toneladas de arqueação bruta, este navio -de 167,64 metros de comprimento por 21,34 metros de boca- navegava graças à potência das suas turbinas a vapor, que lhe conferiam uma velocidade de cruzeiro da ordem dos 16 nós. O «California» sofreu modificações em data que não pudemos apurar, mas que lhe alteraram radicalmente a silhueta, pois o navio, que tinha 3 chaminés, passou a dispor de um único desses atributos. Em 1939, ano em que o Reino Unido declarou guerra à Alemanha nazi, este navio foi requisitado (como tantos outros mercantes) pela ‘Royal Navy’, que utilizou o «California» como cruzador auxiliar (até 1942) e, depois, como transporte de tropas. Em 11 de Julho de 1943, quando o «California» se encontrava integrado no designado ‘Convoy Faith’ (que compreendia vários navios mercantes e de guerra) e navegava de Port Glasgow (G.B.) para Freetown (Serra Leoa), foi surpreendido pelo ataque de três quadrimotores alemães de grande raio de acção (eram aparelhos Focke Wulf Fw-200 ‘Kondor’), que o alvejaram e afundaram. Essa acção de guerra (que causou várias dezenas de mortos aos britânicos) foi perpetrada por aviões da base de Mérignac -situada perto de Bordéus, na França ocupada- e ocorreu a cerca de 300 km das costas do norte de Portugal. Durante esse ataque aéreo, dois outros navios do comboio foram incendiados pela aviação hitleriana e torpedeados pela própria ‘Royal Navy’, pelo facto de representarem grande perigo para a navegação.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
«VIRIBUS UNITIS»
Este cruzador de batalha foi o primeiro ‘dreadnought’ da armada austro-húngara. Construído em 1911, pelos estaleiros S.T.T., de Trieste, o navio recebeu o nome de «Viribus Unitis» (‘Com Forças Unidas’), que era o lema pessoal do imperador Francisco José I. Pertencente à classe ‘Tegetthoff, deslocava 21 690 toneladas em plena carga e media 152 metros de comprimento por 28 metros de boca. O «Viribus Unitis», que tinha uma guarnição de mais de mil homens, era propulsionado por 4 turbinas a vapor (alimentadas por 12 caldeiras), que desenvolviam uma potência de 27 000 cv; força que proporcionava ao navio a velocidade máxima de 20 nós. Bem protegido, este cruzador de batalha estava armado com uma quarentena de bocas de fogo de vários calibres, de entre as quais se destacavam 12 canhões de 305 mm e 12 outros de 150 mm. Este navio também dispunha de armas anti-submarinas materializadas na forma de 4 tubos lança-torpedos de 533 mm. O «Viribus Unitis» recebeu a bordo (em Junho de 1914) o arquiduque Francisco Fernando de Áustria, que nele assistiu às manobras militares da sua armada. Coube a este cruzador levar -da Bósnia para Trieste- os restos mortais deste príncipe assassinado em Sarajevo, acto de um tresloucado que tão trágicas consequências teve para a Europa do tempo. Durante a Grande Guerra, este navio viu a sua acção limitada pelo poder e capacidade de bloqueio dos Aliados. Da sua actividade puramente militar há que salientar o bombardeamento do porto italiano de Âncona (em Maio de 1915) e pouco mais. Tendo-se refugiado em Pula, onde permaneceu até finais de 1917, este navio (assim como outras unidades da armada imperial) sofreu cerca de 80 ataques por parte da aviação inimiga. Em meados do ano seguinte (1918), o «Viribus Unitis» zarpou, finalmente, da sua base naval, integrado numa frota dirigida pelo contra-almirante Horthy, que deveria anular o bloqueio sustentado pelas forças inimigas. Essa sortida saldou-se por um desaire, já que, no seu confronto com a Regia Marina, se perderam vários navios austro-húngaras, entre os quais figurava o couraçado «Szent István». Com o conflito a chegar ao fim e com o já previsível desmantelamento do império de Francisco José, o governo de Viena vendeu o navio à recém-criada união de sérvios, croatas e eslovenos, que viria a transformar-se na futura Jugoslávia. Mas os Aliados, mormente os Italianos, ignoraram esse negócio feito à revelia dos inimigos da Áustro-Hungria e –a 1 de Novembro de 1918- o «Viribus Unitos» foi afundado (com minas) no porto de Pula por um comando de elite da marinha de guerra transalpina. Calcula-se que entre 300 e 400 membros da guarnição deste cruzador de batalha tenham perecido aquando da explosão do navio; que se afundou com o pavilhão croata hasteado.
«ORÉNOQUE»
Fragata francesa de propulsão mista (vapor/velas) construída no arsenal de Toulon, que a lançou ao mar no dia 19 de Agosto de 1843. Este navio deslocava 2 568 toneladas e media 83,50 metros de comprimento fora a fora por 26,50 metros de boca. Estava equipada com 3 mastros, que carregavam um importante velame e com uma máquina a vapor de 450 cv, que movimentava 2 rodas laterais de palhetas. Mal artilhada (16 canhões) este vaso de guerra foi mais frequentemente usado como navio de transporte de tropas do que, propriamente, como unidade combatente. A «Orénoque» (que recebeu o nome do segundo mais importante rio da América do sul) tinha uma guarnição de 270 homens e serviu os interesses do rei Luís-Filipe e da 2ª República em várias circunstâncias : esteve no mar Negro, aquando da guerra da Crimeia, participou (embora modestamente) no conflito franco-alemão de 1870 e esteve implicado no desembarque de 1873 de Civita-Vecchia, que visava impedir as tropas de Garibaldi de conquistar Roma e de depor o papa. Em 1878, quando já eram perfeitamente obsoletos os navios do seu tipo, a fragata «Orénoque» foi desarmada, riscada dos efectivos navais franceses e vendida a um armador particular; que a transformou num navio baleeiro, que operou ao longo das costas da Terra Nova e do vizinho arquipélago de Saint Pierre e Miquelon. Ignoramos as circunstâncias do seu desaparecimento e o ano em que deixou de navegar.
«GALEOTA PEQUENA»
Esta embarcação -guardada em impecável estado de conservação no nosso esplêndido Museu de Marinha- é também conhecida pelo nome de «Galeota de D. José I», pelo facto de ter sido planeada e construída para esse monarca da 4ª dinastia pelo Arsenal da Ribeira das Naus, em Lisboa. Com risco de Manuel Vicente (nomeado pelo rei primeiro-construtor da referida instituição, com honras e regalias de capitão-tenente da Armada), este bergantim notabiliza-se pela beleza das suas linhas e pelos ornamentos em talha trabalhada ao estilo dito de D. José. Esta embarcação, que se movia graças ao saber de 1 patrão e de 1 cabo proeiro e ao esforço físico de 52 remadores, dispõe de uma luxuosa camarinha (onde tomavam lugar o rei e os membros mais chegados da sua família), com «sobrecéu colorido e (…) cortinados de seda com borlas douradas». Os assentos estofados são de grande conforto e franjados de ouro, ao gosto do tempo. As decorações externas desta galeota, destinada aos passeios fluviais da família real, são de uma grande beleza, delas se distinguindo as magníficas sereias que enfeitam os dois bordos da proa. Em consequência da implantação da República (e também da falta de sensibilidade para salvaguardar as obras de arte do passado), a ré –aonde figuravam as armas do Reino de Portugal- foi modificada. Segundo os entendidos, essa transformação quebrou a unidade escultórica inicial, desfavorizando a obra no seu todo. Ainda assim, esta embarcação é uma das mais preciosas peças do Museu que a conserva. Parece que a chamada «Galeota Pequena» foi muito apreciada pela rainha D. Mariana Vitória (esposa do «Reformador»), que até a terá usado com maior frequência do que o próprio marido. A soberana deslocava-se amiúde até Pedrouços, onde ia assistir às festas religiosas realizadas pelas freiras dominicanas do convento local. Esta embarcação também foi solenemente usada, em 1764, nas cerimónias de despedida do conde de Lippe, general alemão que modernizou e comandou os exércitos de Portugal. Em finais do século XIX e inícios da centúria seguinte, a «Galeota Pequena» foi, igualmente, a embarcação preferida da rainha D. Amélia nas suas deslocações pelo estuário do Tejo. Este bergantim foi utilizado pela derradeira vez pela casa real no dia 1º de Outubro de 1910, aquando da visita oficial ao nosso país de Hermes da Fonseca, presidente do Brasil, transportando-o do navio de guerra que o trouxe a Portugal até ao Cais das Colunas. Após a queda da dinastia dos Braganças, a «Galeota Pequena» passou para o serviço oficial da República (daí as tais infelizes transformações), servindo nas cerimónias de recepção ao Dr. António José de Almeida depois do seu regresso do Brasil em 1922; no acolhimento triunfal (também nesse ano de 1922) feito aos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral; e, pela última vez, antes da sua merecida reforma, em 1923, no transporte do presidente Manuel Teixeira Gomes (regressado do Reino Unido), entre um cruzador britânico e a terra firme da capital portuguesa.
domingo, 7 de outubro de 2012
«PENRHYN CASTLE»
Belo veleiro com casco de aço construído em 1890 pelo estaleiro de Charles Hill, de Bristol (Inglaterra). O «Penrhyn Castle» era uma barca de 3 mastros, deslocando 1 350 toneladas. Media 72,45 metros de comprimento por 11 metros de boca. Destinado ao transporte de carga geral, este navio pertenceu, inicialmente, à firma Penrhyn Castle & Cº Ltd, de Criccieth, sendo mais tarde (1893) adquirido pela casa armadora Robert Thomas & Cº, de Liverpool; que pagou por este ‘clipper’ a soma de 16 600 libras esterlinas. Praticamente toda sua tripulação foi recrutada na cidade portuária de Criccieth, no País de Gales. Especializado no transporte de granéis (cereais, fosfatos, carvão, etc), o «Penrhryn Castle» também transportou maquinaria, material ferroviário e até armas e munições para a Guerra dos Boers. Este navio ligou, com frequência, os portos da Europa às duas costas da América do Sul, à África austral e à Austália. Registaram-se a bordo deste ‘clipper’ vários casos de indisciplina e de deserção por parte dos seus tripulantes, que levaram ao despedimento de, pelo menos, dois dos seus capitães. Atribuiu-se-lhe, em 1914, um encontro (nunca oficialmente confirmado) com o vaso de guerra alemão «Dresden», que só terá poupado este veleiro britânico depois de saber que a esposa e o filho menor do seu capitão viajavam a bordo. O elegante «Penrhyn Castle» desapareceu, em data incerta de Abril de 1915 e sem deixar rasto, quando navegava –com um carregamento de trigo- entre Bahía Blanca (Argentina), de onde zarpara a 20 desse mês e ano, e Fremantle (Austrália). Curiosidade : David Lloyd George, o famoso político britânico que chegou a ser primeiro-ministro do seu país, foi accionista da sociedade R. T. & Cº, a última armadora deste navio.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
«SAMARIA»
Paquete de bandeira britânica, realizado (em 1920) pelos estaleiros Cammel Laird & Co, de Birkenhead, para a prestigiosa companhia Cunard Line. A arqueação bruta do «Samaria» era de 19 602 toneladas, sendo as suas dimensões as de um navio de 190,20 metros de comprimento por 22,46 metros de boca. As suas turbinas a vapor permitiam-lhe atingir a velocidade de cruzeiro de 16 nós. O «Samaria» foi preparado para poder receber 350 passageiros de 1ª classe, outros tantos de classe intermediária e 1 500 de 3ª. Destinado a compensar as perdas sofridas pelo seu armador durante a Grande Guerra, este navio foi inaugurado a 19 de Abril de 1922 na linha Liverpool-Cobh-Boston-Nova Iorque. Como tantos outros dos seus congéneres, o «Samaria» foi mobilizado no início do segundo conflito generalizado e utilizado como transporte de tropas, tendo cumprido a sua primeira missão de tempo de guerra numa viagem entre Liverpool (seu porto de abrigo) e Suez. No derradeiro ano de guerra deve-se-lhe a evacuação de um milhar de prisioneiros e de refugiados do porto soviético de Odessa. Este navio retomou a actividade civil em Setembro de 1948, assegurando uma carreira regular entre Cuxhaven, Havre e Quebeque. O paquete foi completamente renovado em 1950, com o objectivo de ser utilizado (como já o fora antes da 2ª Guerra Mundial) como unidade de cruzeiros. A sua derradeira viagem, enquanto navio de lazer, ocorreu em finais do ano de 1955. Quando completou 35 anos de vida, o «Samaria» foi considerado obsoleto e levado para Firth Inverkeithing, Escócia, onde foi desmantelado, no ano seguinte (1956), num estaleiro especializado. Curiosidade : este navio (segundo paquete da Cunard a usar o nome de «Samaria») teve quatro gémeos, que foram o «Scythia», o «Laconia», o «Franconia» e o «Carinthia».
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
«SUPERB»
Barca construída, em 1875, na Escócia, pelos estaleiros de Alexander Stephen & Sons, de Glásgua. Tinha casco de aço, deslocava 2 147 toneladas, arvorava 3 mastros e media 75,10 metros de comprimento por 11,70 metros de boca. Pertenceu, num primeiro tempo, a dois armadores britânicos –Bruce & Cº, de Dundee, e W. Montgomery & Cº, de Londres- que utilizaram este navio com o nome de «Airlie». A partir de 1899 passou a hastear bandeira norueguesa e a usar o merecido designativo de «Superb». Entre esse ano de 1899 e 1904, foi propriedade de A. Meling, de Stavanger, e passou, depois, para posse do armador C. L. Endresen, de Kristiansand. Destinado ao transporte de carga geral, este veleiro percorreu, infatigavelmente, os mares e oceanos do planeta no cumprimento da sua missão de navio de trabalho. Entre outras tarefas, transportou emigrantes para a Austrália e para a Nova Zelândia, quando ainda desfraldava a bandeira da marinha mercante britânica. Esta barca teve uma carreira sem sobressaltos, até que, no dia 7 de Junho de 1915, quando seguia de Buenos Aires para Queenstown (Irlanda) com um carregamento de cereais, foi interceptada (a 50 milhas náuticas a Oeste de Fastnet) pelo submarino germânico «U-34» -capitaneado pelo oficial Claus Rücker- e afundada com tiros de peça. Como acontecia, geralmente, às presas civis, a sua tripulação foi intimada, pelos alemães, a abandonar o navio antes da sua destruição. Curiosidade : a imagem que ilustra este texto é uma tela do notável artista Antonio Jacobsen, representando o veleiro em apreço.
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