segunda-feira, 24 de setembro de 2012
«BÉRRIO»
Navio Reabastecedor de Esquadra (ou navio de apoio logístico) da Armada Portuguesa. Foi uma antiga unidade da R.F.A. (Royal Fleet Auxiliary), força onde usou o nome de «Blue Rover». A sua construção data de fins de 1969 e foi executada pelos estaleiros britânicos Swan Hunter, de Hebburnon-Tyne. Este navio polivalente desloca mais de 11 500 toneladas, tem uma capacidade de carga de 6 000 toneladas e mede 140,60 metros de comprimento por 19,20 metros de boca. O seu calado é de 7,30 metros. É movido por 2 máquinas diesel desenvolvendo a potência global de 15 360 cv; força que confere ao NRP «Bérrio» 19 nós de velocidade máxima e uma autonomia (com andamento reduzido a 15 nós) de 15 000 milhas náuticas. Está armado com 2 peças de artilharia de 20 mm e com mais 2 antiaéreas de igual calibre e dispõe (à ré) de uma pista para helicópteros. A sua guarnição compreende 70 membros. Enquanto esteve sob a autoridade da ‘Royal Navy’, este navio participou em várias operações da guerra das Falkland, com particular incidência nas zonas insulares da Geórgia do Sul e de San Carlos. Recebeu vários trabalhos de beneficiação, nomeadamente em 1991. A marinha de guerra portuguesa adquiriu-o em inícios dos anos 90 (do século XX, obviamente) e aumentou-o aos efectivos da Armada em data do 31 de Março de 1991. Com a bandeira portuguesa, este navio esteve em águas da Guiné-Bissau (aquando da crise político-militar de 1998) integrado numa força naval liderada pela fragata «Vasco da Gama». Para além de cumprir a sua missão normal de apoio logístico à frota empenhada nessa missão, o «Bérrio» (que usa o indicativo de amura A5210) transportou uma força de desembarque constituída por elementos do Corpo de Fuzileiros Navais. Bastante envelhecido, esta unidade ainda não foi substituída pelas razões de natureza orçamental que, nestes tempos de crise, afectam todos os ramos das forças armadas. Curiosidades : o nome deste navio é uma alusão clara ao mais veloz dos veleiros que Vasco da Gama levou à Índia, pela rota que descobriu em 1498. O NRP «Bérrio» é o navio de maior porte da Armada Portuguesa.
«PETREL»
Pequeno navio de guerra (canhoneira) da armada norte-americana. Foi construído pelos estaleiros da empresa Columbia Iron Works & Dry Dock, de Baltimore, que o lançaram ao mar no dia 13 de Outubro de 1888. Era um navio misto (vapor/velas) com 892 toneladas de deslocamento, casco de aço, 3 mastros (aparelhados como um patacho) e munido de armamento a condizer com as sua dimensões (57 metros de comprimento por 9,40 metros de boca) e com o seu estatuto : 8 peças de calibres modestos. A máquina a vapor que equipava o «Petrel» aliada à força eólica permitia a este navio atingir a velocidade de 12 nós e de dispor de um raio de acção de 4 000 milhas náuticas. A sua primeira afectação colocou esta canhoneira no chamado Esquadrão do Atlântico Norte. Mas, em Abril de 1898, o navio foi transferido para o Esquadrão Asiático, ao serviço do qual patrulhou as águas do mar de Bering. Em vésperas da guerra hispano-americana, o «Petrel» foi despachado para as Filipinos (um dos principais teatros de operações desse conflito), onde participou –com a sua artilharia e com o seu corpo de marinheiros-fuzileiros- em várias acções importantes, tais como a batalha naval da baía de Manilha (onde se lhe atribuiu a destruição de 6 navios espanhóis), a rendição do arsenal de Cavite, o bombardeamento de Panay, a tomada e a ocupação de Cebu, o assalto de Nevaleta, etc. Em 31 de Março de 1901, quando o navio se encontrava fundeado no porto de Manilha, declarou-se violento incêndio a bordo, que fez várias vítimas mortais, entre os quais o seu comandante, tenente Jesse M. Roper. O USS «Petrel» (que tinha uma guarnição de 122 homens) regressou ao Atlântico no ano de 1912, passando a operar nas águas do Caribe e do golfo do México, para onde foi ‘proteger’ os interesses dos cidadãos norte-americanos ali instalados. Na realidade, e como é hoje sabido, tratava-se de controlar militar e economicamente toda uma região (tradicionalmente irrequieta), em aplicação da famosa doutrina ‘da cenoura ou do cacete’ definida, um século atrás, pelo presidente dos E.U.A. James Monroe. Que visava submeter toda a América latina ao ‘bom vouloir’ da política de Washington. Segundo certas fontes, este navio foi desactivado e desmantelado, em 1919, na Nova Orleães; outras informações indicam Nova Iorque e o ano de 1920 como o lugar e a data de demolição do USS «Petrel».
domingo, 23 de setembro de 2012
«TARANGINI»
Navio-escola da marinha de guerra indiana. Trata-se de uma barca de 3 mastros, desenhada pelo arquitecto naval britânico Colin Mudie e construída em Goa pelo estaleiro Goa Shipyard Limited, que a lançou à água no dia 1º de Dezembro de 1995. O «Tarangini» desloca 513 toneladas e mede 54 metros de comprimento por 8,53 metros de boca por 4,50 metros de calado. O mastro real deste veleiro culmina a 34,50 metros acima da linha de água. Este navio de instrução de cadetes está equipado com 2 motores auxiliares dispondo de uma potência unitária de 320 hp. Em 2003-2004, o «Tarangini» empreendeu uma viagem de circum-navegação da Terra (subordinada ao tema «Construir Pontes de Amizade Através dos Oceanos»), que durou 15 meses. Durante esse longo périplo, o navio indiano percorreu 33 000 milhas náuticas (o equivalente a 61 000 km) e visitou 36 portos de 18 nações. De regresso à pátria, este navio-escola teve o privilégio de ser acolhido por numerosas personalidades, entre as quais figurava o próprio presidente da União Indiana. Em 2007, este veleiro empreendeu uma nova e longa viagem transoceânica, que o fez percorrer 22 000 milhas náuticas e o levou de Kochi (a antiga Cochim dos Portugueses) até à costa leste dos Estados Unidos da América, onde o navio participou numa série de eventos internacionais de grande prestígio. Em 2008, o «Tarangini» participou na Expedição Chola –promovida pela Sociedade de História Naval da Índia- que o conduziu aos portos de Singapura, Jacarta e Phuket. Outro evento importante na sua já rica carreira foi a participação –em representação da armada na qual está integrado- nas festas do jubileu de diamante da marinha de guerra do Sri Lanka, durante as quais foi o primeiro navio estrangeiro a receber o presidente da república desse país vizinho. Embaixador itinerante da União Indiana (uma das missões importantes confiadas a este tipo de navios), o «Tarangini» é um dos mais belos veleiros asiáticos a percorrer os mares do mundo.
«IERAX»
Contratorpedeiro da armada real helénica comprado, em 1912, aos estaleiros britânicos Camell Laird, de Liverpool por uma soma e 148 000 libras. Este navio era um contratorpedeiro de 880 toneladas (de deslocamento), que media 89,40 metros de comprimento por 8,30 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 5 caldeiras (4 a carvão e 1 a funcionar com combustível líquido), que produziam uma força capaz de conferir a este navio uma velocidade máxima de 32 nós. Este ‘destroyer’, que inicialmente se destinava à armada argentina, foi entregue aos Gregos no porto de Palermo (Sicília), onde arribou com uma tripulação estrangeira. O «Ierax» participou na guerra dos Balcãs ao lado das forças da Tríplice Aliança. Devido às hesitações da Grécia, que só tardiamente entrou nessa coligação, este navio (como, aliás, outras unidades da sua armada) foi confiscado pelos Franceses, em cuja marinha de guerra serviu entre 1917 e 1918. Neste último ano acabou por ser devolvido ao seu legítimo proprietário, tendo servido, essencialmente no mar Egeu, como navio de escolta. O contratorpedeiro «Ierax» participou activamente, em 1918, na evacuação de cidadãos helénicos de território russo, aquando da guerra civil que opôs os sovietes aos seus adversários ‘brancos’. E participou, também, no conflito greco-turco de 1919 a 1922. Remodelado inteiramente entre 1925 e 1927, este navio da armada grega ainda se viu implicado nos primeiros combates que levaram à ocupação da Pátria da Democracia pelas forças nazis; mas que, devido à desproporção de forças, se viu obrigado a abandonar o combate e a refugiar-se na base britânica de Alexandria (no Egipto). Em meados de 1944, parte significativa da guarnição do «Ierax» aderiu a uma revolta dos marinheiros, que responderam positivamente a um apelo do partido ELAS (comunista), que chamava à resistência (nas montanhas da Grécia) contra o ocupante hitleriano. Após o fim do conflito, em 1946, este navio foi desactivado e desmantelado. O «Ierax» integrava a classe 'Thiro', da qual fizeram parte, igualmente, os navios gregos «Panthir» e «Aetos». Da panóplia de armas inicial destes contratorpedeiros faziam parte 4 canhões de 102 mm, 1 peça AA de 75 mm e 6 tubos lança-torpedos de 533 mm. Mas esse armamento foi modernizado ao longo da vida activa dos mesmos. No caso do «Ierax», essa actualização foi feita em 1925 e em 1942.
«HELLESPONT ALHAMBRA»
O «Hellespont Alhambra» foi construído no início do século XXI na Coreia do Sul, mais exactamente em Okpo, pelo estaleiro naval Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering. O seu mastodôntico casco duplo foi lançado ao mar no dia 22 de Setembro de 2001. Este navio do tipo ULCC (Ultra-Large Crude Carrier), que usa agora o nome de «TI Asia», é um dos mais gigantescos petroleiros jamais realizados e é, porventura, o maior actualmente em serviço. Desloca 513 744 toneladas –o que lhe permite transportar 3 166 353 barris de crude- e apresenta as seguintes dimensões : 380 metros de comprimento; 68 metros de boca; 24,50 metros de calado. Pertence a uma série de navios do tipo TI, da qual foram realizadas mais três unidades. O seu primeiro armador foi a Hellespont Company; que o vendeu, em 2004, ao consórcio belga Overseas Shipholding Group. Por razões de natureza fiscal, o «Hellespont Alhambra»/«TI Asia» navegou com bandeira das ilhas Marshall, arquipélago do Pacífico onde, provavelmente, nunca esteve. Até porque, devido às suas impressionantes dimensões, este superpetroleiro só tem acesso a um número restrito de portos. Actualmente hasteia pavilhão belga e a sua rota privilegiada leva-o do Golfo Pérsico aos Estados Unidos da América. A propulsão deste navio fora de comum é assegurada por máquinas com uma potência tal, que facultam a este titã dos mares uma velocidade máxima de 18 nós. Devido ao seu elevado grau de automatização, a sua tripulação é constituída por um escasso número de membros. Curiosidades : a impressionante fotografia anexada a este texto diz tudo sobre o facto deste navio ser conhecido, no universo dos transportes marítimos, pelo sobrenome de ‘Big White’. Dos seus gémeos (entretanto baptizados com os nomes de «TI Europe», «TI Oceania» e «TI Africa») um deles já não navega, tendo sido transformado em reservatório flutuante de ramas.
sábado, 22 de setembro de 2012
«LAUREL BRANCH»
Este navio de propulsão mista (vapor/vela) foi construído, em 1893, pelos estaleiros Bartram, Haswell & Cº, de Sunderland, G.B., para a companhia de navegação Nautilus Steam Shipping-Ritson Lines. O «Laurel Branch» (‘Ramo de Loureiro’) tinha casco de aço, 2 mastros e media 100 metros de comprimento por 13 metros de boca e o seu calado cotava 5,90 metros. Estava equipado com uma máquina de tripla expansão, que desenvolvia 287 nhp e que lhe permitia vogar à velocidade de cruzeiro de 10 nós; ou ligeiramente mais com as velas erguidas e vento favorável. Incluído na frota da conhecida Branch Line, sedeada em Sunderland, este navio de bandeira britânica, com 3 308 toneladas de arqueação bruta, foi afectado à carreira da América do sul, servindo portos do Chile, do Peru, do Equador; para onde (e de onde) transportou passageiros e carga geral. Do seu historial consta o resgate -ocorrido a 2 de Junho de 1903- de 32 sobreviventes do navio «Arequipa» (uma embarcação da Pacific Steam Navigation Company), que se perdeu numa tempestade no porto de Valparaíso. Mas, três meses mais tarde, chegou a vez do «Laurel Branch» sofrer as agruras do mau tempo, que o empurrou -a 25 de Setembro- contra a costa sul da baía de Stewart (região chilena do estreito de Magalhães), onde este navio de bandeira britânica se perdeu, quando rumava a Liverpool. No desastre morreram duas meninas, sendo os outros náufragos salvos pelo navio chileno «Casma», que os desembarcou, sãos e salvos, em Talcahuano, um ancoradouro da província de Concepción.
«GRAF VON GOTZEN»
Embarcação alemã de 1 200 toneladas de deslocamento -que operou, simultaneamente, como navio de guerra e de transporte tropas- no lago Tanganica. Realizado em 1913 no estaleiro de Joseph L. Meyer, de Papenburg, na Baixa Saxónia, este vapor (que media 67 metros de comprimento por 10 metros de boca) foi desmontado e levado para a África Oriental Alemã logo após a sua construção. O navio foi, de novo, montado (em 1915), peça por peça, em Kigoma, acabando por ir reforçar o dispositivo militar tudesco naquela zona de África. Isso, depois de já ter alastrado ao Continente Negro o flagelo da Grande Guerra. Os principais rivais dos germânicos naquela região eram, naturalmente, os Britânicos do Quénia e do Uganda, mas também os Belgas do Congo e os Portugueses, que dispunham de forças militares no norte de Moçambique. Este navio -servido por uma guarnição de 40 homens- foi armado com 1 peça de 105 mm, com 1 outra de 88 mm e com mais 2 de 37 mm. Podia transportar, se necessário, 1 000 militares armados e equipados. Depois de se ter imposto como o navio mais poderoso a navegar nos lagos e rios africanos, o «Graf von Götzen» tornou-se, também, um alvo prioritário para os Aliados. Foi nessa perspectiva, que os Belgas organizaram, em meados do ano de 1916, um raide aéreo (a partir da sua base de Alberville) e atingiram posições militares germânicas em Kigoma. Nessa altura, os aviadores do rei Alberto I pretenderam ter afundado o navio alemão, o que, na realidade, não aconteceu. O «Graf van Götzen» foi, na verdade, sabotado –em 26 de Julho de 1916- pela sua própria tripulação, que, para evitar que ele caísse em mãos inimigas (numa altura em que as tropas inglesas se aproximavam da sua base), o naufragou na foz do rio Malagarazi. Este navio tornou-se quase uma lenda, quando os cinéfilos mais conhecedores de História o assimilaram ao navio alemão que, na fita «A Rainha Africana», foi transformado no alvo de Humphrey Bogart e de Katharina Hepburn, principais intérpretes da referida película. Curiosidade : o navio de guerra em apreço foi reemergido em 1927 pelos britânicos, que, depois de o terem transformado em navio de transporte civil, o colocaram em serviço no lago Tanganica; onde, ainda hoje, ele cumpre a missão de transportar passageiros da região e turistas por conta da empresa Tanzania Railways Corporation. Devido à sua avançada idade e à sua importância histórica, esta embarcação –que, desde a sua recuperação, se chama «Liemba»- está ‘condenada’ a tornar-se num navio-museu. Projecto que já está a ser estudado pelas autoridades locais.
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