domingo, 9 de janeiro de 2011

«SÃO PAULUS»


É um dos cacilheiros que assegura, quotidianamente, ligações entre Lisboa e a Outra Banda. Construído na Alemanha, em 1959, pelos estaleiros da firma Schell & Johnhk, de Hamburgo, o «São Paulus» pertence ao mesmo tipo de embarcações da frota da Transtejo que compreende o «Marvila», o «Mouraria» e o «Trafaria Praia». Apresenta-se como um monocasco de aço com 257 toneladas de arqueação bruta e com 28,17 metros de comprimento por 7,50 metros de boca. O seu sistema propulsivo é constituído por 1 motor diesel (Deutz V6M536) e por 1 hélice de passo fixo, que lhe permitem navegar à velocidade de cruzeiro de 10 nós. Pode receber a bordo 275 passageiros, distribuídos por 2 salões e 1 tombadilho. Dispõe de instalações sanitárias. Chamou-se inicialmente, quando hasteava bandeira alemã, «St. Pauli» (do nome de um conhecido bairro marítimo da cidade de Hamburgo). Foi adquirido pelo seu actual armador (a já referida transportadora Transtejo) no ano de 1996, depois de restauro completo. É um barco de trabalho cuja utilidade está provada por quase uma década e meia de actividade ao serviço das populações ribeirinhas do estuário do maior rio peninsular. A sua substituição, assim como a das embarcações do seu tipo, está programada para os anos que se avizinham.

«NADEJDA»


Bonito veleiro russo, construído em 1991 pelos estaleiros navais de Gdansk (Stocznia Gdanska), na Polónia. Desenhado pelo reputado arquitecto naval Zygmunt Choren, o «Nadejda» (que é gémeo dos navios «Dar Mlodziezy», «Drujba», «Khersones», «Mir» e «Pallada») desloca cerca de 3 000 toneladas e mede 109,40 metros de comprimento fora a fora por 14 metros de boca. O seu calado é de 7,30 metros. É um três mastros galera, que arvora 26 velas com uma superfície total de 2 768 m2. Está dotado com um motor auxiliar. Pertence à Academia Marítima da Rússia e tem o seu porto de abrigo em Vladivostok. A sua guarnição normal é de 50 membros (oficiais incluídos) e pode receber e formar, simultaneamente, 143 cadetes. Além da sua função formativa, o «Nadejda» tem participado nos grandes encontros internacionais de veleiros e alinhado em competições desportivas prestigiosas, tais como a ‘Cutty Sark Tall Ships Race’. Entre 2003 e 2004, este explêndido veleiro russo realizou uma volta ao Mundo, com passagem pelo difícil cabo Horn.

«KONIGSBERG»


Cruzador ligeiro da marinha imperial alemã. Foi construído no arsenal de Kiel, lançado à água em Dezembro de 1905 e integrado nas listas da armada de Guilherme II no dia 6 de Abril de 1907. Deslocava 3 814 toneladas em plena carga e media 115,30 metros de comprimento por 13,20 metros de boca. A sua blindagem variava entre os 20 e os 100 milímetros. As máquinas a vapor de tripla expansão do «Königsberg» permitiam ao cruzador navegar à velocidade máxima de 23 nós e conferiam-lhe uma autonomia de 5 750 milhas náuticas com a marcha reduzida a 12 nós. O navio estava armado com 10 peças de artilharia de 105 mm, com 10 outras de 37 mm e com 2 tubos lança-torpedos de 450 mm. A sua guarnição era constituída por 322 homens, incluindo 14 oficiais. Depois de ter servido em águas europeias, onde foi utilizado, nomeadamente, como escoltador do iate imperial, o «Königsberg» foi enviado em 1914 para a África oriental, via canal de Suez. Foi já no oceano Índico que este navio recebeu a notícia do rebentamento da Grande Guerra e ordens para destruir todos os navios dos inimigos da Alemanha que cruzassem o seu caminho. Foi nessas circunstâncias que o «Königsberg» afundou vários mercantes de bandeira britânica, além do cruzador «Pegasus» (de 2 200 t), que foi surpreendido pelo corsário alemão ancorado ao largo de Zanzibar. Ameaçado por uma força naval inglesa, o navio germânico foi refugiar-se numa zona pantanosa e rodeada pelas florestas do delta do rio Rufigi, situada a uma centena de quilómetros a norte de Dar-es-Salam. Foi aí que o cruzador alemão foi obrigado a confrontar-se -em Julho de 1915- com a esquadra do Cabo (proveniente da Africado Sul), que compreendia, para além de vários cruzadores, um navio porta-aeronaves e duas canhoneiras, capazes de aceder ao lugar onde se refugiara o «Konigsberg». A superioridade numérica dos britânicos, aliada à utilização dos aeroplanos, foi fatal ao corsário alemão, que acabou por sucumbir aos repetidos ataques das unidades ligeiras da ‘Royal Navy’, que o incendiaram e afundaram. Este renhido combate, que terminou a 11 de Julho do segundo ano de guerra generalizada, ficou registado na História com o nome de Batalha Naval da Selva.

sábado, 8 de janeiro de 2011

«ORION»


Elegantíssimo palhabote construído pelo estaleiro aveirense de José Maria de Lemos para a casa armadora Lemos, Sobreiro & Companhia, Lda., também ela da cidade da ria. Lançado à água no dia 25 de Julho e 1920, o «Orion» deslocava (em plena carga) 183 toneladas e media 30,80 metros entre perpendiculares por 8,34 metros de boca. Não tinha (nem nunca teve) motor auxiliar. Concebido para a pesca do alto, este magnífico veleiro foi vendido, em 1923, aos armadores lisboetas Bagão, Nunes & Machado, que o mantiveram (até 1929) sob o comando do capitão ilhavense Aquiles Gonçalves Bilelo. Em data anterior a 1934, o navio sofreu grandes transformações, sendo as mais visíveis o alongamento do seu casco, que passou a medir 34,20 metros de comprimento entre perpendiculares, e a aplicação de um terceiro mastro (com a intenção de lhe aumentar a rapidez), característica que fez entrar o navio na categoria dos lugres. O «Orion» passou em 1934 para s mãos de Amândio Matias Lau, de Aveiro, que o empregou na pesca costeira e que, logo no ano seguinte, o cedeu à Sociedade de Navegação Costeira Nossa Senhora da Agonia, de Viana do Castelo. Esta firma utilizou o navio no tráfego internacional, como transporte de carga diversa, até 19 de Dezembro de 1945, dia em que o «Orion» naufragou, na sequência de um medonho temporal, ao largo das costas do norte de África; mais exactamente a 10 milhas de distância do porto de Argel. Todos os seus tripulantes puderam salvar-se nas baleeiras do navio, com as quais lograram atingir terra firme

«PT-109»


Vedeta lança-torpedos da armada dos Estados Unidos da América. Pertencia a uma classe de lanchas rápidas construídas (às centenas) nos anos 40 do século passado pela firma ELCO ou por empresas por ela tecnicamente controladas. A «PT-109 (como todas as suas congéneres) deslocava 56 toneladas em plena carga e media 24 metros de comprimento por 6,30 metros de boca. O seu casco era em madeira e o seu armamento ‘standard’ compreendia 1 ou 2 peças de 20 mm, 1 ou várias metralhadoras de 12,7 mm, 4 tubos lança-torpedos e uma panóplia de minas anti-navios. A «PT-109» funcionava com uma guarnição que variava, segundo as missões e/ou as circunstâncias, entre 10 e 14 homens, dos quais 3 eram oficiais. Esta embarcação movia-se graças à força de 3 motores a gasolina Packard de 2 500 cv cada um, que lhe permitiam pontas de velocidade da ordem dos 41 nós. A fama desta vedeta torpedeira (lançada à água a 20 de Junho de 1942) provém do facto de ter sido comandada, durante a campanha do Pacífico, pelo jovem tenente John Fitzgerald Kennedy, que se tornaria, mais tarde, presidente dos E.U.A., e por ter protagonizado um acto de guerra, que seria (sem dúvida) empolado devido à singular carreira política do seu antigo comandante e ao seu trágico destino. O incidente em questão -durante o qual a «PT-109» foi cortada em dois pelo contratorpedeiro japonês «Amagiri»- teve lugar na noite de 2 de Agosto de 1943, ao largo das ilhas Salomão. A quase totalidade da sua tripulação foi salva, nesse transe, pela intervenção abnegada do seu comandante, que, com risco da própria vida, conseguiu assegurar a sobrevivência dos seus homens. Salvo a de dois deles, que morreram durante o choque com o navio inimigo. Os restos da lancha torpedeira «P-109» parece terem sido identificados, em Maio de 2002, pelo famoso Robert Ballard. Mas ainda subsistem dúvidas sobre a autenticidade dessa descoberta. A ‘odisseia’ da vedeta de Kennedy foi contada em inúmeros artigos de jornais, livros, documentários cinematográficos e televisivos, filmes de ficção e até numa canção. Maquetas e brinquedos reproduzindo mais ou menos fielmente a «PT-109» foram, por outro lado, lançados no mercado internacional. Enfim, esta modesta embarcação da Segunda Guerra Mundial, protagonista de um banal acto bélico, beneficiou de toda a força da propaganda norte-americana, tornando-se, assim, numa das mais conhecidas unidades da armada dos Estados Unidos desse período trágico da História.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

«HANSEATIC»


Pequeno paquete de cruzeiros que é, ao que pretende o seu armador -a sociedade alemã Hapag-Lloyd- o único 5 estrelas do seu género. Este luxuoso navio apresenta as seguintes características físicas : 8 378 toneladas de arqueação bruta, 123 metros de comprimento por 18 metros de boca e 4,80 metros de calado. Está equipado com 2 máquinas diesel (desenvolvendo uma potência global de 2 940 kW), capazes de imprimir ao «Hanseatic» uma velocidade máxima de 18 nós. Foi construído, no início dos anos 90 (com o nome de «Society Adventurer»), nos estaleiros de Rauma, na Finlândia, por encomenda da sociedade de cruzeiros Discover Reederei. Que, devido a dificuldade financeiras, acabou por não poder adquiri-lo. O estaleiro finlandês vendeu o navio, em 1992, à Hanseatic Toursen (hoje integrada no grupo Hapag-Lloyd), que lhe deu o nome que ainda hoje conserva. Vocacionado para cruzeiros exóticos e longínquos (às regiões polares, à Amazónia, à Groenlândia, às ilhas do Pacífico, etc), este magnífico navio tem uma tripulação de 125 membros e pode acolher a bordo 184 passageiros em condições de conforto verdadeiramente excepcionais. Os seus endinheirados viajantes podem optar por camarotes com 22 m2 de área ou por ‘suites’ com o dobro dessa dimensão. Todos os utentes do «Hanseatic» beneficiam, porém, de um tratamento VIP, do qual até faz parte o serviço (24 h/24 h) de um mordomo. O navio oferece ainda tudo aquilo que pode assegurar o bem-estar a bordo : restaurantes, bares, salões (entre os quais há um de observação panorâmica), sala de conferências, piscinas, ginásio, sauna, hidromassagem, ‘fitness’, auditório, biblioteca, boutiques, cabeleireiro, lavandaria, etc. Como as viagens do «Hanseatic» privilegiam o chamado ‘turismo de aventura’, o navio transporta consigo 14 botes de borracha do tipo ‘Zodiac’ e peritos aptos a utilizá-los, que acompanham os passageiros mais afoitos, lhes dão informações sobre a geografia, fauna e flora das regiões visitadas, ao mesmo tempo que asseguram a sua protecção. Escusado será dizer, que um cruzeiro a bordo desde navio não está ao alcance de todas as bolsas.

«PALMER»


‘Clipper’ construído em 1851 pelo estaleiro Westervelt & Mackay, de Nova Iorque, para o armador AA Low & Brother da mesma cidade. Era um navio de três mastros, com cerca de 1 400 toneladas de deslocamento, extremamente elegante e que media 62 metros de longitude por 12 metros de boca. O seu desenho era de tal modo sedutor, que uma maqueta deste veleiro chegou a ser exposta no Palácio de Cristal, de Londres, como exemplo do que melhor se fazia nos Estados Unidos da América, em matéria de construção naval. O «Palmer» participou activamente no comércio do chá com a China, datando desse tempo o recorde de 82 dias, que conseguiu estabelecer entre Xangai e Nova Iorque. Essa ‘performance’, realizada em 1858/1859, foi valorizada pelo facto do seu comandante -capitão Hingham- não ser um velho lobo do mar, mas um jovem com apenas 28 anos de idade. Sabe-se que este navio deixou a sua primitiva casa armadora em 1873 e que, quando -a 10 de Janeiro de 1892- foi abandonado pela sua tripulação em pleno Atlântico norte (em que circunstâncias ?) e engolido pelo oceano, estava registado no porto de Arendal e arvorava bandeira norueguesa. Bandeira que, curiosamente, nesse tempo de união entre os reinos da Noruega e da Suécia, não era exactamente aquela que hoje identifica o país dos fiordes.