Lugre bacalhoeiro, com casco de madeira, pertencente à frota da firma gafanhense Pascoal & Filhos Lda. Foi construído na Gafanha da Nazaré, em 1940, no estaleiro de mestre António Maria Bolais Mónica. O «Dom Diniz», assim baptizado em homenagem a um dos maiores reis da dinastia de Borgonha e da História de Portugal, era um navio de três mastros, com um porte máximo de 732 toneladas, medindo 52,11 metros de comprimento fora a fora por 10,24 metros de boca. Este lugre-motor (estava equipado com uma máquina auxiliar Deutz) participou nas campanhas de pesca longínqua (nos bancos da Terra Nova e da Groenlândia) entre 1940 e 1966. A sua equipagem era constituída por 15 homens de bordo, mais 45 a 50 pescadores, que utilizavam na faina uns 50 a 60 dóris. O «Dom Diniz» foi um navio sem história, cumprindo a sua missão, metodicamente, ano após ano, até que, a 27 de Agosto de 1966, se perdeu por alquebramento (precedido de um incêndio) em Virgin Rocks, na Terra Nova. Não há notícia de mortos entre a sua corajosa tripulação.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
«DOM DINIZ»
Lugre bacalhoeiro, com casco de madeira, pertencente à frota da firma gafanhense Pascoal & Filhos Lda. Foi construído na Gafanha da Nazaré, em 1940, no estaleiro de mestre António Maria Bolais Mónica. O «Dom Diniz», assim baptizado em homenagem a um dos maiores reis da dinastia de Borgonha e da História de Portugal, era um navio de três mastros, com um porte máximo de 732 toneladas, medindo 52,11 metros de comprimento fora a fora por 10,24 metros de boca. Este lugre-motor (estava equipado com uma máquina auxiliar Deutz) participou nas campanhas de pesca longínqua (nos bancos da Terra Nova e da Groenlândia) entre 1940 e 1966. A sua equipagem era constituída por 15 homens de bordo, mais 45 a 50 pescadores, que utilizavam na faina uns 50 a 60 dóris. O «Dom Diniz» foi um navio sem história, cumprindo a sua missão, metodicamente, ano após ano, até que, a 27 de Agosto de 1966, se perdeu por alquebramento (precedido de um incêndio) em Virgin Rocks, na Terra Nova. Não há notícia de mortos entre a sua corajosa tripulação.
«MARIS-STELLA»

Este palhabote (corruptela das palavras inglesas ‘pilot boat’) foi um dos inúmeros veleiros desportivos da família real portuguesa. Parece ter sido oferecido, em 1905, por D. Carlos I a sua esposa, a rainha D. Amélia. O «Maris-Stella» participou em várias competições de carácter nacional e internacional. Era o antigo «Sunshine», realizado na Escócia, no ano de 1901, pelos reputados estaleiros da firma William Fife & Sons, de Farlie. Esta embarcação de competição deslocava 118 toneladas e media 25,92 metros de comprimento por 5,55 metros de boca. O «Maris-Stella» gozou da reputação de ser um barco de grandes qualidades veleiras e de excepcional leveza; além de ser, indubitavelmente, muito bonito. Numa das regatas mais famosas que ganhou, disputada na baía de Cascais e com el-rei no posto de timoneiro, o «Maris-Stella» defrontou-se com dois outros afamados palhabotes do seu tempo : o «Dinarah» (do Dr. Castro Guimarães) e o «Elisa» (do Sr. Miguel Paxinta). Este barco da família real percorreu, nessa ocasião, a distância de 30 milhas em 4 horas e 42 minutos.
domingo, 19 de dezembro de 2010
«CAIO DUILIO»

Construído no arsenal de La Spezia em 1876, este navio couraçado foi integrado nos efectivos da marinha de guerra italiana quatro anos mais tarde. Foi cabeça da classe que recebeu o seu nome e que compreendeu mais um navio, o «Dandolo». Concebidos a partir de um projecto revolucionário do arquitecto naval Benedetto Brin, estas unidades da ‘Regia Marina’ receberam as mais poderosas peças de artilharia que alguma vez armaram um navio de combate : 4 canhões de 450 mm. Tudo foi sacrificado a bordo em proveito dessas pesadíssimas armas construídas em Inglaterra pela firma Armstrong : blindagem, super-estruturas, acomodações da guarnição, etc. Julgava-se, então, que o uso de um armamento desta natureza seria capaz de incapacitar, definitivamente, um eventual adversário; que sucumbiria (pensava-se) às primeira salvas disparadas por estes couraçados italianos. Mas a utilização da artilharia pesada dos navios da classe ‘Caio Duilio’ comprometeu a solidez da plataforma e o casco dos navios foi modificado, de modo a subdividir-se em compartimentos estanques, em previsão de alagamentos originados pelas vibrações. Nunca se chegou a verificar, de facto, a eficácia destes navios -então considerados os mais poderosos do mundo- porque jamais tiveram a oportunidade de entrar em combate. Os britânicos construíram algumas armas similares às que equiparam os navios italianos, mas nunca as montaram nos navios da sua própria frota. As ditas equiparam baterias de defesa costeira em Gibraltar (onde subsistem) e na ilha de Malta. O «Caio Duilio» , navio de 12 267 toneladas de deslocamento (em plena carga) e com 109,20 m de comprimento por 19,80 m de boca, foi mantido no activo até ao ano de 1909. O casco deste navio, transformado em depósito de carburante flutuante, ainda sobreviveu até aos anos 20 do século passado.
«DAMIÃO DE GOES»

Esta embarcação fluvial, de tipo catamarã, é uma das 9 construídas em Singapura, pela firma Damen Shipyards, para assegurar a carreira entre o Barreiro e Lisboa-Terreiro do Paço; onde vieram substituir a frota precedente da Soflusa, composta, essencialmente, por barcos da classe ‘Viana do Castelo’. Estas novas embarcações originárias da Ásia podem receber 600 passageiros (distribuídos por dois salões) e oferecem aos seus utentes serviços de bar, música ambiente, televisão e instalações sanitárias, sendo uma delas reservada a pessoas com deficiência física. O «Damião de Goes», aqui referido por ser cabeça de série destes catamarãs, foi construído em alumínio e é muito mais rápido do que os seus antecessores. Apresenta as seguintes características : 713 toneladas de arqueação bruta; 49,20 metros de comprimento; 12,30 metros de boca; 1,58 metro de calado. A sua propulsão é assegurada por 1 potente motor ‘de jactos de água’, que lhe oferece uma velocidade máxima de 30 nós. A velocidade de serviço foi, no entanto, estabelecida a 22 nós, devido a problemas de erosão causados, à partida do Barreiro, na zona antiga de Alburrica. As outras embarcações congéneres da «Damião de Goes» chamam-se : «Augusto Gil», «Miguel Torga», «Fernando Namora», «Gil Vicente», «Jorge de Sena», «Almeida Garrett», «Fernando Pessoa» e «Antero de Quental». Entraram em serviço, progressivamente, a partir de 2004.
«DOM CARLOS I»

Este cruzador da nossa armada foi construído em 1898 nos estaleiros da casa Vickers-Armstrong, em Newcastle-on-Tyne (G.B.). Era um navio de 4 250 toneladas, com 117 metros de comprimento por 14,40 metros de boca, de cujo armamento principal se destacavam 4 peças de 150 mm e 5 tubos lança-torpedos. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas a vapor (com 12 caldeiras), desenvolvendo uma potência de 12 730 cv, que lhe permitiam navegar à velocidade máxima de 22 nós. Tinha uma guarnição de 442 homens (20 oficiais, 46 sargentos e 376 praças). O «Dom Carlos I» foi, no seu tempo, a melhor unidade da marinha militar portuguesa e, por essa razão, ostentou -durante a Grande Guerra- a flâmula de navio-almirante da nossa esquadra. O seu primeiro comandante foi o então capitão-de-mar-e-guerra Hermenegildo Capelo, que se tornaria famoso (com Roberto Ivens) pela sua exploração dos sertões africanos. Após a implantação da República, este cruzador passou a usar o nome de «Almirante Reis». Isso, depois de ter sido palco da Revolta dos Marinheiros de 1906. O navio sofreu um espectaculat encalhe (felizmente resolvido), frente a Esposende, em Julho de 1912. Em Setembro de 1914 largou para África, integrado na escolta aos transportes de tropas para ali enviadas pelo estado português. E, em 1917, entrou no estaleiro para receber trabalhos de beneficiação. Saiu para o mar, pela última vez, em 1925, quando foi rebocado para os Países-Baixos para ali ser desmantelado. Certas fontes pretendem que o navio ainda prestou serviço na armada real holandesa, até vésperas da 2ª Guerra Mundial. Do antigo espólio do cruzador «Dom Carlos I» conserva-se -no Museu de Marinha- um cofre que contém uma preciosa bandeira nacional, bordada pelas mãos da rainha D. Amélia, esposa do (primeiro) patrono do navio.
sábado, 18 de dezembro de 2010
«CÔTE D'ÉMERAUDE»

Este bacalhoeiro foi um dos últimos navios do seu tipo a ser construído em França. O «Côte d’Émeraude» era um lugre-patacho com 830 toneladas de deslocamento (em plena carga), construído -no ano de 1925- em Saint Malo, cidade bretã com grandes tradições na pesca do bacalhau. Assim baptizado para homenagear um dos trechos mais bonitos da costa da Bretanha, este veleiro, com casco de madeira, media 42,55 metros de comprimento por 9,70 metros de boca e o seu calado era de 4,40 metros. Matriculado no porto de Cancale, o «Côte d’Émeraude» (‘Costa de Esmeralda’, na tradução portuguesa) tinha uma equipagem de 35 homens, estava guarnecido com 14 dóris e operou entre 1925 e 1941 nos grandes bancos bacolhoeiros da Terra Nova e da Groenlândia. Perdeu-se, por encalhe, em ano que ainda não conseguimos apurar, na foz do rio Sebou (perto de Rabat) , quando fazia uma viagem de Saint Pierre et Miquelon para Port-Lyautey (agora Kenitra), no então protectorado francês de Marrocos. A administração postal gaulesa emitiu, em 1972, um bonito selo postal (obra do conhecido artista Roger Chapelet), que mostra o «Côte d'Émeraude» navegando a todo o pano em mar aberto.
«BOGUE»

Porta-aviões de escolta da armada dos Estados Unidos, o «Bogue» (assim chamado em homenagem a uma cidadezinha da Carolina do Norte) foi construído pelos estaleiros da firma Seattle-Tacoma Shipbuilding, do estado de Washington, e lançado à água em 1942. Foi o primeiro de uma série de 45 navios da mesma classe, concebidos para a luta anti-submarina no Atlântico norte. A maioria deles foi transferida para a ‘Royal Navy’. Realizado a partir do casco de um cargueiro do tipo C3, o «Bogue», cujo identificativo de amura era CVE-9, era um navio que podia deslocar umas 16 000 toneladas em plena carga e que media 151 m de comprimento por 21,20 m de boca. O seu sistema propulsivo, capaz de desenvolver uma potência de 8 500 cv, compreendia 2 caldeiras, 2 turbinas a vapor e 1 hélice. A sua velocidade de cruzeiro era de 18 nós. O «Bogue» estava armado com 10 canhões de médio e pequeno calibre e com 35 armas antiaéreas. Podia embarcar uma vintena de aviões : 12 Grumman F4B ‘Wildcat’ e 9 Grumman TBF ‘Avenger’. A guarnição desta plataforma era composta por 646 homens da marinha e pelo pessoal da aviação que operava os aeroplanos e lhes assegurava a manutenção. Durante as suas campanhas no Atlântico norte, a aviação embarcada do «Bogue» afundou 13 submersíveis alemães. Depois de vencida a guerra naval em águas europeias, o «Bogue» foi enviado -em inícios de 1945- para a frente do Pacífico, onde ainda teve tempo de participar nos combates pela libertação de várias ilhas ocupadas pelos japoneses. A sua meritória acção na luta contra as forças do Eixo, valeu-lhe uma citação do presidente dos Estados Unidos e três ‘Battle Stars’. O porta-aviões de escolta «Bogue» foi desactivado em 30 de Novembro de 1946 e enviado para a sucata em 1959. No ano seguinte procedeu-se ao seu desmantelamento.
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