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quinta-feira, 16 de agosto de 2012
«SAN MIGUEL»
Paquete português, que pertenceu (entre 1905 e 1930) à frota da Empresa Insulana de Navegação. Construído no estaleiro naval da firma Raylton Dixon, de Middlesborough (Grã-Bretanha), este paquete apresentava 2 763 toneladas de arqueação bruta e media 91,60 metros de comprimento por 12,84 metros de boca. Este navio –destinado ao transporte de passageiros e carga geral- estava equipado com 1 máquina a vapor (também ela e origem inglesa) que desenvolvia uma força de 2 500 lhp, o que lhe permitia navegar à velocidade de cruzeiro de 12 nós. A sua tripulação compreendia 54 membros. Durante um quarto de século o «San Miguel» assegurou uma carreira regular entre Lisboa e os portos dos Açores. A sua fama adveio-lhe do facto de ter sido um interveniente (passivo) do famoso e dramático episódio do «Augusto de Castilho», o pequeno patrulha da nossa Armada que –no dia 14 de Outubro de 1918- se interpôs entre este paquete da Insulana (que se dirigia para Ponta Delgada) e o temível submarino alemão «U-139». Ousadia que salvou o navio de passageiros e poupou a vida e os bens dos 200 viajantes que transportava; mas que, infelizmente, causou a destruição do supracitado patrulheiro e a morte (heróica !) de parte da sua guarnição, incluindo a do abnegado oficial que o comandava : o corajoso 1º tenente Carvalho Araújo. O «San Miguel» foi vendido, em 1930, à Companhia Carregadores Açoreanos e integrou, no ano seguinte, a frota da Companhia Colonial de Navegação; que o utilizou na linha dos Açores, mas também nas carreiras para o arquipélago de Cabo Verde. Por essa altura o navio já havia mudado de nome e ostentava o designativo de «Guiné» (segundo do nome nos efectivos do seu derradeiro proprietário). Em 1949, completamente ultrapassado, como se pode imaginar, o ex-«San Miguel» foi desactivado. E desmantelado em 1950, depois de ter navegado durante 44 longos anos com duas bandeiras nacionais : a azul e branca da monarquia e a verde-rubra da República Portuguesa.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
«SAN SALVADOR»

Nau espanhola de 200 toneladas construída, entre 1536 e 1540, algures na América central (provavelmente na Guatemala) por ordem e a expensas de João Rodrigues Cabrilho, o descobridor português da Califórnia. Não se conhece grande coisa sobre as características físicas deste navio, presumindo-se, no entanto, que fosse uma embarcação de vela em tudo similar às do seu tempo. O navegador português -que serviu a coroa espanhola- era, no entender dos seus próximos, uma pessoa muito conhecedora das técnicas de construção naval, além de ser «persona muy plática en las cosas de la mar» e homem de uma valentia irreprovável. Foram aliás estas suas qualidades, muito apreciadas no fervilhante século XVI, que lhe valeram passar, progressivamente, da simples condição de soldado besteiro (embora ele se auto-intitulasse «portugués, hombre de caballo») à de almirante. O «San Salvador» integrou a esquadra de Pedro de Alvarado, que deveria executar uma viagem às ilhas «das especiarias» (as Molucas). Mas, após o fracasso dessa missão, Cabrilho recebeu ordens para explorar o norte do litoral mexicano. Foi assim que, no ano de 1542, à testa de uma frota de três navios, tendo a nau «San Salvador» como capitânea, ele empreendeu o reconhecimento metódico da costa californiana, descobrindo e cartografando, sucessivamente e entre outros lugares, o cabo San Lucas (Baixa Califórnia), o porto de San Mateo (hoje Ensenada), a baía de San Diego, várias ilhas costeiras (Santa Catalina, San Clemente, Santa Cruz, Santa Rosa, San Miguel, etc), as baías de Monterey e de Santa Mónica, os cabos San Martin e Mendocino e outros lugares, cujo limite certos cronistas (entre eles Lázaro Cárdenas) situam a 45º de latitude N. Cabrilho morreu na viagem de regresso à América central, na ilha por ele chamada Posesión (que hoje é conhecida pelo nome já referido de San Miguel), onde foi enterrado pelos seus companheiros. Quanto à nau «San Salvador», dela só restam alguns escritos e a lembrança perpetuada numa maqueta (construída, ao que parece, à sua imagem e semelhança) exposta no Museu do ‘Cabrillo National Monument’, de San Diego, realizado para exaltar os feitos do primeiro herói da Califórnia e seu ilustre capitão.
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