segunda-feira, 17 de julho de 2017

«VENTUROSO»


Lugre português de 4 mastros e com casco de madeira, construído em 1919 num estaleiro de Vila do Conde pelo mestre carpinteiro Jeremias Martins Novais; que era membro de uma família de afamados construtores navais do norte do país, responsável pela realização de numerosos e excelentes navios à vela. O «Venturoso» pertenceu à Sociedade Comercial de Navegação, Lda., com sede no Porto. A rara informação existente sobre este navio, apenas refere que apresentava 413 toneladas de arqueação líquida (TAL) e que nunca usou motor auxiliar. São igualmente conhecidos os nomes dos seus dois capitães : José Cochim (que passou pelo navio em apreço entre 1919 e 1921) e José Ançã (que o terá governado entre 1922 e 1923). Este quase misterioso navio perdeu-se num também pouco documentado naufrágio, que ocorreu em pleno oceano Atlântico, quando o «Venturoso» navegava de Belém do Pará, para a Cidade Invicta. Nada se sabe sobre a existência de eventuais sobreviventes ao soçobro do navio. Mas depreende-se, pela data da morte do seu capitão, que este terá sido uma das vítimas do afundamento do lugre. A foto aqui anexada é de autor desconhecido. Foi apresentada (julgo que pela primeira vez) no excelente blogue «Navios à Vista», ao qual pedimos desde já a sua indulgência por esta bem intencionada usurpação e apresentamos melhores comprimentos. Mas também ela (a foto) é polémica, pois não há certezas de que, realmente, represente o «Venturoso».

sábado, 15 de julho de 2017

«P. R. HAZELTINE»


O veleiro «P. R. Hazeltine» (uma galera de 3 mastros com casco em madeira) foi construído em 1876 nos estaleiros Carter C. P. & Company, de Belfast, no estado norte-americano de Maine. O seu único armador foi a firma Ezekiel H. Herriman, da mesma cidade. Que perdeu este navio aquando da sua viagem inaugural, que começou Liverpool (Nova Iorque, a não confundir com o porto britânico homónimo) e tinha como destino São Francisco da Califórnia. Transportava carga diversa. Nesse tempo, a passagem para o oceano Pacífico fazia-se obrigatoriamente pela rota do cabo Horn, reputado pelas dificuldades que causava mesmo aos capitães e marinheiros mais experimentados. Foi por ali que este veleiro se perdeu, depois de se ter esventrado contra os recifes da ilha Wollaston, pertencente à República do Chile. Grande parte da carga deste novo veleiro estadunidense foi salva (graças ao bom estado do tempo) e toda a equipagem e passageiros do «P. R. Haxeltine» se salvou com recurso às baleeiras de bordo. Depois de terem rumado ao canal de Le Maire, os náufragos foram resgatados pelos navios «Sonoma» e «Gustave» (também eles veleiros) e deixados em porto seguro. O naufrágio da galera americana ocorreu no dia 25 de Agosto de 1876. Curiosidade : a tela que aqui representa o navio em apreço é da autoria do artista Percy A. Senborn.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

«SÃO GABRIEL»

Cruzador de 3ª classe da Armada Portuguesa. Foi encomendado, ainda nos tempos da monarquia e ao mesmo tempo que o seu gémeo «São Rafael», para cumprir os planos de modernização da nossa frota de guerra delineados pelo então ministro Jacinto Cândido. Foi construído em França, na cidade do Havre, pelos estaleiros da firma Forges et Chantiers du Havre (Augustin Normand), que o botaram ao mar no ano de 1900. Era um belo navio protegido por uma coberta couraçada de 35 mm, que deslocava 1 850 toneladas. Media 75 metros de comprimento por 10,80 metros de boca por 4,35 metros de calado. O sistema de propulsão deste cruzador era constituído por 2 máquinas a vapor de tripla expansão, que desenvolviam 3 000 cv e que podiam conferir ao navio 16 nós de velocidade máxima. O «São Gabriel» estava armado (artilharia principal) com 2 canhões de 150 mm, com 4 de 120 mm, com 8 de 75 mm e com 1 tubo lança-torpedos posicionado à proa. Tinha, inicialmente, mastros aparelhados com velas, como ainda era de uso na época da sua realização. Recebeu, já depois de ter sido recepcionado pela Armada, aparelhagem TSF. Teve a sua base em Lisboa. A coroa de glória do «São Gabriel» advém-lhe do facto de ter sido o primeiro navio português a ter realizado uma circum-navegação do globo (entre 11 de Dezembro de 1909 e 19 de Abril de 1911) e através de uma rota reconhecidamente difícil, que passou pelo estreito de Magalhães e pelos canais da Patagónia. A dita viagem durou 16 meses e 9 dias, tendo o navio percorrido cerca de 42 000 milhas náuticas (durante as quais afrontou um tufão nos mares da China) e visitado 72 portos nacionais e estrangeiros. Repare-se que o navio partiu de Portugal quando por cá ainda reinava D. Manuel II e que regressou à base já depois de instaurada a República. A viagem decorreu sem incidentes, já que, durante esse longo périplo, não ocorreram a bordo nem mortes, nem feridos, nem sequer houve doenças de membros da guarnição. Este cruzador, que não teve papel relevante durante o primeiro conflito generalizado, foi abatido do serviço activo em 1924, quando já era um navio obsoleto.

«GALGO»

Esta minúscula embarcação entrou na História naval durante os anos quentes da Grande Guerra, ao prestar serviço para a nossa Armada nas águas do Algarve. Era um rebocador pertencente à firma Júdice Fialho & Companhia, registado no porto da então Vila Nova de Portimão, que a autoridade marítima requisitou (em finais de Setembro de 1916) e transformou em patrulha armado. Para tanto, recebeu artilharia (1 canhão-revólver Hotchkiss de 37 mm) e a sua tripulação foi reforçada com elementos da marinha de guerra. Entre os quais figurava o 1º tenente Alberto Carlos dos Santos, que assumiu o comando. A missão do «Galgo» consistia na vigilância da costa algarvia, entre o cabo de São Vicente e Lagos. O «Galgo» fora construído nos estaleiros Ross & Duncan, de Glásgua, em data não apurada e renovado em Lisboa no ano de 1911. Deslocava 83 toneladas (em plena carga) e media 27,10 metros de comprimento fora a fora por 5,18 metros de boca. Estava equipado com 1 máquina de origem inglesa desenvolvendo uma potência de 75 cv, que lhe imprimia uma velocidade máxima de 10 milhas/hora. Foi o único 'navio' da Armada Portuguesa que, durante aquele devastador conflito e com os seus limitados meios, ousou opor-se à acção do submarino germânico «U-35» (comandado pelo famoso e temível capitão-tenente Lothar von Arnauld de la Perière), que afundou quatro navios dos Aliados só na zona de Sagres. Foi também o modesto «Galgo» e a sua corajosa tripulação de 15 homens, que lograram resgatar (com vida) ao oceano muitos dos náufragos dos cargueiros destruídos pelo supracitado submersível. Largas dezenas. O «Galgo» foi desmilitarizado pela Armada em 1918 e posteriormente devolvido ao seu legítimo proprietário. Desconhece-se quando e em que circunstâncias deixou de navegar. Curiosidade : as instâncias nacionais e internacionais protegeram os restos dos navios afundados ao largo do promontório de Sagres, transformando essa zona numa espécie de 'santuário', que a UNESCO já classificou, aliás e segundo a imprensa, como património da Humanidade.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

«HAR ZION»

Este navio (um cargueiro) foi lançado à água em 1907 pelos estaleiros Burmeister & Wain Maskin, de Copenhague; que o construíram para satisfazer uma encomenda do armador (também ele dinamarquês) Det Ostasiatiska. Armador que o utilizou até 1913, com o primitivo nome de «St. Jan». Passou depois por várias mãos, inclusivamente pelas do governo dos EUA (que se se serviu dele, entre 1918 e 1919, para repatriar alguns dos seus militares que haviam combatido em França, durante a Grande Guerra), e usou variadas bandeiras. Para além de também ter ostentado o nome de «Nikerie», este navio ainda viu pintado no seu casco o nome de «Risveglio». Após ter navegado, pois, sob bandeiras dinamarquesa, norte-americana, neerlandesa (anos 30) e italiana, este cargueiro foi vendido, em 1935, a um armador judeu, proprietário da companhia Palestine Maritime Lloyd Ltd., que o registou na Grã-Bretanha e que para o navio requereu pavilhão desse país. Vocacionado para o transporte de carga geral, o agora chamado «Har Zion» esteve algum tempo a operar entre o futuro estado de Israel e os portos do mar Negro, implicado num negócio de troca de frutos (especialmente citrinos) por madeiras, animais vivos, etc. No início da 2ª Guerra Mundial, o «Har Zion» passou a navegar no oceano Atlântico. A sua derradeira viagem desenrolava-se entre Liverpool e Savannah, quando transportava para esta cidade da Geórgia (EUA) um carregamento de álcool e de fertilizantes. Seguia integrado no comboio OB-205 (devidamente protegido por navios de guerra da 'Royal Navy'), quando foi surpreendido -ainda em águas europeias- pelo submarino inimigo «U-38»; que o torpedeou e afundou. Dos seus 37 tripulantes, só um escaparia com vida ao soçobro do navio. Este facto ocorreu em data de 31 de Agosto de 1940. O «Har Zion» apresentava as seguintes características : 2 508 toneladas de arqueação bruta; 98,90 metros de comprimento por 12,40 metros de boca por 5,84 metros de calado. A sua propulsão era assegurada por 1 máquina a vapor de tripla expansão (com veio acoplado a 1 hélice) desenvolvendo uma potência de 1 450 hp. Força que lhe transmitia uma velocidade de cruzeiro da ordem dos 11 nós. Curiosidade : aqui há uns anos, a administração postal israelita emitiu um selo homenageando este navio e a sua tripulação.

domingo, 9 de julho de 2017

«HAVHINGSTEN FRA GLENDALOUGH»


Este navio -lançado ao mar em 2004 e cujo nome significa, na nossa língua, 'garanhão marinho de Glendalough'- é a réplica (à escala 1/1) de um drakkar Viking achado, em 1972, no fiorde de Roskilde e conhecido , no Museu dos Navios Vikings dessa localidade dinamarquesa, onde está exposto, pelo nome de «Skuldelev 2»; que data, segundo os peritos, do ano de 1042 da era cristã. A réplica foi construída na Dinamarca, segundo os métodos usados na Idade Média e com materiais não muito diferentes dos utilizados nessa recuada época. Considerado muito próximo do original que lhe serviu de modelo, este drakkar (navio de guerra dos antigos escandinavos) desloca 9,6 toneladas e mede 29,26 metros de comprimento por 3,80 metros de boca. O seu calado é inferior a 1 metro. Dispõe, naturalmente, de um único mastro (que culmina a 14 metros) , que está equipado com uma vela com 112 m2 de superfície., Está, igualmente, equipado com vários remos, que são accionados por alguns dos 60 homens que o navio pode receber a bordo. Quando não está fundeado no seu porto de abrigo (Roskilde), esta cópia de embarcação antiga é usada por cientistas (estudiosos dos Vikings e dos seus navios) e/ou navega nos fiordes locais em cruzeiros de formação para jovens e menos jovens. Já visitou todos os países da Escandinávia e regiões limítrofes e, em 2007, empreendeu uma expedição até Dublin (na actual República da Irlanda), onde despertou grande curiosidade.

domingo, 2 de julho de 2017

«NIOBE»

Depois de ter servido na 'Royal Navy' e de ter indirectamente participado na 2ª Guerra dos Boers, desembarcando homens e material bélico na África do Sul, o «Niobe» -um cruzador protegido da classe 'Diadem'- foi integrado na armada do Canadá; constituindo com o «Rainbow» o primeiro grupo de navios de combate da marinha militar desse grande país. O «Niobe» foi construído, em 1898, pelos estaleiros navais da Vickers em Barrow-in-Furness. Era um navio de 11 000 toneladas de deslocamento, medindo 141 metros de longitude por 21 metros de boca e com um calado de 7,77 metros. Movia-se pela força (20 000 cv) de 1 máquina a vapor de tripla expansão, accionando 2 hélices. A sua velocidade máxima atingia os 20 nós. Do seu armamento principal constavam 16 canhões de 152 mm, 17 outras peças de menor calibre e 2 tubos lança-torpedos de 450 mm. Tinha uma guarnição de 677 homens (oficiais incluídos) e a sua base situava-se em Halifax, na província litorânea da Nova Escócia. Depois de um incidente de navegação, que imobilizou o navio (por encalhe e durante 18 longos meses), o «Niobe» teve a oportunidade de participar nos combates do primeiro conflito generalizado : a chamada Grande Guerra. Para tanto, foi reintegrado na 'Royal Navy', que o mandou patrulhar costas sensíveis, durante 12 meses. Devido à sua vetustez, o navio foi retirado da primeira linha e regressou a Halifax, onde chegou em meados do ano de 1915; e onde passou a servir -até ao fim do conflito- como quartel-general. Uma parte dos seus marinheiros pereceu na terrível e mortífera catástrofe de Halifax de 1917, provocada pela explosão do navio francês «Mont Blanc». Depois disso, sem utilidade prática, acabou a sua carreira a funcionar como simples depósito de material. Em 1920, o «Niobe» foi desarmado e, dois anos mais tarde, em 1922, foi conduzido a Filadélfia, nos Estados Unidos, par ali ser desmantelado.