sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

«PLASTIKI»


Curiosa embarcação do tipo catamaran, construída, essencialmente, com garrafas de plástico (12 500 no total, que asseguram 68% da sua flutuabilidade) e com outros produtos de mesma natureza -todos recicláveis- incluindo uma cola orgânica feita com substâncias residuais da noz de caju e da cana de açúcar. O «Plastiki» (cujo nome se inspirou do da célebre jangada de Thor Heyerdahl), foi idealizado pelo jovem David de Rothschild (herdeiro da conhecida família de banqueiros) e construído -segundo os planos do arquitecto naval Andrew Dovell- em San Francisco, Califórnia, por Andy Fox. O «Plastiki» desloca 12 toneladas e mede 18 metros de comprimento por 7 metros de boca. Usa dois mastros e respectivas velas para mover-se e, a bordo, só se utilizam energias naturais : vento, sol e força muscular para alimentar geradores. O estranho navio (será que é um ?) partiu da cidade da Porta Dourada no dia 20 de Março de 2010 e chegou a Sidney (Austrália) a 26 de Julho, após uma bem sucedida travessia do oceano Pacífico. Nesses 128 dias de viagem, o «Plastiki» percorreu 8 393 milhas náuticas, distância que corresponde a cerca de 15 500 km. A sua tripulação (6 homens, incluindo Jo Royle, capitão, David de Rothschild e Olav Heyerdahl, neto do herói da «Kon Tiki») tentou, com esta aventura, sensibilizar a população mundial para diversos problemas ambientais, tais como o do aquecimento global do nosso planeta, a acidificação dos oceanos e a poluição marinha.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

«BORODINO»


Couraçado da marinha imperial russa, construído no arsenal de São Petersburgo no início do século XX. Foi integrado nos efectivos da armada de Nicolau II (esquadra do Báltico) no dia 1º de Setembro de 1904 e logo enviado para o Pacífico, onde teve o destino de muitos outros navios do czar : foi afundado -a 27 de Maio de 1905- na violentíssima batalha naval de Tsushima. O «Borodino», que era cabeça de série de uma classe de navios couraçados com o seu nome, foi atingido por várias salvas do seu congénere japonês «Fuji» e explodiu, antes de adornar e afundar-se. Da sua tripulação de mais de 800 homens, apenas um marinheiro sobreviveu ao desastre. O «Borodino» deslocava mais de 14 000 toneladas, estava fortemente blindado e contava, entre o seu armamento principal, 4 canhões de 305 mm, 12 outros de 152 mm e 4 tubos lança-torpedos de 381 mm. O navio media 121 metros de comprimento por 23,20 metros de boca e movia-se graças a um sistema propulsivo alimentado por carvão. A sua velocidade máxima não excedia os 18 nós.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

«RED JACKET»


Veleiro de três mastros desenhado pelo arquitecto naval Samuel Hart Pook. Foi construído em 1853 no estaleiro de George Thomas, de Rockland (Maine) para o armador bostoniano Seacomb & Taylor. O seu nome fazia alusão à alcunha de Sagoyewatha, um famoso chefe ameríndio (Séneca) do século XVIII. Foi considerado um dos mais velozes navios do seu tempo, facto que o «Red Jacket» confirmou logo na sua primeira viagem transatlântica, ao estabelecer um novo record de velocidade, entre Nova Iorque e Liverpool. Comprado em 1854 pela White Star Line, o navio mudou de bandeira e passou a assegurar carreiras entre a 'Velha Albion' e a Austrália, levando para esse longínquo território da coroa britânica muitas centenas de emigrantes europeus. Em 1868, teve novo proprietário, que passou a utilizá-lo como transporte de madeiras entre Quebeque (Canadá) e Inglaterra. Em 1883, este veleiro de 2 300 toneladas, foi, finalmente, adquirido pela firma Blandy Brothers & Coº (armadores e negociantes do Funchal), matriculado na ilha da Madeira e utilizado, como navio de carga diversa, entre o arquipélago da Madeira e os Estados Unidos. País para onde o navio transportou os generosos vinhos da ilha, entre outras mercadorias. Não conseguimos apurar se o famoso veleiro, que, por essa época, hasteava à popa a bandeira azul e branca do reino de Portugal, chegou a mudar de nome. É sabido, isso sim, que o navio deixou de navegar no dia 15 de Dezembro de 1885, data em que foi atirado à costa madeirense por um violento temporal. O seu casco foi recuperado e ainda serviu alguns anos, ao que parece, como barcaça carvoeira num porto de Cabo Verde.

«ADMIRAL HIPPER»


Cruzador pesado da marinha hitleriana, pertencente à classe do mesmo nome. Este navio de 14 000 toneladas (18 200 t em plena carga), com 215,90 metros de comprimento por 21,30 metros de boca, foi construído pelos estaleiros Blohm und Voss, de Hamburgo, e lançado à água em 1937. Era gémeo do «Blücher» e, como este, bem couraçado e poderosamente armado com 8 canhões de 203 mm, 12 outros de 105 mm e 12 tubos lança-torpedos de 533 mm. A sua tripulação compreendia 1 600 homens : oficiais, sargentos e praças. O seu sistema propulsor era diferente do do seu ‘sister-ship’, mas desenvolvia, sensivelmente, a mesma potência, permitindo que o navio vogasse a uma velocidade máxima que ultrapassava os 32 nós. Contrariamente ao «Blücher», que teve vida efémera, o «Admiral Hipper» só seria posto fora de combate em 1945, ano em que foi destruído pelos bombardeamentos da ‘Royal Air Force’ contra o porto de Kiel. Entretanto, este cruzador havia participado na guerra de corso e afundado 60 000 toneladas de navios inimigos. Esteve um tempo baseado num porto norueguês, de onde efectuou -até 1945- alguns espectaculares raides contra os comboios aliados do Árctico. O «Hipper» foi sem dúvida, um dos melhores navios do seu tempo, na sua categoria.

«CHELLA»


Paquete francês construído pela firma Forges et Chantiers de la Méditerranée (de La Seyne-sur-Mer) em 1934. Substituiu, na frota da companhia marselhesa Paquet um navio (o «Nicolas Paquet») perdido por encalhe no ano precedente. Rápido e confortável, o «Chella» foi colocado na linha do norte de África (com extensão sazonal até Dacar) em 1935. Deslocava 11 000 toneladas em plena carga e media 138 metros de comprimento por 18,50 metros de boca. O seu sistema propulsor desenvolvia 15 300 cv de potência, o que permitia ao «Chella» navegar à velocidade máxima de 22 nós. O navio podia receber 556 passageiros distribuídos por três classes. Logo em 1935, o paquete foi afretado pelo governo de Paris para transportar os familiares e personalidades que acompanharam a transladação solene das cinzas do marechal Lyautey -grande figura da França colonial- feita de África para a metrópole pelo cruzador «Dupleix». Em 1940, em plena guerra, o «Chella» foi o triste protagonista de um drama que enlutou a ‘Royal Navy’, ao cortar em dois um dos seus avisos nas proximidades de Gibraltar. Deste incidente, que provocou a morte de 24 marinheiros ingleses, deixou testemunho (verbal e epistolar) o médico de bordo do paquete francês, o Dr. Destouches, figura que se ilustrou no mundo das letras com o pseudónimo de Louis-Ferdinand Céline. Com um rombo de 16 metros de longitude no casco, o «Chella» conseguiu chegar com alguma dificuldade a Marselha, onde entrou na doca seca para sofrer as reparações que se impunham. Foi nesse grande porto do Mediterrâneo, que o paquete (entretanto requisitado e transformado em transporte de tropas) foi alvo -ao mesmo tempo que a cidade- do bombardeamento da ‘Luftwaffe’ de 2 de Junho de 1940. Atingido por várias bombas incendiárias, o navio (cujos porões abarrotavam de munições) ainda foi retirado do cais onde se encontrava atracado, para ir estoirar a pouca distância do porto de Marselha. Os seus restos, que constituíam um perigo para a navegação, foram parcialmente afundados pelo tiro do «Cyrnos», um antigo mercante da companhia Fraissinet, que as circunstâncias haviam transformado em cruzador auxiliar. Em 1954, parte do casco do «Chella» ainda era visível no sítio do soçobro. Esse importante fragmento do navio foi desmantelado 'in situ' por especialistas desse género de operações.

«ALMIRANTE CERVERA»


Cruzador construído em 1925 nos estaleiros da S.E.C.N. do Ferrol e oficialmente integrado na armada espanhola no dia 15 de Setembro de 1928. Deslocava 9 240 toneladas e media 176,60 m decomprimento por 16,60 m de boca. A propulsão do navio era assegurada por um sistema motor desenvolvendo 80 000 cv de potência, que lhe ofereciam 34 nós de velocidade máxima e cerca de 5 000 milhas náuticas de autonomia, com andamento limitado a 15 nós. O «Almirante Cervera» -que tinha uma guarnição de 566 homens- estava armado com 8 canhões de 152 mm, 4 peças de artilharia AA e com 4 dispositivos lança-torpedos (triplos) de 533 mm. Depois de modernizado, ficou preparado para poder transportar e utilizar um hidroavião Heinkel He-114. A primeira acção bélica do «Cervera» ocorreu em 1934, quando foi utilizado -durante a insurreição asturiana- para bombardear algumas zonas costeiras do Cantábrico. Quando eclodiu a guerra civil, em 1936, o cruzador estava na doca seca do Ferrol, sendo capturado pelas forças franquistas e integrado na armada rebelde. O seu comandante, capitão Juan Sandalio Sánchez-Ferragut foi fuzilado pelos nacionalistas, que não lhe perdoaram a sua fidelidade à República. Nos primeiros tempos do conflito, participou em acções contra posições governamentais do Cantábrico, bombardeando Gijón, Santander Portugalete, etc. Foi por essa altura, que (por erro ?) alvejou o iate «Blue Shadow», de bandeira britânica, matando o seu comandante e criando um incidente diplomático. Em 1937, esteve no bloqueio do estreito de Gibraltar e na batalha do Cabo Espartel. Atribui-se-lhe o apresamento de vários navios republicanos (entre os quais o paquete «Marqués de Comillas») e britânicos, além do abate de um avião trimotor da aviação legalista, que tentara interceptá-lo. Esteve, em 1938, no bombardeio da cidade de Valência e resistiu a um ataque aéreo, que lhe causou alguns estragos. Participou, na noite de 5 para 6 de Março desse mesmo ano, na batalha do Cabo de Palos, ilustrando-se por ter salvo parte dos náufragos do cruzador franquista «Baleares». Esta batalha (que se desenrolou ao largo de Cartagena) foi, claramente, uma vitória dos Republicanos, que não sofreram a mínima baixa, enquanto a marinha sublevada perdeu um cruzador pesado e 786 homens, entre os quais se contava o almirante Manuel Vierna Belendo. A última acção notória do «Almirante Cervera» ocorreu no mar Cantábrico, já no final da guerra civil, quando aí afundou (com o auxílio do «Galerna») o «Andra», um navio de bandeira panamenha que tentava furar o bloqueio imposto pelos franquistas. Modernizado, o cruzador «Almirante Cervera» (que teve vários ‘sister-ships’) manteve-no no activo até 31 de Agosto de 1965.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

«SIR LANCELOT»


‘Clipper’ de bandeira britânica construído em 1865 pelos estaleiros de Robert Steele & Cº, de Greenock. Concebido para o rendoso negócio do chá, este navio de três mastros era tão bonito e de acabamentos tão perfeitos, que chegaram a chamar-lhe o ‘iate do oceano Índico’. Deslocando cerca de 900 toneladas, o «Sir Lancelot» media 60 metros de comprimento por 11,30 metros de boca. Este ‘clipper’ cobria a distância entre os portos chineses e Londres (via cabo da Boa Esperança) em menos de 100 dias de navegação, tendo o seu record sido batido em 1869 em apenas 89 dias. O «Sir Lancelot», cujo nome se tornou quase lendário nas famosas ‘corridas do chá’, foi vendido, em 1886, a um armador indiano de nome Ibrahim Visram, que o colocou no comércio com as ilhas Maurícias, isto numa altura em que -com a abertura do canal de Suez- os negociantes londrinos deixaram de recorrer aos serviços deste tipo de navios. Em 1895, o gracioso veleiro foi comprado por um armador persa, que o perdeu no dia 1 de Outubro desse mesmo ano, na sequência de um ciclone, em Sands Head, nas proximidades de Calcutá. Nessa altura, o antigo «Sir Lancelot» (nome de cavaleiro da Távola Redonda) dedicava-se ao comércio do açúcar, do arroz e do sal.