sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

«CRÉOLE»

Lançado à água em 1927 pelo estaleiro da firma Camper & Nicholsons, de Gosport, no Reino Unido, este belíssimo veleiro chegou a ser apontado como «o mais belo iate do mundo». O seu primeiro proprietário foi o milionário norte-americano Alec Cochran, que o baptizou com o nome de «Vira». Com casco em madeira e com 3 altaneiros mastros, o navio -que foi desenhado pelo arquitecto naval Charles Nicholson- deslocava inicialmente 434 toneladas e tem as seguintes dimensões : 65,53 metros de comprimento fora a fora; 6,45 metros de boca; 5,60 metros de calado. Ganhou fama de ser uma embarcação maldita, pelo facto da cerimónia do bota-abaixo ter sido problemática e do seu baptismo ter necessitado três garrafas de champanhe. Para além deste mau presságio, o veleiro (autêntica obra de arte, que custou uma fortuna) apresentava sérios problemas de navegabilidade, que o tornavam desconfortável. Colocado à venda em 1928, este elegante navio foi adquirido por Maurice Pope, que lhe deu o nome de «Créole», inspirado, ao que parece, pela sua sobremesa favorita. Antes da guerra 1939-1945, o navio ainda teve um terceiro proprietário (um outro lorde britânico), facto que, através do jogo das amizades, fez que grande parte da aristocracia inglesa do tempo pisou o convés deste belíssimo iate. Requisitado, durante o segundo conflito generalizado, pelas forças navais britânicas, o veleiro passou a chamar-se «Magic Circle» e a exercer as funções de draga-minas. De 1945 até 1951 esteve arrumado num canto do seu estaleiro de origem, até que foi comprado (em muito mau estado de conservação) pelo riquíssimo armador grego Niarchos, que lhe devolveu a magnificência de outrora. Abandonado pelo multimilionário helénico após a morte da sua esposa Tina Nivanos, o «Créole» foi adquirido, em 1978, por uma associação dinamarquesa vocacionada para a recuperação social de jovens drogados. Mas, a experiência passou-se mal, visto o veleiro ter sido confiscado pela justiça, devido a dívidas contraídas (e nunca pagas) por essa associação benemérita. Em 1983, o «Créole» foi, finalmente, vendido a Maurizio Gucci (famoso costureiro italiano) e transformado -uma vez mais- em iate de prestígio. E desta vez com um luxo nunca antes igualado, já que o seu bojo foi recheado com valiosíssimas peças de arte, dignas de um museu. Gucci foi assassinado a tiro em 27 de Março de 1995 e, desde então, este navio de sonho continua à espera -num porto do Mediterrâneo- que surja um comprador suficientemente rico e sonhador que queira prosseguir a aventura do «Créole», navio que, como se viu, tem uma história singular. Após múltiplas modificações e arranjos, o deslocamento do «Créole» é, actualmente, de 697 toneladas e os seus mastros podem arvorar até 2 040 m2 de pano. Porto de registo : Hamilton, nas Bermudas.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

«NIDHUG»

Réplica de uma embarcação Viquingue do século X, inspirada no famoso navio de Gokstad, encontrado na Noruega. Construído na Dinamarca (em Bramsnaes, Roskilde) no ano de 1998, este veleiro é propriedade da Maritime Forsogscenter e foi realizado para integrar um projecto de desenvolvimento turístico regional. Assim, este navio com ares de 'drakkar' é -na estação propícia- colocado, com a sua equipagem, à disposição de quem o queira alugar e experimentar o prazer de navegar num navio de há 1 000 anos. O «Nidhug», que pode estender a sua área de acção até às águas de países vizinhos da Dinamarca, incluindo as da Polónia, está preparado para receber (para além da sua tripulação normal de 3 homens) um máximo de 25 passageiros; que se comprometem participar nos trabalhos e manobras de bordo, como, por exemplo, acionar os 20 remos da embarcação e içar e arrear a grande vela panda de 65 m2.  O «Nidhug», que foi realizado segundo as velhas técnicas de construção naval escandinavas, pesa 4 toneladas, tem 1 mastro que culmina a 12 metros de altura e mede 16 metros de longitude por 4,10 metros de boca. O seu calado é de 1,20 metros. Por exigências das autoridades locais e das leis internacionais que regem a navegação turística, o navio teve de ser equipado com um motor auxiliar (1 diesel de 40 hp, acoplado a 1 hélice), com um tanque de combustível com uma capacidade de 200 litros e com alguns instrumentos de ajuda à navegação. Curiosidade : o nome deste navio é o de um dragão da mitologia nórdica.

«TUPI»

Submarino da armada brasileira. É um navio com projecto alemão (IKL-209), construído no estaleiro da firma Howaldtswerke Deutsche Werft, de Kiel, que o lançou à água em 28 de Abril de 1987. O «Tupi» é cabeça de série da classe que recebeu o seu nome e que compreende, no Brasil, mais três outras unidades : o «Tamoio», o «Timbira» e o «Tapajó». O «Tikuna» (comissionado em 2005) também deriva do projecto IKL-209, mas a sua tecnologia muito mais evoluída, levou os brasileiros a incluí-lo numa outra classe. Usando o designativo de amura S-30, o «Tupi» desloca 1 440 toneladas em imersão, mede 61,20 metros de comprimento por 6,20 metros de boca e pode operar a uma profundidade máxima da ordem dos 250 metros. Submarino de propulsão clássica (diesel/eléctrica), pode atingir a velocidade de 11 nós, quando navega à superfície, e de 21,5 nós em imersão. O seu raio de acção é de 10 000 milhas náuticas e a sua autonomia de 50 dias. Este navio stá equipado com 8 tubos lança-torpedos e pode carregar, no início de cada missão, 16 engenhos Mk 24 'Tigerfish'. A sua guarnição compreende 33 homens, oficiais incluídos. O «Tupi» foi o único submarino brasileiro do seu tipo a ser construído no estrangeiro. Os outros três foram (na sequência do contrato estabelecido com os alemães) realizados pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Curiosidade : Muitos outros navios deste tipo foram construídos para as armadas da Argentina (classe 'Salta'), do Chile (classe 'Thompson'), da Colômbia (classe 'Pijao'), da Coreia do Sul (classe 'Jang Bogo'), do Equador (classe 'Shiry'), da Grécia (classes 'Glavkos' e 'Poseidin'), da Indonésia (classe 'Cakra'), do Peru (classe 'Angamos'), da República da África do Sul (classe 'Manthatisi'), da Turquia (classes 'Atilay', 'Preveze' e 'Gur'), da União Indiana (classe 'Shishumar') e da Venezuela (classe 'Sabalo').

«LEPANTO»

Contratorpedeiro da classe 'Fletcher' adquirido pela armada espanhola, nos E.U.A., em 1957. Era o antigo USS «Capps», construído (no estaleiro da firma Gulf Shipbuilding Corporation, de Chickasaw, Alabama) em 1942. Um navio que teve participação activa nos combates da 2ª Guerra Mundial, tanto nas águas do Atlântico como nas do oceano Pacífico. Integrado na marinha de guerra espanhola (assim como mais quatro outros navios norte-americanos da mesma classe : os «Almirante Ferrándiz», «Almirante Valdéz», Alcalá Galiano» e «Jorge Juan»), este navio constituiu uma etapa tecnológica importante na organização da armada do país vizinho. O «Lepanto» (assim chamado em honra da famosa batalha naval de 1571) deslocava 2 050 toneladas e media 114,76 metros de comprimento por 12,90 metros de boca. Os seus equipamentos e armas foram-se modernizando ao longo dos 28 anos em que se manteve sob pavilhão 'sangre y oro'. O seu sistema propulsor desenvolvia uma potência de 60 000 cv, que lhe permitiam atingir pontas de velocidade da ordem dos 35 nós e dispor de uma autonomia de 6 500 milhas náuticas com andamento limitado a 15 nós. Do seu armamento mais recente sobressaíam 4 canhões de 127 mm, 6 outros de 76,2 mm, 5 tubos lança-torpedos de 533 mm e calhas de arremesso de cargas de profundidade.  A sua guarnição normal era composta por 273 homens, oficiais incluídos. Esteve integrado na 21ª Esquadrilha de 'destroyers', com base em Cartagena e no seu historial registam-se, em 1977, um encalhe acidental na costa de Almeria (do qual pôde ser resgatado) e a participação em vários exercícios e manobras com navios nacionais e dos Estados Unidos. Em 1978, participou no resgate do pesqueiro «Génesis», que foi metralhado, ao largo da costa  do Sará Ocidental por presumíveis simpatizantes da independência desse território. Em 1980, o «Lepanto» (D21) foi transferido para a Zona Marítima do mar Cantábrico, onde assegurou patrulhas. Três anos mais tarde, a 12 de Dezembro de 1983, quando se encontrava fundeado no porto do Ferrol, o navio foi palco de um incêndio que só pôde ser extinto passadas cinco longas horas de esforços da sua tripulação. Desactivado em Dezembro de 1985, o «Lepanto» foi enviado para a sucata e desmantelado. Curiosidade : os navios da sua classe (denominada 'Lepanto' em Espanha) eram conhecidos nos meios navais espanhóis como «Os 5 Latinos». Todas estas unidades -que durante os anos 50 e 60 do século XX constituíram a espinha dorsal da armada de 'nuestros vecinos'- foram substituídas por corvetas da classe 'Descubierta'.

«SAMEIRO»

Navio tanque de bandeira portuguesa, construído (por encomenda da nossa marinha de guerra) no Arsenal do Alfeite; que o lançou à água no dia 28 de Agosto de 1946. O seu bota-abaixo foi um acontecimento de monta, já que, nessa época, o «Sameiro» era o maior navio jamais construído no nosso país. Daí que essa cerimónia se tivesse desenrolado na presença do Presidente da República, que era, ao tempo, o general Óscar Fragoso Carmona. Após o seu lançamento, o «Sameiro» foi adquirido pela Soponata - Sociedade Portuguesa de Navios Tanque, que comissionou a sua primeira viagem a Aruba, nas Caraíbas, de onde este novo navio trouxe um carregamento de petróleo. Este navio tanque -que viria a ter um gémeo no «São Mamede», também ele construído no Arsenal do Alfeite- apresentava uma arqueação bruta de 7 369 toneladas e media 138,50 metros de comprimento fora a fora por 17,84 metros de boca. O seu calado era de 8,11 metros. A sua capacidade de armazenamento era de 10 390 toneladas. A sua propulsão era assegurada por 1 máquina diesel (dinamarquesa) de 9 cilindros, desenvolvendo uma potência de 5 400 cv. Força que lhe facultava uma velocidade máxima de 14 nós. O «Sameiro» tinha uma tripulação de 37 homens. Registado na capitania do porto de Lisboa, este petroleiro navegou, sem incidentes dignos de registo, até 1960, ano em que foi desactivado. Ignoramos onde e quando ocorreu o seu desmantelamento.

«NAGA PELANGI»

Navio híbrido de bandeira alemã, que representa um compromisso entre um junco tradicional e uma escuna de concepção ocidental. Realizado num estaleiro artesanal da ilha de Duyong (costa leste da Malásia), este belíssimo navio foi executado segundo as ancestrais técnicas de construção naval dessa longínqua região do Oriente, com madeiras das florestas locais, de entre as quais predomina a de chengal. Lançado à água em 2009, o «Naga Pelangi» (nome significando 'Dragão do Arco Íris') tem 2 mastros e pode desfraldar até 300 m2 de velas. Este singular veleiro de 70 toneladas mede 22 metros de comprimento por 6 metros de boca e o seu calado pode atingir a cota dos 3 metros. Por imposição das instâncias internacionais que controlam a navegação à vela, foi imposto ao «Naga Pelangi», que está registado em Heidelberg (Baden-Wurttemberg, na Alemanha), a utilização de um motor auxiliar (200 hp) e de algum equipamento de ajuda à navegação. A sua velocidade máxima é de 8 nós. A sua tripulação é composta, geralmente, por 4 elementos, mas o navio tem capacidade para receber (com o conforto de um iate moderno) mais 8 pessoas para viagens de curta duração. O veleiro em apreço é disponibilizado (em regime de aluguer) para os turistas que queiram fazer uma experiência de navegação numa embarcação exótica. Curiosidade : este veleiro é o segundo com este nome mandado construir na Malásia -em cujas águas o «Naga Pelangi» opera- pelos seus proprietários germânicos; que utilizaram a primeira versão para se familiarizarem com um navio de tal tipo.

«CORINTHIAKOS»

Construído, em 1910, no Reino Unido pelos estaleiros Craig, Taylor & Cº Ltd., de Stockton-on-Tees, para a casa armadora britânica Tatem Steam Navigation, de Cardiff, este navio chamou-se primitivamente «Bideford». Em 1922 foi vendido à North Shipping, de Newcastle, passando a chamar-se, até 1933, «North Anglia». Adquirido, nesse ano,  por um armador mediterrânico -M. A. Embiricos, de Atenas- o navio passou a hastear bandeira grega e a denominar-se «Corinthiakos». Nome que usou até ao dia do seu afundamento, ocorrido a 20 de Novembro de 1942, quando navegava de Lourenço Marques (na então África Oriental Portuguesa) para o porto de Aden, com um carregamento de 5 000 toneladas de carvão. O soçobro deste velho navio grego (desarmado e sem escolta) foi provocado por torpedos expedidos do submarino alemão «U-181», que se entregava à guerra de corso no oceano Índico e que o surpreendera a 35 quilómetros a nordeste do farol de Inhaca. Dos seus 32 membros de equipagem, houve a lamentar 11 mortos. Os restantes foram salvos por um rebocador português em serviço naquela zona. O «Corinthiakos» era um cargueiro com 3 562 toneladas de arqueação bruta, que apresentava as seguintes dimensões : 110,40 metros de comprimento, 15,50 metros de boca e 6,40 metros de calado. Movimentava-se graças a 1 máquina a vapor de tripla expansão (que desenvolvia uma potência de 310 nhp) e 1 hélice. Velocidade máxima : 10 nós.