sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

«HIMALAYA»


Encomendado aos estaleiros CJ Mare & Cº, de Leamouth (Londres) pela Peninsular and Oriental Steam Navigation Company, como navio mercante de transporte de passageiros e carga, o «Himalaya» foi lançado à água no dia 24 de Maio de 1853. Mas, devido à guerra da Crimeia, que rebentou no ano seguinte e na qual o império britânico se envolveu, este navio foi adquirido pela 'Royal Navy' pela soma de 130 000 libras, que representava o valor pago aos construtores pelo seu comanditário. E passou, desde logo, a transportar tropas para aquele teatro de guerra. O HMS «Himalaya» era um navio de propulsão mista (velas/vapor) com 3 mastros (aparelhados em galera) e 1 máquina a vapor que accionava duas rodas laterais de pás. O seu aparelho propulsivo (velas/vapor) proporcionava a este navio com 4 690 toneladas de deslocamento (e com 100 metros de comprimento por 14 metros de boca) uma velocidade de 16,5 nós. O navio civil fora concebido para poder transportar 200 passageiros e para ser operado por uma tripulação de 213 membros, mas a versão militar (menos preocupada com o conforto) multiplicou substancialmente o número de pessoas acolhidas a bordo. Terminada a guerra da Crimeia e com o evoluir das técnicas, o «Himalaya» foi submetido (por várias vezes) a grandes trabalhos, dos quais resultaram a supressão das rodas e a sua substituição por hélices. Com o correr do tempo, também parte do seu aparelho eólico foi desaparecendo e substituído por máquinas mais poderosas. A verdade é que este navio serviu cerca de 40 anos na marinha de guerra britânica como transporte de tropas; quando, os peritos da armada de Sua Majestade lhe haviam augurado, aquando da sua aquisição, uma carreira breve. O «Himalaya» esteve na China, envolvido na Segunda Guerra do Ópio, transportou tropas para a Índia, para a África do Sul e para o Canadá. Foi retirado do serviço activo da 'Navy' em 1894 e transformado em barcaça de transporte de carvão com o designativo de «C60». Em 1920, o ex-«Himalaya» foi vendido a um particular, que passou a utilizá-lo como embarcação de serviços em Portland Harbour. Foi ali que, no dia 12 de Junho de 1940, o antigo e descaracterizado transporte de tropas foi afundado pelos 'Stukas' da aviação hitleriana. Curiosidade : a fotografia anexada mostra o navio em apreço já amputado da rodas laterais, que inicialmente o equipavam. A chaminé de origem também era mais alta e o mastro de ré está (na imagem) aparelhado em barca.

«PENNSYLVANIA»

Lançado à água pelo arsenal de Filadélfia, este poderoso navio de linha da 'US Navy' deslocava mais de 3 100 toneladas e media 64 metros de comprimento por 17,30 metros de boca por 7,42 metros de calado. Tinha uma guarnição de 1 100 homens (corpo de oficiais incluído) e alinhava um impressionante armamento (distribuído por 4 convezes), que compreendia umas 140 bocas de fogo de variados calibres. Concebido (por Samuel Humphreys) para poder rivalizar com os maiores e melhor dotados navios ingleses do seu tempo, a realização do «Pennsylvania» foi autorizada pelo Congresso dos E.U.A. em 1816. A construção do navio foi, porém, das mais morosas, já que ultrapassou uma quinzena de anos. A 18 de Julho de 1837 procedeu-se, finalmente, ao bota-abaixo. O poderoso navio dirigiu-se imediatamente para os estaleiros de Chester, onde foi parcialmente equipado e passou, de seguida, pelo arsenal de marinha de Norfolk, onde o seu casco de madeira foi parcialmento revestido com chaparia de cobre. O «Pennsylvania» saíu da doca seca deste último estabelecimento a 2 de Fevereiro de 1838, desceu o rio Delaware (depois do essencial da sua guarnição ter sido transferida para o USS «Columbia») e dirigiu-se para Virginia Capes, na baía de Chesapeake. Esta seria a sua primeira e única navegação, já que, chegado ao porto militar de Gosport, o navio foi prontamente desclassificado. Por lá permaneceu uns 6 anos, até que, em 1842,  iniciou uma longa carreira de navio de recepções, onde eram acolhidos os visitantes ilustres daquela base da 'US Navy'. Quando, em 1861, estalou a guerra civil entre os estados, as autoridades de Washington temeram que o navio fosse confiscado pelos Confederados e deram instruções para que o «Pennsylvania» fosse queimado até à linha de água. O que foi feito no dia 20 de Abril desse primeiro ano de conflito. Anos mais tarde, o que restava do malogrado veleiro (de 3 mastros) foi desmantelado. Pode dizer-se que a construção deste grandioso navio de linha foi, também, um superior fracasso (se não o maior de todos) dos arsenais norte-americanos.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

«D. FRANCISCO DE ALMEIDA»

Fragata de construcção holandesa, pertencente à classe 'Karel Doorman', chamada em Portugal classe 'Bartolomeu Dias'. Foi realizada nos estaleiros da firma Royal Schelde Dockyard, de Damen, que a lançaram à água em 1994, com o nome de «Van Galen». Vendida a Portugal e integrada na sua armada no ano de 2010, este navio recebeu o designativo de amura F-334 e o novo nome de «D. Francisco de Almeida», em homenagem ao grande capitão quinhentista, vencedor da memorável batalha naval de Diu. Gémeo da fragata «Bartolomeu Dias» e de seis outros idênticos navios a operar nas marinhas de guerra belga, neerlandesa e chilena, esta fragata desloca 3 320 toneladas em plena carga e mede 122,30 metros de longitude por 14,40 metros de boca. O seu calado é de 6,10 metros. Com propulsão assegurada por um sistema que compreende máquinas diesel e turbinas a gás, este navio pode atingir a velocidade máxima de 30 nós e dispor de uma autonomia (com andamento reduzido) de 9 000 km. A electrónica de bordo (sensores, radares, sistemas de navegação e de processamento de tiro, etc) é de última geração e o armamento principal do navio é constituído por 16 mísseis, lança-torpedos, metralhadoras e por um canhão de tiro rápido Oto Melara de 76 mm e com capacidades de fogo anti-navio e antiaéreo. Do seu equipamento faz também parte um helicóptero Westland 'Lynx'. A tripulação deste navio compreende 20 oficiais, 40 sargentos e 98 praças, para além de 13 militares do destacamento de helicópteros e 5 outros da chamada equipa de abordagem. A fragata «D. Francisco de Almeida» é, actualmente, um dos mais modernos navios de superfície da Armada Portuguesa. Veio, com a «Bartolomeu Dias», substituir as últimas 4 fragatas da classe 'Comandante João Belo». A «D. Francisco de Almeida» tem participado em exercícios de marinhas da NATO e esteve presente e empenhada nos mares da Somália -aquando da Operação Ocean Shield- na luta contra a pirataria.

«CAMPOS»

Navio misto (passageiros/carga) de bandeira brasileira. Construído em 1895 nos estaleiros Blohm und Voss, de Hamburgo, este navio usou, até 1917,o nome de Asuncion» e pertenceu (durante 22 anos) à companhia germânica Hamburg Sud. Serviu na linha Europa-América do sul, marcando presença frequente nos portos do estuário do Prata e de Santos, na costa paulistana. Geralmente, levava emigrantes e produtos manufacrurados na Europa para o outro lado do Atlântico e de lá trazia, essencialmente, café e algodão. Encontrava-se no porto de Santos quando, em 1914, rebentou a primeira guerra de dimensão planetária. E, por essa altura, o seu capitão recebeu ordens para o manter a navegar no litoral brasileiro e de cooperar com navios da armada do 'kaiser', que por ali cumpriam missõões de guerra contra as frotas mercantes dos inimigos da Alemanha. Foi, assim, que, durante algum tempo, o «Asuncion» serviu de abastecedor e de informador dos cruzadores «Karlsrhue» e «Kronprinz Wilhelm». Tendo até transferido, para portos do Brasil e por conta do primeiro desses vasos de guerra, pessoas capturadas aquando das suas operações no Atlântico. Temendo que a sua neutralidade fosse posta em causa, o governo brasileiro intimou o «Asuncion» a recolher ao porto de Belém do Pará. Onde, as autoridades brasileiras o confiscaram, a 1 de Junho de 1917, depois de terem rompido relações diplomáticas com a Alemanha Imperial. Registado localmente com o nome de «Campos», este navio foi entregue à companhia Lloyd Brasileiro, que o conservou (nas sua linhas de cabotagem) mais 26 anos. O «Campos» era um navio com 4 663 toneladas de arqueação bruta, que media 114,60 metros de comprimento por 14,10 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por máquinas a vapor de quádrupla expansão, que lhe garantiam uma velocidade de cruzeiro superior a 10 nós. Estava equipado para transportar carga geral e dispunha de instalações aptas a receber 460 passageiros. A sua tripulação era de 50/60 membros. A sua longa carreira terminou no dia 23 de Outubro de 1943, quando o «Campos» navegava entre o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul e foi surpreendido (no litoral de São Paulo) pelo submarino alemão «U-170», comandado pelo capitão-tenente Gunther Pfeffer. Alvejado, este mercante brasileiro recebeu dois torpedos no bojo e afundou-se irremediavelmente. No naufrágio do «Campos», que navegava vazio e com equipagem mínima, perderam a vida 12 pessoas. Foi o derradeiro navio mercante de bandeira brasileira a sucumbir aos ataques perniciosos dos submersíveis tudescos.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

«CHALLENGER»

Este 'clipper' de bandeira britânica foi construído, em 1852, pelos estaleiros da empresa Richard & Henry Green, de Blackwall. O seu comanditário foi o londrino Hugh Hamilton Lindsay. Empenhada no comércio com o Oriente, especialmente com a China, esta firma armadora quis -com a construcção deste navio- retirar algum protagonismo aos seus rivais norte-americanos, que, ao tempo, dispunham de alguma vantagem sobre os armadores europeus, graças aos seus navios mais rápidos. O «Challenger» foi, pois, concebido especialmente para participar nas famosas 'coridas do chá', que geravam lucros importantes àqueles que podiam alinhar os 'clippers' mais velozes. Este veleiro de três mastros com casco em madeira apresentava uma arqueação bruta de 700 toneladas e media 53 metros de comprimento por 9,80 metros de boca. O seu calado era de 6,10 metros. O «Challenger» fez a sua primeira viagem à China logo em 1852, carregando sacos de chá em Xangai com destino à capital do império britânico. Por alturas de Anjer, encontrou-se com um famoso congénere ianque de nome «Challenge» (um quase honónimo) que seguia para a Europa com chá embarcado em Cantão e com o qual ele encetou uma desenfreada corrida. O «Challenger» ganhou essa prova, chegando a Londres dois dias antes do seu rival. Em 1868, este navio britânico mudou duas vezes de proprietário no curto espaço de quatro dias; mas conservou o seu nome original e a bandeita rubra da marinha mercante do Reino Unido. Em 1871 mudou novamente de mãos e passou a operar, com mais assiduidade, na rota da Austrália. Perdeu-se por encalhe, em data e condições não apuradas, num ponto da costa inglesa, situado a sudoeste de Plymouth. A imagem anexada não representa o «Challenger», mas um navio seu contemporâneo e da mesma categoria.

«COSTA FASCINOSA»

O «Costa Fascinosa» é um dos grandes e luxuosos navios de cruzeiro que sulcam actualmente as águas de mares e oceanos, para grande proveiro daqueles que foram poupados pela crise económica. Este navio foi construído no estaleiro Fincantieri - Cantieri Navali Italiani, de Marghera e estreado em inícios do mês de Maio de 2012. A sua viagem inaugural foi curta, pois partiu de Veneza, a Cidade dos Doges, para terminar em Savona, depois de ter feito escalas em Dubrovnik (na Croácia) e na bela ilha de Capri. O «Costa Fascinosa» faz parte da frota de navios de luxo da companhia Costa Crociere e foi registado no porto de Génova. De uma grande elegância de linhas (os arquitectos navais transalpinos são dos melhores estilistas do mundo), esta autêntica cidade flutuante apresenta uma arqueação bruta de 113 216 toneladas e mede 290 metros de longitude por 35,50 metros de boca. O seu poderosíssimo sistema propulsor pode lançá.lo à velocidade de 23 nós. Com o seu gémeo «Costa Favolosa», este gigante dos mares é o maior de todos os navios a ostentar bandeira italiana. Oferece 1 508 cabines com capacidade para receberem 3 780 passageiros e tem equipamentos de lazer e de desporto que nem todas as grandes cidades do mundo podem proporcionar aos seus habitantes. O «Costa Fascinosa» dispõe de uma grande sale de espectáculo com três pisos, 4 restaurantes, 13 bares, 1 centro de bem-estar com 6 000 m2, ginásio, academia de dança, saunas, banho turco, solário, salões de beleza, cabeleireiros, 'jacuzzis', hidromassagem, 5 piscinas (1 das quais reservada às crianças), espaços de jogos colectivos, circuito de 'jogging' ao ar livre, simuladores de golfe e de condução desportiva, casino, discoteca, centro comercial com dezenas de lojas, posto médico multiespecializado, biblioteca, circuito de televisão, internet, etc, etc. Este navio é derivado da classe do desafortunado «Costa Concordia», que continua a degradar-se junto à ilha de Giglio, depois do mediatizado naufrágio ocorrido em 13 de Janeiro do ano passado.

«REGELE FERDINAND»»

Esta fragata do tipo '22' foi construída pelos estaleiros Swan Hunter (de Walsend, G. B.) para o serviço da armada real britânica. Lançado à água em 1986 com o nome de «Coventry», este navio foi vendido à marinha de guerra romena em 2003 e integrada oficialmente nos seus efectivos a 9 de Setembro do ano seguinte. Recebeu, após a sua aquisição, o nome de «Regele Ferdinand» ('Rei Fernando') e o identificativo de amura F221. Verdadeiro navio-almirante da armada da Roménia, esta unidade -que tem uma guarnição de 273 oficiais, sargentos e praças- tem a sua base em Constanta e é, actualmente, um dos navios militares mais modernos a cruzar as águas do mar Negro. As suas características gerais são as seguintes : 5 300 toneladas de deslocamento em plena carga; 148,10 metros de comprimento, por 14,80 metros de boca, por 6,40 metros de calado; propulsão assegurada por 4 turbinas a gás; velocidade máxima de 30 nós; autonomia de 4 500 milhas náuticas (com andamento reduzido); armamento principal constituído por mísseis de várias valências e por 1 canhão de tiro rápido de 76 mm (arma adaptada ao navio, após a sua aquisição aos britânicos); 1 helicóptero IAR-330 ('Puma' construído na Roménia sob licença). Depois da integração da Roménia (antigo país do bloco comunista) na NATO e na União Europeia, este navio tem participado regularmente em manobras navais e operações de carácter internacional, organizadas pelo Tratado do Atlântico Norte e pelas nações membros da Comunidade Europeia, a saber : 'Active Endeavour' (2005, 2007, 2008 e 2010, no mar Mediterrâneo), 'Breeze-CertExam' (2007 e 2008, nas águas da Bulgária) e 'Noble Midas' (2007, na Croácia e 2008, em Itália), O «Regele Ferdinand» também participou, em 2011, no bloqueio naval contra a Líbia de Kadhafi e na 'Operação Atlanta', em 2012, quando foi destacado para as costas da Somália, em cumprimento de uma missão de luta contra a pirataria. A marinha militar romena possui uma segunda fragata do tipo '22', a «Regina Maria» (ex-HMS «London») adquirida, também ela, à Royal Navy'.