sexta-feira, 2 de novembro de 2012

«ÁFRICA»

Navio misto (vela/vapor) de 1 100 toneladas da Companhia União Mercantil. Foi comprado em Inglaterra, em 1859, onde fora construído, e assegurou carreiras entre Portugal e a colónia de Angola entre 1859 e 1864. Transportava pessoas (possuía acomodações para 40 passageiros de 1ª classe e lugares em número indeterminado para emigrantes) e frete. As suas primeira e última viagens ocorreram, respectivamente, nos dias 6 de Janeiro e 2 de Junho do anos em referência. Sabe-se, segundo a escassíssima documentação existente sobre este navio de três mastros, que ele esteve inicialmente aparelhado em galera e, mais tarde, em barca. Estava equipado com 1 máquina a vapor (de potência desconhecida), com uma chaminé (implantada entre o mastro grande e o de mezena) e com 1 hélice. Em 1867 foi vendido à Empreza Luzitana, que lhe deu o nome de «Tejo». Ignoram-se a data e as circunstâncias da sua retirada do serviço activo. No início da sua carreira, este navio navegou sob pavilhão britânico com o nome de «Clarendon»; a propósito do qual também não nos foi possível obter informação substanciosa. Nota final : a imagem que aqui deixamos e que reproduz este navio foi publicada numa monografia publicada pelo Museu de Marinha (Lx) intitulada «Carreira para Angola – Navios Portugueses que Transportaram Passageiros e Correio (1858/1916)» e assinada por António José de Almeida Marques Bonina. Foi também desta obra que colhemos o essencial da informação referente ao navio em apreço.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

«WAIMATE»



Galera de 3 mastros e com casco de aço, construída em 1874 pelos estaleiros de J. Blumer & Cº, de Sunderland (G.B.), para a casa armadora British Eastern Shipping Cº, de Liverpool; que lhe atribuíu o nome de «Indostan», designativo que este navio conservou até 1875. Este veleiro apresentava as seguintes características físicas: 1 156 toneladas de arqueação bruta, 67 metros de longitude e 10,70 metros de boca. Em 1875, foi vendido à empresa londrina New Zealand Shipping Cº, que decidiu chamar-lhe «Waimate» e colocá-lo no comércio com a Oceania, particularmente com a Nova Zelândia. Muito rápido, este veleiro estabeleceu um recorde de velocidade entre Londres e Lyttelton, naquele arquipélago, que perdurou durante 30 anos. Vocacionado para o transporte de carga diversa e de emigrantes, este navio levou inúmeros europeus para aquelas paragens do fim do mundo, consideradas em finais do século XIX como terras de promissão. A rota escolhida era, naturalmente, a do cabo Horn, considerava mais perigosa mas que reduzia a distância e o tempo de navegação. Depois de ter efectuado várias viagens entre o Velho Mundo e as terras austrais, este veleiro foi vendido a armadores russos, que lhe modificaram o velame (passando o navio a aparelhar em barca) e que lhe deram o seu derradeiro nome : «Valkyrian». O ex-«Waimate» teve um triste fim, já que se perdeu sem deixar rasto, em 1899, quando navegava com um carregamento de carvão, entre a Austrália e o porto chileno de Iquique.

«DUC DU MAINE»



Navio negreiro francês que levou (com o «Aurore», um seu congénere de mesma nacionalidade) a primeira leva de escravos negros de África para a Luisiana; onde o «Duc du Maine» chegou a 6 de Junho de 1719. Este veleiro, que pertencia a uma denominada Companhia das Índias, foi construído num estaleiro de Saint Malo no ano de 1707. Deslocava à volta de 365 toneladas e media 31 metros de comprimento por 9 metros de boca. Tinha uma tripulação de 71 homens e estava armado com 20 peças de artilharia. Preparado para receber entre 500 e 600 escravos (negociados com chefes tribais da Senegâmbia), esta embarcação fez várias viagens entre a Europa, a África e as Américas (o tristemente famoso comércio triangular), como o atestam escrituras que chegaram até aos nossos dias. Nas ditas, estão documentadas três dessas viagens, que referenciam o tráfico de 250 escravos (no primeiro desse périplo, feito sob comando do capitão Lauduoine), de 349 outros (na segunda viagem com o capitão Roseau) e, finalmente, 491 cativos (transportados no mesmo navio, desta vez sob as ordens do capitão Delavigne). O documento referente à derradeira viagem do negreiro «Duc du Maine» também faz referência à morte, durante a viagem transatlântica, de 60 escravos; desta feita destinados às plantações da Martinica, ilha das Antilhas sob administração francesa. Nota : a imagem anexada é a de um ex-voto representando o navio negreiro «Saphir» (de La Rochelle), contemporâneo do veleiro aqui em apreço.

«VEGA»


LFP (Lancha de Fiscalização Pequena) da Armada Portuguesa. Pertencia à classe ‘Antares’ e foi construída em 1959 nos estaleiros de James Taylor, em Shoreham, Sussex, Inglaterra. Era uma embarcação de porte modesto -18 toneladas de deslocamento, 17 metros de comprimento, 4,60 metros de boca e 1,20 metros de calado- com casco fabricado em fibra de vidro. As lanchas desta categoria foram, aliás, as primeiras destinadas à marinha de guerra que utilizaram esse material; que até então só era utilizado em embarcações de recreio. A propulsão da «Vega» era assegurada por 2 motores diesel de 500 cv, que lhe facultavam uma velocidade operacional de 18 nós. Esta LFP estava armada com 1 peça de 20 mm montada à proa. A sua guarnição compreendia um oficial e 5 praças. A «Vega» teve três ‘sister ships’ na Armada Portuguesa, que foram as lanchas «Antares», «Sirius» e «Regulus». À excepção desta última (que foi utilizada pela nossa marinha de guerra no lago Niassa, nos tempos da guerra colonial), todas elas serviram na Índia Portuguesa. Quando, em 1961, se deu a invasão desse território por forças da União Indiana (muito superiores às tropas portuguesas ali estacionadas), a «Vega» viu-se envolvida em combates aéreos e navais impossíveis de suportar, tal a desigualdade de meios. E, a 18 de Abril desse ano, a «Vega» foi atacada por jactos De Havilland ‘Vampire’ indianos, cujo fogo atingiu a lancha da Armada, que ripostou aos tiros; mas que acabou por sofrer mortos -entre os quais se contou o seu comandante, 2º tenente Oliveira e Carmo- e feridos, antes de se afundar, inevitavelmente, nas águas do oceano Índico. Este combate (tal como aquele que levou à perda do aviso «Afonso de Albuquerque») foi o derradeiro travado pela nossa Armada naquelas longínquas paragens, onde os Portugueses permaneceram durante quase cinco séculos.

«NORTHAMPTON»



Cruzador pesado da armada dos Estados Unidos. Foi o primeiro de uma classe de navios que tem o seu nome e que compreendeu mais cinco unidades : o «Chester», o «Louisville», o «Chicago», o «Houston» e o «Augusta». O «Northampton» foi realizado em Quincy (Massachusetts) pelos estaleiros da firma Bethlehem Steel Corporation, que o lançaram à água no dia 5 de Setembro de 1929. Este cruzador deslocava 11 420 toneladas em plena carga e media 182,96 metros de comprimento por 20,14 de boca. O seu calado era e 5,92 metros. O seu sistema propulsor (4 turbinas/8 caldeiras) desenvolvia uma potência de 107 000 cv, força que permitia ao «Northampton» navegar à velocidade máxima de 32,5 nós e de beneficiar e uma autonomia de 10 000 milhas náuticas com andamento reduzido a 15 nós. Modestamente blindado (para um navio das suas dimensões), este cruzador estava armado com 9 canhões de 200 mm, com 4 de 130 mm, com 9 tubos lança-torpedos de 530 mm e com 52 peças antiaéreas (24 de 40 mm + 28 de 20 mm). O «Northampton» estava equipado com 2 catapultas a vapor e com 2 hidroaviões. A sua guarnição era composta por 621 oficiais, sargentos e praças. Este navio foi uma das primeiras unidades da armada dos Estados Unidos a receber o radar RCA CXAM, um aparelho de utilização complexa e pouco eficaz. Aquando do ataque japonês contra a base aeronaval de Pearl Harbour (07/12/1941), este navio estava afectado à escolta do porta-aviões «Enterprise» e foi protagonista de um abalroamento com o contratorpedeiro «Craven», que o obrigou a recolher a um estaleiro, para se submeter a reparações, que duraram vários meses. Depois de voltar à vida activa, já em plena guerra contra os nipónicos, o «Northampton» esteve em várias missões importantes. Foi, por exemplo, um dos navios que escoltou o porta-aviões «Hornet» aquando da famosa ‘operação Doolittle’, que conduziu ao primeiro bombardeamento de Tóquio (1942), esteve envolvido nas batalhas do Mar de Coral e de Midway, esteve nas perigosas águas de Guadalcanal como escolta do porta-aviões «Wasp», quando este navio foi afundado por um submarino japonês e (cúmulo do azar) escoltou o USS «Hornet», durante a batalha de Santa Cruz», na altura em que este porta-aviões foi torpedeado e afundado por submarinos da marinha de Hiro Hito. O seu último confronto com a armada imperial nipónica ocorreu a 30 de Novembro de 1942, quando durante a chamada batalha naval de Tassafaronga, o «Northampton» (CA-26) foi alvo de um ataque de submersíveis, cujos torpedos lhe provocaram o afundamento, depois de terem alvejado a sua cintura couraçada e atingido um dos seus tanques de combustível. No soçobro deste navio norte-americano, as perdas humanas foram limitadas, devido ao rápido socorro prestado aos náufragos por outras unidades da ‘USS Navy’.

domingo, 21 de outubro de 2012

«TRITÃO»


Navio de guerra de 5ª classe pertencente à armada do rei de Portugal. Foi lançado à água no dia 30 de Junho de 1783 pelo arsenal da Ribeira das Naus (Lisboa), que o construiu. O seu primitivo nome (usado, muito provavelmente, até 1794) foi «Nossa Senhora das Necessidades». Tinha dois conveses de artilharia, equipados com 44 canhões (40 a partir de 1795). Teve, pelo menos, três comandantes, que foram, sucessivamente, o capitão-de-mar-e-guerra Pedro de Mariz de Sousa Sarmento e os capitães-de-fragata Thomas Stone e Donald Campbell, ambos de origem britânica. Era este último oficial que comandava o «Tritão» em 1797 e foi ele quem transmitiu à ‘Royal Navy’ e ao almirante John Jervis informações preciosas e detalhadas sobre uma numerosa formação de navios espanhóis, que, provenientes de Cádiz, preparavam uma junção com uma frota da França revolucionária. O embate entre as forças navais franco-espanholas e a esquadra britânica teve lugar –a 14 de Fevereiro daquele mesmo ano- ao largo do cabo São Vicente (promontório da costa algarvia), saindo os ingleses vitoriosos da contenda. Embora devesse permanecer como simples espectadora dos acontecimentos, a fragata «Tritão» acabou por quebrar a sua neutralidade, ao prestar socorro ao navio HMS «Captain» (comandado por Horácio Nelson), que, em muito mau estado, se encontrava sob o fogo cruzado (e cerrado) dos navios de linha «Salvador del Mundo» e «San Inocencio». Indiferente ao perigo, o navio português aproximou-se da nau inglesa e passou-lhe o cabo que permitiu safá-la da sua melindrosa situação. Nota final : ao que sabemos, não existem detalhes sobre as características físicas do «Tritão».

sábado, 20 de outubro de 2012

«JASKÓLKA»



O «Jaskólka» foi cabeça de uma série de caça-minas (6 navios, todos construídos nos anos 30 do século XX) da armada polaca, que tomou o seu nome. O «Jaskólka» foi lançado à água no dia 1 de Setembro de 1934 e, tal como os seus gémeos, era uma unidade de pequeno porte. Deslocava 183 toneladas e media 45 metros de comprimento por 5,50 metros de boca. O seu calado era de 2,40 metros. Navegava graças à força de uma máquina diesel de 1 040 bhp (que lhe imprimia a velocidade máxima de 17,5 nós) e à utilização de 2 hélices. Estava armado com 1 peça de 76 mm e com 2 metralhadoras AA e podia transportar 20 minas ou 20 cargas de profundidade. A sua guarnição era de 30 homens. Quando, no dia 1º de Setembro de 1939, a Alemanha hitleriana invadiu a Polónia, este pequeno navio (então colocado sob o comando do capitão Tadeusz Borysiewicz) e os seus congéneres tiveram papel relevante nos combates desesperados travados contra o poderoso inimigo do seu país. O «Jaskólka» deu luta à aviação germânica e largou minas nas águas da baía de Hel, para manter as unidades da armada do 3º Reich a prudente distância das costas polacas. Mas, tratava-se de um combate desigual e antecipadamente perdido, visto a desproporção das forças em presença. Depois da sua briosa participação na chamada batalha da baía de Gdansk, o caça-minas «Jaskólka» recolheu ao porto de Jastarnia, onde, no dia 14 de Setembro, foi atingido por uma bomba do adversário e destruído. Curiosidade : todos os navios desta classe receberam o nome de aves. Daí o facto dos 6 caça-minas em questão serem conhecidos na marinha de guerra da Polónia pelo carinhoso designativo de ‘passarinhos’. Para além da unidade aqui em apreço (Jaskólka traduz-se por Andorinha), os outros navios chamavam-se «Mewa» (Gaivota), «Rybitwa» (Garajau), «Czajka» (Abibe), «Czapla» (Garça) e «Zuraw» (Grou).