terça-feira, 18 de setembro de 2012
«TONNERRE»
Navio da armada francesa, pertencente à classe ‘Mistral’. O «Tonnerre» é um BPC (‘Bâtiment de Projection et de Commandement’), ou seja aquele tipo de navio que os anglo-saxónicos designam por LHD (Landing Helicopter Dock). Na realidade, esta unidade é um navio polivalente que combina (ou que pode combinar) várias valências, que vão do posto de comando de Estado-Maior, a porta-helicópteros, a plataforma de lançamento de operações anfíbias, a transporte de unidades de fuzileiros e de material blindado (inclusivamente de carros de combate pesados), a hospital de campanha, a navio-escola, etc, etc. O «Tonnerre» (segundo dos 3 navios do seu tipo a operar na armada gaulesa) foi lançado à água em 2005 e entrou em serviço no ano de 2007. Foi construído pela firma DCNS-Chantiers de l’Atlantique, no seu estaleiro de Toulon. Este navio (que usa o número de amura L9014) desloca 32 300 toneladas em plena carga e mede 199 metros de comprimento por 32 metros de boca. O seu calado é de 6,20 metros. O seu sistema propulsivo, que desenvolve uma potência global de 20 400 cv, permite-lhe atingir pontas de velocidade rondando os 19 nós e de dispor de um raio de acção de 19 800 milhas náuticas, com andamento limitado a 15 nós. Apesar de se fazer acompanhar sistematicamente por uma escolta de navios de combate, o «Tonnerre» (‘Trovão’, na nossa língua) está armado com 2 sistemas de lançamento de mísseis mar-ar, com 2 canhões de 30 mm e com 4 metralhadoras de 12,7 mm. Os seus equipamentos electrónicos (de todo o tipo) são de última geração. Este BPC pode acolher nos seus hangares 16 helicópteros. A guarnição permanente do «Tonnerre» é composta por perto de 200 homens (oficiais incluídos) e o navio pode embarcar 450 fuzileiros completamente equipados e/ou 200 oficiais de Estado-Maior. Neste navio cabem, igualmente, lanchas de desembarque de homens e de material (camiões, blindados ligeiros, tanques, etc ). O «Tonnerre» tem participado em manobras da armada francesa e em exercícios internacionais organizados no quadro da NATO e/ou em conjunto com marinhas de guerra de países amigos da França (Brasil, Marrocos…). Este navio e os seus helicópteros de combate participaram em 2011, no mar Mediterrâneo, nas operações militares que levaram à queda do coronel Khadafi. Curiosidades : a França possui, além do navio em apreço, duas outras unidades da mesma classe, que são o «Mistral» e o «Dixmude». Os estaleiros franceses receberam uma encomenda da Rússia para realizarem 4 navios do mesmo tipo para a sua marinha militar. Um deles (em curso de construção) já tem nome : «Vladivostok».
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
«YUGIRI»
O «Yugiri» foi um dos 24 contratorpedeiros de uma série dita ‘especial’, construída para a marinha imperial japonesa logo após a Grande Guerra. Disse-se deles, quando passaram ao activo, que eram os melhores e mais poderosos ‘destroyers’ do mundo. Apesar de alguns deles terem chegado aos tempos do segundo conflito generalizado com a venerável idade de 20 anos (e mais), a verdade é que, ainda assim, participaram com bons resultados na guerra do Pacífico contra a armada dos Estados Unidos e as dos seus aliados. Antes disso, estiveram implicados na guerra com a China (nos anos 30 do século transacto), durante a qual não tiveram rivais à sua altura. O seu grande tamanho (que os fazia rivalizar com alguns cruzadores ligeiros do seu tempo), a sua grande rapidez (38 nós), o seu grande raio de acção (mais de 5 000 milhas náuticas com andamento freado a 14 nós) e a diversidade e potência do seu armamento, faziam do «Yugiri» e dos seus pares navios muito temidos, inclusivamente por unidades inimigas de maior porte. O navio aqui em apreço foi construído pelo arsenal de Maizuru em 1930. Tinha uma guarnição de 220 homens, deslocava 2 050 toneladas (em plena carga) e media 118,40 metros de comprimento fora a fora por 10,40 metros de boca. Do seu armamento constavam 6 canhões de 127 mm, 22 peças antiaéreas de 25 mm, 9 tubos lança-torpedos de 610 mm, 1 dispositivo de arremesso de cargas de profundidade, etc. Este navio esteve presente nalguns dos mais renhidos combates navais da Segunda Guerra Mundial, tais como, por exemplo, o ataque a Pearl Harbour (servindo de escolta aos porta-aviões nipónicos), a batalha de Midway, a batalha do mar da Malásia, a campanha das ilhas Salomão ou a batalha do cabo de St.George. Atribui-se lhe a destruição de vários navios inimigos, entre os quais se contou o submersível holandês «O-20». A 16 de Maio de 1943, ao largo das ilhas Salomão, o «Yugiri» sofreu o seu primeiro revés em combate, quando foi torpedeado pelo submarino USS «Grayback». Apesar dos desgastes causados e da perda de 9 dos seus tripulantes, este contratorpedeiro nipónico conseguiu atingir o Japão, onde foi rapidamente reparado. De regresso aos combates do Pacífico, o «Yugiri» foi atacado -a 26 de Novembro de 1943, ao largo do cabo St. George, nas Salomão- por uma força naval norte-americana, que compreendia os seus congéneres da ‘US Navy’ «Charles Ausburne», «Claxton» e «Dyson»; que não lhe deram a mínima oportunidade de escapar. Alguns dos seus tripulantes sobreviveram ao soçobro do «Yugiri», sendo resgatados por unidades amigas, mas parte deles foram para o fundo com o capitão-tenente da marinha imperial Shuichi Otsuji, comandante do navio.
«MILWAUKEE»
Paquete alemão da companhia Hamburg-Sudamerika Linien. Foi construído em 1929, na cidade-sede do seu armador pelos estaleiros do conhecido consórcio armamentista Blohm und Voss. Era um navio com 16 754 toneladas de arqueação bruta, que media 166 metros de comprimento por 22 metros de boca. Efectuou a sua viagem inaugural para Nova Iorque, logo em 1929, com partida do porto de Hamburgo a 19 de Junho e com escalas efectuadas em Boulogne-sur-Mer (França) e Southampton (Reino Unido). Considerado um navio muito confortável para o seu tempo, o «Milwaukee» foi frequentado por uma clientela famosa. Tanto nas suas viagens transatlânticas, como durante os cruzeiros que a Hamburg-Sudamerika organizou, nomeadamente à Europa do norte e às Caraíbas. Uma das suas clientes de prestígio foi Eva Braun, a futura esposa do chanceler da Alemanha (entre 1933 e 1945) e sinistro fundador do Partido Nacional-Socialista Adolf Hitler. Durante a Segunda Guerra Mundial, este navio foi requisitado pelas autoridades militares tudescas (mais exactamente pelo estado-maior da ‘Kriegsmarine’) e apetrechado para servir -no porto de Kiel- como caserna flutuante. Foi aí que, após a invasão da Alemanha e da derrota final dos exércitos hitlerianos, este paquete foi capturado pelas tropas britânicas; que o rebocaram para Liverpool. Cidade onde o «Milwaukee» sofreu dois incêndios sucessivos e se afundou na sequência do segundo desses funestos acontecimentos, ocorrido a 2 de Março de 1946. Considerado irrecuperável, o navio foi desmantelado no ano seguinte num estaleiro de Dalmuir, na Escócia. Curiosidade : após o seu apresamento, os ingleses mudaram o nome deste navio para «Empire Waveney».
«CONTRAALMIRANTE OSCAR VIEL TORO»
Este navio quebra-gelos foi lançado à água em 1969 pelos estaleiros navais da firma Vickers Armstrong, de Montreal, com o designativo de «Norman McLeod Rogers»; nome que prestava homenagem a um parlamentar e depois ministro do governo de Otawa. Operou -ao serviço da Guarda Costeira canadiana- nas regiões árcticas, até que, em 1995, foi vendido à armada do Chile. No seio da qual recebeu o nome de «Contraalmirante Oscar Viel Toro» para perpetuar a memória de uma figura que comandou as forças navais desse país da América latina em dois períodos distintos de finais do século XIX. O «Contraalmirante Oscar Viel Toro» é um navio de proporções modestas (90 metros de comprimento por 19 metros de boca), deslocando 6 500 toneladas. Está equipado com 2 turbinas a gás, que lhe facultam uma velocidade de 15 nós e lhe proporcionam 12 000 milhas náuticas de autonomia. Este navio (agora com 43 anos de vida activa) foi destacado para a Antárctida -onde o Chile possui uma base de estudos polares- e mares adjacentes do sexto continente. É ali, numa das regiões mais inóspitas do planeta Terra, que, apesar da sua pequenez e da sua vetustez, este quebra-gelos continua a prestar serviços de grande utilidade. Para o Chile e para a comunidade científica mundial.
«VENDÉMIAIRE»
Submarino da armada francesa do início do século XX. Pertecia à classe ‘Pluviôse’, que compreendeu nove unidades. Foi construído pelo Arsenal de Cherburgo (na Normandia) no ano de 1910. O «Vendémiaire», que usava o indicativo de amura Q59, deslocava 550 toneladas em imersão e media 51,12 metros de comprimento por 4,97 metros de boca. Movido por 1 máquina a vapor (360 cv) e por motores eléctricos (200 cv), este submersível podia navegar à velocidade máxima de 12 nós. Tinha uma guarnição de 24 homens, 2 dos quais eram oficiais. Teve a sua base no porto militar de Cherburgo, que ainda hoje acolhe flotilhas de submarinos, nomeadamente os engenhos nucleares da força de dissuasão. O «Vendémiaire» viu chegar o seu fim, de maneira trágica, a 8 de Junho de 1912, data em que foi abalroado (durante manobras navais realizadas ao largo das costas do Cotentin) pelo navio «Saint Louis», um poderoso couraçado da classe «Charlemagne» com mais de 11 000 toneladas de deslocamento. Do terrível embate entre estes navios de guerra resultou o irremediável afundamento do submersível (que foi cortado em dois pelo mastodonte) e a morte de todos os seus tripulantes. Os destroços do «Vendémiaire» repousam a 53 metros de fundo, num espaço compreendido entre a ilha de Aurigny e o cabo de La Hague. Um monumento à memória dos desaparecidos foi erigido na costa normanda, em frente do lugar do desastre; diante do qual representantes do Governo de França a da Marinha Nacional comemoram, recentemente, o centenário do soçobro acidental do «Vendémiaire». Curiosidade : o nome deste submersível é o de um mês da era revolucionária, correspondente a parte dos meses de Setembro e de Outubro do calendário universal.
«GARTHPOOL»
‘Clipper’ de bandeira britânica. Construído, em 1891, pelo estaleiro da WB Thompson & Company Ltd, de Dundee (Escócia), este navio tinha casco de aço, 4 mastros (aparelhados em barca) e 2 842 toneladas de arqueação bruta. Media 94,50 metros de longitude por 13,70 metros de boca por 7,70 metros de calado. O seu primeiro armador foi o capitão C. Barrie (também ele estabelecido em Dundee), que o utilizou com o nome de «Juteopolis» no comércio colonial, nomeadamente de fibras têxteis, com as quais ele abastecia as manufacturas escocesas. Vendido em inícios do século XX a um armador especializado no negócio do petróleo, o navio passou a operar entre os Estados Unidos e a Ásia com carregamentos de crude, por conta da companhia Anglo-American Petroleum. Mas rapidamente foi cedido a John Williams (que chegou a ser imediato deste sumptuoso veleiro), figura que, mais tarde, se ilustraria na recuperação dos lingotes de ouro do naufrágio do «Niagara» (desastre ocorrido na costa da Nova Zelândia) e que chegou à presidência da companhia de navegação Australian National Line. Depois de ter escapado incólume às destruições da 1ª Guerra Mundial, este navio foi adquirido pela Marine Navigation Company of Canada, que lhe deu, em 1920, o seu derradeiro nome de «Garthpool» e o registou no porto de Montreal. O navio passou, então, a navegar para a Austrália e para a América do sul e a ser utilizado, muito especialmente, no negócio do trigo com o Brasil. Este navio (que nunca foi equipado com motores) dispunha de impressionante velame, que lhe permitia realizar a viagem da Europa para os antípodas em menos de 100 dias de navegação. Foi durante uma dessas viagens transoceânicas que, em data de 11 de Novembro de 1929, o «Garthpool» encalhou e se perdeu na costa da ilha da Boa Vista, no arquipélago de Cabo Verde, território então sob jurisdição portuguesa. Os seus tripulantes -que sobreviveram todos- foram auxiliados pela população e administração locais e levados, também com a sua ajuda, para o Mindelo (na ilha de São Vicente), onde havia um consulado britânico. Alguns dias mais tarde, foram repatriados por um vapor norte-americano, que por ali passou (para se abastecer de carvão) a caminho da Europa.
«MONTE SARMIENTO»
Paquete de bandeira alemã, pertencente à casa armadora Hamburg-Sudamerikanische Linien. Teve vários irmãos (ou navios da mesma classe), que todos eles tiveram, curiosamente, um fim desastroso : o «Monte Cervantes», o «Monte Olivia», o «Monte Pascoal» e o «Monte Rosa». Construído nos reputados estaleiros hamburgueses da firma Blohm und Voss, o «Monte Sarmiento» (que foi o primeiro navio do seu tipo a ser realizado) tinha uma arqueação bruta de 13 625 toneladas e media 159,70 metros de comprimento por 20,10 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas diesel de 6 800 cv e por 2 hélices que lhe facultavam uma velocidade de cruzeiro da ordem dos 14 nós. Este navio -destinado à carreira da América do sul- podia acolher perto de 2 500 passageiros (distribuídos por classes distintas) e tinha capacidade para transportar carga frigorífica. Lançado à água a 31 de Julho de 1924, o «Monte Sarmiento» navegou até ao rebentamento da Segunda Guerra Mundial, evento que paralisou grande parte a frota mercante alemã. Mobilizado pelas forças armadas hitlerianas, este paquete foi transformado em aquartelamento flutuante e estacionado no porto de Kiel. No dia 26 de Fevereiro de 1942, na sequência de violento bombardeamento por aviões da R.A.F., o «Monte Sarmiento» foi várias vezes alvejado, acabando por incendiar-se e soçobrar. O número de mortos a bordo nunca foi correctamente comunicado pelos serviços de propaganda nazi, mas pensa-se que não foi inferior a 120. A carcaça deste paquete foi reemergida e levada para o porto de Hamburgo em 1943 e ali desmantelada. Curiosidade : a casa armadora deste navio alemão ainda existe e tem, hoje, ao seu serviço uma unidade (um porta-contentores) com o mesmo nome do malogrado paquete que aqui sucintamente apresentámos.
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