sexta-feira, 3 de agosto de 2012
«THE SULLIVANS»
Contratorpedeiro da armada dos Estados Unidos da América, pertencente à classe ‘Fletcher’. Através do seu nome, o governo de Washington quis prestar homenagem aos cinco irmãos Sullivan (Francis, George, Joseph, Madison e Albert), todos eles marinheiros da guarnição do cruzador USS «Juneau», que morreram no naufrágio deste navio, aquando do seu torpedeamento por um submarino nipónico. Drama que ocorreu em 1942, nas proximidades da ilha de Guadalcanal, durante as campanhas de guerra naval no Pacífico. Este navio foi construído, em 1943, nos estaleiros da empresa Bethlehem Steel Corporation, de San Francisco. Desloca 2 050 toneladas e mede 114,70 metros e comprimento por 12,10 metros e boca. Navio rapidíssimo, a sua velocidade podia atingir (graças aos 60 000 cv de potência das suas máquinas) os 35 nós. Estava armado com 5 canhões de 127 mm, com uma vintena de peças antiaéreas, com 10 tubos lança-torpedos e com vários módulos de arremesso de cargas de profundidade. Este navio operou no oceano Pacífico, perigosa zona de guerra. onde se ilustrou ganhando 9 ‘Battle Stars’. Nos anos 50 (do século passado) o «The Sullivans» foi mobilizado para a guerra da Coreia, tendo participado no bloqueio naval imposto às costas desse país asiático e, servindo com a sua artilharia, como sustentáculo de operações terrestres. Este ‘destroyer’ regressou à sua base, nos E.U.A., em 1953, depois de um longo périplo que o levou a visitar uma quinzena de portos do Índico e do Mediterrâneo. O «The Sullivans» foi desactivado em 1965 e oferecido ao County Naval and Military Park, da cidade de Buffalo (no norte do estado de Nova Iorque), onde o navio funciona como museu acessível ao público. Uma unidade moderna da armada norte-americana herdou-lhe o nome.
«AMERICA»
Este grande paquete norte-americano teve uma vida tão atribulada que viu o seu nome modificado oito vezes ! Chamou-se «America», de 1940 (ano da sua entrada ao serviço) até 1941; «West Point», entre 1941e 1946; de novo «America», de 1946 a 1964; «Australis», entre 1964 e 1978; «America», outra vez, durante um curto espaço de tempo do ano de 1978; «Italis», de 1978 a 1980; «Noga», entre 1980 e 1984; «Alferdoss», de 1984 a 1993; e «American Star», em 1994, ano do seu encalhe e destruição. Durante todo esse tempo mudou também várias vezes de nacionalidade e de bandeira. O «America» foi realizado, na Virgínia, pelo estaleiro Newport News Shipbuilding and Dry Dock, que o lançou à água no dia 31 de Agosto de 1939. O seu comanditário e primeiro armador foi a United States Lines, de Nova Iorque, companhia que foi, igualmente, a proprietária do seu gémeo «United States». O navio em apreço deslocava 35 450 toneladas e media 220,40 metros de longitude por 28,40 metros de boca. As suas máquinas desenvolviam uma potência de 27 900 kW, força que lhe permitia navegar à velocidade máxima de 22 nós. Este paquete, que tinha uma tripulação de 643 membros e que podia acolher (no início da sua carreira) 1 202 passageiros, teve por madrinha a própria esposa do presidente Franklin D. Roosevelt. Devido à eclosão da Segunda Guerra Mundial, que o impediu de navegar (como fora previsto) entre os E.U.A. e a Europa, o «America» realizou, nos seus primeiros tempos de vida activa, cruzeiros às Antilhas e à Califórnia. Em fins de 1941, com a implicação dos ‘states’ no conflito, o navio foi requisitado pelas autoridades militares e transformado em transporte de tropas. Tarefa que efectuou até 1946, sob o nome de «West Point». Estima-se que, durante a sua carreira militar, este navio tenha transportado 350 000 pessoas, essencialmente militares. Reconstruído (operação que custou 6 milhões de dólares !) e devolvido à vida civil, o navio passou a operar entre Nova Iorque e o porto normando do Havre. Mas também no mar das Caraíbas, durante a chamada estação morta. A partir de inícios da década de 60 (do século passado, obviamente) passou a haver instabilidade no transporte marítimo, devido à concorrência dos aviões de longo curso. O «America» passou, desde logo, a andar de mão em mão e a navegar em diferentes regiões do globo, em função da conveniência dos seus armadores, maioritariamente de nacionalidade grega. No início dos anos 90, o navio foi alvo de um projecto, que visava fazer dele um hotel flutuante (o «American Star») em Phuket, famosa estância balnear da Tailândia. Mas, no dia 15 de Janeiro de 1994, quando o velho navio, era rebocado para o seu destino asiático, uma tempestade violentíssima atirou-o para a praia de Garcey –na costa da ilha canarina de Fuerteventura- onde o ex-«America» se partiu em dois e onde foi, progressivamente, desmantelado pela violência do mar e do vento…
«RADETZKY»
Couraçado (pré-Dreadnought) da armada austro-húngara. Foi construído num arsenal de Trieste em 1909. Pertencia à mesma classe dos «Franz Ferdinand Erzherzog» e «Zrinyi». Deslocava 14 500 tonelada e media 139 metros de longitude por 25 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas a vapor de tripla expansão -desenvolvendo uma força conjunta de 20 000 cv- e por 2 hélices. A sua blindagem variava entre os 48 mm e os 250 mm, em função da vulnerabilidade e importância das zonas protegidas. Do seu armamento principal constavam 4 peças de artilharia de 300 mm, 8 de 240 mm, 20 de 100 mm (de tiro rápido) e 3 tubos lança-torpedos de 450 mm. O couraçado «Radtzky» funcionava com uma guarnição de 890 oficiais, sargentos e praças. Realizou várias viagens de instrução no mar Mediterrâneo, antes da eclosão da Grande Guerra. Conflito que viu o império austro-húngaro colocar-se do lado da Alemanha. Devido à sua vetustez, o «Radetzky» não podia competir com as unidades modernas das frotas aliadas e, por essa razão, foram-lhe atribuídas missões de menor importância, tais como a defesa das costas nacionais e o bloqueio (e bombardeio) de certos portos do Adriático. No final do conflito, quando era já dada como certa a derrota dos chamados Impérios Centrais, os austro-húngaros tentaram vender este navio a um estado balcânico, o reino da Jugoslávia. Mas, interceptado por um esquadrão naval norte-americano, o «Radetzky» foi entregue, sem efusão de sangue, a essa força inimiga. O tratado de paz estabelecido entre as partes em conflito ignorou o negócio e o navio foi remetido à armada italiana; que o mandou desmantelar nos primeiros anos da década de 20.
«AÇOR»
Este navio foi construído no estaleiro da firma Roberts & Cº, de Seacombe (Inglaterra), em ano indeterminado da segunda metade do século XIX. O seu primitivo nome foi «Ballina» e o seu primeiro proprietário foi a companhia de navegação Iris Sea Passenger Steamers, que o conservou até 1875. Era um navio misto (vela/vapor), com casco de aço e 335 toneladas de deslocamento. Media 41,50 metros de comprimento por 5,80 metros de boca. Podia navegar à velocidade máxima de 9 nós. Veio para Portugal no ano de 1885, depois da sua aquisição por Alberto B. Centeno, que o baptizou com o nome de «Algarve». Segundo certas fontes, terá também navegado em águas nacionais com o nome de «Gomes 2º». O que é certo é que, em finais do século XIX, foi vendido à Armada Portuguesa, que lhe deu o designativo de «Açor» e o transformou numa canhoneira. Esse seu estatuto justificava-se pelo facto de ter sido artilhado com 1 peça Hotchkiss de 47 mm. Na sua qualidade de navio militar, tinha uma guarnição composta por 53 homens, dos quais 4 eram oficiais. O navio «Açor» -que estava equipado com 1 máquina a vapor e 360 cv- foi uma das unidades incumbidas da fiscalização das nossas costas marítimas e aquela que foi afectada à zona (mais vasta e mais desguarnecida) dos Açores e Madeira; que tinha, então, a sua sede em Ponta Delgada. Mas este navio também chegou a cumprir missões no Algarve, para o Corpo da Guarda Fiscal estacionado em Faro. De referir, é o facto deste navio e congéneres terem sido colocados sob a autoridade do ministério da Fazenda, só se submetendo à Marinha no que respeitava as vertentes disciplinar e administrativa. Em finais da Grande Guerra, mais precisamente em Outubro de 1918, coube ao «Açor» resgatar os náufragos do caça-minas «Augusto de Castilho», afundado ao largo dos Açores pelo submarino germânico «U-139». Em 1923, o «Açor» foi transformado e passou a servir, no seio da Armada, como navio-hidrográfico. Nessa sua nova condição, executou missões científicas tanto no Atlântico como no estuário do rio Tejo. O velho «Açor» foi desactivado e abatido ao efectivo dos navios da Armada em 1933; e vendido para demolição no ano seguinte.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
«ALCÁNTARA»
Navio rápido concebido para executar travessias entre a Espanha continental e Ceuta (no norte de África) e as ilhas Baleares. Pertenceu à frota da Compañia Transmediterránea, que o baptizou a 23 de Julho de 1994, no decorrer de uma cerimónia amadrinhada por Dolores Montoya, viúva do famoso ‘cataor’ de flamenco Camarón de la Isla. Foi construído nos estaleiros da Empresa Nacional Bazán, de San Fernando, Cádiz. Desloca 946 toneladas e mede 96,30 metros de comprimento por 14,60 metros de boca. Foi preparado para receber 590 passageiros (distribuídos por duas classes distintas : Club e Turística), 76 automóveis e 11 caravanas. O seu poderoso sistema propulsor (4 máquinas diesel acopladas a dispositivos ‘waterjet’) desenvolve mais de 27 000 cavalos e imprime ao navio uma velocidade de cruzeiro da ordem dos 35 nós. Curiosamente, o «Alcántara» (que tem um ‘sister ship’ denominado «Almudaina») foi parar, em inícios de 1995, à Nova Zelândia, na sequência de um contrato comercial estabelecido entre o seu proprietário e a sociedade Sea Shuttle, que o colocou na linha Wellington-Picton. O regresso à Europa deu-se em Outubro desse mesmo ano, tendo o «Alcântara» atravessado o oceano Pacífico, com passagem para o Atlântico através do canal de Panamá. Além das linhas do Mediterrâneo já referidas, esta rápida unidade da marinha mercante espanhola também chegou a operar nas Canárias, no tráfego interilhas. Onde actuou já sob as cores da companhia ACCIONA, cuja frota integrou após da privatização da Transmediterránea. O «Alcântara» sofreu dois acidentes, em 2006 e 2008, que lhe causaram alguns desgastes materiais, mas sem dano para os passageiros. E, nesse último ano, foi um dos navios colocados à venda pelo seu armador. Como, entretanto, não apareceu comprador para o navio, este foi reactivado e colocado na nova linha Valência-San Antonio (Ibiza), de onde se ausenta, pontualmente, para servir outros destinos. Desde 2011, em consequência, de um contrato assinado entre o seu armador e a empresa Estrella Damm, o navio foi pintado com motivos publicitários, que asseguram a promoção comercial dessa conhecida marca de cervejas catalãs.
«BRITANNIA»
O «Britannia» chegou a ser navio-almirante da frota do rei Carlos II de Inglaterra. Foi construído em 1682 no estaleiro de Chatham, sob a supervisão do arquitecto naval Phineas Pett (segundo do nome). Aquando do seu lançamento, o «Britannia» apresentava as seguintes características : 1 740 toneladas; 51 metros de comprimento; 14,50 metros de boca; 5,30 metros de calado. Arvorava três mastros e estava armado com numerosas bocas de fogo. Participou na guerra de Sucessão de Espanha, durante a qual desfraldou o pavilhão do almirante John Norris, comandante supremo das forças navais inglesas implicadas nesse conflito. Em 1715, este navio –que adquirira má reputação, devido às suas deficientes qualidades náuticas- entrou na calha do estaleiro Woolwich Dockyard para ser reconstruído. Saiu de lá quatro anos mais tarde (em 1719) completamente renovado e armado com 100 peças e artilharia, o que lhe conferia o estatuto de navio de linha de 1ªclasse. O seu porte teve um acréscimo de mais de 100 toneladas, o seu comprimento foi alongado para 43,20 metros e a sua largura máxima passou a cotar 15,30 metros. Em 1745, 60 anos após o seu primeiro bota-abaixo, o «Britannia» passou a executar missões de importância secundária e, em 1749, foi declarado inapto ao serviço, riscado da lista dos efectivos da ‘Royal Navy’ e desmantelado.
«ALEXANDR NEVSKY»
Submarino nuclear da armada russa, pertencente à classe ‘Borei’, também designada por ‘Projecto 955A’. Vector de mísseis balísticos SLBM ‘Bulava’, o «Alexandr Nevsky» (que usa o designativo de amura K-550) foi a segunda unidade do seu tipo a ser construída, depois do lançamento à água (em Fevereiro de 2008) do «Yuri Dolgoruki». A sua realização é obra dos estaleiros Sevmach, de Severodvinsk, cidade portuária da região de Arkhangelsk. Este moderno navio, que beneficiou –em todos os domínios- das mais modernas tecnologias, desloca 24 000 toneladas em imersão e mede 170 metros de comprimento por 13,50 metros de boca. O seu calado é de 10 metros. A sua propulsão é assegurada por 1 reactor atómico do tipo OK-650B, por 1 turbina a vapor AEU e por 1 hélice, que lhe imprimem uma velocidade máxima de 29 nós. Para além dos 16 engenhos ‘Bulava’ já referenciados, o «Alexandr Nevsky» está armado com 6 mísseis de cruzeiro SS-N-15 e dotado com tubos para o lançamento de torpedos convencionais. A guarnição deste submersível é constituída por 130 oficiais, sargentos e praças. Os cortes que têm reduzido, nestes tempos de crise económico-financeira, o orçamento atribuído pelo estado russo ao funcionamento da sua armada (facto que reduziu, igualmente, as despesas militares dos países ocidentais), atrasaram a entrada no activo deste submarino. Segundo informações provenientes da Rússia, o «Alexandr Nevsky» será operacional ainda no decorrer do Verão de 2012. Dois outros navios deste tipo estão numa fase de construção mais ou menos avançada. Curiosidade : os mísseis ‘Bulava’, que equipam este submarino, podem transportar 10 ogivas nucleares programadas para, se necessário, atingir alvos diferenciados. O seu alcance é da ordem dos 10 000 km.
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