Navio de linha da marinha imperial russa, construído em 1712 nos arsenais do Almirantado, em São Petersburgo. Deslocava 1 200 toneladas (estimativa) e media cerca de 40 metros de comprimento por 11,70 metros de boca. Estava armado com 54 canhões de vários calibres e dispunha de uma guarnição máxima de 460 homens, entre marujos e fuzileiros. O seu nome era uma evocação da batalha de Poltava, ocorrida durante a Grande Guerra do Norte e durante a qual os russos venceram (em 8 de Julho de 1709) os exércitos suecos de Carlos XII. Este navio foi várias vezes visitado pelo czar Pedro I, o Grande, que tinha conhecimentos de carpintaria naval (adquiridos na sua juventude) e que, por isso, terá participado activamente na sua concepção e na sua construção. O «Poltava» foi integrado na esquadra do Báltico e participou em seis campanhas militares com as cores de Santo André, patrono das armadas russas. No final da sua carreira -que durou duas décadas- este navio de linha passou algum tempo na base de Kronstadt, na ilha de Kotlin, onde foi utilizado como escola flutuante de marinharia. O «Poltava» foi desactivado em 1732 e desmantelado pouco depois. Curiosidade : este navio teve particular importância no crescimento da marinha russa e foi, por essa razão, alvo da emissão de várias moedas e de selos postais comemorativos, tanto no tempo da Rússia imperial, como no da União Soviética.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
«POLTAVA»
Navio de linha da marinha imperial russa, construído em 1712 nos arsenais do Almirantado, em São Petersburgo. Deslocava 1 200 toneladas (estimativa) e media cerca de 40 metros de comprimento por 11,70 metros de boca. Estava armado com 54 canhões de vários calibres e dispunha de uma guarnição máxima de 460 homens, entre marujos e fuzileiros. O seu nome era uma evocação da batalha de Poltava, ocorrida durante a Grande Guerra do Norte e durante a qual os russos venceram (em 8 de Julho de 1709) os exércitos suecos de Carlos XII. Este navio foi várias vezes visitado pelo czar Pedro I, o Grande, que tinha conhecimentos de carpintaria naval (adquiridos na sua juventude) e que, por isso, terá participado activamente na sua concepção e na sua construção. O «Poltava» foi integrado na esquadra do Báltico e participou em seis campanhas militares com as cores de Santo André, patrono das armadas russas. No final da sua carreira -que durou duas décadas- este navio de linha passou algum tempo na base de Kronstadt, na ilha de Kotlin, onde foi utilizado como escola flutuante de marinharia. O «Poltava» foi desactivado em 1732 e desmantelado pouco depois. Curiosidade : este navio teve particular importância no crescimento da marinha russa e foi, por essa razão, alvo da emissão de várias moedas e de selos postais comemorativos, tanto no tempo da Rússia imperial, como no da União Soviética.
«SOUTHERN CROSS»

Transatlântico de bandeira inglesa, construído em 1892 pelo estaleiro Workman, Clark & Cº, de Belfast, para o armador Cooper W. & Son, sedeado em Kirkwall, porto do norte da Escócia. Apresentava 5 050 toneladas de arqueação bruta e media 122 metros de comprimento por 14,70 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 1 máquina a vapor de tríplice expansão, que lhe facultava a velocidade de cruzeiro de 12 nós. A sua companhia mantinha-o na linha Liverpool-Bilbau-Santander-Vigo-Montevideu-Buenos Aires, quando -na véspera de Natal de 1909- o «Southern Cross» foi encalhar nos baixios de A Borneira, à entrada do porto de Vigo (Galiza). Para além da perda do navio -vocacionado para o transporte de emigrantes e de mercadorias diversas (nomeadamente carga frigorífica) com destino à América do sul- não houve a lamentar a morte de nenhum passageiro ou membro da tripulação, visto os socorros (solicitados por ‘very lights’) terem acorrido de imediato ao lugar do sinistro. Uma das embarcações que se notabilizou no resgate daqueles que viajavam no navio britânico foi o pequeno vapor «María», que assegurava o transporte de passageiros entre a localidade de Cangas e a cidade de Vigo. A primeira inspecção feita, por peritos, ao casco do «Southern Ligh» constatou que os estragos nele causados pelos fundos rochosos do sítio do encalhe tinham causado danos irreparáveis; e deram, de imediato, o navio como perdido. A carga do transatlântico (que contava, entre outras coisas de valor, material para a Exposição Mundial a realizar em 1910 na capital da Argentina) foi resgatada pela Sociedade de Salvamentos Marítimos da Corunha, que, nessa operação, colaborou com a companhia de seguros Lloyd’s. Mas, apesar da vigilância apertada em torno dos despojos do «Southern Cross», parte da sua carga foi pilhada pelas populações ribeirinhas da chamada ria de Vigo; que, nessa época, viviam com grandes dificuldades económicas. O transatlântico britânico acabou por ser desmantelado ‘in situ’. Atenção ! -Não é certo que a imagem anexada corresponda, verdadeiramente, à do navio descrito. Na realidade, houve -ao longo dos tempos- vários navios baptizados com o nome de «Southern Cross» ('Cruzeiro do Sul'). Será este aquele que naufragou na costa da Galiza em 1909 ?...
«LISBONENSE»

Este moderno ‘ferry-boat’ foi o 4º com o nome de «Lisbonense» a assegurar o transporte de passageiros entre as duas margens do estuário do Tejo. Embarcação com uma arqueação bruta de 1 479 toneladas, 47,50 metros de comprimento, 16 metros de boca e 2,20 metros de calado, o «Lisbonense» é um catamarã de aço construído em Aveiro nos Estaleiros Navalria, do Grupo Martifer. O seu sistema propulsivo compreende 2 máquinas diesel de 850 hp de potência unitária -que lhe permitem navegar à velocidade máxima de 12 nós- e 1 hélice. Está equipado com um sistema de visão nocturna, que lhe permite navegar em segurança mesmo com nevoeiro espesso. O «Lisbonense» é, por outro lado, um navio ecológico, amigo do ambiente, já que apresenta índices de Co2 muito inferiores àqueles que a lei determina. Entrou ao serviço da Transtejo no mês de Fevereiro de 2011, na linha Lisboa Cais do Sodré-Cacilhas. Pode receber a bordo 360 passageiros e 30 veículos automóveis; estes no convés inferior. Apesar das viagens proporcionadas pelo «Lisbonense» serem de curta duração, este navio fluvial oferece aos seus utentes música ambiente, televisão, serviço de bar/bufete, instalações sanitárias e equipamento (elevadores nomeadamente) utilizável por passageiros com mobilidade reduzida. Este ‘ferry’ é irmão gémeo do «Almadense», de construção posterior.
«SANTIAGO»

Petroleiro norte-americano do tipo P2, do qual foram construídos 481 exemplares em apenas três anos. As técnicas básicas que presidiram à realização destes navios foram as mesmas adoptadas, durante a Segunda Guerra Mundial, pelos construtores dos cargueiros do tipo ‘Liberty’ : montagem em série (e em regime de trabalho contínuo) e ausência de sofisticação. Muitos destes petroleiros sobreviveram ao conflito e tiveram uma vida activa que se prolongou até aos anos 60/70 do século XX. Foi aliás o que sucedeu ao «Santiago» -navio de 10 448 toneladas de arqueação bruta, com 159,60 metros de comprimento por 20,75 metros de boca- que, depois de ter servido com as cores da Comissão de Serviços Marítimos dos Estados Unidos, foi integrado, em 1947, na frota de uma conhecida companhia petrolífera com o nome de «Esso Manchester». À qual o navio prestou óptimos serviços até 1963. O «Santiago»/«Esso Manchester» foi construído nos estaleiros da firma Dom Shipbuilding & Drydock Cº, de Chester, Pensilvânia. A sua máquina turboeléctrica desenvolvia 6 000 cv de potência e oferecia ao navio a possibilidade de navegar à velocidade máxima de 14,5 nós. Este petroleiro, que manteve o seu desenho original inalterado, foi desmantelado na Escócia no ano da sua retirada do activo em 1963.
«VALERIAN»

O HMS «Valerian» era um caça-minas britânico da classe ‘Arabis’. Foi construído em 1916 -para a marinha real- pelos estaleiros da casa Rennoldson J. P. & Sons, de South Shields. Era um navio de 1 250 toneladas de arqueação bruta e com 81,70 metros de comprimento por 10,20 metros de boca. O sistema propulsivo do navio era constituído 1 máquina a vapor de tríplice expansão e por 1 hélice, que lhe autorizavam uma velocidade máxima de 17 nós. Do seu armamento e equipamento constavam algumas armas de menor calibre -de entre as quais sobressaiam 6 peças antiaéreas de 47 mm- dispositivos para a captura de minas (sua principal função) e para o lançamento de cargas de profundidade. O HMS «Valerian», que tinha uma guarnição de 106 homens, sobreviveu à Grande Guerra; e, nos anos 20, executou missões de soberania no ultramar, sobretudo nas Antilhas (Bahamas, Bermudas, etc) e águas adjacentes. A carreira do caça-minas «Valerian» terminou de maneira trágica. Com efeito, em Outubro de 1926, o navio foi assaltado por uma violenta tempestade tropical quando fazia uma deslocação interilhas e afundou-se ao largo das Bermudas; desastre que causou a morte por afogamento de 86 dos seus tripulantes, entre os quais figuravam 4 oficiais. Os sobreviventes do «Valerian» salvaram-se graças à utilização das balsas de bordo e à oportuna intervenção do cruzador «Capetown», que os resgatou em pleno oceano. O infortúnio deste caça-minas provocou grande emoção nas Caraíbas e perdura na memória colectiva da população local. Facto que levou as diferentes administrações postais da região a emitir selos (como aquele -das ilhas Barbados- que ilustra este texto) evocativos do navio e do drama que ele protagonizou em 1926.
«AGULHAS»

Navio de exploração polar ostentando bandeira sul-africana. Foi construído no Japão, em finais da década de 70 do século passado, nos estaleiros navais da empresa Mitsubishi Heavy Industries, de Shimonoseki. É um navio (com capacidades quebra-gelo) de 6 123 toneladas com 112 metros de comprimento por 18 metros de boca e com um calado de 6 metros. A sua motorização (2 engenhos Mirrlees Blackstone) proporcionam-lhe uma velocidade de cruzeiro da ordem dos 12,5 nós e uma autonomia de 15 000 milhas náuticas. A sua tripulação é constituída por 40 homens, mas o navio tem alojamentos para muitas mais pessoas, nomeadamente para os cientistas participantes nas expedições às terras que envolvem o Pólo Sul. Pode operar simultaneamente 2 helicópteros ‘Oryx’. No historial do «Agulhas» constam várias missões à Antárctida, bem como outras campanhas de carácter científico. Em 1991 o navio sofreu um acidente em águas do Sexto Continente, que lhe danificou o leme e o incapacitou de navegar de maneira autónoma. Foi socorrido, nesse transe, pelo navio de reabastecimento «Drakensberg», da armada sul-africana, que o rebocou até à Cidade do Cabo, onde foi reparado. Em 2002 foi a vez do «Agulhas» participar no resgate (que também contou com a participação de um navio argentino) do «Magdalena Oldendorff» preso na calote glaciar e que se teria perdido sem ajuda internacional. O «Agulhas» (cujo designativo faz referência ao cabo do mesmo nome, descoberto pelos navegadores portugueses de antanho) está em fim de carreira e deverá ser substituído, a breve trecho, por uma unidade de última geração (construída na Finlândia), que já recebeu o nome de «Agulhas II».
«SIDI-BEL-ABBÈS»

Construído em 1929 pelos estaleiro da firma Swan, Hunter & Wigham, de Wallsend (G.B.), o paquete francês «Sidi-Bel-Abbès» pertenceu à frota da Société Générale des Transports Maritimes à Vapeur, sedeada em Marselha. Destinado à carreira entre as duas margens do Mediterrâneo ocidental, este navio cumpriu cabalmente a sua missão até à eclosão a Segunda Guerra Mundial; evento que determinou a sua mobilização pela armada francesa, que o armou e adaptou ao transporte de tropas. O «Sidi-Bel-Abbès» foi afundado pelo submarino alemão «U-563» no dia 20 de Abril de 1943, ao largo da cidade de Oran (Argélia), quando integrava um comboio de navios dos Aliados carregados com soldados, armas, munições, provisões, etc. O «Sidi», quanto a ele, transportava 1 200 soldados das tropas coloniais francesas (pertencentes a vários regimentos de Atiradores Senegaleses), a sua equipagem completa (constituída, em tempo de guerra, por 61 homens), 30 toneladas de munições e 500 toneladas de óleo de amendoim. A terrível explosão provocada pela detonação dos dois torpedos que atingiram o navio francês, causou o seu rápido afundamento e a morte de 834 homens. Em conformidade com as rígidas ordens recebidas, nenhum navio do comboio UGS7 (no qual se integrava o «Sidi-Bel-Abbès») parou ou reduziu o seu andamento para prestar socorro aos náufragos do navio torpedeado. Nesse transe, só a tripulação do petroleiro «Lorraine», que o seguia de perto, lançou aos sobreviventes algumas das suas próprias balsas. Este drama marítimo abalou a população francesa na sua generalidade, mas muito particularmente a comunidade ‘pied noir’ (colonos europeus do norte de África) da Argélia, que, em honra das vítimas do «Sidi-Bel-Abbès», lhes erigiu um monumento no cemitério do Petit Lac, em Oran. Este malogrado navio apresentava 4 421 toneladas de arqueação bruta e as seguintes dimensões : 112,16 metros de comprimento por 15,30 metros de boca. A sua propulsão fazia-se com a ajuda e duas máquinas desenvolvendo uma potência global de 4 820 cv e de 2 hélices, que lhe garantiam uma velocidade máxima de 17,5 nós. Curiosidade : um segundo paquete com o nome de «Sidi-Bel-Abbès» e pertencente, também ele, ao mesmo armador, foi lançado ao mar em 1948; navio com o qual o paquete aqui em apreço não deve ser confundido.
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