terça-feira, 6 de abril de 2010

«FRAM»


Este navio de exploração polar, foi encomendado por Fridtjof Nansen ao estaleiro naval Colin Archer, de Larvik (Noruega). Empresa que o considerou «o navio de madeira mais sólido do mundo» e o entregou ao famoso explorador em 1892. A característica principal do «Fram» consistia no seu casco de formas arredondadas, concebido de tal forma que, quando envolvido pelo gelo polar, o navio escorregava literalmente para cima, em vez de se deixar esmagar, como acontecia às embarcações comuns. O «Fram», navio de três mastros, armava em lugre-escuna e dispunha de uma superfície vélica de 602 m2. A sua velocidade de cruzeiro era de 7 nós. Deslocava um pouco mais de 800 toneladas e media 39 metros de comprimento fora a fora por 5,20 metros de boca. O navio (que navegava, geralmente, com uma equipagem de 16 homens) participou em três importantes expedições ao Árctico e à Antárctida. A primeira delas foi realizada, sob o comando de Nansen, entre 1893 e 1896; a segunda, por conta de Otto Sverdrup, teve lugar entre 1898 e 1902; e a terceira (a sul), fez-se sob a chefia de Roald Amundsen, entre 1910 e 1912. Em todas estas viagens o «Fram» comprovou a superioridade da sua concepção e deu provas de ser um navio fiável, seguro. Este singular navio polar foi preservado e encontra-se, hoje, exposto num museu que lhe é exclusivo –o Frammuseet- em Bygdoy, nas imediações de Oslo.

«BRETAGNE»


Couraçado da marinha de guerra francesa, construído em 1913 pelo arsenal de Brest. Pertenceu a uma classe de navios de 25 000 toneladas de deslocamento (em plena carga) da qual também faziam parte os navios «Provence» e «Lorraine». Armado em Setembro de 1915, este couraçado ainda participou nos combates da Grande Guerra, à qual sobreviveu. O «Bretagne» sofreu duas grandes operações de restauro e de modernização (sendo a última delas executada entre 1932-35 nos estaleiros de La Seyne-sur-Mer), antes do início do segundo conflito generalizado. Foi afundado pela ‘Royal Navy’ aquando do malfadado combate de Mers el Kebir ('operação Catapulta'), ocorrido em 3 de Julho de 1940 na baía de Oran, Argélia. Os canhões britânicos que destruíram o «Bretagne» provocaram, só neste navio, perto de 1 000 mortos. E o drama (que os franceses ainda hoje consideram como tendo sido uma traição dos ingleses) marcou de tal modo a opinião pública, que o nome do couraçado foi dado a uma rua da cidade de Brest, onde fora construído. O «Bretagne» media 166 m de comprimento por 27 m de boca. A sua propulsão era assegurada por um conjunto de turbinas -desenvolvendo uma potência global de 43 000 cv- que podiam imprimir ao navio a velocidade máxima de 21,5 nós. Fortemente blindado, o navio estava armado com 10 peças de artilharia de 340 mm, 14 de 138 mm, 8 de 100 mm e 12 metralhadoras antiaéreas. Da guarnição do «Bretagne» faziam parte 1 133 oficiais, sargentos e praças.

«D. JOÃO DE CASTRO»


Foi o primeiro navio construído pelo arsenal do Alfeite. O seu lançamento à água teve lugar em 1941 e a sua inscrição nos efectivos da Armada data desse mesmo ano. O «D. João de Castro» foi a primeira unidade da nossa marinha de guerra a ser concebida e realizada de raiz para executar missões hidrográficas. Deslocava mais de 1 300 toneladas em plena carga e media 66,50 metros de comprimento por 9,80 metros de boca. Dispunha de 2 conjuntos-motor de T.E., desenvolvendo 1 400 cv, que lhe permitiam navegar à velocidade máxima de 12,5 nós. Encarou-se a possibilidade de dotar este navio com um hidroavião, mas não há notícias de que esse projecto se tenha alguma vez concretizado. A sua primeira missão foi cumprida nos Açores, onde, logo em 1941, os cientistas que viajavam a bordo descobriram um importante vulcão submarino (entre a Terceira e São Miguel), ao qual foi dado o nome do navio hidrográfico. O «D. João de Castro» -que tinha uma guarnição de 97 homens- perdeu-se por encalhe, ocorrido em 2 de Outubro de 1947 no porto da Janela, ilha de Santo Antão (arquipélago de Cabo Verde), onde, então, operava. Foi abatido do serviço da Armada, por ter sido considerado impossível o seu salvamento.

«IMPERATOR ALEXANDRE III»


Couraçado da marinha imperial russa pertencente à classe ‘Borodino’. Fazia parte de uma unidade da frota do Pacífico com base em Porto Artur e participou na batalha de Tsushima (durante a guerra russo-japonesa de 1905), sob as ordens do capitão Nikolai M. Bukhvostov. O «Alexandre III» foi construído (como os outros quatro navios da sua classe, o «Borodino», o «Orel», o «Knyaz Suvarov» e o «Slava») no arsenal de São Petersburgo. Lançado à água no final do ano de 1901, este couraçado de 121 m de comprimento por 12,20 m de boca deslocava mais de 14 000 toneladas (em plena carga) e estava fortemente blindado e armado. Da sua artilharia constavam 4 peças de 305 mm, 12 de 152 mm e 20 de 47 mm, além de 4 tubos lança-torpedos de 381 mm. Podia atingir –graças à potência desenvolvida pelas suas duas máquinas a vapor de tripla expansão e pelas suas 12 caldeiras- a velocidade máxima de 18 nós. A sua guarnição era composta por 28 oficiais e por 754 sargentos e praças. Apesar do seu poderio, o «Imperator Alexandre III» foi severamente castigado pelo fogo da marinha rival, durante os dois combates que travou aquando da já citada batalha de Tsushima. E, na tarde de 27 de Maio de 1905, o navio virou-se, acabando, pouco depois, por afundar-se. Da sua equipagem, só quatro marinheiros sobreviveram à tragédia.

«BUCINTORO»


Com este nome foram designados vários navios de parada pertencentes à cidade-estado de Veneza. Diga-se, referentemente à última dessas explendorosas embarcações –que se deslocava à força de remos, accionados por 168 homens- que ela foi lançada à água em 1728. Era utilizada anualmento pelo Doge numa cerimónia que ocorria no dia da Ascensão do Cristo e que simbolizava o casamento de Veneza com o mar. Durante essa festa tradicional, o chefe de estado lançava –do «Bucintoro»- um anel às águas do Adriático, pronunciando (em latim) a seguinte frase : «Mar, nós te desposamos, em sinal de perpétua e real soberania». O último «Bucintoro» (nome que, na nossa língua, significa ‘centauro’, por alusão à figura de proa que ostentava) era um navio com 34,70 m de comprimento por 7,2 m de boca. Sem mastreame (salvo aquele, de pequeno porte, no qual se arvorava o pavilhão do príncipe reinante), o navio apresentava-se sumptuosamente ornamentado com esculturas em talha dourada. Em 1797, após a conquista de Veneza pelas tropas francesas de Napoleão Bonaparte, o «Bucintoro» foi desguarnecido das suas belíssimas esculturas em madeira e transformado num batelão. Ulteriormente, foi utilizado pela marinha de guerra austro-húngara como bateria de artilharia flutuante. O que restava do soberbo navio original acabou por ser inteiramente desmantelado no ano de 1824.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

«LA GLOIRE»


Lançada à água no dia 24 de Novembro de 1859 pelo arsenal de Toulon (França), «La Gloire» foi a primeira fragata couraçada do mundo. A sua protecção blindada (assegurada por chaparia de ferro forjado de 110/120 mm) envolvia todo o navio, que deslocava 5 630 toneladas e apresentava as seguintes dimensões : 77,80 m x 17 m x 8,40 m. A sua propulsão mista era assegurada por 1 máquina de dois cilindros, 8 caldeiras e 1 hélice de oito pás e por um aparelho eólico que compreendia 1 100 m2 de pano; esse dispositivo imprimia ao navio a velocidade máxima de 13 nós. Do seu armamento principal constavam, inicialmente, 36 canhões (de carregar pela boca) de 160 mm; peças que foram substituídas, após o restauro sofrido pela fragata em 1866, por artilharia mais moderna (com carregamento executado pela culatra) e reduzida a 8 canhões de 239 mm e 6 outros de 193 mm. A guarnição do navio ascendia a 570 homens. «La Gloire» -que tinha projecto do engenheiro naval Dupuy de Lôme- despertou (graças às inovações que introduzia na marinha de guerra e tornava obsoletos todos os navios construídos antes dela) a imensa curiosidade da esfera militar do seu tempo e provocou, na Europa, uma verdadeira corrida ao armamento naval. A Grã-Bretanha (a maior potência marítima da época), por exemplo, lançou-se, quase imediatamente, na construção de um navio similar para a sua própria armada : o HMS «Warrior». A fragata couraçada «La Gloire», que teve dois navios gémeos («l’Invincible» e «La Normandie»), foi abatida do serviço activo em 1879 e desmantelada quatro anos mais tarde. Uma instrutiva maqueta deste inovador navio está exposta no Museu de Marinha (Palácio de Chaillot) em Paris.

«COMANDANTE JOÃO BELO»


Fragata da Armada Portuguesa lançada à água no dia 22 de Março de 1966 pelos estaleiros da firma Ateliers et Forges de la Loire (Nantes). Derivava da classe francesa ‘Commandant Rivière’. Foi integrada na nossa marinha de guerra em 1968, com o indicativo de amura F480. Era um navio com 108,50 m de comprimento por 12 m de boca. Deslocava 2 250 toneladas e tinha uma autonomia de 7 500 milhas náuticas com velocidade estabilizada a 15 nós. A sua velocidade máxima ultrapassava, no entanto, os 23 nós. O seu sistema propulsivo era constituído por 4 motores diesel totalizando uma potência 16 000 cv. O armamento da «Comandante João Belo», cuja classe nacional compreendia três outros navios (o «Comandante Hermenegildo Capelo», o «Comandante Roberto Ivens» e o «Comandante Sacadura Cabral»), era constituído por 3 peças de 100 mm, por 2 de 40 mm, por um morteiro quádruplo de 305 (este retirado em 1989, após modernização do navio) e por tubos lança-torpedos. Estava dotada com sistemas de detecção de várias valências e dispunha de um dispositivo de detecção e medida de radioactividade. Esta fragata tinha uma guarnição de 164 homens. Tomou parte em missões de guerra aquando do conflito colonial e realizou várias viagens de instrução com alunos da Escola Naval. Foi abatida do serviço da Armada em 2008 e vendida à marinha de guerra uruguaiana, navegando agora com o seguinte indicativo : ROU «Uruguay».