segunda-feira, 5 de abril de 2010

«GALILEO GALILEI»


Paquete italiano (gémeo do «Guglielmo Marconi») construído, em 1963, pelos Cantieri Riuniti dell’Adriatico, de Monfalcone, para a Lloyd Triestino Line; companhia que o destinou à ligação regular entre a Itália e a Austrália. Não podendo (como tantos outros dos seus congéneres) suportar a concorrência dos transportes aéreos, foi retirado dessa linha em 1977 e transformado em navio de cruzeiro. Transformado em 1989/90, o seu deslocamento passou de 28 000 para 30 500 toneladas, ao mesmo tempo que aumentava o número de passageiros transportados. Teve vida atribulada. Navegou com turistas no Mediterrâneo, nas Caraíbas e no Índico, usando sucessivos nomes («Galileo», «Meridian», «Sun Vista») e bandeiras diversas. Este belíssimo navio (com 213,65 m de comprimento por 28,60 m de boca) afundou-se no dia 20 de Maio de 1999 no estreito de Malaca, quando efectuava uma viagem entre a ilha de Phuket e Singapura. As causas do naufrágio permanecem inexplicáveis. Não houve vítimas a lamentar.

«CONSTITUTION»


Quando a fragata «Constitution» foi lançada à água em 1797, depois de ter sido construída num estaleiro de Boston, era –com os seus 54 canhões- o mais poderoso navio que sulcava mares e oceanos. Medindo 53,30 m de comprimento por 13,30 m de boca, este vaso de guerra norte-americano deslocava 2 200 toneladas e estava equipado com 3 mastros, que sustentavam um impressionante sistema vélico com cerca de 4 000 m3 de pano . A sua guarnição compreendia 450 elementos (pessoal de navegação e homens de armas). Teve dois gémeos : as fragatas «President» e «United States». Distinguiu-se, no início do século XIX, na luta contra os corsários barbarescos e defrontou a poderosa ‘Royal Navy’ aquando da guerra de 1812; durante a qual demonstrou a sua superioridade sobre os navios da antiga potência colonial. Sob as ordens do comandante Isaac Hull, bateu-se vitoriosamente contra o HMS «Guerriere» e, pouco depois, quando já se encontrava às ordens do capitão William Bainbridge, levou de vencida o HMS «Java» num combate travado ao largo da costa brasileira. A «Constitution» teria sido desmantelada em 1830, se um movimento de patriotas não tivesse promovido uma acção junto do governo para a salvar e preservar. Restaurada, ainda participou em missões de polícia contra o tráfico negreiro. Acabou por ser desarmada em 1882. De novo reabilitada, entre 1992 e 1995, a ‘Old Ironsides’, como é popularmente designada, é, hoje, o navio-emblema da armada dos Estados Unidos, participando em manifestações de carácter histórico e recebendo anualmente a visita de muitos saudosistas da marinha à vela.

DREADNOUGHT»


Este navio fortemente couraçado foi concebido em 1907 -por lorde Fisher- para a marinha de guerra britânica e constituiu uma autêntica revolução no mundo da construção naval . Deslocava cerca de 22 000 toneladas em plena carga e as suas turbinas (sistema de propulsão que, pela primeira vez, equipava um navio da sua dimensão) imprimiam-lhe uma velocidade máxima da ordem dos 21 nós. A sua artilharia principal, reduzida a um único calibre, assentava em 10 peças de 305 mm, o que lhe permitia castigar o inimigo longe e de maneira violenta. A artilharia secundária do «Dreadnought» contava com 25 canhões de 76 mm. O outro armamento do navio era constituído por 5 tubos lança-torpedos de 457 mm. A sua autonomia era superior a 12 000 km com a velocidade estabilizada a 10 nós. A guarnição do navio compreendia 697 homens. O aparecimento do «Dreadnought» (termo que significa, na nossa língua, ‘que nada teme’) relançou a corrida ao armamento naval entre a Grã-Bretanha e a Alemanha imperial. Que teve como desfecho trágico o afrontamento entre essas duas grandes potências durante a Grande Guerra. As dimensões deste famoso couraçado eram as seguintes : 160,60 m de comprimento por 25 m de boca.

domingo, 28 de março de 2010

«JOÃO DE LISBOA»


Aviso da Armada Portuguesa, pertencente à classe ‘Pedro Nunes’. Projectado pelo engenheiro naval Silvério Sousa Mendes, foi construído em Lisboa -no antigo arsenal da Ribeira das Naus- e lançado à água no dia 21 de Maio de 1936. Foi o último navio realizado por esse estaleiro militar. Deslocava 1 238 toneladas e podia navegar à velocidade máxima de 16 nós. O «João de Lisboa» media 70,5 m de comprimento por 10 m de boca. Estava armado com 2 peças de 120 mm, 2 outras de 47 mm, 4 metralhadoras de 40 mm, 4 morteiros e com 2 dispositivos para lançamento de cargas de profundidade. Da sua guarnição normal faziam parte 107 homens (oficiais, sargentos e praças). Este aviso de 2ª classe, que só integrou os efectivos da nossa marinha de guerra em fins de Outubro de 1937, cumpriu a sua primeira missão, realizando um périplo de África (de Novembro de 1937 a Abril de 1938) com um grupo de guarda-marinhas em viagem de instrução. Depois, efectuou uma comissão de serviço de 7 meses em Macau (1939-1940), com ida pelo canal de Suez e regresso pelo cabo da Boa Esperança. Mas a sua mais memorável viagem (1940-1942), foi uma circum-navegação da Terra, durante a qual o navio percorreu 28 000 milhas náuticas. Essa viagem durou (devido às contigências impostas pela Segunda Guerra Mundial, que então decorria) 625 longos dias. O «João de Lisboa» foi reclassificado como navio hidrográfico em 1961, e, nessa condição, prestou serviço no continente e ilhas adjacentes. Depois de ter sido abatido ao efectivo da Armada em 17 de Agosto de 1966, foi transformado em batelão até ser desmantelado.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

«REIS MAGOS»


Galeão português do século XVI. A 14 de Fevereiro de 1586 -quando já se encontravam reunidas as duas coroas ibéricas sob a autoridade do primogénito de Carlos V- navegando este navio para o Oriente a mando de João Gago de Andrade, foi atacado (quase na linha do equador) por duas naus inglesas. Após um desigual duelo de artilharia, que durou mais de uma hora, o maior dos navios britânicos abordou o nosso galeão, enquanto o outro inimigo continuava a alvejar o «Reis Magos». O capitão português «já velho, gotoso, mas intrépido» soube, no entanto, utilizar da melhor maneira os 200 homens (marinheiros e soldados) colocados sob as suas ordens e rechaçar todos os ataques do adversário, causando-lhe estragos de monta e fazendo grande mortandade na sua tripulação, graças ao tiroteio cerrado dos combatentes colocados nas gáveas. De modo que a nau inglesa teve de desferrar e abandonar o combate ao cabo de duas horas de intensa luta, acabando por desaparecer no horizonte na companhia do outro agressor. No «Reis Magos», onde apenas morrera um tripulante, havia, porém, muitos feridos para cuidar. O que foi feito, enquanto o valoroso navio prosseguia a sua rota para a Índia e para Malaca, término da sua aventurosa viagem.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

«ACONIT»


Corveta de construção britânica (lançada à água em Março de 1941 pelos estaleiros Ailsa), utilizada pela Forças Navais da França Livre durante a Segunda Guerra Mundial. Era um modesto navio de 62,70 m de comprimento por 10,90 m de boca, podendo deslocar 950 toneladas e atingir a velocidade máxima de 16 nós. Esta corveta dispunha de uma equipagem de 70 homens e estava armada com 1 canhão de 102 mm, 1 de 40 mm e 2 de 20 mm, além de dispositivos de lançamento de cargas de profundidade com 60 munições. A «Aconit» efectuou inúmeras missões no Atlântico, nomeadamente escoltas de formações de navios mercantes em proveniência das Américas. O seu dia de glória chegou a 11 de Março de 1943, quando, com outros navios de guerra Aliados, assegurava a protecção do comboio HX 228. Durante essa sua perigosa missão, a «Aconit» e a sua guarnição afundaram dois submarinos alemães : o «U-444» (que a valorosa corveta abalroou voluntariamente) e, uma dezena de horas mais tarde, o «U-432» (destruído por tiros de artinharia). Além desta dupla façanha, ficou ainda a dever-se ao pequeno navio das F.N.F.L. o salvamento de inúmeros marinheiros dos submersíveis destruídos e de navios amigos afundados pelos germânicos. A corveta «Aconit» foi devolvida, no final do conflito, à 'Royal Navy', sob cuja bandeira ainda navegou uns anos com os nomes de «Tarje XI» e «Terrier Southern».

«PÁTRIA»


Irmão gémeo do paquete «Império» (com o qual partilhava, naturalmente, as mesmas características técnicas), este navio foi também ele construído nos estaleiros navais de John Brown, em Clydebank (Glásgua-Escócia). A sua entrega à Companhia Colonial de Navegação -a cuja frota pertenceu- foi efectuada em Dezembro de 1947. Não obstante ter sido destinado à carreira da África Oriental, na qual operou até 1973, o «Pátria» fez várias viagens às Américas, nomeadamente ao Brasil. Custou, segundo o seu armador, 138 000 contos. A sua viagem inaugural, efectuada entre Lisboa e a cidade da Beira, foi algo acidentada, já que o navio sofreu uma avaria nos geradores, que o imobilizou 1 mês na Cidade do Cabo. Em Abril de 1962, o paquete «Pátria» foi fretado pelo ministério do exército para ir a Carachi (no Paquistão) buscar os soldados portugueses capturados pelas forças armadas da União Indiana, aquando do conflito que resultou na perda de soberania lusa sobre os territórios de Goa, Damão e Diu. Terminou a sua derradeira viagem na Formosa (hoje Taiwan) em 1 de Agosto de 1973. Foi desmantelado ali pela companhia Chi Shun Hwa, de Kaohsiung, nesse mesmo ano.