
Cargueiro de bandeira espanhola construído em 1977 nos estaleiros da Sociedad Metalúrgica Duro Felguera S. A., de Gijón, por encomenda do armador Navieras Garcia Miñaur, de Santander. Deslocava 3 605 toneladas e media 93,30 de comprimento por 13,50 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 1 máquina diesel desenvolvendo uma potência de 2 940 cv, que lhe permitia navegar à velocidade de cruzeiro de 12,5 nós. O «Alraigo» seria um navio mercante sem história (como tantos e tantos outros), se, na noite de 6 de Junho de 1983, ao largo da costa norte de Portugal, não tivesse sido o involuntário protagonista de um inaudito incidente noticiado pela imprensa do mundo inteiro. Nessa data, com efeito, o mercante espanhol, que transportava carga diversa para as Canárias, serviu de poiso a um caça-bombardeiro ‘Harrier’ da guarnição do porta-aviões HMS «Illustrious», que participava em manobras navais naquela área. Sem poder socorrer-se dos instrumentos de bordo (que avariaram) e quase sem carburante, o piloto do VTOL britânico não teve outra alternativa senão a de fazer uma aterragem forçada em cima de uns contentores transportados pelo «Alraigo». O caso gerou um pequeno conflito entre a Grã-Bretanha e a Espanha, que foi resolvido por via diplomática, depois da tripulação do cargueiro ter recebido uma recompensa vertida pelo governo britânico a título de compensação pelo incómodo. A aeronave, que prosseguiu viagem com o «Alraigo» até Santa Cruz de Tenerife, foi ali entregue à equipagem do petroleiro «British Hay», que a levou de volta para Inglaterra. Referentemente ao cargueiro espanhol, sabe-se, ainda, que mudou de proprietário e de nome umas seis ou sete vezes, antes de ter sido, presumivelmente, retirado do serviço activo. Disse-se deste navio, que, durante o seu tempo de actividade, chegou a fazer contrabando de armas a favor do regime racista sul-africano e, também, em proveito do ditador Somoza da Nicarágua.
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