
Construído em 1896 pelo estaleiro escocês de Anderson Rodgers Bay Yard, de Glásgua, este belo veleiro de três mastros (armado em barca) foi lançado ao mar com o primitivo nome de «Glenlee». Pertenceu a uma série de 10 navios idênticos, realizados para os armadores Archibald Sterling & Cº Ltd. Destinado ao transporte de carga diversa, o navio fez as suas primeiras viagens à Austrália e à Nova Zelândia carregando cereais. Em 1898 foi adquirido pela companhia Dundee Islamount Sailing Ship que lhe atribuiu o novo nome de «Islamount» e o conservou na mesma rota. Em 1905, foi parar às mãos de nova armadora, a Liverpool Richard Thomas & Cº, que conservou o navio até 1914, ano em que (por causa da guerra) o veleiro foi requisitado pela marinha real britânica. Em 1919, foi vendido à Stella – Società Italiana de Navigazione (uma firma genovesa), que lhe alterou o designativo para «Clarastella» e o utilizou, sobretudo, no mar Mediterrâneo. Foi nesse período, quando navegava sob pavilhão italiano, que o navio recebeu 2 motores diesel de 450 cv e 2 hélices (que lhe proporcionaram uma velocidade de cruzeiro de 8 nós) e uma instalação eléctrica. Em 1922, este antigo veleiro escocês mudou, uma vez mais, de proprietário, de nome e de bandeira. Desta vez, foi comprado pela armada espanhola, que o rebaptizou com o nome de «Galatea». Na marinha de guerra do país vizinho, foi convertido em navio-escola de oficiais, estatuto que conservou até à chegada do «Juan Sebastián de Elcano», passando, a partir de 1928, a formar aprendizes marinheiros especialistas. Durante a guerra civil (1936-1939), o «Galatea» pertenceu, por opção dos seus oficiais, ao partido franquista. Em 26 anos de história na armada espanhola, o navio passou mais de 5 000 dias no mar, fez quatro viagens de circum-navegação e dobrou 16 vezes o cabo Horn. Executou a sua derradeira viagem a 15 de Dezembro de 1959, data em que chegou ao porto do Ferrol, onde ainda serviu como escola estática de manobra. Em 1985 regressou ao Mediterrâneo, a Sevilha, onde deveria ser reabilitado. Infelizmente, esse projecto nunca foi avante e o navio -muito danificado- acabou por ser vendido em leilão e adquirido por um consórcio de cidadãos de Glásgua (onde o navio havia sido construído em finais do século XIX), que, com a ajuda de vários mecenas, conseguiu restaurá-lo. Hoje, o navio ostenta o seu primeiro nome («Glenlee») e expõe-se, na Escócia, à admiração de todos os nostálgicos da marinha à vela.
Este navio aportou no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro - DF e o mais impressionante que por não ter câmara frigorífica, transportava um boi vivo que serviria de alimentação dos tripulantes do barco e tinha um marinheiro de serviço para tomar conta e alimentar o animal. Que tempo ruim!
ResponderEliminarMuito interesante o comntario. Quando e que o Galatea estivo em? Rio de Janeiro
ResponderEliminar