terça-feira, 1 de setembro de 2009

«VASA»


Navio de guerra sueco do século XVII. Foi construído (segundo desenho do arquitecto naval britânico Heinrik Hybertson) no arsenal de Estocolmo e o seu casco lançado à água em 1627. Escolhido para glorificar a dinastia reinante, o «Vasa» foi sobrecarregado com esculturas de figuras mitológicas e divindades guerreiras. Escessivamente, já que estas ascendiam a perto de 700 peças. A popa do precioso navio era um autêntico museu e fora pintada a ouro e azul, as cores emblemáticas de uma nação que aspirava conquistar, no norte da Europa, o estatuto de grande potência naval. Os 64 canhões do «Vasa», também eles artisticamente trabalhados, pesavam a bagatela de 80 toneladas. A sua guarnição normal era de 133 marinheiros e de 300 soldados, devidamente enquadrados pelos respectivos corpos de oficiais. Quando o navio foi dado como concluído pesava cerca de 1 400 toneladas e custara ao país mais de 5% do seu produto nacional bruto. A viagem inaugural do «Vasa» foi programada para o dia 10 de Agosto de 1628 e o acto foi presidido pelo rei Gustado II Adolfo. A população de Estocolmo e das circunvizinhanças acudiu em massa ao lugar de onde o «Vasa» devia partir, para afrontar mar aberto pela primeira vez. Na hora prevista para a cerimónia, o sumptuoso navio, embandeirado em arco, largou as amarras e zarpou na direção de outros vasos de guerra da frota sueca, que o esperavam ao largo da capital do reino. O «Vasa» percorreu graciosamente cerca de uma milha náutica, quando, subitamente, uma rija rajada de vento o fez perigosamente adernar para bombordo. A água começou a engolfar-se pelas portinholas dos canhões da coberta inferior e o navio acabou por soçobrar. Naufragou em poucos minutos, perante o pasmo da assistência que ali se havia reunido para assistir ao triunfo do mais belo navio do mundo. No inesperado desastre do «Vasa» morreram 50 dos seus tripulantes e perdeu-se um espólio (sobretudo artístico) de valor incalculável. A comissão de inquérito nomeada para apurar responsabilidades nunca chegou a apontar os nomes das pessoas culpadas pela catástrofe. Talvez pelo facto de, entre eles, ter de figurar o do próprio soberano, que havia imposto aos construtores do navio um número desproporcionado de modificações, assim como uma sobrecarga de ornamentos inúteis. Os restos do «Vasa» -que se encontram num estado de conservação excepcional- estão agora expostos em museu próprio da capital da Suécia, não muito longe do lugar onde ocorreu o seu espectacular naufrágio.

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