domingo, 12 de setembro de 2010

«CANARIAS»


Cruzador pesado da armada espanhola, construído pelos estaleiros galegos da SECN no Ferrol, que o lançaram à água em 1931. O seu desenho e características foram inspirados nos dos navios britânicos da classe ‘County’. O «Canárias» foi dado como operacional em Setembro de 1936 e entrou na guerra civil ao lado dos sublevados franquistas. O navio deslocava 13 300 toneladas em plena carga e media 193,90 metros de comprimento por 19,52 metros de boca. A sua cintura, coberta e reparos estavam razoavelmente couraçados. Do seu armamento principal faziam parte 8 canhões de 203 mm, 8 de 120 mm e 12 tubos lança-torpedos de 533 mm. O seu sistema propulsor desenvolvia uma potência de 90 000 cv, que permitia ao cruzador avançar a uma velocidade máxima de 33 nós. A sua tripulação era de 800 homens, oficiais incluídos. Era gémeo do «Baleares». A sua primeira acção verificou-se logo em Setembro de 1936, quando participou na batalha do cabo Espartel, no decorrer da qual afundou o ‘destroyer’ republicano «Almirante Ferrándiz», com uma salva disparada a 20 km de distância. Em Dezembro desse mesmo ano, destruiu o vapor soviético «Komsomol» diante de Oran. Em 1937 esteve na batalha do cabo Machichaco e participou no canhoneio do porto de Málaga, onde foram massacrados milhares de civis. No ano seguinte, as suas acções de maior relevo foram, sucessivamente, a participação activa na batalha do cabo Palos (durante a qual foi afundado o cruzador «Baleares», seu ‘sister-ship’), o ataque ao porto de Barcelona e a perseguição ao contra-torpedeiro da marinha republicana «José Luís Díez», que se viu obrigado a refugiar-se em Gibraltar. Depois da guerra civil, a sua acção tornou-se, naturalmente, mais discreta. Ainda assim, participou em 1941, nas operações que foram levadas a cabo (sem sucesso) pela armada franquista no Atlântico norte, visando o salvamento de eventuais sobreviventes do «Bismarck». Esteve na guerra do Ifni, bombardeando zonas costeiras desse território, onde as tropas espanholas se encontravam sitiadas. Participou, em Agadir, em 1957, em operações intimidatórias ao governo de Marrocos. Em 1962, aquando do casamento de D. Juan Carlos de Borbón com a princesa Sofia da Grécia, conduziu algumas das altas individualidades convidadas a Atenas. E, em 1969, foi um dos navios enviados por Espanha à Guiné Equatorial para evacuar nacionais do país vizinho. Foi radiado dos efectivos da marinha de guerra em 7 de Dezembro de 1975 e desmantelado em 1977. Algumas peças do seu equipamento figuram em vários museus espanhóis.

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