segunda-feira, 2 de agosto de 2010

«ZARYA»


Construído em finais do século XIX no estaleiro de Colin Archer em Larvik (Noruega), este brigue de três mastros usava um sistema de propulsão mista (vela/vapor) e chamou-se inicialmente «Harald Halfager». O seu casco, de madeira, apresentava algumas similitudes com o do revolucionário «Fram» (do explorador Nansen), que foi realizado pelo mesmo construtor. Quase nada se sabe sobre as suas características físicas, para além daquelas que algumas fotografias deixam adivinhar. Sabe-se, no entanto, que deslocava 450 toneladas e o seu calado era de 5 metros. A sua utilização requeria uma equipagem de 20 homens. Em 1899 (depois de ter sido certificado como apto à navegação polar pelas autoridades norueguesas) o navio foi adquirido (por 60 000 rublos) pela Academia Imperial das Ciências da Rússia e colocado à disposição do investigador e explorador barão Eduard Toll. Em 1900, depois de ter recebido o nome de ‘Zarya» (que significa ‘alvorada’, na nossa língua), o navio largou de São Petersburgo –sob o comando de Nikolai Nikolaievitch Kolomeistsev, um futuro herói da batalha de Tsushima- para explorar determinadas regiões árcticas e investigar a existência da chamada ilha de Sannikov . Terra assinalada no relatório de vários viajantes russos de séculos precedentes e que, de facto, nunca existiu, como o estabeleceu rigorosamente o barão Toll durante este cruzeiro polar do «Zarya». O navio regressou à sua base das margens do rio Neva em 1903. Sabe-se que a sua carcaça esteve abandonada durante muitos anos (existem fotografias do navio, já em estado lamentável, datadas de 1913 a 1933), até que desapareceu por completo, devorado pela intempérie. O seu nome («Zarya») foi dado, pelos russos, a um dos módulos da Estação Espacial Internacional.

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