segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

«PENINSULAR»

Navio a vapor -de 2 744 toneladas- pertencente à frota da Empresa Insulana de Navegação, que o adquiriu em segunda mão à Blue Anchor Line. Foi construído em 1887, na Grã-Bretanha, pela firma J. L. Thompson & Sons, de Sunderland, e navegou -até 1893- com o nome de «Murrumbidgee». Tinha casco de aço e media 99,10 metros de comprimento por 12,20 metros de boca. A propulsão deste vapor era assegurada por 1 máquina de tríplice expansão, que desenvolvia 400 cv de potência. A sua tripulação era constituída por 70 homens e o número máximo de passageiros que podia receber a bordo era de 730. A Empresa Insulana de Navegação colocou o «Peninsular» na carreira Lisboa-Cádiz-Açores-Boston-Nova Iorque, da qual o navio era retirado ocasionalmente, em função dos interesses comerciais da companhia armadora. Foi o que aconteceu em 1895, quando o vapor «Peninsular» foi alugado ao Estado, para assegurar o transporte de um troço de tropas da expedição a Lourenço Marques. Essa viagem -que marcou a história do «Peninsular»- correu pessimamente e o navio viu-se em sérias dificuldades (quando já havia dobrado o cabo de São Vicente) devido a uma tempestade que o tornou incontrolável. As notícias sobre a tormentosa odisseia do navio português alarmou Lisboa e o resto do país (em Abril de 1895), até ao momento em que, finalmente, o «Peninsular» pôde transpor, são e salvo, a barra do Tejo, a reboque do vapor francês «Ville de Dunkerque», que lhe prestara socorro no momento oportuno. O «Peninsular» fez dezenas de viagens transatlânticas (sobretudo com emigrantes), até que, em 1908, vítima da concorrência das companhias estrangeiras, foi retirado desse serviço e vendido à Empresa Nacional de Navegação. Manteve-se ao serviço desta companhia até 1923, ano em que foi desmantelado. Nota : a imagem anexada é uma tela (representando o navio em apreço) da autoria do prolífico e genial pintor norte-americano (de origem dinamarquesa) Antonio Jacobsen (1850-1921).

3 comentários:

  1. Sugestão 1: incluir bibliografia sobre o tema versado - PAQUETES PORTUGUESES, de Luís Miguel Correia, Edições Inapa, Lisboa, 1992 (Ainda não é do foro do domínio público, só atingindo esse estatuto em 2067.

    Sugestão 2: Referir que a ilustração - um original do artista plástico e designer RODRIGO BETTENCOURT DA CÂMARA foi feita propositadamente para o livro em referência.

    Não custa nada respeitar o trabalho de investigação alheio. Escrevo livros para divulgar e partilhar o meu gosto pelos navios e o mar, mas o meu trabalho não é anónimo.

    Cumprimentos cordiais

    LUÍS MIGUEL CORREIA


    Luís Miguel Correia
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  2. Caro editor do Alernavios

    O comentário do nosso "colega" de métier Luis Miguel Correia levou-me a elaborar o seguinte comentário.

    Possuo o livro "Paquetes Portugueses" que acho uma precisidade e louvo a sua edição, muito bem escrito e bem documentado.

    Pelo que ao ler o comentário feito, pelo editor desse livro fui comparar o seu texto com o texto escrito na referida publicação. Sem querer fazer eleogios a um e a outro em nada são semelhantes. O texto acrescenta o do livro.

    Considero o comentário feito pelo sr. Luis Miguel Correia despropositado, para o qual apenas encontro uma justificação: Publicitar as suas publicações, que não retirando o seu mérito e qualidade, decerto não necessitariam de ser propagandeadas nestes termos e tão descaradamente.

    Estou à vontade para comentar pois no meu blogue todas os posts referentes a paquetes portugueses, e não só, tendo recorrido a informações do referido livro, e a fotos e documentos do blogue editado pelo sr. Luis Miguel Correia, o indiquei como fontes de texto e imagens. Penso que quando fazemos um trabalho e ele é utilizado por outrém só nos deve envaidecer e orgulhar.

    Transcrevendo a frase que foi escrita « Não custa nada respeitar o trabalho de investigação alheio ». Julgo que o trabalho elaborado neste blogue não tem fins lucrativos como outros igualmente respeitáveis, pelo que devem ser acarinhados e aplaudidos.

    A história transcreve-se não se inventa e não é feita só de eruditos, os apelidados de amadores tambem devem ser respeitados e reconhecidos, talvez até com mais propriedade.

    Cumprimentos

    José Leite

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  3. Caro Senhor Luís Miguel Correia,

    Apresento-lhe as minhas sinceras e públicas desculpas pelo facto de ter utilizado indevidamente (mas de boa fé) uma imagem à qual o senhor diz -com toda a legitimidade- ter direitos exclusivos. Na realidade, deparei com essa aguarela representando o vapor «Peninsular» num espaço da Net consagrado à antiga frota da Insulana, que não referia a origem da imagem em questão, nem o nome do autor da dita. Trabalho que eu pensei, muito ingenuamente, tratar-se de iconografia contemporânea do navio, devido ao aspecto ‘retro’ que o artista Rodrigo Bettencourt da Câmara -que o senhor citou no seu comentário- transmitiu a essa sua belíssima obra. Infelizmente, NUNCA tive a ocasião de aceder ao seu livro «Paquetes Portugueses», por estar esgotado nas livrarias; mas que eu adivinho ser de excelente factura, tal como outras obras da sua autoria que eu conservo preciosamente na minha biblioteca consagrada ao tema apaixonante dos navios. Renovo o meu pedido de desculpas (extensivo ao autor da aguarela) e informo que a imagem em causa será removida e substituída no mais curto espaço de tempo. Obrigado pela sua atenção e também por seguir o meu blogue; que, paradoxalmente e de início, nem deveria conter iconografia das embarcações evocadas. Mas, como uma imagem vale mais do que mil palavras… Melhores cumprimentos de M. Silva, editor do blogue Alernavios.

    Caro Senhor José Leite,

    Muito obrigado pelas palavras simpáticas que me dirigiu no seu comentário de 21 de Dezembro. Alernavios apareceu na Net por três ‘boas’ razões. A primeira para ocupar os tempos livres de um velho (já a caminho dos 70 anos de idade), que vive isolado numa aldeia do Alentejo raiano, onde… não se passa nada; a segunda, para partilhar o amor dos navios (contraído, desde menino, em cidades portuárias onde o destino o conduziu e instalou ao longo da vida) com aqueles -e são muitos- que o tema fascina; a terceira razão tem a ver -confessa o bloguista- com a necessidade de usar a língua portuguesa, após mais de 41 anos passados em terras estrangeiras, onde durante muitas luas (como diriam os ameríndios) o nosso idioma só era usado em casa, com a mulher. Alernavios é, também e ainda, a história de uma teimosia do bloguista, que acredita que lá poderá encaixar o ‘retrato à la minuta’ de 1 001 navios. E digo ‘retrato à la minuta’ porque, como os seguidores do blogue já observaram, não se trata de algo de profundo (esse tipo de trabalho deixo-o voluntariamente aos peritos) ou de organizado. A lista de navios nele referenciados (grandes ou pequenos, com um historial notável ou perfeitamente anónimos) não obedece a nada de lógico, a nada de planeado. Assim, serão certamente esquecidos muitos ‘históricos’ em proveito de naves desconhecidas, ou quase. Algumas delas ainda ignoradas da Wikipédia e de outros canais da fabulosa e universal teia desenvolvida pela Internet. Como o senhor julga, e muito bem, Alernavios não tem fins lucrativos; antes pelo contrário, só tem acarretado despesas, quase incompatíveis com estes amaldiçoados tempos de crise que todos enfrentamos. Mas o objectivo a alcançar também nunca foi esse. Saudações calorosas de M. Silva.

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