sábado, 31 de julho de 2010

«REY JAIME I»


Navio espanhol construído em 1911 no estaleiro Odero, de Sestri Ponente (Génova). Era um vapor de 4 300 t encomendado pela Isleña Marítima (firma depois adquirida pela Compañia Transmediterránea), que o registou no porto de Palma de Maiorca, e o utilizou na sua linha regular (de correio rápido) para Barcelona. O «Rey Jaime I» media 93,63 m de comprimento por 11,50 m de boca. O seu sistema de propulsão era constituído por duas máquinas alternativas de tripla expansão, que desenvolviam uma potência de 4 000 cv. A sua velocidade de cruzeiro ultrapassava os 17,5 nós. Foi concebido para poder transportar 500 passageiros. Em 1913, o «Rey Jaime I» foi um dos primeiros navios da frota mercante espanhola a beneficiar da instalação da TSF. Nos anos 20, por ocasião das campanhas militares espanholas do norte África, o navio transportou vários contigentes para Melilla. Do seu historial constam a viagem que fez a Itália (em 1923) com o séquito dos reis Afonso XIII e Victoria Eugenia, na sua visita de cortesia a Benito Mussoulini, ao papa e ao soberano Vittorio Emanuel; e o transporte das tropas que, em Setembro de 1925, participaram no desembarque de Alhucemas. Em 1926, o «Rey Jaime I» foi convertido em luxuoso hotel flutuante, para poder albergar o corpo diplomático acreditado em Madrid e outras altas personalidades (entre elas estavam, o embaixador de Portugal e o futuro caudilho de Espanha), que assistiram -em Sevilha- às apoteóticas festas organizadas para homenajear a intrépida tripulação do hidroavião «Plus Ultra». No início da guerra civil (em Outubro de 1936), já obsoleto, este navio foi mobilizado pelos franquistas, que o transformaram em cruzador-auxiliar, artilhado-o com um canhão de 120 mm, uma peça AA de 76 mm e duas metralhadoras. Nessa sua nova condição, o «Rey Jaime I» escoltou comboios de navios, assegurou transportes de tropas e de armamento e até participou activamente -ao lado do cruzador nacionalista «Almirante Cervera»- na perseguição e arresto do «Marqués de Comillas» e noutras operações de guerra. No outono de 1937 apresou, em águas italianas, o navio «Mar Negro» que trazia (da U.R.S.S.) um carregamento de 203 camiões e 80 barris de lubrificante para as forças governamentais. Em 1938 sofreu um importante restauro nos estaleiros de Cádiz, operando depois disso, e até ao fim da guerra, na zona do estreito de Gibraltar. Depois do conflito, voltou à linha de passageiros Palma-Barcelona. Em 1946 foi a Civitavecchia, em missão diplomática, por ocasião da investidura de três cardeais espanhóis, pelo papa Pio XII. Em 1953, com 42 anos de vida, o navio «Rey Jaime I» sofreu a sua derradeira transformação no estaleiro Nuevo Vulcano, de Barcelona, que lhe substituiu o seu sistema de propulsão a vapor por máquinas diesel. Ainda prestou, durante alguns anos, serviço de passageiros e carga nas linhas de de Barcelona-Mahón, Barcelona-Ibiza e interilhas, até que que foi oficialmente retirado do serviço activo em 1 de Outubro de 1967. A derradeira viagem deste veterano da navegação mediterrânica levou-o até Valência (30/10/1967), onde um sucateiro local procedeu ao seu imediato desmantelamento.

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