segunda-feira, 19 de maio de 2014

«HÉRCULES»

Não se sabe, ao certo, onde foi construído este navio, que, em 1814, integrou a armada das Províncias Unidas do Rio da Prata (futura República Argentina) com a classificação de fragata. Isso, depois de ter sido porvido com 36 bocas de fogo e guarnecido com centena e meia de marinheiros e soldados. Presume-se que possa ter sido realizado na Rússia ou nos Estados Unidos da América. Sabe-se que funcionou como navio mercante nas rotas do comércio internacional com o nome de «Duke of Palma». Este navio, procedente de Liverpool, entrou pela primeira vez no porto de Buenos Aires a 22 de Dezembro de 1813 e, depois de realizada a sua compra e de o terem adaptado à guerra naval, foi integrado na esquadra que, em 1814, investiu e conquistou a praça de Montevideu, até então nas mãos dos monárquicos. Esse ataque das forças argentinas culminou com os combates em volta da ilha de Martín Garcia, durante os quais a fragata «Hércules» sofreu vários precalços, nomeadamente um encalhe. Durante a refrega, encaixou fogo inimigo (82 impactos, que lhe causaram avarias importantes) e registou muitas baixas na sua guarnição. Ainda no quadro dessa campanha, o navio «Hércules» esteve no combate naval de Buceo, decisivo para o desfecho dessa guerra pela independência das colónias espanholas daquela região do mundo. O governador da praça de Montevideu passou algum tempo em clausura a bordo desta fragata. Ainda em 1814, a propriedade do navio foi transferida -por decisão secreta do supremo responsável político das Províncias Unidas do Rio da Prata- para o oficial da marinha Guillermo Brown, como agradecimento pelos serviços prestados durante a referida campanha contra os espanhóis de Montevideu. Brown recebeu, igualmente, nessa ocasião, uma carta de corso, que o autorizava a atacar a navegação castelhana onde bem o entendesse. Assim, o «Hércules» navegou no Atlântico (mar das Caraíbas) e no Pacífico, onde se entregou a actividades corsárias. Em 1816, na costa ocidental da América do sul, bombardeou o porto de Callao, fez incursões contra Guayquil e contra as ilhas Galápagos e capturou navios coloniais, apoderando-se dos seus ricos carregamentos. Em 1817, o «Hércules» voltou a cruzar o cabo Horn e a ganhar o Atlântico. Escalou o arquipélago das Malvidas, onde fez aguada, e esteve em Cabo Frio, na costa brasileira, de onde rumou, de novo, para o mar das Antilhas para se entregar à sua actividade corsária. A 28 de Setembro desse mesmo ano, foi capturado (durante uma operação inesperada) pelo vaso de guerra inglês «Brazen», quando se encontrava fundeado na baía de Carlisle, em frente da cidade de Bridgetown. O navio foi confiscado, sob pretexto de se entregar à pirataria, embora nenhum membro da sua guarnição tenha sido, curiosamente, julgado pelo mesmo motivo. Os homens acabaram por ser libertados, mas o «Hércules» e a sua preciosa mercadoria nunca seriam devolvidos pelos britânicos. Desconhece-se o destino final deste navio. Parece, no entanto, que chegou a integrar a frota do almirante Brion (venezuelano), que o terá arrematado num leilão organizado no porto de Antígua. O «Hércules» (também conhecido na história naval da Argentina como 'fragata negra') deslocava 350 toneladas e media 38 metros de comprimento por 8 metros de boca. A sua guarnição (variável, segundo as circunstâncias) rondava os 140 homens.

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