sábado, 5 de fevereiro de 2011

«LOANDA»


Com o primitivo nome de «Wurzburg», este navio foi lançado à água em 1901 no estaleiro Vulkan, de Bremen, que o construiu para satisfazer uma encomenda do armador alemão NordDeutscher Lloyd. Era um navio com cerca de 5 000 toneladas de arqueação bruta, que media 122 metros de comprimento por 14 metros de boca. Navio misto (passageiros e carga), o «Wurzburg» podia receber 1 030 viajantes, um milhar dos quais arrumados na classe ‘emigrante’, situada nos porões. A sua velocidade máxima era de 12 nós. Quando eclodiu a 1ª Guerra Mundial, o «Wurzburg», que navegava no Atlântico (pois fora colocado na rota Alemanha-Brasil), recebeu instruções para se refugiar num porto neutro, até receber novas ordens. O seu capitão optou pelo Mindelo (Cabo Verde), porto, então, sob administração lusa. Foi aí que, em Março de 1916, as autoridades portuguesas o confiscaram, aquando de uma operação hostil aos Impérios Centrais, que levou ao apresamento de cerca de 70 navios alemães e austríacos. Tendo recebido o novo designativo de «São Vicente», o navio foi entregue à TEM (Transportes Marítimos do Estado), que se apressou a arrendá-lo ao governo britânico, para que o utilizasse em missões ligadas ao conflito em curso. Sabe-se que operou, essencialmente, no Mediterrâneo oriental, até ser, já depois da assinatura do armistício, subalugado à França; que o usou em operações de repatriamento de tropas. O navio só regressou a Portugal em finais do ano de 1920, onde, muito maltratado, sofreu reparações importantes. No final das quais, voltou à sua actividade de navio de passageiros, sendo colocado pelos TEM na rota Lisboa-Açores-Nova Iorque. Com a extinção da armadora estatal, o navio passou (em 1925) para posse da recém fundada Companhia Colonial de Navegação. Esta empresa (fundada no Lobito, Angola) deu-lhe o seu derradeiro nome -«Loanda»- e passou a utilizá-lo nas suas rotas africanas, onde prestou serviço até 1937. A evidente vetustez do paquete (com 36 anos de uso intenso) levou a C.C.N. a vendê-lo, como ferro-velho, em 1938, sendo o navio desmantelado, nesse mesmo ano, por um sucateiro italiano de Génova. Curiosidade : em 19 de Dezembro de 1934, no porto de Leixões, o «Loanda» (que prescindira do piloto da barra) abalroou e afundou o paquete «Orania», de 9 800 toneladas. Esta unidade, que pertencia à companhia Royal Holland Lloyd, foi desmantelada ‘in situ’.

1 comentário:

  1. Minha avó, Tereza dos Santos Rosa nos contava que viajou como imigrante de Portugal até o Brasil nesse navio, em 1913. Ela embarcou no Porto (em Matozinhos) e desceu em Santos. Uma viagem difícil, demorada, mas que ela teve a sorte de ter a companhia de umas amigas.

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