quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

«GALATEA»


Construído em 1896 pelo estaleiro escocês de Anderson Rodgers Bay Yard, de Glásgua, este belo veleiro de três mastros (armado em barca) foi lançado ao mar com o primitivo nome de «Glenlee». Pertenceu a uma série de 10 navios idênticos, realizados para os armadores Archibald Sterling & Cº Ltd. Destinado ao transporte de carga diversa, o navio fez as suas primeiras viagens à Austrália e à Nova Zelândia carregando cereais. Em 1898 foi adquirido pela companhia Dundee Islamount Sailing Ship que lhe atribuiu o novo nome de «Islamount» e o conservou na mesma rota. Em 1905, foi parar às mãos de nova armadora, a Liverpool Richard Thomas & Cº, que conservou o navio até 1914, ano em que (por causa da guerra) o veleiro foi requisitado pela marinha real britânica. Em 1919, foi vendido à Stella – Società Italiana de Navigazione (uma firma genovesa), que lhe alterou o designativo para «Clarastella» e o utilizou, sobretudo, no mar Mediterrâneo. Foi nesse período, quando navegava sob pavilhão italiano, que o navio recebeu 2 motores diesel de 450 cv e 2 hélices (que lhe proporcionaram uma velocidade de cruzeiro de 8 nós) e uma instalação eléctrica. Em 1922, este antigo veleiro escocês mudou, uma vez mais, de proprietário, de nome e de bandeira. Desta vez, foi comprado pela armada espanhola, que o rebaptizou com o nome de «Galatea». Na marinha de guerra do país vizinho, foi convertido em navio-escola de oficiais, estatuto que conservou até à chegada do «Juan Sebastián de Elcano», passando, a partir de 1928, a formar aprendizes marinheiros especialistas. Durante a guerra civil (1936-1939), o «Galatea» pertenceu, por opção dos seus oficiais, ao partido franquista. Em 26 anos de história na armada espanhola, o navio passou mais de 5 000 dias no mar, fez quatro viagens de circum-navegação e dobrou 16 vezes o cabo Horn. Executou a sua derradeira viagem a 15 de Dezembro de 1959, data em que chegou ao porto do Ferrol, onde ainda serviu como escola estática de manobra. Em 1985 regressou ao Mediterrâneo, a Sevilha, onde deveria ser reabilitado. Infelizmente, esse projecto nunca foi avante e o navio -muito danificado- acabou por ser vendido em leilão e adquirido por um consórcio de cidadãos de Glásgua (onde o navio havia sido construído em finais do século XIX), que, com a ajuda de vários mecenas, conseguiu restaurá-lo. Hoje, o navio ostenta o seu primeiro nome («Glenlee») e expõe-se, na Escócia, à admiração de todos os nostálgicos da marinha à vela.

1 comentário:

  1. Este navio aportou no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro - DF e o mais impressionante que por não ter câmara frigorífica, transportava um boi vivo que serviria de alimentação dos tripulantes do barco e tinha um marinheiro de serviço para tomar conta e alimentar o animal. Que tempo ruim!

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