sexta-feira, 8 de julho de 2011

«SANTA CLARA»


Nau seiscentista da carreira da Índia. Embora nada se saiba sobre as suas características físicas, presume-se que não fosse muito diferente dos navios utilizados pelos Portugueses do século XVII no seu proveitoso comércio com o Oriente. Do seu historial apenas se sabe, com precisão, que naufragou ao largo da costa baiana -mais precisamente nos recifes de Arempebe- no ano de 1680. A «Santa Clara», que regressava da Índia integrada numa frota de três navios, terá sido a única dessas naus com destino a Lisboa que sobreviveu à passagem do cabo da Boa Esperança. Desviada por ventos desfavoráveis, a nau, que se encontrava sob o comando do capitão Luís de Alter, foi parar a terras de Vera Cruz. Sabe-se, ainda, que escalou o porto de Salvador e que foi dali que partiu -com 676 pessoas a bordo e riquezas incalculáveis provenientes do Oriente- para a sua derradeira e fatídica viagem. Ao soçobro da nau «Santa Clara» apenas sobreviveram 6 pessoas. A notícia de que o navio transportava um grande tesouro (cujo valor os peritos estimam, hoje, em mais de 200 milhões de dólares) provocou, na população local, uma verdadeira corrida ao ouro, às pedrarias e outros valores transportados pela nau portuguesa. O primeiro a explorar o bojo destroçado da «Santa Clara» foi, ao que parece, um fidalgo de nome Garcia d’Ávila, que, com o concurso de mergulhadores índios, dele retirou uma fortuna colossal. Fortuna que lhe permitiu constituir um latifúndio imenso, com terras que se estendiam do Maranhão ao Espírito Santo. Segundo certos autores, ainda hoje se acham objectos de valor no sítio do naufrágio, que foi o mais rico jamais ocorrido abaixo da linha do Equador.

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