sexta-feira, 22 de abril de 2011

«ANA MARIA»


Navio construído em 1873 (com o primitivo nome de «Argus») nos estaleiros escoceses da firma Dundee Shipbuilding & Company para o armador local William Thompson. Em 1885 foi adquirido pela casa Bensaúde & Cia, sedeada em Lisboa, que lhe conservou o mesmo nome. Seis anos mais tarde, em 1891, o «Argus» estava integrado na frota da Parceria Geral de Pescarias, empresa pertencente à mesma família portuguesa. Família de armadores que o submeteu (em ano que desconhecemos) a reparos de monta, sem o ter dotado, todavia, com um motor auxiliar. Em 1941 o navio foi vendido à Veloso, Pinheiro e Companhia Limitada, do Porto, que o utilizou (como no passado) na pesca longínqua ao bacalhau e lhe atribuíu o seu derradeiro nome : «Ana Maria». O lugre aventurou-se nos hostis mares da Terra Nova e zonas de pesca limítrofes até ao ano de 1958, quando, no final da sua campanha de pesca, naufragou com água aberta. O velho navio de três mastros contava 85 impressionantes anos de vida e de actividade, ostentando durante 73 a bandeira de Portugal. No seu soçobro não houve a lamentar a morte de nenhum dos seus tripulantes (em número de 9) e pescadores (29), que, em hora feliz, foram resgatados às águas frígidas do Atlântico norte por dois arrastões espanhóis. O «Ana Maria» era objecto de grande admiração nos meios marítimos portuenses (e não só), pelo facto de ser um dos raros navios do seu tempo que nunca recorreram, para navegar, a outra força senão aquela que o vento lhe proporcionava. O «Ana Maria» era um navio de 270,64 tb, com 50,86 metros de comprimento. Os seus porões podiam carregar 5 058 quintais de pescado.

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