segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

«SOBRAL SANTOS»


Construído em 1957 para o transporte de passageiros e frete no rio Amazonas, o «Sobral Santos» (segundo do nome) pertenceu à frota da Empresa de Navegação Onze de Maio, sedeada na capital da Amazónia. A operar na linha Santarém-Manaus, esta embarcação com casco de ferro (o que fazia dela, dizia-se, a mais segura da chamada hidrovia Solimões-Amazonas) estava autorizada a transportar 500 passageiros e 200 toneladas de carga. O «Sobral Santos» era um ‘gaiola’ sem história até que -pelas 19 horas do dia 18 de Setembro de 1981- foi o protagonista de um trágico naufrágio ocorrido no porto de Óbidos (estado do Pará), que provocou a morte de mais de 300 dos seus ocupantes. Segundo testemunhas presenciais do drama, o navio tinha sobrecarga de passageiros e, sobretudo, de mercadorias; que o desequilibraram e concorreram para o seu rápido afundamento, num sítio onde o rio Amazonas atinge profundidades da ordem dos 100 metros. O naufrágio do «Sobral Santos» foi, até hoje, aquele que maior número de vítimas causou no mais caudaloso rio do mundo. Reemergido 12 dias depois do seu afundamento, este típico ‘gaiola’ foi vendido ao empresário Isaac Hamoy, que, depois de o ter mandado restaurar, lhe deu o novo nome de «Cisne Branco. É com esse poético designativo, que a embarcação continua a navegar no Amazonas, agora com as cores da Empresa de Navegação AR Transporte; e com a sua capacidade reduzida (oficialmente) a 232 passageiros e a 160 toneladas de carga. Não nos foi possível recolher informações sobre as características básicas (comprimento, boca, calado, motorização, etc) desta embarcação fluvial brasileira com tão sombrio passado.

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