segunda-feira, 10 de março de 2014

«ANTON DOHRN»

Este navio de bandeira alemã (R.F.A.) pertenceu ao Ministério Federal da Alimentação, Agricultura e Florestas. Foi construído pelos estaleiros Mützelfeldt, de Cuxhaven, que o lançaram à água no dia 16 de Agosto de 1954. Apresentava 999 toneladas de arqueação bruta e media 62,30 metros de comprimento. Fisicamente, assemelhava-se a um banal arrastão. Estava, no entanto, equipado para operar como unidade científica (no domínio marinho), podendo receber a bordo 15 pesquizadores, para além da sua tripulação normal de 30 homens. O seu nome prestava homenagem a um notável biólogo darwinista. Esta embarcação contribuíu para a descoberta de importantes bancos de pesca entre a Islândia e a Gronelândia, aos quais foram dados o seu nome. Foi também a tripulação deste navio que, pela primeira vez, cartografou o chamado Planalto (submerso) de Dohrn, situado a Oeste das ilhas Hébridas. Durante a sua vida activa, enquanto navio-laboratório, o «Anton Dohrn» passou 3 727 dias no mar, no cumprimento de 164 viagens de estudo, percorreu mais de 600 000 milhas náuticas e recolheu 8 157 amostras para estudo científico. Durante os seus cruzeiros aos mares boreais, este navio cruzou-se com muitos bacalhoeiros portugueses, que despertaram a curiosidade dos seus tripulantes. Em Agosto de 1957, dois deles estiveram mesmo a bordo do lugre-motor «Adélia Maria», onde J. Messtorff tirou inúmeras fotografias ao navio e aos homens, em plena faina. Essas fotos -de um trabalho já algo arcaico- percorreram mundo e perpetuaram a memória desses destemidos lobos do mar portugueses. O «Anton Dohrn» terminou a sua singular carreira em 1972, após 17 anos ao serviço das ciências marinhas. Vendido a particulares, passou a chamar-se «Meerkatze» e a dedicar-se à actividade pesqueira em águas islandesas. Foi desmantelado em 1986.

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