sexta-feira, 10 de outubro de 2014

«GERUSALEMME»


Encomendado, em 1915, pela companhia armadora Lloyd (austríaca) aos estaleiros de Trieste Cantiere San Rocco di Muggia, este paquete nunca chegou (devido à derrota -na Grande Guerra- dos chamados Impérios Centrais) a hastear a bandeira austro-húngara. Nem sequer a ser terminado antes de 1920, ano em que foi lançado ao mar com as cores do Lloyd Triestino e com o nome de «Cracovia». Era gémeo do «Pilsna» (posteriormente chamado «Galilea»), do qual só se diferenciava por utilizar um sistema propulsivo dotado com inovadoras turbinas a vapor. Foi inicialmente colocado na linha da Índia e do Extremo Oriente. Mas, a partir de 1934, começou a operar entre a Europa e a Palestina (território colocado pela S.D.N. sob administração britânica), para onde transportou numerosos emigrantes de origem judaica. Já em pleno consulado mussoliniano, este navio foi transferido para a frota da Adriatica di Navigazione (sedeada em Veneza), onde passou a usar o seu novo nome de «Gerusalemme». Quando, em 1940, a Itália entrou em guerra ao lado da Alemanha nazi, este navio fazia serviço numa linha que percorria as costas da África oriental e tornou-se, assim, uma presa apetecida para a 'Royal Navy'. Para escapar aos ingleses, o navio refugiou-se no porto neutro de Lourenço Marques (actual Maputo), onde beneficiou da protecção portuguesa. Mas, em 1943 -depois da queda do regime fascista e da reviravolta na política italiana- o «Gerusalemme» foi entregue aos britânicos; que, depois de trabalhos de transformação executados em Durban (África do Sul), passaram a utilizá-lo, sucessivamente, como navio-hospital e como transporte de tropas. Com o fim do conflito, o velho paquete foi restituído ao Lloyd Triestino, que o alugou a um outro operador italiano para prestar serviço na linha Génova-Buenos Aires e, seguidamente, na linha Génova-Durban, via Suez. Em 1952, considerado obsoleto, o navio foi conduzido ao porto de Savona, onde foi desmantelado. Nos tempos do seu esplendor (período entre duas guerras) este navio podia acolher 444 passageiros, 74 dos quais em 1ª classe. Com 8 052 toneladas de arqueação bruta, o «Gerusalemme» media 131 metros de comprimento por 16,15 metros de boca. O seu sistema propulsor (acomplado a 2 hélices) desenvolvia 4 200 cv, potência que lhe facultava uma velocidade máxima rondando os 14 nós.

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