quinta-feira, 30 de outubro de 2014

«FIRECREST»

Cúter construído em 1892 -segundo planos do arquitecto naval Dixon Kemp- no estaleiro PT Harris, de Rowhedge (Essex, Inglaterra). Deslocava 12 toneladas (?) e media 11,90 metros por 2,60 metros de boca. Equipado (como o são as embarcações do seu tipo) com um único mastro e com um longo gurupés, içava pano latino. O «Firecrest» tornou-se célebre pelo facto de ter sido adquirido pelo navegador solitário francês Alain Gerbault (um pioneiro dessa prática) e de, com ele, ter feito uma volta ao mundo; que durou de Abril de 1923 a Julho de 1929. Construído com madeiras de carvalho e de teca, este veleiro estava compartimentado em três secções estanques. A primeira delas, situada à vante, comportava a cozinha e dispensas; na segunda, au centro, funcionava a apertada cabine de navegação; e, na de popa, cabiam apenas dois beliches e um reservatório de água potável com uma capacidade de 75 litros. Disse-se deste extraordinário e pequeno veleiro, que aguentava -com a solidez de um 'clipper'- as mais violentas pancadas de mar. Algumas delas verdadeiramente assustadoras, tal como as descreveu Gerbault nos livros que deixou. Antigo piloto de aeroplanos -durante a Grande Guerra- e engenheiro civil de profissão, Gerbault (descendente de ricos industriais) praticava desportos, como o ténis, antes de se interessar pela navegação de lazer. Em 1923, ainda sem grande experiência na ciência náutica, partiu para Nova Iorque no «Firecrest», gastando 101 dias na travessia do Atlântico. Após uma breve interrupção, retomou (em Setembro desse mesmo ano) a viagem que passou pelo canal de Panamá, pelas ilhas Galápagos, pela Polinésia, por Madagáscar (depois de ter vencido o oceano índico), pelo cabo da Boa Esperança e pelos Açores. O navegador solitário francês chegou ao Havre em 1929, após uma memorável odisseia vivida nas águas dos três maiores oceanos do globo terrestre. Antes e durante a 2ª Guerra Mundial, depois de ter apostado na política colaboracionista do marechal Pétain, Gerbault voltou ao Pacífico numa outra embarcação, errando de ilha em ilha, como que farto da vida... Foi morrer de febres a Dilí (no então Timor Português e território ainda livre da ocupação nipónica), no dia 16 de Dezembro de 1941. Os seus restos mortais foram solenemente transferidos, em 1947, para Bora Bora, onde repousa à sombra de um monumento erigido para o homenagear. Por testamento, legou o famoso «Firecrest» à Escola Naval francesa. O célebre veleiro afundou-se, porém e em circunstâncias misteriosas, aquando da operação de reboque para o porto militar de Brest.

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