sábado, 23 de março de 2013

«VENGEUR DU PEUPLE»

Construído na sequência de uma subscrição pública, com dinheiros recolhidos junto da população da cidade de Marselha, este poderoso navio de 70 canhões chamou-se, primitivamente «Marseillois», em honra dos seus financiadores. Construído no arsenal de Toulon, que o lançou ao mar a 16 de Julho de 1766, este soberbo vaso de guerra da armada real de França recebeu a classificação de navio de linha de 3ª classe. A sua artilharia (compreendendo peças de vários calibres) estava distribuída por dois convezes. O «Marseillois» era um navio com 55 metros de longitude por 14 metros de boca. Depois da derrota infligida pela Inglaterra aos franceses durante a Guerra dos Sete Anos (1756-1763), estes decidiram vingar-se da humilhação sofrida e colocaram-se -aquando da Guerra da Independência dos Estados Unidos- deliberadamente do lado da recém-criada nação norte-americana. E, com o intuito de ajudar Washington a consolidar a sua autonomia, os franceses mandaram zarpar de Toulon -a 13 de Abril de 1788- uma esquadra de 12 navios sob o comando supremo do conde d'Estaing, da qual fazia parte o «Marseillois». Que recebeu o seu baptismo de fogo, no dia 11 de Agosto desse mesmo ano, num combate (indeciso) contra o HMS «Preston». O navio francês teve ainda a ocasião de se medir com a frota britânica em Julho de 1779 na batalha naval de Granada (Antilhas), também ela sem vencedores nem vencidos. O «Marseillois» esteve ainda -em 1781- na batalha da Baía de Chesapeake, que sorriu às armas francesas e noutros combates menores da Guerra Americana. Entretanto, em 1794, com a mudança de regime em França, o navio abandonou o pavilhão branco da monarquia, para o substituir pela bandeira tricolor dos revolucionários. E, nesse mesmo ano, recebeu o seu novo nome de «Vengeur du Peuple» ('Vingador do Povo'). Foi, pois, com este designativo que o vaso de guerra em apreço se cobriu de glória durante a famosa batalha de Prairial (travada a 1 de Junho de 1794), quando integrava a esquadra do almirante Villaret de Joyeuse e se bateu contra as forças navais do almirante Howe. Depois de ter destroçado dois vasos ingleses, o «Vengeur du Peuple» foi assediado por vários inimigos e, após ter perdido dois mastros (e de se ter tornado ingovernável) e com um terço da sua guarnição fora de combate, o «Vengeur du Peuple» foi obrigado a render-se ao adversário. Mas, o navio francês saíu tão desgastado desse seu derradeiro combate, que acabou por afundar-se diante dos olhos decepcionados dos seus captores. No seu soçobro morreram muitos dos seus tripulantes, já que, dos 600 homens da guarnição do «Vengeur du Peuple», só puderam ser salvos 367 marinheiros e 7 oficiais. Esta batalha perdida pelos franceses (que a transformaram em vitória moral) custou caro à República, que nela sofrereu baixas consideráveis : 7 navios perdidos (entre os quais 6 capturados), 5 000 mortos e feridos (contra 1 150 do lado inglês) e 4 000 prisioneiros.

1 comentário:

  1. Obrigado pelo texto! Estava atrás de algo palpável sobre a história deste navio.

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